Recesso

O Grandes Ligas dá uma pequena pausa e volta as atividades normal no dia 11 de Janeiro de 2011.

Enquanto isso leia (ou releia) os 20 textos destaques de 2010 e comente qual é seu artigo preferido.

Que todos leitores tenham um fantástico 2011, cheio de conquistas e vitórias

Abraço!


A Bem Aventurada Entre os Santos – sobre Rita Benson LeBlanc

A Morte da Inês – sobre a greve na NFL

O 1 de 101% - sobre Josh Hamilton

Mulher – Especial Danica Patrick

Outro Reinado, Outras Leis – sobre Michael Jordan

Milagre no Vale de Ossos Secos – sobre Shaun Livingston

Legalmente Estonteante – A Fã nᵒ1 do NY Giants – sobre Reby Sky

Jovem Com Skate na Terra de Outrora – sobre Tim Lincecum

O Problema em Saber Demais – sobre Myron Rolle

Carta à Lailaa Nicole Williams – sobre Candace Parker

Fascinante – sobre a Copa do Mundo

Gisele Bundchen & Tom Brady

Eu + Eu Mesmo – sobre Chad Ochocinco

Casamento: Solução ou Problema? – sobre Antonio Cromartie

Muni no Shiyuu – sobre tradutores japoneses na MLB

Sentidos e Direções – sobre esporte e religião

Tolerância, Conivência e Seus Tinos – sobre Ben Roethlisberger

Faz um 21 – sobre Tiago Splitter

LeBron James: A Pessoa do Ano

A Filantrópica de Tampa Bay – sobre Gay Culverhouse

Especial NBA - Um Brinde!


Os atuais comentários que sondam o mundo da NBA discutem se a temporada 2010-11 é a melhor da história. Este caminho leva ao medonho território da comparação: E na época de fulano de tal? E naquele tempo do...?

Em 63 anos, grandes atletas pisaram nas quadras da associação, responsáveis por popularizar e desenvolver o jogo. É inegável, contudo, determinar que um único jogador definiu a total excelência em si, dividindo em eras o tempo: antes de Jordan e depois de Jordan.

Michael Jordan! Suas conquistas e realizações são assunto para outra conversa, mas se faz pertinente notar que sua representatividade criou uma marca e uma enorme responsabilidade sobre aqueles que o sucederiam. Quem será o “novo” Jordan? Quais jogadores vão carregar a NBA após sua aposentadoria?

Claro que o nível caiu um pouco quando os principais nomes da liga – com exceção de Kobe Bryant e Shaquille O´Neal, líderes dos Lakers tricampeão no começo da década passada – eram Allen Iverson, Tracy McGrady, Vince Carter, Chris Webber, Stephon Marbury, Steve Francis... Por mais que os fãs do basquete admirassem o talento destes (e de outros jogadores não citados), eles não atraiam atenção do público em geral.

Com um pulo de dez anos é possível observar como que as principais estrelas da associação trilharam a rota que trouxe até o presente. Hoje a elite da NBA tem atletas que passaram pela depressão pós-Jordan e alguns que chegaram na crista da onda. O Grandes Ligas faz uma honrosa menção a 14 profissionais que colocam a NBA num singular momento histórico e construíram uma carreira alicerçada em conquistas, talento acima da média e desbravamento.

Um brinde!


***



Tony Parker – armador do San Antonio Spurs: O francês não se importa quando não é mencionado nas listas de melhores armadores da NBA. Está certo, pois muitos dos que são lembrados não tem os três anéis de campeão que ele possui. Quando novato (2001-02), foi titular em 72 jogos e já na segunda temporada foi campeão. Em 2007 ganhou o troféu de MVP das Finais. Na temporada 2010-11 tem posto os melhores números da carreira em assistências: 7.1 em média por jogo.

Dwyane Wade – armador do Miami Heat: Ele não se vangloria por isto, mas analistas e torcedores falam sem precipitação: Wade ganhou um título antes de Carmelo e LeBron, ambos escolhidos na frente dele no draft de 2003 – foi o MVP das finais em 2006.

LeBron James – ala do Miami Heat: Ao sair do Cleveland Cavaliers, o atual bi-MVP da associação tornou-se mais polarizador. Ele ingressou na NBA com uma expectativa altíssima e, na medida do possível, administrou o alvoroço. Em 2010 sua imagem foi afetada por uma péssima “decisão” de fazer um especial de TV para anunciar em qual time jogaria nesta temporada. A repercussão atingiu níveis extraordinários, induzindo a revista TIME a colocá-lo na disputa do título “A Pessoa do Ano”. Completa 26 anos de idade no próximo dia 30.

Shaquille O´Neal – pivô do Boston Celtics: O sucesso do “The Diesel” é uma mistura do carisma fora das quadras com um jogo dominante dentro delas. Sua carreira o elevou ao status de ser comparado aos grandes pivôs da história da NBA. Tem quatro títulos, sendo que em três deles foi o MVP das Finais (2000, 2001 e 2002).

Kevin Durant – ala do Oklahoma City Thunder: Na temporada passada, com média de 28.1 pontos por jogo, ele foi o cestinha da NBA, o mais novo jogador da história a conseguir ser o líder em pontos ao final de um campeonato – também esteve presente no quinteto ideal da associação. Graças ao seu estilo de jogo empolgante e eficiente, o Thunder é considerado um dos melhores times da Conferência Oeste.

Kobe Bryant – armador do Los Angeles Lakers: Tem dois MVP de Finais (2009 e 2010) e tantos outros prêmios e feitos, mas um é especial e pode ser considerado o maior jogo individual na história da NBA. Seus 81 pontos contra o Toronto Raptors no dia 22 de Janeiro de 2006 está apenas atrás dos 100 pontos marcados por Wilt Chamberlain em 1962. Comparações a parte, este jogo de Kobe foi estupendo por dois aspectos: os Lakers começaram o segundo tempo perdendo de 71 a 53 e ele marcou 55 pontos no período final. Um vídeo para relembrar.



Derrick Rose – armador do Chicago Bulls: Ele é um dos raros jogadores escolhidos na primeira escolha do draft (2008) que ganhou o prêmio de novato do ano. Na sua temporada de estreia levou os Bulls aos playoffs e em seu primeiro jogo apresentou um número impressionante: 36 pontos – igualou a marca de Kareem Abdul-Jabbar como o novato que mais marcou pontos numa estreia de playoffs. Sua camisa está entre as cinco mais vendidas da NBA.

Chris Paul – armador do New Orleans Hornets: Foi o novato do ano em 2006 e participou de três Jogo das Estrelas. É o atual líder da NBA em roubos de bola e este fundamento coloca seu nome nos anais da associação: maior quantidade de jogos seguidos com pelo menos um roubo (103); maior número de jogos em uma temporada com pelo menos um roubo (80); único jogador da história que liderou a liga em assistências e em roubos por duas temporadas seguidas (2007-08, 2008-09).

Carmelo Anthony – ala do Denver Nuggets: Pare pra analisar: ele compete na associação há sete temporadas e nunca ficou de fora dos playoffs... No ano de novato ele elevou o jogo de Denver de forma surpreendente, ajudando o time a melhorar em 19 vitórias numa comparação com a temporada anterior. No ano passado disputou as finais da Conferência Oeste e perdeu para o Los Angeles Lakers.

Rajon Rondo – armador do Boston Celtics: Em sua segunda temporada na NBA, foi titular em 77 jogos e campeão junto com os Celtics. O alviverde de Boston é conhecido pelo trio Pierce-Allen-Garnett, porém as atuações majestosas de Rondo fazem o trio virar um quarteto. No atual campeonato, Rondo teve performances memoráveis nas primeiras partidas. Contra os Knicks, terceiro jogo, ele anotou 24 assistências e formou um triplo-duplo (empatado com Isaiah Thomas por conseguir ao menos 24 assistências num triplo-duplo). Em 20 jogos nesta temporada, somente em 3 ele anotou menos que 10 assistências (9, 7 e 8).

Deron Williams – armador do Utah Jazz: John Stockton é o principal nome da franquia Jazz quando o assunto é armação de jogadas. Porém Williams vem ganhando seu espaço levando o clube a lugares só antes liderado pelo lendário armador. No seu segundo ano na NBA, Deron liderou o Jazz no melhor começo de campeonato na história da franquia (12v -1d). Na mesma temporada (2007-08) o Jazz chegou às finais de Conferência pela primeira vez desde a saída de Stockton. No campeonato seguinte, Williams anotou 212 assistências no mês de Março (2008), maior marca da história em um único mês, ultrapassando Stockton e seu recorde registrado em 1992. Williams é o único jogador da NBA a conseguir mais de 20 pontos e mais de 10 assistências em cinco jogos seguidos de playoffs numa mesma série (em 2010 contra o Denver Nuggets).

Kevin Garnett – ala do Boston Celtics: Na maior parte de sua careira esteve cercado de jogadores do naipe de Wally Szczerbiak, Terrell Brandon, Latrell Sprewell, Rasho Nesterovic, Anthony Peeler... mesmo assim sempre esteve presente nos playoffs com os Timberwolves – chegou às finais de Conferência em 2004. Na cidade de Boston conquistou um título e há espaço para mais outro. Único jogador na história da NBA a ter média – maior ou igual – de 20 pontos, 10 rebotes e 4 assistência em nove temporadas seguidas.

Tim Duncan – pivô do San Antonio Spurs: Não existem muitos pôsteres do camisa 21 por aí, mas pelos triunfos conquistados merecia muito mais louvor. Tem quatro títulos da NBA e em três deles ganhou o troféu de MVP das Finais. Após 11 jogos nesta temporada, ele tornou-se o maior cestinha da história dos Spurs, assim como o jogador que mais atuou pela franquia.

Dwight Howard – pivô do Orlando Magic: Pensaram que ele faria da NBA um púlpito para pregar valores bíblicos; Howard não deixou de ser cristão e nunca teve a pretensão de agir conforme diziam. Depois de seis temporadas na associação, sua alegria e irreverência são características mais fortes e que são lembradas pelos fãs. Em quadra é conhecido pelo forte jogo defensivo – foi o primeiro jogador da história a terminar líder em rebotes e tocos por duas temporadas consecutivas. Está numa sequência de cinco temporadas seguidas como líder em rebotes, um recorde na NBA passando Wilt Chamberlain (que teve quatro).


(GL)
Escrito por João da Paz

Duas Cidades. Duas Influências.


Como o football determina a vida de uma cidade? Quais impactos exercidos sobre os habitantes? E sobre os torcedores? Uma franquia pode trazer para seu local de sede mais do que vitórias e/ou derrotas?

É possível entender alguns destes conceitos e encontrar respostas para as perguntas acima ao analisar o desempenho de dois clubes tradicionais da NFL. Denver Broncos e Green Bay Packers exemplificam a dimensão que o esporte da bola oval representa para suas respectivas comunidades. Cada franquia tomou um rumo diferente após se encontrarem num lugar comum.

O Super Bowl XXXII em 1998 foi o encontro maior entre essas duas equipes. Quem saiu com o troféu Vince Lombardi foi o Denver e na temporada seguinte veio o bicampeonato. Depois os Broncos passaram por um processo de reformulação e só chegaram às finais da Conferência Americana uma vez – perdeu em 2005 para o Pittsburgh Steelers.

Em 2006 não foram aos playoffs (9v – 7d) e a partir de 2007 começou uma sequência indesejada: com a mais recente derrota frente ao rival Oakland Raiders, a temporada 2010 é a quarta seguida que os Broncos terminam com mais derrotas que vitórias. O fraco desempenho demonstrado em campo é só um dos aspectos que incomodam os dedicados fãs. Polêmicos e graves assuntos fora das quatro linhas colocam o time de Denver em ingratas manchetes.

A demissão no meio da temporada do jovem treinador Josh McDaniels, 34 anos, enfurece os torcedores. Ele seria o cara responsável por tornar o time competitivo e relevante na Conferência Americana. Toda diretoria apostou nele e lhe entregou um totalitário controle sobre o elenco. Tal ação resultou na arriscada negociação feita no draft deste ano. Para ficar com a vigésima quinta escolha do Baltimore Ravens, foram cedidas outras 3 dentro do próprio draft; e uma quantia em dinheiro. Tudo isso gasto em Tim Tebow, um quarterback que muitos acreditam que não merecia tanto.


McDaniels (foto acima) bancou a transação e assumiu a responsabilidade. Depois de derrotas e mais derrotas, os torcedores pediam a entrada do camisa 15 como titular, numa espécie de desafio do tipo “vamos ver se o seu QB é tudo isso mesmo”. Acabou que Tebow foi titular sim, mas só após a saída de McDaniels. Entretanto o resultado não foi tão diferente dos demais: derrota.

Desde o avassalador começo da temporada-2009, os Broncos perderam 19 dos últimos 24 jogos disputados...

Visto que pouco problema é bobagem, eis outros: recentemente o CB novato Perrish Cox foi preso por assédio sexual (pode pegar uma extensa condenação); em Outubro o LB DJ Williams foi preso por dirigir embriagado; em Setembro o WR Kenny McKinley cometeu suicídio; em 2007 o CB Darrant Wiliams foi assassinado e no final do primeiro semestre de 2010 alguns membros do elenco compareceram em juízo como testemunhas no julgamento do caso.

Lembrando da punição imposta pela NFL em McDaniels e no Denver por espionagem feita contra o San Francisco 49ers antes da partida em Londres no dia 31 de Outubro.

O momento não é bom para os fãs dos Broncos. Eles podem considerar o que está acontecendo como um teste, uma prova de lealdade. Porém a paciência deles diminui a cada dia que passa e só manchetes positivas podem reavivar o sentimento positivo e a alegria na cidade que se identifica com sua franquia da NFL.

Evidente que nada se compara ao Green Bay Packers.

É simplesmente impressionante o sucesso do time verde-amarelo.

O município do estado de Wisconsin tem 101.025 habitantes (censo de 2008). O estádio Lambeau Field tem capacidade para 73.128 pessoas. A fila de espera para adquiri um carnê de ingressos é de 81 mil torcedores... até a matemática fica mais confusa.

A lotação máxima no Lambeau vem desde 1960, uma sequência ímpar. Para novos pagantes conseguirem ingressos é uma tarefa das mais árduas, pois muitos torcedores incluem o carnê das entradas no testamento assim transferindo o privilégio para os filhos ou parentes.

As coisas que envolvem os Packers são únicas. O mercado para um clube profissional é, em tese, altamente restrito. Contudo a histórica franquia, o terceiro mais antigo clube de football dos EUA, conseguiu construir uma especial identificação com a região. Visto que muito sucesso é bobagem, os Packers são a única franquia entre todos os esportes americanos profissionais que não tem fim lucrativo e que é comandada por donos comunitários. Estas diretrizes violam a atual ordem da NFL, mas os Packers são a exceção que a liga permitiu existir.

O cômico, para não dizer trágico, é observar franquias que estão sediadas em locais com milhões de habitantes não lotarem os respectivos estádios e sofrerem com as finanças... Os Packers, além de ter uma ligação forte com a cidade de Green Bay, rende dinheiro para o local mesmo quando não é temporada de football e o estádio é o grande responsável por isso.


O Lambeau - acima uma foto do átrio - não só funciona nos oito jogos da temporada regular. A última grande reforma, feita em 2003, modernizou as instalações e possibilitou a realização de grandes eventos fora do espectro esportivo (feiras, reuniões corporativas, convenções e etc.). O rendimento é alto sem fazer algo que muitos estádios apresentam: shows musicais.

Mesmo não gozando de um alto sucesso desde o Super Bowl XXXII – derrota na final da Conferência Nacional em 2007 para o New York Giants – o clube venceu alguns títulos da Divisão Norte e superou um temido tabu: jogar sem o QB Brett Favre. Aaron Rodgers o substituiu a altura e nas mais recentes temporadas os Packers são considerados candidatos ao título.

É preciso afirmar que os fãs de Green Bay são felizes e vivem o dia-a-dia da sua franquia com devoção e carinho. Não é preciso mencionar que em Denver a situação não é das melhores. Por mais que lá tenha os Nuggets na NBA e os Rockies na MLB, o que importa mesmo são os Broncos e o humor da cidade varia de acordo com o momento do time.

Sendo assim, é preciso afirmar que os torcedores dos Broncos não estão felizes; logo não é preciso dizer que em Green Bay tudo vai muito bem.


(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 Justin Edmonds / Getty Images
© 2 Brian Kersey / UPI
© 3 Ron Chenoy / US Presswire

A Filantrópica de Tampa Bay


Ela conhece o mundo da NFL, mais especificamente daqueles que fizeram a liga grande e popular. Gay Culverhouse, ex-presidente dos Buccaneers, é a líder principal na luta travada entre os jogadores aposentados e a alta cúpula da NFL. Seu trabalho, sem fins lucrativos, consiste em ajudar os veteranos atletas que sofrem de alguma doença mental a obter beneficio da liga – o detalhe é que a burocracia impera nesta área.

Antes de adentrar nas nuances do problema, algumas perguntas são pertinentes: o que move Culverhouse? Quer dizer, por que se dedicar inteiramente, aos 63 anos de idade, a homens que enfrentam graves distúrbios de perda de memória? Ela, enquanto presidente dos Bucs no começo da década de 90 (1991-1994), estava estudando sobre o assunto. Apesar de ter chegado ao cargo com a ajuda do pai, então dono da franquia, era uma executiva de bom trato com seus atletas e criou uma boa relação com eles.

No meio tempo, três diplomas a fez especialista e lhe deu autoridade para falar sobre essas questões: Bacharelado em medicina na Universidade da Flórida, Mestrado em doenças mentais pela Universidade Columbia (uma das melhores do mundo) e Doutorado em educação especial também pela Columbia. Seu gosto por cuidar de pessoas elevou a um grau maior quando uma tragédia ocorreu e lhe abriu os olhos.

Um dos seus atletas na época, o offensive lineman Tom McHale, morreu em maio de 2008 ao tomar uma overdose de remédios. Tinha apenas 45 anos de idade, mas sofria de uma crônica encefalopatia traumática, traço comumente diagnosticado em lutadores de boxe. Ao saber do caso por completo, Culverhouse buscou descobrir se outros jogadores que atuaram no Tampa Bay sofriam de algo parecido. Depois de dois anos de busca, ela já cuidou e/ou encaminhou mais de 20 ex-Bucs.

Se McHale é o exemplo do descaso, há um bom exemplo do que pode ser feito. Jerry Eckwood foi durante toda sua carreira na NFL, de 1979 a 1981, running back dos Bucs. Desde que largou o esporte ele sofre de demência, mas em campo já demonstrava sequelas das constantes pancadas sofridas; várias vezes ele ia em direção do banco adversário e para o huddle do outro time. Sua passagem foi curta porque o problema era sério.

Culverhouse fez um propósito de achar Eckwood e ajudá-lo. Encontrou um homem abandonado pela NFL, sem assistência alguma da liga – a Universidade Arkansas, onde estudou, contribui com exames e tratamento. Ele então se tornou um dos primeiros ex-jogadores auxiliados pelo “Gay Culverhouse Player´s Outreach Program", criado para ser o elo unificador entre a NFL e os ex-atletas que precisam de ajuda médica e financeira.

Os investimentos na fundação tiveram inicio no bolso da anfitriã, doando cerca de US$ 400 mil dólares com o objetivo de encontrar mais ex-jogadores e orientá-los a conseguir uma pensão da NFL. O empenho dela ganhou um destaque enorme e no ano passado foi convidada pelo Congresso dos EUA para depor sobre as concussões ocorridas em jogos de football, sobre suas consequências e o quê tem sido feito para tratá-las. Sentada ao lado do comissário da NFL Roger Goodell e do presidente do sindicato dos atletas da NFL DeMaurice Smith, Culverhouse não se intimidou e falou com firmeza e direta ao ponto. Acusou tanto o sindicato quanto a NFL de negligência e cobrou atitude de ambas instituições.


Um ano após a sabatina, a NFL se aproxima da ação assistencialista, reconhece o brilhante esforço que ela faz e anuncia que irá apoiar o programa. Não será por meio de doações diretas, mas uma contribuição para que haja mais agentes a procura dos ex-jogadores e mais palestras para informá-los dos direitos que eles têm. Já é alguma coisa.

A dificuldade maior é conseguir preencher as papeladas e obter dinheiro da NFL. É preciso provar que os problemas mentais são decorrentes do tempo que determinado jogador esteve na liga. Para isso a limites de idade para pedir a pensão e certas barreiras em relação ao dinheiro a receber. Culverhouse esclarece as entrelinhas e, agressivamente, enfrenta a NFL em favor dos ex-jogadores.

Um clichê foi criado por ela ao ser indagada constantemente sobre por que faz isto: “Se eu não fizer, quem irá fazer?” Esta é uma interrogação afirmativa, porém sem resposta. Culverhouse, está de “hora extra”, pois seus médicos, em 2003, lhe deram apenas 5 anos de vida pela frente. O diagnóstico veio por descobrirem uma rara enfermidade: Mielofibrose Idiopática – pode se dizer que é um conjunto de infecções no sangue. Culverhouse tem três doenças raras em seu fluxo sanguíneo, todas de causas desconhecidas. Ela acredita ser resultado da poeira química respirada no dia do ataque às Torres Gêmeas de New York em 11 de Setembro de 2001 – era uma das pessoas que estava andando perto do local.

Ao saber do prazo dado pelos doutores, tudo foi preparado para sua despedida. Testamento foi escrito, epitáfio pronto... Mas o modo de pensar mudou e uma hora a mais passou a ser encarada como uma oportunidade ganha. 2.555 dias (ou melhor, oportunidades) depois, continua contando os feitos realizados e está à espera de novidades pela frente. Passou encarar a vida como uma missão e que esta tem que ser cumprida por ela.

A ironia do cotidiano causa momentos únicos. Enquanto ex-jogadores que sofreram concussões vão perdendo um pouco da sua vida a cada dia que passa, Culverhouse obtém um fôlego extra assim que o sol nasce e este sentimento de avivamento ela procura transmitir aos esquecidos pelos fãs, pela liga, pela memória... Quem passa pelas mãos da sobrevivente agradece a disposição desprendida para reforçar o conceito de sobrevivência que as vítimas de pancadas na cabeça precisam ter. Aí surge aquela história de que o um ajuda o outro, mas na verdade é o outro que ajuda o um.

Culverhouse desfruta de uma terceira idade difícil e tenebrosa, porém sua abordagem com as coisas corriqueiras é fruto de um método infalível: ajudar o próximo e ser feliz rindo das surpresas que a vida proporciona. Um dos seus netos – são 7 no total – está inserido nos esportes e decidido: ou vai ser jogador de football ou jogador de hockey. Para não perder o humor da trágico-cômica situação, a vovô coruja afirma: “Ótimo! Ou ele não terá cérebro ou ficará sem os dentes.”


(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 Reuters Pictures
© 2 Chip Somodevilla / Getty Images

A Charmosa Abelha Procura Lugar de Repouso

Literalmente a frase "propriedade da NBA” faz sentido para a cidade de New Orleans.

A franquia situada por lá, que disputa o maior campeonato de basquete do mundo, agora tem como dona a associação. David Stern, comissário, comprou os Hornets num movimento inédito e desesperador, com o objetivo de não permitir a saída do clube para outro lugar. A instabilidade em New Orleans resultado de um baixo envolvimento dos torcedores e problemas nas finanças, não atrai investidores locais – apesar de outras cidades terem interesse.

O fundador dos Hornets, George Shinn, decidiu vender sua parte majoritária da franquia (65%; por volta de US$ 300 milhões). Gary Chouest, dono minoritário (35%) calculou a possibilidade de possuir 100% dos Hornets, mas ele desistiu por não enxergar viável administrar o time de basquete e suas empresas (ramo petrolífero).

Nessa entra a NBA numa pura intervenção e terá árduas missões pela frente. Uma delas é levar torcedores para a New Orleans Arena, pois existe uma cláusula no contrato original, quando os Hornets saíram da cidade natal de Charlotte, que aborda a questão do público. Caso o clube, entre 1º de Dezembro de 2010 e 17 de Janeiro de 2011 (13 jogos em casa) não consiga colocar no ginásio 14.213 pessoas por média nestas partidas (no mínimo), a mudança de cidade pode acontecer sem nenhum empecilho. Até hoje (07/12) dois jogos foram realizados em casa dentro deste período: contra Charlotte Bobcats (publico de 10.866) e contra o New York Knicks (público de 13.865). A média total nos jogos na New Orleans Arena nesta temporada (10 jogos) é de 13.860.

Bons times vão visitar os Hornets até 17 de Janeiro como Utah Jazz, Los Angeles Lakers, Oklahoma City Thunder... Porém ver grandes times em quadra não é suficiente, afinal o próprio New Orleans faz uma bela campanha – 13v e 7d – mas não consegue incitar os moradores da cidade para irem assistir as partidas.


Outro cuidado primordial é o que fazer com o armador Chris Paul (foto acima), estrela da associação e principal jogador da equipe. Após o campeonato 2009-10 ele demonstrou insatisfação com os rumos que a diretoria estava tomando e não enxergava um futuro promissor em New Orleans. Depois de muita fofoca e conversas particulares, tudo se acertou e Paul permanece um Hornet; até quando?

Se o interesse da NBA é manter os Hornets em New Orleans, o possível e o impossível deverão ser feito para não deixar Paul sair. Caso assim seja, o desastre vem em dose dupla: o interesse dos torcedores da cidade cairá e possíveis compradores da franquia desistirão de uma futura aquisição.

Stern quer mostrar a empresários locais que os Hornets são um bom negócio e que a cidade de New Orleans tem capacidade e potencial de ficar com a franquia por um longo período. Isso pode ser visto como um conto, já que a realidade não é bem essa. New Orleans se mostrou pouco competitiva na NBA desde seu retorno ao campeonato em 2002 com os Hornets (a cidade é originária da franquia Jazz: 1974 até 1979). A partir de então houve a estadia, entre 2005 e 2007, na cidade de Oklahoma devido o furacão Katrina e somente uma boa temporada: 2007-08.

Nesse campeonato a NO Arena teve lotação máxima em 25 dos últimos 30 jogos. Os Hornets conquistaram o primeiro e único título de Divisão e foram para os playoffs como segundo colocado na Conferência Oeste; eliminado na segunda rodada. Para a temporada seguinte mais de 10.000 torcedores compraram ingressos para todos os jogos, mas o rendimento em quadra não correspondeu e o entusiasmo diminuiu drasticamente.

O fraco mercado para uma franquia da NBA, pouco dinheiro arrecadado nos acordos televisivos e essa inconsistência dos torcedores faz com que empresários não abracem a ideia dos Hornets em New Orleans. Quando o assunto muda de direção e outras cidades entram na conversa, a história é outra. Seattle e Kansas City são os locais que mostram mais qualidades em adquirir uma franquia da NBA e cada uma das cidades têm argumentos favoráveis.

A população de Seattle ficou devastada com a perda da conceituada franquia SuperSonics (virou Thunder e está em Oklahoma). Por problemas em relação a construção de um novo ginásio, o clube mudou de cidade, mas a base de torcedores continua presente a espera de um novo time. Os rumores em Seattle dão conta que Steve Ballmer, CEO da Microsoft - que tem sua sede na cidade -, está com mais dinheiro (US$ 1.4 bilhão) na praça em comparação quando tentou comprar o SuperSonics. Ele vai agir se houver a possibilidade de trazer uma franquia da NBA de volta para Seattle.

Já Kansas é uma cidade que não tem muito dinheiro, entretanto, apesar de um mercado restrito, é um local de muita paixão pelo esporte. No passado a cidade teve um clube na associação: os Kings entre 1972 e 1985. Kansas tem uma enorme vantagem porque lá tem uma arena pronta para receber jogos da NBA: o Sprint Center (foto abaixo).


O futuro é incerto para a simpática abelha que não sabe qual será o nome da cidade que estará em cima dela. Quando era Charlotte, sucesso e fama estavam com ela. A popularidade na cidade era enorme e foram registrados 358 jogos consecutivos com lotação máxima no antigo Charlotte Coliseum; até aqui no Brasil era possível ver, na década de 90, blusas e bonés com a abelha em destaque nas cores azul-petróleo e roxo.

A insistência permanece por parte de David Stern em manter os Hornets em New Orleans. As evidências são grandes para que uma mudança aconteça em breve. O prazo é curto para que uma solução seja construída e o provável se aproxima: a franquia deverá ir para uma cidade mais rentável e lucrativa.



(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 Chris Graythen / Getty Images

Ponto Verde na Floresta de Concreto

Um garoto californiano, acostumado com um clima maravilhoso e com uma praia sempre a disposição, cruzou os EUA e aterrissou em New York, cidade cosmopolita, megalópole e assustadora. Ser jogador de um dos times locais não é tarefa fácil; ser quarterback de um dos dois times locais que disputam a NFL, menos ainda. Para Mark Sanchez, QB do New York Jets, a dificuldade foi ainda maior, pois em seu primeiro ano na liga ele estava armando as jogadas de ataque do alviverde.

Em 2009 os Jets chegaram longe, não desperdiçaram chances e foram à decisão da Conferência Americana – vitória do Indianapolis Colts. Sanchez já estava com uma imagem consolidada e experiente no relacionamento com a mídia nova-iorquina. Em alguns instantes ele demonstrava insegurança, típico de um atleta novato. Junto no pacote, porém, sobrevinham traços de maturidade e ações responsáveis.

Jogo após jogo o QB foi adquirindo mais conhecimento e extirpou o mau para manter o agradável. Quando mais a temporada se aproximava do final, mais Sanchez desempenhava seu papel com desenvoltura. Muitos acham exagero todo esse alvoroço em cima do QB e, por mais que eu não concorde, alguns acham ele supervalorizado.

Numa recente pesquisa feita pela revista Sports Illustraded, com 299 jogadores em atividade na NFL, 5% deles votaram em Sanchez como o jogador da liga mais supervalorizado (aquele que é avaliado acima do que realmente é capaz) – na frente dele ficou o QB do Dallas Cowboys, Tony Romo, com 7% dos votos e Terrell Owens, WR do Cincinnati Bengals, com 14% dos votos.

O desdém vem com uma ponta de inveja. O descendente de mexicano tem apenas 24 anos de idade e comanda uma tradicional franquia que está ávida por um título – o último veio em 1968-69 no Super Bowl III. Fora os atributos dentro de campo com os pads no corpo, ele construiu uma imagem alternativa que começou numa atitude arriscada, entretanto a proposta era irrecusável.

Sempre quando comenta sobre o ensaio fotográfico para a revista GQ, Sanchez não menciona os honorários, mas sim a chance de ser fotografado ao lado da modelo Hilary Rhoda. Ele não se preocupou com as roupas que iria usar, só queria fazer o trabalho proposto e pronto!


As fotos trouxeram, naturalmente, dois resultados: o positivo e o negativo. Ruim para o QB foi chegar no vestiário e ouvir seus companheiros de time começarem a contar piada pelas poses, caras e feições que Sanchez fez para tirar as fotos – a zuação foi grande. Bom para o QB foi a aceitação do público e a atenção adquirida por empresas publicitárias, interessadas no perfil jovem, carismático e atraente do jogador.

Logo apareceram muitas ofertas. Algumas foram recusadas porque os trabalhos paralelos iriam afetar seu objetivo principal: jogar football. Os que permitiam uma harmonização saudável foram aceitos. Hoje Sanchez é garoto propaganda de grandes marcas como Verizon (telecomunicações), Toyota, Nike e Pepsi – sua projeção de ganho em 2010 somente com comerciais gira em torno dos 600 mil dólares; Peyton Manning, QB dos Colts, por exemplo, deve arrecadar cerca de 15 milhões de dólares neste ano só com marketing.

A imagem do camisa 6 dos Jets está cada vez mais bem quista. Suas aparições na TV não se resumem a comerciais. Nos programas esportivos ele é destaque, sendo entrevistado e pauta principal de reportagens especiais. Além disso, ele fez no mês de abril deste ano uma pequena aparição ao lado da atriz Tina Fey ("30 Rock") no Saturday Night Live. Sempre é convidado para participar de outros programas que não sejam sobre football e há três semanas atrás foi convidado do tradicional show matinal da TV ABC “Live! With Regis and Kelly”

Sem contar que na pré-temporada os Jets foram os protagonistas da série “Hard Knocks” do canal HBO, que filma os bastidores de equipes da NFL. Após a primeira rodada de 2010, o título do seriado “atacou” o time. Os Jets perderam em casa para o Baltimore Ravens (10 a 9) e Sanchez passou apenas para 74 jardas.

Uma enxurrada de críticas se direcionou ao elenco, porém focadas em Sanchez. No jogo da semana 2, contra o New England Patriots, a resposta veio: 21 passes completos de 30 (70%) para 220 jardas e 3 touchdowns. Aqui Sanchez mostra um poder de recuperação excelente que o ajudaria mais pra frente.


Após uma vexatória derrota em casa (9 a 0) para o Green Bay Packers na semana 8, NYJ viajou para Detroit e os Lions complicaram bastante o jogo. 3 minutos restavam para o fim e os Lions venciam por 20 a 10. Então Sanchez marca um TD num sneak e lidera o time num drive de 9 jogadas para um FG de 36 jardas de Nick Folk. O jogo vai para a prorrogação e nela os Jets começam no ataque em sua própria jarda 32. Mark avança sua equipe até a jarda 12 de Detroit e Nick Folk converte o FG da vitória de 30 jardas. Essa foi a partida na qual Sanchez conseguiu o maior número de jardas pelo passe em sua careira: 336.

No jogo da semana seguinte o adversário era o Cleveland Browns, também fora de casa. Os Browns estavam motivados por vitórias seguidas em cima do New Orleans Saints e dos Patriots. Esse foi mais um jogo que foi para a prorrogação e resultou em mais uma vitória dos Jets. Sanchez terminou o jogo com 299 jardas e 2 TD´s. Se a defesa dos Browns conseguiu frear Drew Brees (Saints) e Tom Brady (Patriots), não teve o mesmo sucesso contra Sanchez.

De desafio em desafio os Jets caminham rumo ao Super Bowl. O próximo é novamente os Patriots e o jogo é em New England na próxima segunda (6). Depois a tabela aponta para outros dois jogos fora de casa: contra Pittsburgh e contra Chicago. Tudo serve como um teste de amadurecimento. Vencer de virada times em seus domínios merece elogios e elevam a moral do elenco. Agora a tarefa é superar o arqui-rival, empatado com NY na primeira colocação da Divisão Leste da Conferência Americana (9v-2d). Em três duelos contra Brady, Sanchez venceu 2.



(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 Carter Smith / GQ
© 2 Andrew Burton / Getty Images

Especial - A Idolatria Nossa de Cada Dia


Quanto vale um atleta que:

- Tem 5 títulos
- Ganhou o prêmio de melhor jogador em uma destas conquistas
- Foi eleito 11 vezes para o Jogo das Estrelas
- Ganhou o prêmio de melhor jogador em uma destas partidas
- Joga no mesmo clube há 16 anos e por 8 deles foi o capitão

(?)

Casey Close, empresário do Derek Jeter, jogador dono das citações expostas acima, acredita que seu cliente mereça renovar contrato com o New York Yankees baseado não somente nas performances mais recentes, mas sim no conjunto da obra que o shortstop construiu com a camisa número 2.

Camisa esta vista aos milhares na cidade de New York, muito mais quando há um jogo dos Yankees. A representatividade que Jeter tem para a franquia nova-iorquina é usada por Close como uma carta a mais nas negociações, na intenção de comover os diretores do retorno financeiro que um dos maiores ídolos da história do clube traz. Nesse momento entra o fanatismo do torcedor que coloca o nome do atleta na camisa do clube (que, originalmente, não tem), coloca o nome do atleta em bichos de estimação e trata o esportista como se fosse um ser mitológico que necessita de jantar grátis, estacionamento grátis e outras mordomias.

Se, então, Jeter aos 36 anos de idade e na parte final da carreira, vindo da sua pior temporada no ataque, pede um novo contrato em torno dos 100 milhões de dólares, os torcedores não devem achar um absurdo, pois ele utiliza as agraciáveis ações dos fãs para justificar um acordo acima da realidade. Os Yankees pensam diferente e adotam uma política mais lógica.

A oferta que Close entregou é de 24 milhões de dólares/ano por 4 temporadas. A proposta dos Yankees é de 15 milhões de dólares/ano por 3 temporadas. O lado do jogador não está disposto a recuar e, assim, recebeu um desafio dos diretores: buscar interesses de outros clubes que possam ter condições de bancar a proposta do New York.

Será muito mal sucedido e passará vergonha #ficaadica
Exemplo: Hanley Ramirez, SS do Florida Marlins, ganhou na temporada passada 7 milhões de dólares. Ramirez é dez anos mais novo que Jeter e se algum clube estiver disposto em gastar 100 milhões num SS, será em Ramirez e não em Jeter – vide Yankees.

Dinheiro não falta para o clube mais rico do beisebol, mas não é por isso que ele será gasto a revelia. Como um dos donos dos Yankees, Hal Steinbrenner, disse: “...tem jogadores ganhando mais que seus patrões...”; aconselhou o empresário de Jeter para enxergar a realidade e ter bom senso. Porém para Close sua oferta é (praticamente) irreversível e ressaltou com firmeza: “Os Yankees não estão, pelo meu ponto de vista, recompensando Jeter suficientemente por tudo que ele fez pelo clube e a tradição vitoriosa construída na última década e meia”


O tablóide “The New York Post” publicou uma montagem de Jeter com a camisa e boné do Boston Red Sox, grande rival dos Yankees. Se isto acontecer será um desastre para aqueles torcedores com as paredes das suas casas recheadas de pôsteres do camisa 2 e colecionadores de tudo que faz lembrar o ídolo Jeter. Para estes a tragédia virá e os responsáveis são eles próprios que depositaram uma confiança exagerada num ser humano como nós, em busca de interesses pessoais.

Essa situação de idolatria esportiva resulta em episódios tenebrosos, senão cômicos. Peço licença para compartilhar duas situações próximas a mim que servirá para uma melhor ilustração.

Em 2004 tive o privilégio de trabalhar na loja “Todo Poderoso Timão” no Parque São Jorge (bairro da cidade de São Paulo). No final daquele ano houve um alvoroço enorme no Sport Club Corinthians Paulista, porque rumores diziam que o argentino Carlitos Tevez, então estrela do Boca Juniors, seria a nova contratação do time para 2005. Quando a transação foi confirmada, nós presenciamos nascer a “Tevez Mania”, que chegou a proporções absurdas. Pais compravam kits para crianças (uniforme completo) e pediam que tirássemos a pequena camisa da caixa para gravar o nome Tevez nas costas. Foi um festival de “Sicrano Tevez”, “Beltrano Tevez” e várias emissoras de televisão foram conferir este fenômeno de perto.

Outro exemplo vem da cidade de Pesqueira, agreste de Pernambuco, local onde morei a trabalho por três anos. Um conhecido meu (bom de bola) se chama Lineker. O nome exótico e estranho para alguns teve sua explicação, pelo pai dele, em rede nacional. Uma matéria do programa “Globo Esporte” mostrou a origem do nome Lineker e dos seus outros dois irmãos: Breitner e Shilton – veja reportagem no vídeo abaixo.



Mesmo distante no tempo ou lugar, o fanatismo vive e se faz ativo. Nas ruas é possível ver camisas de clubes e de seleções desfilando com números e nomes personalizados. Qual o limite da admiração por realizações de determinada personagem esportiva e/ou time? Quando saber que o gostar passou a ser idolatrar?

Recentemente vimos o caso LeBron James. Pessoas nas ruas de Cleveland queimaram camisas número 23 do jogador, atual membro do Miami Heat. É uma ingênua ilusão acreditar que grandes astros vão permanecer para sempre no mesmo clube. Nas grandes ligas temos um exemplo clássico: Brett Favre com a camisa do Minnesota Vikings. Poucos, ou ninguém, acreditava que ele encerraria a carreira sem estar com o uniforme verde amarelo do Green Bay Packers, muito menos atuar no grande rival. Com Jeter pode acontecer o mesmo e o pesadelo estampado na contra-capa do “The New York Post” pode virar real.

Há os atletas que permanecem no mesmo clube no qual iniciou a carreira, e os exemplos são vários. Há aqueles que jogaram em vários rivais, mas mantém a identificação com um time (caso do meia Neto, por exemplo. ícone corinthiano que já vestiu as camisas do Palmeiras, São Paulo e Santos).

As mudanças devem ser consideradas naturais e não uma aberração. Fora do comum é o apego exacerbado a alguém praticante de um esporte por profissão, possuídores dos mesmos anseios que nós espectadores temos: fama, sucesso, prosperidade. Não são super heróis e nem almejam ser (apesar de alguns se acharem). Na verdade, nem desenhos à base de nanquim são confiáveis.



(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 por Jeremy Chan

Fala Que Eu Te Escuto

Um dos assuntos mais quentes da NFL em 2010 trata sobre os tackles ilegais. Na luta para diminuir os contatos na cabeça dentro de campo a NFL enviou uma cartilha para cada uma das 32 franquias, um vídeo explicando quais são os tackles permitidos e criou um grupo que acompanha o cumprimento das severas determinações impostas aos atletas. Quem falhar é multado.

Neste painel estão ex-jogadores da liga, executivos dos clubes e árbitros. Por não ter uma voz ativa na restrita reunião, os atletas em atividade se sentem prejudicados por não poderem opinar sobre as multas que estão sendo distribuídas – e entender melhor o que é uma pancada legal ou ilegal. Troy Polamalu, safety do Pittsburgh Steelers, externou sua visão acerca do argumento de quem está jogando deveria participar das conversas. Não demorou muito e ele levou uma congelada básica do comissário Roger Goodell, que rechaçou a ideia proposta.

Já que não podem falar no tal comitê, eles usam a imprensa. Desta forma a liberdade de expressão entra em cena e é possível ouvir de tudo. O detalhe é que até isso é monitorado e se um jogador multado por um tackle ilegal resolve criticar a punição, o mesmo pode levar outra multa justamente por fazer um comentário julgado intransigente.

Asante Samuel, cornerback do Philadelphia Eagles, é a mais recente vítima da indústria de multas da NFL. Ele terá que pagar à liga 40 mil dólares por um tackle ilegal em cima do WR Derek Hagan do New York Giants no jogo do último domingo. Samuel – O Sarcástico – resolveu usar o humor para comentar sua punição e disse: “Eles não me pagam para fazer um tackle. Agora eles estão me cobrando por fazer um tackle”.

Claro que a preocupação maior é com as constantes pancadas que os atletas da NFL sofrem na cabeça e que podem causar sequelas quando eles chegarem à aposentadoria. Este é o alicerce que a NFL sustenta sua nova política contra os tackles ilegais e a cartilha entregue aos clubes disseca sobre. Veja alguns dos importantes trechos desta carta feita por Goodell:

Nossa principal prioridade é proteger nossos jogadores de desnecessárias contusões. Nos últimos anos, nós enfatizamos a diminuição do contato com a cabeça e pescoço, especialmente quando um jogador indefeso está envolvido. Pra mim é evidente que ações precisam ser promovidas para enfatizar a importância de ensinar técnicas seguras e controladas sobre como jogar dentro das regras. É nosso dever apoiar as regras que temos em vigor para proteger os jogadores.

Outra prioridade nossa é a segurança dos atletas. Sabemos que o football é um jogo agressivo e de contato. Mas com isso vem a obrigação de fazer o que for necessário para proteger os jogadores de desnecessárias lesões causadas por perigosas técnicas daqueles que jogam fora das regras

É função dos treinadores ensinar seus comandados como jogar dentro das regras. Qualquer falha neste sentido é sujeita a punição, tanto para o treinador quanto para o clube em questão


Agora é a vez dos jogadores. Veja algumas das melhores declarações:



Linebacker do New York Jets

“A impressão que eu tenho é que eles querem pegar nosso dinheiro. Queria saber, de verdade, para onde que todo este dinheiro vai. Pra quê tanto alarde? Cada incidente é diferente e deveria ser observado separadamente. Tudo é diferente, cada intenção é diferente e eu não acho que todo cara está sendo maldoso”

***


Linebacker do Chicago Bears

“Estamos falando de football; irá haver fortes pancadas. Não entendo porque eles querem nos suspender e nos multar. Pra mim tudo isso é bobagem. Sabe o que deveriam fazer? Deveriam colocar flags (bandeiras) em todos os jogadores; aí a liga iria se chamar NFFL: National FLAG Football League... É incrível o que estão fazendo”

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Linebacker do Miami Dolphins

“Se eles continuarem querendo fazer o nosso esporte parecer com um jogo feminino, deveríamos usar rosa durante toda a temporada e não somente no mês de Outubro”

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Safety do Seattle Seahawks

“Se um filho meu estivesse jogando football nas ligas infantis, com certeza eu o colocaria na equipe ofensiva. Assim quando ele chegar na NFL, os jogadores de ataque não poderão nem ser tocados; pode acreditar”


***



Cornerback do Minnesota Vikings

“Estamos em campo correndo o máximo que nossa capacidade permite tentando parar os jogadores adversários. Quando se atinge certa velocidade, é difícil mirar em uma parte específica do corpo. Não é de propósito que os defensores acertam os atacantes no capacete, é uma coisa que acontece – aliás, é por esta razão que usamos capacetes e protetores bucais, porque sabemos que contatos com a cabeça vão ocorrer”

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Linebacker do Cleveland Browns

“É engraçado. Vejo eles querendo banir estes hits e suspender e/ou multar os jogadores. Mas estes são exatamente os mesmos lances que são mostrados nos melhores momentos das televisões, que aparecem na NFL Network... tudo para promover o jogo. Eu estou sendo bem claro nas minhas palavras: eles são completamente hipócritas”


***


Defensive End do Tampa Bay Buccaneers

“Eu entendo o que eles estão fazendo, mas eu não me importo. Estão tentando mudar o jeito que devemos fazer os tackles. Então dizem para os running backs correrem devagar e usar pouca força”


(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 Jonathan Daniel / Getty Images
© 2 TSN
© 3 Vikings Media
© 4 Bucs Media

LeBron James: A Pessoa do Ano


O ala do Miami Heat não chegará nem perto dos primeiros lugares na disputa pelo prestigiado prêmio da revista “TIME” intitulado “Pessoa do Ano”; como ele mesmo disse, seu nome nem deveria ser mencionado na lista de 25 candidatos – entre eles estão os mineiros chilenos, Barack Obama (presidente dos EUA), Julian Assange (fundador da WikiLeaks), Lady Gaga (cantora) e Recep Tayyip Erdogan (primeiro-ministro da Turquia); estes três últimos estão nas primeiras posições.

Porém quem colocou o nome dele na lista foram os editores da TIME baseado em argumentos justificáveis, por mais que LeBron seja apenas um jogador de basquete. Tudo o que envolveu o atual MVP da NBA chegou a proporções que extrapolaram o mundo esportivo e suas decisões em 2010 causaram ódio, incitaram raiva e pautaram a imprensa em cadernos que não somente o de esportes.

O momento mais emblemático aconteceu no dia 8 de Julho, quando LeBron e sua equipe organizaram, um programa de uma hora de duração na ESPN, em horário nobre, para divulgar qual seria seu destino e em qual time ele iria jogar a partir de então. Com a frase “Levarei meus talentos para South Beach” – que virou bordão – LeBron anuncia sua ida ao Heat para formar um super trio com os amigos Dwyane Wade e Chris Bosh.

O programa chamado “The Decision” recebeu severas críticas sobre a necessidade de um show ser realizado para informar algo que poucos minutos bastariam. O fiasco foi premeditado, mas o sucesso foi obtido. O repúdio foi grande, assim como a audiência: “The Decision” alcançou uma média de 7.3 no índice Nielsen (cerca de 9.95 milhões de telespectadores nos EUA), maior que a audiência (6.2), na média, das Finais de 2007 entre Cleveland Cavaliers (ex-time do LeBron) e San Antonio Spurs.

Então um cara conversando atraiu mais público em frente ao televisor do que uma série de jogos decisivos que teve este mesmo cara atuando em quadra? Sim, e a repercussão foi estrondosa. Em Cleveland, por exemplo, pessoas começaram a queimar camisas dos Cavs com o número 23 às costas e no dia seguinte os jornais locais expressaram o sentimento de desolação da cidade.

Esta é a capa do principal jornal da cidade (Cleveland Plain-Dealer) e diz nas linhas menores: 7 Anos em Cleveland. Nenhum anel.


As manchetes estampavam palavras de rejeição, uma resposta em tom similar a que LeBron deu a Cleveland. Houve um mix de compreensão em relação a escolha dele em optar por mudar de clube, entretanto o consenso existia com a discordância de fazer isto em uma rede super popular com transmissão para todo o mundo.

Este específico episódio colocou LeBron no centro dos noticiários e consequentemente na boca do povo. Assim ele virou assunto nas conversas; aquele que muitos amavam e passaram a odiar. “The Decision”, que teve um intuito beneficente e arrecadou em propagandas mais de US$ 3 milhões, doados para a fundação “Boys & Girls of America”, trouxe um tipo de maldição sobre si, dando material suficiente para os detratores de plantão o bombardear de impropérios.

O tema não cessou semanas depois e o ala mantinha seus ouvidos nas ruas para permanecer sintonizado no que elas falavam. Entre insultos e – por incrível que pareça – elogios, LeBron assimilava dizeres que questionavam sua integridade. Absorveu declarações que queriam frear seu direito de ir para onde desejar. Aí chegou a vez dele contra atacar com um comercial, produzido pela Nike, com o título: “O que eu deveria fazer?

Nele são retratadas as opiniões mais comuns acerca do jogador e sua postura. O filme de 1 minuto e 30 segundos é num tom sarcástico, real, discursivo e intrigante. A pergunta que ele faz constantemente no reclame tem sua resposta no slogan da marca que o patrocina: “Just do It” (tr. “Apenas faça).

A cidade de Cleveland não ficou calada e logo surgiu na internet uma paródia deste comercial. Neste aparecem torcedores dos Cavaliers respondendo o que LeBron deveria fazer. Frases do tipo: “Traidores não deixam um legado” e “Quando a situação fica difícil você desiste, este é seu legado” recheiam o vídeo que bate forte na tecla traidor e derrotista.

Como um cara que estimulou rancor e aversão pode ser considerado a “Pessoa do Ano”? Para a TIME, esta honraria não é dada somente àqueles que fizeram coisas louváveis ou deram um bom exemplo. Segundo a diretriz do prêmio, ele é entregue a quem “....para pior ou para o melhor fez mais para influenciar os eventos do ano”. Claro que LeBron não ganhará destaque na votação (é o atual 21º na lista), mas sua indicação retrata o tamanho da sua representatividade e o quanto que sua decisão moldou (e ainda molda) opiniões na mídia e entre os que acompanham mais de perto a NBA.



(GL)
Escrito por João da Paz

Um Aceno Reverencial

O touchdown é o momento maior num jogo de football. Na briga territorial dentro de campo, depois de muita luta e esforço, alguém entra no território inimigo e assim consegue seis pontos para sua equipe. O êxtase vem e a comemoração surge com danças, pulos, gritos. O atual líder da NFL em jardas corridas, Arian Foster, RB do Houston Texans, faz diferente: ele pára, junta as duas mãos e saúda o torcedor. Tudo com um significado.

Essa celebração original é um de tantos detalhes que colocam Foster na categoria “diferente”. O gesto curvo feito após um TD é o destino final de muitos caminhos, tanto dos bons quanto os dos ruins. Uma trajetória fora do comum levou o incomparável ao ponto da serenidade. Não que fosse uma opção alternativa (embora seja), mas uma escolha para livrar o mal e concentrar no bem.

Na Universidade Tennessee ele cursou Filosofia. Sua passagem pelas salas de aula não eram apenas por compromisso para atuar no time de football, queria aprender as nuances da matéria, o que lhe interessava bastante. Nas conversas com seus companheiros de faculdade e/ou time logo percebia que o linguajar era diferente, que o pensamento em relação às coisas comuns era diferente. Além de ser bom de papo, o jogador expressava seus conhecimentos e sentimentos no papel. Para virar um poeta foi um pulo.

Difícil acreditar, mas mesmo nesta era digital e tecnológica, Foster usava uma caneta e uma folha. Ele mantém guardado cerca de 30 poemas escritos a mão, rascunhos de ideias e teses sobre a vida moderna e a cultura oriental. Pois é, vejam quais são as influências dele.

A cultura egípcia e todos seus aspectos encantam Foster, a ponto de colocar na sua primeira filha o nome de Zeniah Egypt. O hinduísmo também o atrai e influenciado pelos ensinamentos aprendidos na religião de origem indiana, veio a inspiração para sua comemoração de TD. Do oriente vêm também seus gostos musicais: antigos sons chineses e um básico Mozart, alicerces que o energizam na preparação antes de uma partida.

Todas as influências recebidas lhe deram o equilíbrio fundamental para ficar em pé e não oscilar perante as turbulências enfrentadas. Em seu ano de graduação, Foster machucou o quadril e essa lesão o prejudicou muito. Não teve boas performances na temporada final na NCAA, não participou do Senior Bowl (Jogo das Estrelas entre veteranos) e não esteve presente no Combine (testes pré-draft). Sua cotação no draft caiu drasticamente e passou de um provável jogador de segunda rodada (se optasse por sair da faculdade no terceiro ano) para um excluído – não foi selecionado no draft de 2009 (7 rodadas).

Nenhuma das 32 franquias o escolheu, porém algumas queriam vê-lo mais uma vez. Quem acabou decidindo foi o próprio jogador, que enxergou em Houston uma chance de poder mostrar seu trabalho e ser um elemento adicional no elenco. Treinos e mais treinos renderam a Foster um lugar na equipe... de treino.

Mais uma vez a paciência iria ser testada. Conforme for a atitude, é possível usar esta determinada situação como uma transição a equipe principal, para isso é necessário entrega, profissionalismo, vontade de aprender, aprimorar as qualidades e corrigir os defeitos.

Uma crítica feita ao estilo de jogo de Foster era em relação ao jeito que ele segurava a bola. Chick Harris, treinador dos running backs, colocou duas fotos perto do lugar que Arian sentava na sala de reuniões: uma mostrava o RB Ryan Moats com postura perfeita e imponente; e outra mostrava Foster segurando a bola sem protegê-la. A preocupação era tanta que foi criado um exercício específico para que ele aprendesse a maneira correta de correr com a bola e não deixá-la exposta para o adversário. A lição foi assimilada.


Em 2009, nos dois últimos jogos da temporada, Foster atuou em alto nível, um tipo de aperitivo do que estaria por vir. Contra os Dolphins foram 97 jardas terrestres e contra os Patriots foram 119. Na intertemporada ele dedicou ainda mais tempo aos treinos físicos e aos táticos. Aprendia mais sobre o ataque da sua equipe que na temporada passada teve o QB (Matt Schaub) que conquistou mais jardas via passe.

O campeonato deste ano começou um arraso para os Texans com uma vitória contra o Indianapolis Colts e uma partida histórica de Foster: 231 jardas corridas e 3 TD´s. Era um presumo dos jogos futuros. Evidente que dificuldades foram enfrentadas ao longo dos 9 jogos realizados até agora, entretanto seus números são excelentes:

- 920 jardas corridas (líder da NFL)
- 11 TD´s (líder da NFL)
- 5.3 jardas de média por corrida e 9.7 jardas de média por recepção

O processo de transformação ocorreu num curto espaço de tempo, mas não foi concretizado por uma mágica. As provações destrinchadas ocorreram como aprendizado e foram resolvidas por haver alguém preparado para encará-las. Os resultados positivos dentro de campo e a tranquilidade vivenciada fora dele são frutos da concentração no que é importante: paz de espírito, paz consigo mesmo.

Ao curvar seu corpo em reverência, Arian Foster agradece. Ao curvar seu corpo em reverência, Arian Foster simboliza. Representa uma saudação de respeito para com os ensinamentos que o auxiliaram a chegar ao seu estado atual; além de aconselhar. O ato pode parece um simples cumprimento, porém expressa muito mais que isto. Transmite a mensagem de que “o Deus que habita em mim saúda o Deus que habita em ti”. E deixa uma dica aos que sabem o que o gesto significa e conhecem o porquê Foster o faz após cada touchdown.

Namastê!



(GL)
Escrito por João da Paz



© 1 Bob Levey / Getty Images
© 2 Ronald Martinez / Getty Images

Os Players - Nos Bastidores das Grandes Ligas


Um executivo / estrategista, Bornstein cuida da imagem da NFL e lida com a imprensa. Vice Presidente Executivo de Mídia, ele é o responsável por criar um veículo de muito sucesso e lucro: a NFL Network. Com controle próprio, a rede de televisão por assinatura rende muito financeiramente graças a um espaço publicitário consolidado. Steve apostou num arriscado movimento que trouxe muitos elogios: fazer mais um canal, contudo que mostrasse só os momentos decisivos dos jogos da rodada. O RedZone Channel inovou e foi sucesso imediato – nesta temporada o canal está disponível em todos os estádios da NFL.

Os caminhos da mídia são conhecidos de Steve, que antes de entrar na NFL comandava a poderosa ESPN. Lá ele foi o CEO da “Líder Mundial em Esportes” e organizou os principais movimentos do meio da década de 90 que levaram o canal ao topo. É creditado por expandir a marca, vender os espaços e eventos e agregar uma audiência jovem que é a “menina dos olhos” das agências de publicidade. Também foi presidente da ABC, rede de TV aberta dos EUA, parte integrante do grupo ESPN.


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A australiana é a Presidente e Gerente da Coca-Cola, uma das maiores empresas do mundo. A super famosa produtora de refrigerantes tem sua marca associada a grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, porém há um trabalho forte de marketing em outros esportes e Bayne é a encarregada de desenvolver a marca nas ligas esportivas americanas.

A NBA recebe a maior atenção, pois é uma união que data desde 1986. Bayne entrou na empresa em 1989, mas em todos os cargos que ocupou até chegar na gerência, sempre esteve presente no setor publicitário. Quando assumiu a posição Chefe de Marketing em 2007, Katie reforçou ainda mais a união com a associação, explorando o produto Sprite, patrocinador majoritário do popular concurso de enterradas realizado no final de semana do Jogo das Estrelas. A Coca-Cola faz negócios com a NFL e a MLB também, só que em menor escala. Entretanto, no Super Bowl deste ano, ela deu a largada para que um alto investimento fosse feito num comercial a ser veiculado na grande decisão da NFL, evento televisivo de enorme audiência. Bayne conseguiu trazer a cena as personagens do seriado “Os Simpsons” (veja abaixo) abordando o tema da crise econômica – que, no caso, atinge o Sr. Burns – e destaca o slogan “abra a felicidade”.



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Esta figura é bem conhecida dos fãs porque ele aparece muitas vezes no draft da NBA entregando camisa e boné para os selecionados. Silver é um dos favoritos – junto com Heidi Ueberroth – a assumir o cargo de comissário da associação quando David Stern se aposentar. Enquanto isso não acontece, ele cumpre a missão de ser o Chefe de Operações da NBA e Comissário Substituto.

Silver será um player fundamental na conversa entre o sindicato dos atletas e Stern sobre o novo acordo salarial que precisa ser acertado para não haver uma paralisação da temporada 2011-12. Ele já passou por parecida turbulência no passado e conseguiu chegar num acordo, em Julho de 2005, que agradou ambas as partes – evitando o fiasco que ocorreu na greve de 1999, quando a temporada teve somente 50 jogos. Ele também administra o marketing e as mídias digitais.


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A partir de 2012 a NFL terá um novo patrocinador esportivo e Denson foi o cara que negociou a entrada da empresa que já estampa sua logomarca em alguns times de football universitário. Charile, Presidente da Marca Nike, promete inovar quando chegar a vez da sua firma produzir uniformes para os jogadores da liga. As novas tendências implementadas neste ano na NCAA serão aprimoradas no nível profissional, tanto na estética quanto na qualidade.

A Nike, que tem um espaço restrito nas grandes ligas – apesar de patrocinar muitos atletas individualmente – irá estar em destaque na televisão quando chegar os finais de semana: sábado tem a NCAAf e domingo a NFL. O êxito desta nova parceria tem um potencial enorme, pois no dia que o acordo foi fechado, 12 de Outubro deste ano, as ações da Nike atingiram o maior valor, até então, já registrado na Bolsa de New York: US$ 81.80/cota.


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O Vice Presidente Financeiro se orgulha de ter visto diversas franquias serem campeãs da World Series sob seu comando – para ele isso é resultado de um bom negócio. Boston Red Sox, Anaheim/Los Angeles Angels, San Francisco Giants, Arizona Diamondbacks, Chicago White Sox, entre outors, conquistaram títulos na década passada e injetaram dinheiro em vários mercados, descentralizando o foco da mídia e dos publicitários.

Brosnan é o negociador chave dos acordos televisivos de cada uma das 30 franquias da MLB e agenciou os contratos da liga com a FOX, TBS e ESPN para os EUA – e com as retransmissoras internacionais. Aliás, ele gerencia qualquer negócio envolvendo a MLB no fronte mundial, nada é realizado sem sua autorização. Toda movimentação de merchandising e produtos licenciados, assim como patrocínios nas mais diversas esferas são responsabilidades dele. Tim é advogado e jogou beisebol nos tempos de faculdade; foi capitão do time da Universidade Georgetown, era um dos arremessadores titulares.


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Ex-executiva da Nike, Sarah foi contratada pela PepsiCo. (empresa que controla a Gatorade) em 2008 e com apenas 36 anos de idade assumia um cargo de alta importância da marca. Chefe de Marketing da Gatorade, Sarah arriscou numa inovação no logo da bebida e acrescentou um grande G junto ao já tradicional relâmpago. A aposta deu certo e a aceitação do público foi extremamente positiva.

Ela cuida dos patrocínios esportivos e suas ações nesta área dão a empresa uma renda anual em torno dos US$ 90 milhões. Gatorade é conhecida pelos seus copos verde e galões laranja que são vistos fora das quatro linhas nos campos e gramados. Com a NBA a parceria vem desde 1984 e com a NFL a Gatorade está atualmente cumprindo um contrato de 8 anos (assinado em 2004), o que permite o tradicional banho que os jogadores dão nos treinadores após vitórias importantes, derramando o gelado líquido neles e permitindo uma exibição da marca num momento tido como um clássico ritual.



(GL)
Escrito por João da Paz


© 3 Coca-Cola Co.
© 4 Stephen Lovekin / Getty Images


*Todos os logos aqui apresentados correspondem as respectivas empresas e ligas

No Sacrossanto Solo

Fabrício de Melo (ou apenas Fab Melo) decidiu levar seus talentos para a cidade de Syracuse, estado de New York. Lá ele representará a universidade local no campeonato da NCAA deste ano e sua estreia oficial acontece amanhã. Cercado de altas expectativas, o pivô brasileiro, natural de Minas Gerais, teve excelentes opções em sua busca por uma universidade americana. Louisville, Connecticut e Florida, programas de basquete top da NCAA, ofereceram bolsa a ele, porém preferiu se vestir de laranja e ingressar num time com potencial enorme e que também tem sua parcela relevante na história.

Syracuse detém a quinta melhor porcentagem de vitórias entre as escolas da 1ª Divisão – o primeiro jogo do Orange foi realizado em 1900. Possui um atual recorde que afirma o poder da universidade: são 39 temporadas consecutivas terminadas com mais vitórias que derrotas. 34 destas sob o comando do treinador Jim Boeheim, o responsável por fazer o basquete ser o mais importante esporte na cidade, que antes tinha o football como principal paixão.

Boeheim estudou em Syracuse e jogou no time de basquete entre 1962-1966. Três anos após sua graduação, entrou na comissão técnica como assistente e em 1976 assumiu o cargo de treinador. Desde então dirige um programa baseado em fundamentos básicos e simples, porém é eficiente e competitivo ano a ano. A temporada 2009 foi expressiva para Boeheim porque ganhou um prêmio inédito na sua carreira.

Uma fraca pré-temporada rendeu ao time uma posição fora do ranking. O campeonato pra valer começou e logo foram 13 vitórias seguidas. Com mais resultados positivos alcançados, Syracuse chegou ao topo do ranking pela primeira vez desde a temporada 2003 (ano do único título). O time terminou a disputa com 30v e 5d, o que rendeu a Boeheim a honra de ser eleito o treinador do ano pela primeira vez – no torneio da NCAA o Orange perdeu nas oitavas-de-final para Butler, derrotada na decisão contra Duke.

O elenco deste ano carece de uma grande estrela, mas esta não é nenhuma novidade para Boeheim. Ele já teve a oportunidade de treinar e desenvolver o jogo de nomes como Derrick Coleman (escolha nº 1 no draft de 1990), Carmelo Anthony (líder do time campeão em 2003, escolha nº 3 no draft do mesmo ano), Wesley Johnson (promessa do Minnesota Timberwolves, escolhido na 4ª posição no draft de 2010), entre outros. Contudo sua filosofia de trabalho não consiste em concentrar o jogo em apenas um só jogador, mas alargar as probabilidades de conversão dentro de quadra o máximo que puder. 2010 tende a ser desta forma e Syracuse vem com seu tradicional estilo de jogar basquete.

As características principais são: a marcação por zona na defesa (o tradicional 2-3) e velocidade no contra-ataque. Segundo Fab Melo (foto abaixo), estas foram algumas das razões que o fizeram ir à Syracuse ao invés de outras universidades, isto porque sua maneira de jogar se adapta fácil ao modo de Boeheim.


O grandalhão de 2m14 entrou num rígido regime para ganhar velocidade e explosão. No meio do ano passado ele estava com 127kg e hoje seu peso é de 117kg. Horas de academia e dedicação o fez perder gordura e ganhar massa muscular. Azar dos adversários.

Fab não será a força principal no ataque de Syracuse por dois motivos: não é necessário e “... ele ainda não está pronto para dominar” palavras de Boeheim. Sua função primordial será cuidar do lado defensivo, coletando rebotes e distribuindo tocos. No jogo das estrelas do high school, chamado de McDonald´s All American, Melo marcou apenas dois pontos, mas teve sete rebotes e três tocos em 19 minutos de ação. Algo similar a isso é que se espera do brasileiro nesta temporada.

É precipitado dizer que ele irá ficar só um ano em Syracuse e entrar no draft da NBA. Mesmo que especialistas o exaltem e coloquem seu nome no topo das projeções, Melo vai fazer diferente. Seu objetivo maior é conseguir um diploma (é aluno do curso de Artes e Ciências). A graduação pode ser finalizada mais pra frente, porém ele não vai levar em consideração somente as conquistas em quadra como requisito para entrar no basquete profissional. Talento ele tem e no melhor momento tudo se resolverá do jeito ideal. Enquanto isso, o aprimoramento é buscado para progredir com qualidade a cada dia.

Melo possuiu uma presença impactante não só em quadra. Fora dela aflora a brasilidade capaz de contaminar todos ao redor. Na escola de ensino médio, na cidade de Weston – Florida, ele era um dos garotos mais populares. Atraia gente com sue sorriso e alegria. Isso o fez ser agradável e ajudou a se inserir numa cultura diferente da vivida no Rio de Janeiro, cidade onde morava antes de ir para os EUA.

Quando Melo decidiu Syracuse como a próxima parada da sua caminhada, a primeira pessoa que soube da notícia foi sua mãe. Ao saber da novidade ela disse: “O que é Syracuse?” O essencial era saber se é uma boa universidade para estudar e conseguir um diploma. Dona Melo soube disso e se tranquilizou, agora está prestes a descobrir que eles têm um bom time de basquete ao olhar seu filho correndo por cima do imponente “S”.



(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 Dennis Nett

Lá Se Foi


Nas ruas do bairro Montecristo, cidade de Barranquilla (Colômbia), os garotos tem um costume comum entre muitos ao redor do mundo: jogar bola. Este “jogar bola” significa o mesmo que se vê aqui no Brasil: jogar futebol. Edgar Renteria (foto acima) estava envolvido na brincadeira simples e prazerosa que o esporte mais popular do mundo proporciona. Porém seus dois irmãos gostavam de brincar com outra coisa que também usa bola, mas com o adicional de um taco e de uma luva.

No norte do país, região caribenha, o beisebol tem uma parcela de popularidade, nada que ganhe do futebol, porém há adeptos e praticantes do esporte no local. Entrando na onda dos irmãos, Renteria vai experimentar o gosto de rebater uma bola e avançar dentro de um losango, sente a energia ao correr no campo e defender uma pelota no ar. Depois disto, o futebol ficou de lado.

E então surgia uma das principais forças esportivas colombianas.

Os olheiros (scouts) da MLB quando vem para a América do Sul focam as suas atividades no país vizinho – Venezuela – onde o beisebol faz parte da cultura do país. Vez ou outra eles vão a Barranquilla para tentar garimpar um talento. Numa destas excursões extra acharam Renteria e com 15 anos “El Niño”, como ele é conhecido, partiu para os states.

No ano seguinte, em 1992, ele se tornou profissional ao assinar um contrato com o Florida Marlins. Quatro temporadas se passaram e Renteria estreia na liga com ótima produtividade e termina em segundo na votação de Novato do Ano da Liga Nacional. No campeonato de 1997 sua equipe fez história ganhando a World Series; e o garoto de 21 anos foi decisivo.

Renteria impulsionou a corrida vitoriosa de Craig Counsell com uma rebatida simples no centro do campo (encobrindo o arremessador do Cleveland Indians, Charles Nagy). Era a 11ª entrada do jogo 7 e o colombiano colocou o seu nome, junto com o do seu país, nos anais da MLB.

Nas ruas de Montecristo a festa foi grande. O filho da terra está no estrangeiro representando um povo, uma nação e fez o melhor que pôde. Ainda jovem se tornou uma personagem, alguém que seria espelho e exemplo para os moradores do lugar que apresentou o beisebol a ele. Edgar se tornou referência e todos, amantes do esporte ou não, passaram a acompanhá-lo.

A maioria não torcia por um time específico da MLB, queria ver o shortstop jogar. Também pudera, ao longo da carreira atuou em diversos clubes, seis para ser mais exato:

- Florida Marlins: de 1996 até 1998
- Saint Louis Cardinals: de 1999 até 2004
- Boston Red Sox: em 2005
- Atlanta Braves: de 2006 a 2007
- Detroit Tigers: em 2008
- San Francisco Giants: de 2009 a 2010

Durante todas estas temporadas Renteria foi ganhando mais e mais admiradores, estendendo o respeito ao público geral da liga. Suas cinco indicações para participar do Jogo das Estrelas (1998, 2000, 2003, 2004 e 2006) são uma comprovação disso. Além dos prêmios entregues pelos treinadores das franquias da MLB aos melhores em campo, seja na defesa (Luva de Ouro em 2002 e 2003) ou no ataque (Bastão de Prata em 2000, 2002 e 2003).

O auge atingido com os Cardinals se opôs ao mau momento vivido com os Red Sox. Em Boston foi alvo de críticas ferrenhas e de perseguição da imprensa – tudo baseado nas péssimas performances apresentadas dentro de campo. Sua estadia em Atlanta foi essencial para se recuperar e ganhar novamente o apoio dos fãs e ter seu bom beisebol de volta. Entretanto a qualidade de jogo já não era a mesma e seu currículo ia se finalizando.

Chegando em San Francisco, Edgar teve que lidar com lesões e mais lesões. Ele não cedeu, pois acreditava dentro de si que algo de bom iria acontecer. As diversas estadias no departamento médico lhe causavam mais dores (psicológicas). Estar inválido era insuportável para o SS que foi um fator relevante na década passada. Pela experiência adquirida, Renteria confiava no elenco dos Giants e sabia que era possível ganhar a World Series.

Embora tenha atuado em apenas 72 jogos em 2010, não deixava o desânimo o atingir e fazia o mesmo com o elenco. Foi um campeonato disputadíssimo e acirrado, numa intensa briga para conseguir o título da Divisão Oeste da Liga Nacional. O time se classificou para os playoffs e o veterano SS estava listado na parte de baixo da linha de rebatedores, mas lá estava ele.

Contudo as dores no antebraço esquerdo continuavam incomodando. No jogo 2 da série divisonal contra o Atalnta Braves, Renteria sentiu fortes contrações, fez uma ressonância magnética e por pouco não ficou de fora da pós-temporada. Esteve ausente na partida seguinte e apareceu com o bastão apenas uma vez no jogo 5 – que avançou os Giants para a decisão da Liga Nacional contra o Philadelphia Phillies.

O que sustentava o colombiano era sua fé. Não esmorecia diante de nenhuma circunstância, cria que poderia ser útil ao time, não só com sua experiência, mas com sua habilidade em jogar bola – com taco e com luva. Ficou de fora do jogo cinco das finais da LN, porém não queria perder um instante da grande decisão.

O adversário era o Texas Rangers e lá estava Renteria na 8ª posição da linha de rebatedores dos Giants. E toda crença dada lhe trouxe resultado. No jogo 2 anotou um HR e uma rebatida simples, conseguiu três rebatidas no jogo 4 e foi o herói no decisivo jogo 5.



Contra o temido Cliff Lee, Renteria rebateu um home run de três corridas (vídeo acima), as únicas dos Giants na partida. O time de San Francisco venceu a série, ganhou o troféu de campeão e o colombiano foi eleito o melhor jogador da World Series.

Nas ruas de Montecristo a festa foi gigantesca, sem comparação com a que aconteceu 13 anos atrás. O bairro pobre de recursos sociais se enriqueceu de alegria e o povo explodiu de felicidade. Quem causou toda esta comoção foi o garoto que imigrou em terras gringas e trouxe de lá coisas boas.

Com as conquistas ele construiu um campo de beisebol onde nasceu, para dar as crianças uma oportunidade no esporte. Com as conquistas ele construiu uma igreja onde nasceu, para dar as crianças esperança e fé, crendo que tudo do bom e do melhor é possível se obter. Com as conquistas ele trouxe felicidade aos rostos da gente que o considera um dos maiores atletas do país.

Tá vendo? Lá se foi a ceticismo e a tristeza.


(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 Dilip Vishwanat / Getty Images