Evas e Giseles

O que Gisele Bündchen tem a esconder?

A polêmica foi atrás e a escolheu como notícia na semana pós-Super Bowl que teve seu marido, Tom Brady, do lado perdedor do jogo mais esperado do ano nos esportes americanos. Como fiel esposa ela estava em Indianápolis, local da final, e torceu para o New England Patriots sair com a vitória contra o New York Giants, mas o time da “capital do mundo” levantou o troféu Vince Lombardi.

Gisele acompanhou a partida e viu o que aconteceu. Ao caminhar para um dos elevadores do Lucas Oil Stadium, estádio do Indianapolis Colts, um fã dos Giants, num comportamento típico de um desocupado torcedor de New York, aquele que pensa mais em coisas supérfluas em comparação com o que realmente importa, disse à über modelo: “Eli [Manning, QB dos Giants] dominou seu marido”.

Primeiro que o cara é tão sem noção que não consegue nem fazer uma “cantada de pedreiro” ao ver uma mulher do naipe da Gisele passar em sua frente... Incorpora o meme forever alone...

Gisele ouve e [é importante isto] não responde diretamente ao coitado. Comenta com uma colega ao lado o seguinte:

Você tem que pegar a [po***] da bola que supostamente é a obrigação. Meu marido não pode lançar a [po***] da bola e pegá-la ao mesmo tempo. Não acredito que eles deixaram cair tantas bolas.”

Veja, ela conversou com uma amiga sua, que estava ao seu lado...

Ambos os áudios foram capitados por uma câmera e, óbvio, caiu na internet instantes depois. Numa ação esperada da mídia sensacionalista, manchetes do tipo “Gisele xinga fã dos Giants” começaram a aparecer”. Só um desfortunado afirma algo do tipo: ou não viu o vídeo ou nem sabe do que se trata.

Figura pública sofre este tipo de invasão e, infelizmente, é mais fácil se adaptar a ela do que combatê-la. Dias antes do Super Bowl, Gisele mandou e-mails privados para alguns amigos. Nele estava um pedido de apoio a sua família e principalmente ao seu marido que estava prestes a competir num jogo de extrema importância. Porém, alguém da corrente particular entregou o conteúdo da mensagem à mídia, mais especificamente ao popular tablóide sensacionalista de New York, o New York Post.

Gasolina no fogo.

O periódico, sem hesitar, publicou o e-mail no impresso e na web. O privado se tornou público.

Na conversa de Gisele com sua colega perto do elevador ocorreu o mesmo: o privado se tornou público.

Nos dois casos falaram de tudo, menos do fundamental. O episódio do e-mail foi tido como desespero de Gisele, ou até mesmo falta de confiança no marido. O segundo episódio foi visto como afronta aos colegas de time de Brady, ou até mesmo como uma violação de ética do clube.

Nada mais absurdo.


Esqueceram de mencionar, e reforçar, que Gisele é esposa de Tom Brady. O que uma esposa faria nesta situação? Imagine como se comportaram as esposas/namoradas dos outros jogadores participantes do Super Bowl? Será que foram omissas ou ficaram ao lado do seu homem?

Gisele direcionou seu comentário à sua colega defendendo seu marido. Algo a se louvar, pois mostra que ela de fato viu o jogo. E quem fez o mesmo sabe que teve bolas decisivas (em especial uma direcionada ao WR Wes Welker, alvo favorito de Brady) que não foram passes completos. Isto nos momentos decisivos do jogo. Isto quando os Patriots estavam à frente no placar.

Para Brady, apesar da noite boa em campo e de que o resultado final não teve sua direta interferência – entregou o jogo para a defesa do seu time com 17 a 14 favorável aos Patriots faltando 3:46 pro fim –, talvez o momento mais feliz tenha sido a atitude de Gisele em defendê-lo. Se nenhuma câmera estivesse presente para o flagra, ela diria para ele depois: “Você não acredita o que um idiota falou... aí eu disse assim pra Fulana de Tal...”.

Mas uma câmera estava lá. Bom para Brady, bom para Gisele também. Uma defesa amorosa para quem quiser ver.

Gisele falou a verdade, por que esconder? Não expôs vergonha, mesmo com comentários machistas sendo disparados pelos quatro cantos. Foi uma lição de vida e conhecimento.

Num exemplo simples, sua namorada ou esposa (ou você que é namorada ou esposa) teve a oportunidade de praticar um ato similar, de se posicionar a favor do seu homem não importa qual fosse a situação / lugar. Quem se envolve sabe como é quando alguém ofende ou ataca sem pudor aquele quem tanto ama.

Numa ação natural de uma companheira legítima, Gisele se portou como deve ser, como todo homem gostaria que sua companheira fizesse. Foi autêntica, pura, simples, nua.

Eva precisou esconder sua nudez do seu parceiro, Adão, que permitiu a entrada do pecado no mundo ao desfrutar do fruto oferecido por ela – que experimentara anteriormente. Precisou se cobrir, se esconder. Era o conhecimento da vida sendo desvendado então.

Quantas Evas se envergonham de se posicionar e num mix de sentimentos transfere a culpa? Eva poderia dizer, ao ser questionada por Deus, que a culpa por comer o fruto proibido foi de Adão, mas disse que foi a serpente quem a enganou...

É natural defender os que são íntimos, afinal é como defender a si mesmo (uma carne somente). Quantas Giseles hoje ouviram um comentário perverso sobre seus respectivos “Bradys” e foram tirar satisfação para não deixar que falem assim deles?

Além de rica e bonita, agora sabemos que Gisele é genuína. E pra chegar perto da perfeição, ainda é uma d’As Brasileiras!

“A Sincera de Horizontina”.

(GL)
Escrito por João da Paz

Fatos e Curiosidades sobre os Patriots e os Giants – Super Bowl XLVI

- Alguns insistem em “tirar” os Patriots de Boston, mas um dos primeiros nomes do clube foi Boston Patriots. O apelido “Os Patriotas” (Patriots) surgiu para lembrar o papel da cidade na fundação dos Estados Unidos – daí vem as cores tricolores presentes na bandeira americana: azul, vermelho e branco. A mudança de nome para New England (Nova Inglaterra) veio para registrar a importância da franquia para a região nordestina do país composta por seis estados (Maine, Vermont, Massachusetts, Rhode Island, Connecticut e New Hampshire). Nova Inglaterra é denominada assim por receber os primeiros colonos ingleses em 1620 - fundaram “As Colônias da Nova Inglaterra”. Lá nasceu o [Boston] Tea Party, que atualmente renasce como vertente do Partido Republicano, e começou o movimento de independência dos Estados Unidos.

- A maior rivalidade da franquia é contra o outro time de New York: os Jets. Além de serem rivais de divisão, tem muitas intrigas na linha do tempo. No confronto entre ambas as equipes são 106 jogos, 53 vitórias para os Patriots, 52 para os Jets e 1 empate. Ainda tem os atritos recentes como os casos Bill Parcells, Bill Belichick e o escândalo da espionagem em 2007 (spygate).

- Caso New England vença, Bill Belichick empatará com Chuck Noll, lendário ex-treinador do Pittsburgh Steelers, conquistando quatro Super Bowl’s.

- Não. O dono dos Patriots, Robert Kraft, não tem nenhuma relação com a Kraft Foods, maior empresa alimentícia dos EUA e segunda maior do mundo – atrás da suíça Nestlé.

- Qual casal mais rico no mundo dos famosos? Tom Brady e Gisele Bündchen. E a disputa não é fraca não: Jay-Z e Beyoncé, Victoria e David Beckham... Até nessa relação a nova ordem impera: quem ganha mais é a mulher. Segundo a Forbes, entre Maio de 2010 e Maio de 2011 Gisele ganhou US$ 45 milhões e Tom Brady US$ 31 milhões.

- Superstição à parte, os Patriots vão repetir o mesmo uniforme usado na derrota contra os Giants em 2008. Por ser o mandante, New England pode escolher se vai usar o uniforme escuro de casa (azul marinho) ou claro de fora de casa (branco). Entrará de azul marinho e os Giants de branco.

- Os Patriots levam uma coisa boa para as linhas laterais de campo: cheerleaders. O Super Bowl de 2011 não teve nenhuma equipe de garotas para animar os torcedores, nem Packers, nem Steelers tem times de cheerleaders – os Giants também não.

***


- Os Giants é de New York mas jogam em New Jersey. Mas não foi sempre assim e sediar partidas no estado vizinho começou em 1976. Antes o clube atuava nos campos de beisebol da cidade: Shea Stadium (ex-estádio dos Mets) e no Yankee Stadium. Usavam o park dos Yankees nos tempos áureos do beisebol na cidade quando New York tinha os Giants (agora em San Francisco), os Dodgers (agora em Los Angeles) – mais os Yankees que continuam por lá.

- Aliás, tudo dos Giants é em New Jersey: estádio, sede e centro de treinamento.

- Nesta época, década de 20 e 30, havia dois Giants em New York: o time de beisebol e o time de football. Para deixar claro a diferença, o time de football colocou o esporte no nome oficial do clube, passando a se chamar “New York Football Giants”. Mesmo com a mudança do time de beisebol para a Califórnia, o “Football” ainda permanece oficialmente.

- Os Giants são a única franquia que permanece com a mesma família desde a fundação em 1925. A terceira geração está no comando: John Mara, filho de Wellington, filho de Tim Mara (o fundador).

- Caso New York vença, será o primeiro time a vencer o Super Bowl em quatro décadas diferentes: 1987, 1991 e 2008.

- O clube tem uma invencibilidade poderosa: nunca perdeu uma decisão da Conferência Nacional; são 5 vitórias.

- Na primeira temporada, Tim Mara teve de colocar US$ 25 mil do próprio bolso para fechar o orçamento anual da equipe – os jogadores recebiam por volta de US$ 100 por jogo.

- Em 2010 a revista Forbes avaliou o valor da franquia em US$ 1.183 bilhão – em 1998 o valor estimado era de US$ 288 milhões.

- O New York Giants de 2011 é o primeiro time a chegar ao Super Bowl com um saldo negativo de pontos na temporada regular.

- Bill Belichick saiu do time, como coordenador defensivo, para ser treinador do Cleveland Browns em 1991, logo após ter sido campeão do Super Bowl XXV.

- Os Giants, em toda sua história, só jogou três vezes em Indianápolis: todas contra os Colts, com 2 vitórias para o visitante e 1 derrota.


(GL)
Escrito por João da Paz


*Todos os logos aqui apresentados pertencem a seus respectivos proprietários

Foi bom enquanto durou, Dwight Howard

Os dias passam e fica cada vez mais insustentável a relação Dwight Howard – Orlando Magic. Enquanto um fica de birra com o outro, enrolando a instável situação, todos os envolvidos sofrem. De personalidade forte e jogador mais importante da franquia, o pivô fala o que pensa via mídia. Certo ou errado, seu ponto de vista é expresso. O tom das declarações é pesado, longe de ser um exemplo de uma boa relação publica. Ontem (27) o Magic perdeu fora de casa para o New Orleans Hornets, pior equipe da Conferência Oeste. Howard, em entrevista com jornalistas no vestiário, disse:

Eu olho pros caras [do nosso time] e parecem que eles não querem jogar. Disse a eles no intervalo ‘Se não querem jogar, fiquem no vestiário porque não faz sentido perdemos para um time que deveríamos destruir’. Olhem para o elenco deles [Hornets], mas jogam duro toda noite... Nos humilharam hoje não porque tem um time melhor, mas porque jogaram com mais vontade que a gente

Tenso.

Um líder deveria dizer isto, dá uma bronca desta lançando palavras ao vento? Ou um líder não deveria se comportar assim? Só estes dois questionamentos são suficientes para pôr em dúvida qual o papel de Howard na franquia. O contrato entre ambos termina no final desta temporada, porém o fim deveria ser o quanto antes possível.

Dwight fez muito para o Orlando Magic em 7 campeonatos. A primeira escolha do draft de 2004, o atleta, que veio direto do high school para a NBA, remodelou a jovem franquia que teve um sucesso na década de 90 alicerçado em outro mega pivô: Shaquille O'Neal, também primeira escolha no draft, em 1992. Com Howard, após duas temporadas, o Magic foi aos playoffs e repetiu o feito outras quatro vezes. Conquistou 3 títulos de divisão (mais do que com Shaq: 2), chegou às finais da Conferência Leste duas vezes e participou de uma final da NBA.

Há ainda o que aconteceu fora de quadra. O Magic voltou à capa de jornais e revistas nacionais nos Estados Unidos. Tema de reportagens em redes de televisão e Howard aparecia com o logo do Magic embutido. Atrelados. Assim a publicidade a favor da franquia cresce, ganhando exposição que resulta em dinheiro e mais torcedores fora de Orlando.

Mesmo com uma simetria única, não há obrigatoriedade de ser perpétua; por isso existe um contrato que tem um final. Ao ponderar os prós e contras, Howard se inclinou para sair de Orlando e em Dezembro do ano passado fez o pedido publicamente.

A palavra chave aqui é exigir. Dwight Howard exigiu ser trocado para outro clube antes de 15 de Março, quando fecha a janela de transações. Este requerimento do pivô é visto por ele como saudável e o compara ao que aconteceu com O’Neal, que saiu da franquia via agente livre e o Magic ficou sem nada. Se alguma negociação for feita dentro deste prazo estipulado, os dois lados ganham: Howard sai de Orlando e vai para onde quiser e o clube recebe jogadores de qualidade como retorno.

Mas não é tão simples.


Otis Smith, diretor de basquete da franquia (GM - foto acima), tirou do deck uma carta provocativa e a colocou na mesa. Mexeu com dinheiro. O novo acordo trabalhista acertado antes do início desta temporada favorece, em termos, o Magic. Se não houver troca antes do dia 15 de Março, somente Orlando pode oferecer um contrato mais vantajoso para Howard: até 5 anos valendo US$ 110 milhões (cláusula chamada Bird Rights). Caso D12 saia via agente livre, o máximo que ele pode fechar com o clube pretendente é 4 anos e US$ 80 milhões. Então Smith disse à imprensa que Howard pode sofrer um corte de 30 milhões de dólares dependendo da sua decisão – se Dwight for trocado antes do dia 15 de Março, o clube que o receber pode oferecer o contrato de 110/4 anos.

Neste empurra-empurra, Orlando é prejudicado, Dwight nem tanto. Apesar da turbulência, ele é o líder em rebotes na liga e está com médias acima das registradas em sua carreira em pontos, rebotes e assistências. E no concurso popular que chamam de “Jogo das Estrelas”, é o jogador que, até agora, recebeu mais votos.

Dwight bravo é um excelente jogador (leia: Bravo! Bravíssimo – artigo do Grandes Ligas) e está fazendo o que disse antes do jogo contra o Sacramento Kings em 9 de janeiro deste ano:

Nada mudou [sobre querer ser trocado], mas serei o Dwight de sempre: irei me divertir em quadra, alegrar os fãs, bloquear arremessos, marcar pontos, correr por toda quadra, pegar rebotes e fazer o que for preciso para vencer. Esta é a única coisa que posso controlar no momento

Teria Howard razão para criticar a falta de esforço dos seus companheiros, conforme dito no pós-jogo contra os Hornets?

A franquia perde. Jameer Nelson, armador, afirmou se sentir incomodado com as declarações de Howard, principalmente por querer jogar com outros armadores (Deron Williams, Chris Paul) – e Smith fica do lado de Nelson. O clube tem uma das maiores folhas salariais da associação, dinheiro este gasto para juntar ao redor de Howard a maior quantidade/qualidade possível de atletas para conseguir levantar o troféu Larry O’Brien.

Nada. Ao menos tentaram.

Agora é hora de engolir seco e encarar mudanças. Partir para rumos diferentes. O momento é de conflito de interesses, logo, de tomar decisões opostas. Como todo relacionamento, esse pode terminar, não é diferente. Brigas, carinhos. Os momentos bons superam os maus e podem ser amigos sim depois do fim. Basta terminar com dignidade e lembrar que enquanto estavam juntos, foi bom para ambas as partes.


(GL)
Escrito por João da Paz


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