Retrospectiva 2011

Leia (ou releia) os 20 textos destaques de 2011 e comente qual é seu artigo preferido - ou aquele que não está aqui listado.

Que todos leitores tenham um fantástico 2012, cheio de conquistas e vitórias.

Abraço!


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Estrelas da NBA que mudam de equipes para conquistar títulos? Mais comum do que você imagina

Que Derrick Rose não seja outro Allen Iverson


A função do armador num time de basquete é passar primeiro e pensar no arremesso como segunda opção. Porém na NBA muitos jogadores da posição produzem uma função híbrida; alguns com mais eficiência. Na temporada passada, na qual a mídia fabricou Derrick Rose como MVP (Melhor Jogador), o armador do Chicago Bulls teve atuações em quadra similares ao que Allen Iverson conseguiu em suas primeiras temporadas com o Philadelphia 76ers. Para qual caminho Rose está indo: de um armador (guard) mais característico (point guard) ou de um armador arremessador (shooting guard)?

Todo armador tem que ter um arremesso de qualidade e Rose trabalha com afinco neste fundamento desde seu primeiro campeonato, quando ganhou o prêmio de Novato do Ano (Iverson também possui este troféu). Mas Rose tem estilo de um shooting guard? Ele pode se dedicar somente a isto e esquecer sua primária obrigação? A preparação para esta temporada 2011-12 mostrou um cara com uma diferente atitude e abordagem de jogo mais madura.

Na estreia contra os Lakers em Los Angeles, Rose marcou 22 pontos numa tarde ideal na proporção de arremessos tentados: 13 apenas (acertou 9). Aproveitou bem os arremessos de três (4 de 6) e mostrou como pode ser super eficiente caso o time como um todo colabore e não espere nele exclusivamente para anotar pontos. Tem naipe de decisivo e de assumir responsabilidade pela bola final das partidas, como fez contra LA. Porém tudo não depende dele.

Ainda na pré-temporada, Rose disse como se sentia com a nova perspectiva que os Bulls apresentavam: “No ano passado tive problemas em conseguir cestas fáceis. Neste ano as coisas serão diferentes, especialmente porque tenho alguém [Richard Hamilton] que pode acompanhar meu ritmo" (ao jornal Chicago Tribune).

Isto para que Rose não fique sobrecarregado. Bom para o time de Chicago e pegar outro armador titular e adicioná-lo ao elenco, quem sabe numa troca envolvendo Luol Deng e Ronnie Brewer. Assim os titulares seriam Rose, o novo armador, Hamilton, Joakim Noah e Carlos Boozer. Equipe mais preparada para disputar o título.

O time dos Bulls não pode depender de Rose em todo o jogo. Se não acontece o que pôde ser visto no segundo jogo da temporada 2011-12, derrota para o fraco Golden State Warriors. Rose foi anulado pela marcação defensiva de Stephen Curry (que não é um especialista nisto, aliás) e teve um aproveitamento de arremessos de 23.5%, 1 de 8 nos arremessos de três. Ele conseguiu oito assistências, não deixou de distribuir a bola, mas além de Deng com 22 pontos, os cestinhas foram o reserva CJ Watson e... Rose, ambos com 13 pontos.

Sempre dizemos que não é permitido perder tantos arremessos” disse Derrick após o jogo de ontem. “Perdi muitos arremessos que normalmente converto


O essencial é Rose manter sua cota de arremessos abaixo dos 18 por jogo, para que o ataque não se concentre nele na finalização das jogadas e sim na armação delas. Daí, caso os companheiros consigam acompanhar o ritmo, os adversários ficaram em dúvida nos instantes finais das partidas, já que a bola estará na mão de Rose obviamente, porém ele pode passar ou optar por arremessar. O arremesso tem que ser opção e não prioridade – ao contrário do que aconteceu contra os Warriors, quando Rose mandou horríveis arremessos de três.

Tudo para que o camisa 1 dos Bulls seja vencedor nesta liga, que tem no conjunto o valor maior para vencer títulos. Individualmente se consegue honra e status. É muito, porem é só.

Rose pode tentar ser o cara dos playoffs 2010-11, que numa derrota para o Atlanta Hawks marcou 34 pontos (em 32 arremessos tentados). Nesta levada obteve vitórias, chegou à final da Conferência Leste, entretanto os Bulls foram derrotadas em 5 jogos pelo Miami Heat.

Iverson, em sua temporada de MVP (2000-01), conseguiu um feito extraordinário ao levar um time com caras como Aaron McKie, Eric Snow, George Lynch, Matt Geiger, Tyrone Hill e Jumaine Jones às Finais, ainda conseguindo vencer um jogo contra os Lakers em Los Angeles, então defensores do título. Neste jogo em questão Iverson esteve no comando, marcou 48 pontos! Porém, para tanto, fez 41 arremessos...

Um armador (guard) que pensava em arremessar primeiro, Iverson teve uma carreira cheia de conquistas na NBA: além de Novato do Ano e MVP, foi 4 vezes cestinha (99, 01, 02 e 05), 11 vezes seguidas participou do Jogo das Estrelas (de 2000 à 2010) e 2 vezes MVP do jogo das Estrelas (01 e 05). Título da NBA? Não. Chegou às Finais somente uma vez.

Então ser outro Allen Iverson não é tão ruim... Sim, mas Rose pode muito mais. Pode ter uma carreira mais sólida, desde que os colegas de time ajudem e ele não se torne um individualista. Esta característica, por hora, Rose não possui. Trata seus companheiros como iguais e deu um belo exemplo na partida contra os Lakers no Natal 2011.

Os Bulls perdiam por 11 pontos quando faltavam 3m45s para acabar a partida. O time como um todo tirou a vantagem de LA e Rose teve a oportunidade de decidir nos segundos finais (veja vídeo abaixo):



Após o encerramento do jogo com a vitória do tricolor de Chicago, Rose respondeu muito bem a pergunta da Heather Cox, repórter da ESPN, sobre o que tinha acabado de acontecer:

Se não fosse pelos meus companheiros, que roubaram a bola e a entregaram para mim, não surgiria a oportunidade para que eu pudesse arremessar e ajudar nosso time a vencer

Ajudar nosso time”. Se for assim, os Bulls vão participar da elite da Conferência Leste por muito tempo, não estará lá só de passeio. Com seu principal jogador pensando coletivamente tanto fora como dentro de quadra, sem buscar marcar +40 pontos tentando +40 arremessos. Este auxilio dos companheiros só ajudará Rose; e os companheiros só poderão ajudar se Rose compartilhar a bola e não concentrar as finalizações nele.

As duas primeiras partidas da temporada 2011-12 indicam como pode ser o final dela para Rose e para os Bulls. Que a conclusão seja parecida com o visto na vitória contra os Lakers.



(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 Jonathan Daniel / Getty Images
© 2 Kevin C. Cox / Getty Images

Estrelas da NBA que mudam de equipes para conquistar títulos? Mais comum do que você imagina

Demorou, mas a temporada 2011-12 da NBA começa no dia de Natal após um longo e desgastante lockout. As partes envolvidas chegaram num acordo e projetaram um campeonato com 66 jogos iniciando nesta data super especial.

No período de preparação, a conversa nos bastidores girou em torno de duas estrelas da liga, Chris Paul (armador) e Dwight Howard (pivô) que mostraram interesse em sair da suas equipes, New Orleans Hornets e Orlando Magic respectivamente, para ingressar em times com potencial real de disputar um título, seja agora ou num futuro próximo. Ambos os jogadores tem o direito de escolher onde quer jogar e decidir sair do lugar que estão. Mas muitos, sem conhecimento real de causa, criticam este tipo de decisão por achar egoísta. Argumentam que está sendo feita a opção pelo caminho mais fácil para o título.

Ora, ora... Por que não? Se há uma possibilidade de ir para um melhor time, cercado de jogadores com mais qualidade, não é lógico não escolher mudar só para manter uma falsa moral. Paul estava a caminho dos Lakers, mas a NBA, enquanto dona dos Hornets, não permitiu a troca. O armador acabou fechando com o Los Angeles Clippers, que está longe de ter um plantel pronto para o título, mas será um dos times mais interessantes desta temporada.

Howard quer mais. Quer se juntar ao atual campeão Dallas Mavericks, ou ao Los Angeles Lakers, ou ao New Jersey Nets. Qual o problema? Zero. Embora este interesse tenha também em anexo o desejo de morar em outra cidade.

A história da NBA está recheada de estrelas que mudaram de clube só para ser campeão em outro lugar. Em algumas destas trocas estão envolvidos vencedores de MVP! (prêmio dado ao melhor jogador da temporada). Isto porque ninguém é campeão sozinho, o bloco do “EU” não entra nesta avenida...

Muitas equipes vencedoras da associação tinham estrelas sim no elenco, mas rodeado de três ou quatro jogadores de extrema habilidade. Se não possuía uma estrela, o conjunto fazia a diferença. Veja estes exemplos:

Los Angeles Lakers cinco vezes campeão – era Showtime (1979-80, 1981-82, 1984-85, 1986-87, 1987-88)
base: Magic Johnson, Kareem Abdul-Jabbar, Jamaal Wikes, Norm Nixon, Kurt Rambis, Byron Scott e Michael Cooper


Detroit Pistons duas vezes campeão (1988-89, 1989-90)
com Isiah Thomas (camisa 11), Bill Laimbeer (camisa 40), Joe Dumars (camisa 4) e Dennis Rodman (camisa 10)

Chicago Bulls três vezes campeão (1990-91, 1991-92, 1992-93)
com John Paxson, Michael Jordan, Scottie Pippen, Horace Grant e Bill Cartwright

Houston Rockets campeão em 1993-94
com Kenny Smith, Vernon Maxwell, Robert Horry, Otis Thorpe e Hakeem Olajuwon

Los Angeles Lakers três vezes campeão (1999-00, 2000-01, 2001-02)
base: Kobe Bryant e Shaquille O’Neal. Mas contou com outros vencedores da NBA nos títulos conquistados: o titular Ron Harper em 1999-00 (campeão anteriormente com os Bulls), o titular Horace Grant em 2000-01 (campeão anteriormente com os Bulls) e o titular Robert Horry em 2001-02 (campeão anteriormente com os Rockets)

Detroit Pistons campeão em 2003-04
com Ben Wallace, Rasheed Wallace, Tayshaun Prince, Richard Hamilton e Chauncey Billups

San Antonio Spurs campeão nos anos ímpares da década passada (2003, 2005, 2007)
base: Tony Parker, Manu Ginóbili, Bruce Bowen e Tim Duncan

Dallas Mavericks campeão em 2010-11
com Jason Kidd, Shawn Marion, Dirk Nowitzki e Tyson Chandler. A diretoria não perdeu Nowitzki para o mercado de agentes livres e fez uma troca com o Charlotte Bobcats por Chandler

Ao longo da história muitas equipes mesmo com um time forte contrataram estrelas para fortalecer mais ainda o conjunto. Uns atletas chegaram para completar, outros para liderar. Até o final da década de 60, as franquias da NBA faziam trocas entre si normalmente, mas o mercado de jogadores era bem restrito, eles não possuíam muita liberdade para escolher clubes. Muitos ficavam a carreira toda com a franquia que os pegaram via draft. Um jogador decidiu processar a NBA e lutar pelos direitos da classe. Oscar Robertson, então jogador do Cincinnati Royals (atual Sacramento Kings) e presidente do sindicato dos atletas, protocola a ação em 1970. Primeiro passo para a associação criar uma nova regulamentação para os agentes livres e jogadores novatos, porém tal mudança só veio a ser posta em prática 6 anos depois.

Entretanto, a franquia Royals estava preocupada com o que poderia acontecer com Robertson, que poderia sair e o clube ficar sem nada em troca. Então o treinador Bob Cousy, ex-jogador da NBA e membro do Boston Celtics super campeão da década de 50 e 60, começou a oferecer Robertson, (MVP de 1964, novato do ano em 1961 e 3 vezes MVP do Jogo das Estrelas) para as grandes equipes da NBA como Lakers e Knicks. O time de Los Angeles até queria Oscar, mas não iria ceder nem Jerry West e nem Wilt Chamberlain.

Num movimento que surpreendeu a todos do basquete, os Royals fecharam com o Milwaukee Bucks, uma franquia recém chegada na associação. Era o destino preferido de Robertson porque jogaria ao lado de Lew Alcindor (depois mudou de nome para Kareem Abdul-Jabbar), melhor jogador de high school (ensino médio) da história do basquete americano e formado na Universidade da California, Los Angeles (UCLA), 3 vezes campeão universitário e 3 vezes o melhor jogador do Torneio NCAA. No primeiro campeonato juntos, o de 1970-71, foram campeões. Na foto abaixo Kareem é o camisa 33 e Oscar o camisa 1.


Em 1980, os Celtics tinham a primeira escolha do draft e resolveu trocá-la (o que não é usual). O presidente do clube, Red Auerbach, fechou uma transação com o Golden State Warriors. A franquia californiana mandou para Boston o popular pivô Robert Parrish e a 3ª escolha do draft ’80 pela 1ª escolha do draft’80 e outra escolha de primeira rodada. Os Celtics, nesta terceira escolha, pegaram Kevin McHale e junto com Larry Bird formaram o original “Big 3” de Boston. Parrish, McHale e Bird é considerado um dos melhores trios da história da NBA. Conquistaram 3 títulos juntos.

A temporada 1981-82 teve Moses Malone, pivô do Houston Rockets, como MVP. A franquia texana entrou num processo de reconstrução e permitiu que seu principal jogador explorasse o mercado, pois ele era agente livre. Malone escolheu o Philadelphia 76ers que era formado por um quarteto fora de série, vice campeão em 82: Julius Erving, Andrew Toney, Bobby Jones e Maurice Cheeks. Resultado da brincadeira: Sixers campeão da temporada 1982-83 e prêmio de MVP para Moses Malone, único jogador na história da NBA que conseguiu ganhar dois prêmios de MVP consecutivos por duas equipes diferentes.



O Boston Celtics, mesmo com o “melhor trio da história” perdeu para este Sixers nos playoffs. Toney foi um fator na série, comandando a armação ofensiva e marcando bem na defesa. Auerbach, presidente do alviverde, buscou alguém para ser o armador principal da equipe e que jogasse no mesmo nível de Parrish, McHale e Bird. Impossível? Não. Auerbach tirou do Seattle SuperSonics o armador Dennis Johnson, que foi campeão pela franquia e MVP das Finais de 1979. Johnson, conhecido por enterrar bem e ser um cestinha, teve que mudar seu estilo de jogo para se adaptar às feras que estavam ao seu lado, o que ele fez com maior prazer. Os Celtics chegaram novamente às Finais e encontraram o rival Los Angeles Lakers. Boston venceu a série decisiva por 4 a 3 e Dennis foi essencial na conquista por anular o jogo do craque Magic Johnson (foto abaixo). Nos últimos quatro confrontos Magic ficou com média de apenas 17 pontos e cometeu erros cruciais no jogo 4 e 7, causados pela ferrenha marcação de Dennis. Assim, sempre quando os Lakers jogavam contra os Celtics, o armador dos Lakers era chamado de “Tragic Johnson”.


Em Portland, Bill Walton virou agente livre em 1985 e entrou em contato com os finalistas da NBA: Lakers e Celtics. Walton (MVP de 1978, MVP das Finais de 1977 e campeão com o Trail Blazers) queria mudar de time, mas ir para um com condições de disputar títulos. Ele escolheu os Celtics, mesmo tendo que ficar na reserva. Pois bem, vindo do banco, Walton jogou 80 jogos, ganhou o prêmio de Sexto Homem (melhor reserva) e foi campeão com seu novo clube em 1985-86.

LeBron James recebeu críticas por querer jogar com seu amigo Dwyane Wade. E Clyde Drexler com Hakeem Olajuwon? Drexler, então ala do Portland em 1995, estava desiludido com a campanha ruim do seu time, ficando fora da disputa do troféu da associação. Ele pediu para ser trocado e o clube atendeu, fazendo a transação com a cidade na qual Drexler fez a carreira universitária: Portland recebeu Otis Thorpe e Houston recebeu Clyde Drexler. Assim os amigos de longa data, juntos, conseguiram o segundo título seguido dos Rockets em 1994-95. No vídeo abaixo, que mostra os segundo finais do jogo 4 contra o Orlando Magic e a entrega do troféu aos Rockets, Hakeem primeiro agradece a Deus e diz que estar feliz por Clyde ganhar o título pela primeira vez.



Com a volta de Jordan à NBA em 1995, os Bulls precisavam reformular o elenco para torná-lo forte novamente. Uma das perdas maiores foi a saída de Horace Grant, mas a diretoria logo providenciou um substituto. Foi uma aposta alta, mas fizeram uma negociação com o San Antonio Spurs e trouxeram o veterano de 34 anos Dennis Rodman (então duas vezes campeão com o Detroit Pistons e duas vezes eleito o melhor defensor do ano – 1990 e 1991). Assim Rodman está na história por fazer parte da equipe que venceu 72 jogos na temporada regular de 1995-96. Os Bulls ganharam o primeiro de outros três campeonatos; e Rodman abocanhou mais um titulo de principal reboteiro.

Shaquille O’Neal, três vezes campeão com os Lakers e MVP das Finais nas três ocasiões (foi MVP da temporada regular de 2000), saiu de LA em 2004 em direção de Miami numa super troca que deu aos Lakers os seguintes jogadores: Caron Butler, Lamar Odom, Brian Grant e uma escolha de draft. Assim que chegou em Miami, o fanfarrão O’Neal prometeu um título para o Heat, empolgado pela nova dupla formada com Dwyane Wade. Chegaram às finais da Conferência Leste mas perderam no jogo 7 para o Detroit Pistons. Contudo na temporada seguinte (2005-06) veio o título prometido, vencendo os Pistons na final do Leste e o Dallas Mavericks na decisão da NBA.

Na loteria do draft de 2007, os Celtics esperavam ficar numa boa posição. A quinta escolha foi entregue à franquia que decidiu trocá-la com o Seattle SuperSonics. Além da escolha, mandaram Wally Szczerbiak e Delonte West por Ray Allen, grande nome da associação e figura importante para Seattle. Dois meses depois os Celtics ousaram ainda mais e fez uma troca maluca para tirar Kevin Garnett (MVP da temporada regular de 2003-04) do Minnesota Timberwolves. Cinco jogadores foram de Boston para Minnesota: Al Jefferson, Sebastian Telfair, Gerald Green, Theo Ratilff e Ryan Gomes. A adição de Garnett e Allen ao talento de Paul Pierce deu o título para os Celtics na temporada 2007-08.

Kobe Bryant, jogador dos Lakers e três vezes campeão no começo da década passada, estava insatisfeito com as ações da diretoria em relação a contratações de jogadores e em 2007 pediu que fosse trocado. Os “homens de terno” rapidinho abafaram o caso e procuraram prometer reformulações no elenco nas temporadas seguintes. Kobe ficou e na segunda metade da temporada 2008-09 viu uma atitude que trouxe benefícios à franquia. Também numa troca bem maluca, os Lakers mandaram para o Memphis Grizzlies quatro jogadores (Kwame Brown, Javaris Crittenton, Aaron McKie, Marc Gasol e duas escolhas de draft de primeira rodada – em 2008 e 2010) pelo ala pivô espanhol Pau Gasol. Ele se adaptou bem em Los Angeles e principalmente com o time, que ganhou 22 jogos em 27 com ele em quadra na temporada regular 2008-09. Gasol, que chegou nos Lakers com status de melhor jogador no mundial de basquete de 2006, foi campeão nessa temporada e repetiu a dose na seguinte.



(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 por AP
© 2 Rick Stewart / Getty Images

NFL, o produto mais valioso para as redes de televisão dos Estados Unidos


Mesmo com o atual contrato vencendo só em 2013, as emissoras NBC (National Broadcasting Company), CBS (Columbia Broadcasting System) e FOX renovaram com a NFL, na semana passada, os direitos de transmissão dos jogos de domingo da liga. O novo acordo entrará em vigor em 2014 com término em 2022. É bastante tempo. Mas necessário, porque hoje o football é o principal atrativo das redes de televisão comerciais e garantir o produto por mais nove anos é uma vitória para casa uma das três.

Este é o maior contrato já feito pelos direitos de transmissão e o mais longo também – o anterior, em extensão, teve sua vigência entre 1998 e 2005. Para assegurar a joia da audiência, os diretores das empresas tiveram que desembolsar uma boa grana. Anualmente esta será a cota que cada TV pagará à NFL a partir de 2014:

- NBC: US$ 950 milhões
- CBS: US$ 1 bilhão
- FOX: US$ 1.1 bilhão

Estes 100 milhões de dólares a mais que a FOX pagará se deve ao fato de transmitir os jogos da Conferência Nacional (NFC)* que tem os maiores mercados consumidores dos EUA: Chicago, New York, Filadélfia, Dallas... A CBS permanece com os direitos da Conferência Americana (AFC)* e a NBC fica com os jogos de domingo à noite.

*Jogos dos times da Conferência quando são visitantes ou duelos internos.

Com a facilidade que existe hoje para se assistir qualquer programa (gravação, internet e etc.), o football é um dos poucos eventos que as pessoas se preparam para assistir ao vivo. Este dinheiro todo gasto não será em vão. Na Fall Season, temporada que as redes de televisão estreiam vários programas, entre Setembro e Novembro, 18 dos 20 mais assistidos foram jogos da NFL – confira lista na Coluna Radar, que publico toda sexta no site Diário NFL, do dia 18 de Novembro deste ano.

Este sucesso faz com que a NFL seja o principal chamariz de patrocinadores. Nada na TV vale tanto quanto um jogo de football seja da primeira rodada ou da última. Todos sabem que 30 segundos comerciais no intervalo do Super Bowl, grande final da liga, são os mais caros do mundo. E 30 segundos comerciais em jogos da temporada regular são os mais caros na TV americana, com uma liderança bem sólida. Um reclame básico rende as emissoras US$ 348 mil. Logo, o dinheiro investido não demorará a ser recuperado.

A relação emissoras e NFL vêm de muito tempo atrás e com toda a tecnologia existente, o futuro se mostra bastante promissor – o próximo passo serão as transmissões em 3D, o que a ESPN já faz. Cada uma das três redes abertas tem belas histórias com a liga. Saiba quais são os principais acontecimentos.

***

CBS

- A primeira transmissão da emissora foi em 1956, 30 de Setembro. Jogo entre Washington Redskins x Pittsburgh Steelers.

- Foi a primeira rede a fazer um programa antes das partidas, em 17 de Setembro de 1971. O Pro Football Kickoff tinha apenas 15 minutos de duração e era uma breve prévia da rodada.

- Em 22 de Novembro de 1964, os EUA receberam a triste notícia da morte do então presidente John F. Kennedy. O presidente da CBS na época, Frank Stenton, ordenou que toda programação fosse suspensa e substituída pela cobertura noticiosa, sem comerciais, até o enterro do JFK. Assim os jogos da NFL do dia 24, realizados normalmente, não foram ao ar na CBS.

- A temporada de 1964 marcou uma inovação nas transmissões. A direção da emissora resolveu testar uma narração dividida. O primeiro tempo era comandado por uma equipe local da cidade do time da casa e o segundo tempo por uma equipe local da cidade do time visitante. Exemplo: jogo entre Dallas x Detroit. Primeira etapa com os narradores de Dallas e na segunda etapa com os narradores de Detroit. Não precisa dizer que não deu muito certo...

- No tradicional jogo de Ação de Graças de 1965, a CBS transmitiu o primeiro jogo em cores da NFL. Na temporada de 1968 que todos os jogos passaram a ser em cores.

- Em 1970 a CBS fez um acordo para transmitir os jogos da Conferência Nacional. A parceria durou até 1993.


- No jogo entre New Orleans Saints x Denver Broncos em 13 de Outubro 1974, pela primeira vez uma mulher participou de uma transmissão. Jane Chastain (foto acima) fazia breves intervenções e contribuiu durante toda temporada. Ela foi descoberta numa rede local de Atlanta, onde fazia previsões das rodadas na sexta e na segunda seguinte eram comparadas as apostas com os resultados.

- Em 1975 estreou o The NFL Today, programa que antecede os jogos. Ganhou muita popularidade e era tratado com uma super produção. Veja um programa de 34 anos atrás, usando as novidades tecnológicas disponíveis. Perceba o nome dos apresentadores sendo destacados – Phyllis George foi Miss America em 1971.



- No Super Bowl XVI (1982) o telestrator foi usado pela primeira vez numa transmissão esportiva. É aquela tecnologia que permite o comentarista em “riscar” a tela com setas, traços... A honra de estreá-lo coube (perfeitamente) ao comentarista John Madden, ex-treinador da NFL (Oakland Raiders, venceu o Super Bowl XI). Madden cede seu nome para a famosa franquia de jogo eletrônico da EA Sports.

- Em 1986, Super Bowl XXI, a CBS fez a primeira transmissão com Dolby Surround e stereo.

- A CBS perdeu os direitos de transmissão da Conferência Nacional em 1993 e ficou de 1994 a 1997 sem fazer jogos da NFL. O vazio na programação foi preenchido com filmes de temática feminina para contrapor o que as concorrentes passavam. Não deu certo. Tentou ser mais competitiva ao comprar corridas da NASCAR, mas só voltou a notoriedade nas tardes de domingo quando retornou à NFL em 1998, comprando os direitos da Conferência Americana, vencendo a rival NBC.

- A volta da CBS foi agressiva e em 8 de Novembro de 1998 foi ao ar a primeira transmissão em HD da NFL. Porém a rede só passou a transmitir todos os jogos em HD a partir de 2009 – as outras emissoras transmitiam todas as partidas em HD desde 2006.

- Em 1999, certo de que o Super Bowl XXXV (2001) seria da emissora, os diretores colocaram os técnicos numa missão: criar algo diferente para o mega evento. O então presidente da CBS, Sean McManus, conseguiu manter em segredo um projeto que custou, somente em pesquisas, US$ 2.5 milhões de dólares e durou dois anos. No final a ousadia era a seguinte: colocar 33 câmeras especiais importadas do Japão, cada uma no valor de US$ 20 mil, no anel superior do estádio Raymond James em Tampa, Flórida (local da partida). Demorou três semanas para a instalação e testes. Valeu o esforço porque foi criado algo fantástico, chamado vulgarmente de “câmera matrix”. Usada nos replays de jogadas, a “câmera matrix” dava uma sensação de terceira dimensão numa rotação com a imagem congelada. Uma grande ideia e inovação que você pode ver no vídeo abaixo (decisão entre Baltimore Ravens versus New York Giants, vitória dos Ravens):



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NBC


- Foi a primeira rede de TV a transmitir um jogo de football. Em 1939 entre o Philadelphia Eagles e o Brooklyn Dodgers.

- Em 1955, os direitos da decisão do campeonato da NFL foram comprados pela emissora por US$ 100 mil.

- A final da NFL de 1958, partida entre o Baltimore Colts e o New York Giants, é considerada pelos historiadores da liga como “O Melhor Jogo de Todos os Tempos”. O narrador da partida, Chris Schenkel, em entrevista para um documentário produzido para o SportsCentury da ESPN, disse que “este jogo mudou a história do football”. Realizado no estádio de beisebol da cidade de New York, Yankee Stadium, estiveram presentes 64.185 pessoas. O jogo não foi transmitido para New York devido a acordo entre a NBC e a liga, mas a audiência nos EUA passou dos 40 milhões de telespectadores.

- Transmitiu o primeiro Super Bowl, mas não tinha o controle das imagens, dirigidas pela CBS, que também levou o jogo pro ar. Este é um dos únicos dois jogos na história da NFL que teve transmissão por mais de uma emissora simultaneamente: o outro foi a partida entre New England Patriots x New York Giants em 29 de Dezembro de 2007, colocada no ar pela NBC, CBS e NFL Network, partida que coroou a campanha invicta dos Patriots na temporada regular.

- Em 1968 a NBC entra pra história ao cortar um jogo nos instantes finais para passar um filme infantil. A partida em questão era entre o New York Jets x Oakland Raiders. A emissora disponibilizou 3 horas da sua grade para transmissão do jogo e logo depois colocaria no ar o filme feito especialmente para a TV. Porém a partida se estendeu além do esperado e ia tomar o horário programado para o filme (19h local). O problema é que o filme tinha que entrar no ar no horário previsto por questões contratuais. Então, faltando 1m05s para acabar o jogo, Jets vencendo por 32 a 29, às 19h em ponto, o filme Heidi começa. O jogo acabou às 19h07 com a vitória dos Raiders por 43 a 32. Num espaço de 11 segundos o Oakland marcou 2 touchdowns, mas a televisão não mostrou uma das mais improváveis viradas da NFL. Assim que a partida se encerrou, a NBC colocou um GC (gerador de caracteres) num dos momentos mais importantes do filme, dividindo a atenção do telespectador – pra piorar o que começou mal. Devido a este episódio, nenhum jogo pode ser tirado do ar antes do seu final. O filme Heidi, baseado num livro de mesmo nome de 1880, e que foi altamente promovido durante a semana pela NBC, ganhou uma publicidade extra, porque até hoje este infortúnio é chamado de “Jogo da Heidi”.

- De 1970 até 1997, a NBC tinha os direitos dos jogos da Conferência Americana.

- Em 20 de Dezembro de 1980, no jogo entre New York Jets e Miami Dolphins, a NBC fez a transmissão sem narrador, comentarista ou repórter, usando só o som ambiente. É conhecido como o “Jogo do Silêncio”.


- Gayle Sierens (foto acima) é a única mulher a narrar um jogo da NFL. Em 27 de Dezembro de 1987 na partida entre Seattle Seahawks x Kansas City Chiefs.

- A NBC ficou sem os jogos da NFL de 1998 até 2005. Voltou em 2006 com os jogos de domingo à noite.

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FOX


- Uma emissora nova, entrou no ar em 1987, mas com pensamento em entrar com força no mercado. Desejou por muitos anos a NFL, quase pegou os jogos de segunda à noite da ABC, mas a liga não permitiu porque a TV não tinha experiência em transmissões esportivas.

- Em 1993 a FOX decidiu ser agressiva na compra dos direitos dos jogos da Conferência Nacional e fez uma oferta maior que a CBS, US$ 100 milhões a mais por ano, e fechou com a NFL por quatro temporadas. Começou em 1994 a jornada que dura até hoje... Esta ousadia para uma nova TV foi certa, porque acabou ficando com os maiores mercados consumidores dos EUA e ganhando muita audiência por isto.

- A FOX decidiu ser diferente, deixando claro no slogan criado “Mesmo Jogo, Nova Atitude” como seria a cobertura. Contratou muitos profissionais da CBS, inclusive John Madden, por não ter equipe esportiva – visto que a CBS perdeu os direitos da Conferência Nacional para a própria FOX.

- O grande diferencial, sentido logo de cara, foi uma abordagem mais despojada do que as outras emissoras faziam. O FOX NFL Sunday, programa pré-jogo, usava muito o entretenimento do que uma conversa mais tática. Isto atraiu muitos telespectadores e o método é mantido até hoje.

- A FOX é pioneira em novidades tecnológicas na era moderna. Foi a primeira emissora a colocar um placar permanente na tela – copiado em anos posteriores pelas rivais. A primeira a usar câmeras de cinema no campo de jogo. E a primeira a usar microfones de cinema dentro de campo. Também iniciou o uso de microfones que têm uma parabólica em volta, usado comumente nas laterais do gridiron.

- Outra novidade que a FOX lançou e que mudou radicalmente como assistir uma partida, foi o traço digital que indica a jarda necessária a ser ultrapassada para que seja marcada uma nova primeira descida. Quem é da nova geração deve achar bem esquisito ver um jogo sem a tal linha, porque é um facilitador enorme para o telespectador. Esta técnica foi emprestada da NHL pelas transmissões que a FOX fazia da liga de hockey na metade da década de 90.

- No Jogo das Estrelas da NHL de 1996, a FOX pôs em prática uma ideia bem bacana: o puck iluminado. Os puristas não concordam, mas é bem difícil acompanhar o puck num jogo de hockey, por mais que seja o contraste preto (puck) com o branco (gelo). Então os engenheiros da emissora planejaram um dispositivo inserido dentro do puck que emitiria sinais à cabine de controle da transmissão e lá era convertido em cores para que o telespectador pudesse vê-lo. Ele recebia um contorno azul e ganhava um vulto vermelho quando atingia uma alta velocidade – no melhor estilo videogame (assista ao vídeo abaixo). Para NHL não deu certo, mas esta tecnologia foi muito útil não só para a NFL e a marca de primeira descida, mas para a MLB e a zona de strike e para a NASCAR na análise do comportamento dos carros ao longo de uma corrida.




(GL)
Escrito por João da Paz


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A mídia e Tim Tebow


O quarterback do Denver Broncos, a cada semana que passa, toma conta do noticiário sobre a NFL. A cada semana que passa, porém, ele ganha destaque na mídia não esportiva dos EUA, algo que alcançou outro nível de cobertura.

Desde sua carreira na Universidade Florida, Tebow foi manchete em diversos veículos de comunicação. A maior ênfase foi dada quando os Gators foram campeões nacionais do BCS e quando o QB ganhou o Trófeu Heisman de Melhor Jogador de football da NCAA. Foi para a NFL em 2010 e a imprensa esportiva começou a destacá-lo mais e mais. Chegou perto de uma overdose.

Em 2011 ultrapassou o limite graças as vitórias espetaculares que os Broncos conseguiram, numa sequência atual de 6 vitórias consecutivas e a liderança na Divisão Oeste da Conferência Americana. Feito alcançado pelo time como um todo, mas liderado por um QB muito criticado por não ter um bom arremesso (fato) que evidentemente é fundamental para um jogador da posição ter sucesso na NFL como titular.

Mas, e por que tantas vitórias?

Eis a questão...

Quem não gosta de Tebow jamais vai creditar a ele estes resultados positivos – ou dirá que o treinador John Fox é o responsável ou que a defesa é a principal virtude do time. Pode ser até as duas últimas coisas juntas, mas Tebow não participa dos méritos por este ponto de vista.

Agora, por que não juntar os três aspectos e dizer que são esses os fatores que estão levando os Broncos a vitórias?

Aí entra outra problemática. Quem não gosta de Tebow quer assistir a queda. Querem que esta “máscara” cristã caia e que ele seja um fracasso, tanto dentro quanto fora de campo. Mesmo assim, com toda pressão, Tebow vence no gridiron e continua dando exemplo de fé sem o uniforme de jogo.

Por ser cristão, Tebow tem a plena ciência de que sua caminhada deve corresponder o que fala. Este tema foi ressaltado aqui no Grandes Ligas em “Fé sem obras é morta e Tim Tebow sabe disto” do dia 11 de Agosto deste ano. Seu êxito com a bola em mãos fortalece o seu discurso e o destrato dos críticos seria maior caso não vencesse.

Então, a mídia não esportiva não irá abordar características técnicas ou táticas do seu jogo, mas justamente o lado crente de Tebow, se isto afeta suas atuações diretamente, por exemplo.

A conceituada revista semanal Time (grupo Time Warner / CNN) traz na edição desta semana, a mais importante de 2011, que homenageia a “Personalidade do Ano” – no caso O Manifestante, lembrando os protestos no mundo árabe, Europa e EUA –, um perfil sobre Tebow. Nele a hipótese levantada é como o jogador lida com toda esta história de religião e football, numa entrevista exclusiva com ele.


Outra revista semanal americana, a The Week, trouxe na sua atual edição um especial dizendo “4 maneiras de olhar Tim Tebow”. Os tópicos em questão foram: o devoto otimista; o atleta diferente de outros atletas; o modelo humanitário; e o separatista.

Nesta linha de listas, a revista People (sobre celebridades), trouxe “5 coisas que você precisa saber sobre Tim Tebow”. Por ser uma revista de fofoca, os temas abordados foram sua vida sexual, sua vida como cristão e etc.

As quatro grandes emissoras televisas dos EUA também entraram na onda. Na segunda dia 12, após mais um “milagre” de Tebow contra os Bears no dia anterior, a rede ABC (do grupo Disney, mesmo administrador da ESPN), transmitiu uma matéria no principal jornal da grade de programação, o ABC News – apresentado por Diane Swayer. O nome da reportagem? O homem miraculoso. Mostrou algo interessante: as vitórias de Tebow, já que ele é tão ruim quanto dizem, fazem até os descrentes afirmarem que só pode ser uma intervenção divina este sucesso do camisa 15...

A CBS, que lutou e não perdeu o duelo Patriots x Broncos do próximo domingo para a NBC – devido a flexibilidade de horários que a NFL permite –, debateu a fé de Tebow no programa matinal The Early Show da sexta dia 09. Discutiu que Tebow não é o único atleta que professa sua crença religiosa, mas por que chama tanto a atenção? Os participantes concluíram que talvez seja porque ele age conforme o que diz, as ações encontram as palavras.

Esta mesma ideia foi a fonte do programa matinal da NBC, o Today Show, por dois dias seguidos: segunda 12 e terça 13. Na terça foram convidados profissionais, como psicólogos e sociólogos, para tentar dissertar sobre o tema colocado no ar: “Será que a fé de Tebow tem lugar dentro de campo?”. Foi uma conversa interessante, pois abordaram a questão do movimento que ele faz e ficou característico, se ajoelhar e orar, considerado desconfortável por muita gente. Mas e as danças estúpidas que os jogadores fazem na endzone após marcarem um touchdown? Um dos participantes disse o seguinte: “Por que sentir desconforto quando alguém agradece a Jesus Cristo pela vitória?


Já a FOX abordou o tema no seu canal de notícias FOX News. Quem mais enfatizou o tema foi Sean Hannity, jornalista ultraconservador e que tem um programa diário com uma das maiores audiências da emissora. Na segunda (12) ele defendeu Tebow e suas atitudes, que contradizem o que se vê com frequência no mundo dos esportes: atletas presos, usando drogas, bebendo, se comportando mal, infidelidade no casamento... Ele argumentou se, querendo ou não, os atletas são modelos para as crianças, qual você quer para seu filho: alguém que fala de Deus e procura ser um bom exemplo ou aquele que não tem respeito por quem quer que seja?

A sinceridade e honestidade de Tebow machucam. Serão elas as qualidades usadas para acabar com o jogador caso ele se comporte como um ser humano, igual a nós, e cometer uma falha qualquer. Foi o que aconteceu com Josh Hamilton, jogador do Texas Rangers (MLB) – saiba a história dele no texto 1 de 101%.

Hoje a mídia exalta esta fé de Tebow que é pessoal, mas por ser uma figura pública ela passa a ser conhecida visto que ele não usa uma dupla personalidade. A Tebowmania terá um fim, assim como toda mania teve e terá. Mas fica a lição de como o público e a mídia cobre este fenômeno, algo sem precedente na história da NFL.

Os Estados Unidos é um país cristão, contudo tem uma diversidade religiosa forte, principalmente o judaísmo e o islamismo. Estes últimos são considerados minoria. Por isso, o tratamento com eles é cauteloso. Esta questão foi discutida em boa parte das mídias citadas anteriormente: e se Tim Tebow fosse judeu ou muçulmano, as pessoas ridicularizariam sua fé? Os jogadores adversários imitariam seu gesto de ajoelhar como forma de provocação?

Assim encerrei o artigo Sentidos e Direções (18 de Agosto de 2010) no qual falei sobre esporte e religião:

Este é um dos preços que pagam aqueles que não escondem sua religião: ser alvo preferido dos maldizentes. Chegar a público e dizer “Eu sou Cristão” ou “Eu sou Muçulmano” ou “Eu sou Judeu” é se colocar numa delicada posição perante os hipócritas, que se armam prontos para arremessar objetos no teto de vidro dos outros sem se preocupar com seus próprios telhados.



(GL)
Escrito por João da Paz


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Os problemas do futebol americano no Brasil

O Grandes Ligas trata dos principais campeonatos dos Estados Unidos, mas sempre abre um espaço especial para temas interessantes do esporte em geral: aconteceu com a Danica Patrick, Copa do Mundo de Futebol... Hoje o assunto abordado será o futebol americano no Brasil, que neste final de semana teve duas decisões de torneios diferentes e expôs a confusão que ronda o esporte.

O futebol americano no Brasil só cresce. Mas isto não basta. Está crescendo sustentavelmente? Com qualidade? Este avanço tem um alicerce? Indagações importantes para compreender qual é a real situação do esporte em nosso país.

Para que haja um progresso nítido e coeso, é necessário se livrar de conceitos nocivos e atitudes torpes.

Entendo que o grande atraso do futebol americano no Brasil é a idolatria a André José Adler. Veja, é um nome importantíssimo para o esporte, tanto no aspecto de divulgação quanto no de organização. Ponto final! Nada mais, nada menos. Ora, se eu e você acompanhamos futebol americano, Adler tem sua parcela de responsabilidade por participar das transmissões da NFL feitas da pela então ESPN Internacional na década de 90. Só que ele não fazia tudo sozinho. Também contribuíram para isto Ivan Zimmerman, Roberto Figueroa, Roby Porto, Marco Alfaro, José Inácio Werneck, pessoas que faziam o mesmo que Adler: comentavam e narravam o futebol americano para o Brasil – assim como divulgavam o que estava acontecendo por aqui com as equipes que surgiam.

Adler ajudou a abrir caminhos para a expansão do primeiro campeonato feito no Brasil organizado pelos times, o Torneio Touchdown 2009 (nome fantasia). Os envolvidos eram Cuiabá Arsenal, Barigui Crocodiles (atual Coritiba), Curitiba Brown Spiders, Joinville Gladiators, Rio de Janeiro Imperadores (atual Fluminense), São Paulo Storm, Sorocaba Vipers e Tubarões do Cerrado. Adler era o conselheiro e tinha uma função: levar público aos estádios. A ferramenta usada foram matérias exibidas no programa da ESPN Brasil “The Book Is On The Table” feitas nos locais das partidas.

Falhou.

Como colaborador tem sua representatividade. Ponto Final! [2]. Querendo ser mais real que o rei, decidiu fazer outro Torneio Touchdown em 2010, por mais que os fundadores tenham se juntado para formar uma Liga Brasileira de Futebol Americano (LBFA), que teria o poder nas equipes e não centrado em uma só pessoa.

Ao final do TT 2010, que teve apenas 7 equipes, Adler disse o seguinte ao jornal O Globo (30/11/2010): “As pessoas dizem que sou o Charles Miller do futebol americano (em referência ao introdutor do futebol no Brasil) – ri Adler

É pra rir mesmo...

Quem estrutura o futebol americano no Brasil são as equipes, jogadores e diretores (se fazem isto certo ou errado é outra história). Ajudar é uma coisa, agora almejar ser o centro das atenções e ser dono de um campeonato, ou do futebol americano no Brasil, é totalmente desproporcional.

Em carta enviada aos representantes dos times integrantes do TT 3 (2011), Adler disse o seguinte: “Uma ideia que agradou a muitos, mas alguns membros do grupo gestor perceberam que haveria uma diluição maior de poder e fizeram um complô pelas minhas costas para me excluir de um campeonato que eu mesmo havia idealizado em Curitiba, alegando oficialmente que só times deveriam gerir, e nos bastidores propagando falsidades à meu respeito com o incentivo de algumas aves de rapina que já rondam nosso precário esporte. Os mesmos que me adulavam colocando meu nome em taças e troféus, quando isto daria visibilidade na mídia, me golpeavam pelas costas

Perceba as palavras que ele usa (destaque em negrito feito por mim).

Este é o tipo de presunção que prejudica o futebol americano no Brasil, pois impede que o esporte por aqui se fortaleça com um só campeonato competitivo e de alto nível. Adler merece todo o respeito e admiração, mas insistir no Torneio Touchdown pra quê? Em busca dos louros da fama? Do louvor exacerbado?

Quem esteve presente no Ibirapuera no último domingo (11) na final do TT 3 entre o Corinthians Steamrollers e Vila Velha Tritôes viu (e ouviu). Com microfone aberto a todos os presentes, palavras – indiretas – de auto elogio foram proferidas. Na endzone, pintada a marca do patrocinador do evento que premiou em dinheiro o campeão e o vice, empresa usada para chamar a atenção de times e tentar atraí-los para o campeonato do ano que vem.

Aliás, um dos problemas que o futebol americano no Brasil precisa expelir são as narrações play-by-play no som ambiente dos estádios. Não servem para nada além de ser instrumento de promoção. Não explicam o jogo, atiçam os jogadores em campos com os comentários... Tem de perceberem que eventos que tem narração ambiente são gincanas e bingos... (Nota: no Brasil Bowl II – 2011 da LBFA, o som do estádio foi usado de maneira padrão, correta).

No final do ano passado, os principais times do país se comprometeram a jogar o campeonato da LBFA. Mas num movimento inesperado, o Corinthians decidiu participar do TT, do Adler como diretor e do Lulinha (filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) como empresário. A diferença técnica foi gritante como pôde ser notada na decisão, vencida pelo Corinthians por 41 a 3. Na verdade durante todo o torneio foi assim. Veja a campanha do Corinthians até a final:

1ª fase
Corinthians Steamrollers 34 x 0 Ponta Gorssa Phantoms
Steamrollers 38 x 21 Tritões
Tubarões 3 x 54 Steamrollers
Steamrollers 45 x 6 Timbó Rhinos
Santos Tsunami 0 x 79 Steamrollers
Semifinal
Steamrollers 26 x 7 Vasco da Gama Patriotas

Qual interesse do Corinthians em participar do Torneio Touchdown? Fato é que o número de participantes duplicou de 7 em 2010 para 16 em 2011. Resta saber como será em 2012.

A Associação de Futebol Americano do Brasil (AFAB) irá organizar um campeonato no ano que vem, tentando rotulá-lo como o campeonato brasileiro da modalidade. Porém na mídia, tanto em 2010 quanto em 2011, anos que houve concorrência ente o TT e a LBFA, o rótulo de “Campeão Brasileiro de Futebol Americano” foi dado ao vencedor do TT. A AFAB terá que lidar com isto em 2012, porque os organizadores do TT vão querer realizar a quarta edição.

Como fica? A AFAB já determinou em ata publicada no dia 19 de outubro de 2011 que “... a partir de 2012 a AFAB passará a chancelar/organizar o Campeonato Brasileiro de Futebol Americano, e nenhum time filiado direta ou indiretamente poderá participar de qualquer outra competição independente”. Por ter as federações estaduais consigo a AFAB tem esta força de tentar unir os times, desde que eles não saiam das federações para jogar o TT.

Este esforço da AFAB é válido e os times que forem inteligentes se juntaram a entidade mais organizada e preparada para administrar o verdadeiro brasileiro da modalidade. A questão será concorrer com interesses de quem faz o TT, que diz estar preocupado com o esporte, mas acaba o prejudicando por orgulho e glória.


Este final de semana o público apoiou o football que tanto gosta. Compareceu em grande número (entrada paga) ao Estádio Couto Pereira, em Curitiba – PR, no sábado (10) para assistir o Brasil Bowl II, partida entre Coritiba Crocodiles e Fluminense Imperadores (os Imperadores venceram - foto acima). O Ibirapuera também teve um bom público (entrada franca) que acompanhou a final do TT 3 vencido pelo Corinthians. Qual clube pode dizer “campeão brasileiro de futebol americano 2011”? Ninguém tem como afirmar ao certo.

Porém vale reparar numa coisa: Entrem no site do TT e leia o que está escrito no canto superior direito da página...

Para 2012 o foco é atrair os times do nordeste que realizaram o primeiro campeonato com equipamento completo com os times da região, organizado pela LINEFA (Liga Nordestina de Futebol Americano). A AFAB tem como membros o Botafogo Espectros (João Pessoa – PB) e a Federação Cearense (Dragões do Mar e Ceará Cangaceiros). Fica a disputa pelas equipes “soltas” como os pernambucanos Recife Mariners e Recife Pirates; e os potiguares Natal Scorpions e Bulls Potiguares. Será primordial agregar essas equipes para formar um campeonato nacional.

A tendência é haver dois campeonatos “ditos” nacionais em 2012. Tudo leva àquela disputa que um se auto declarará o campeonato nacional de fato e outro argumentará ser de direito... Nesta quem perde é o futebol americano do Brasil, propício a ser motivo de piada – com justiça.

Sílvio Santos Júnior foi um dos comentaristas da NFL no BandSports e é um crítico ferrenho das mazelas que o esporte enfrenta – concordo com ele em muita coisa. Em entrevista ao Renato Lazzarini do site Giants Brasil publicada em 15 de Junho deste ano, Silvio conta uma conversa que teve com o Jack Reed, gerente de desenvolvimento da IFAF (Federação Internacional de Futebol Americano):

É uma vergonha termos dois campeonatos nacionais ‘chancelados’ pela AFAB. Jack Reed, durantes sua visita ao Brasil para realização da Coaching Season, dentro do meu carro, no meio do trânsito paulista, caiu na gargalhada ao saber dos dois campeonatos nacionais. Fiquei meio p*** com a risada, mas e aí? Ele está certo. É mesmo motivo pra piada...

De um lado os times e seus interesses; de outro duas pessoas e seus interesses. O ego impede que seja feita uma junção de propósitos com um só objetivo. Neste dilema todos perdem.

E mais uma vez é provado que tolo é o homem que busca sua própria glória.



(GL)
Escrito por João da Paz


*© Todos os logos aqui apresentados pertencem aos seus respectivos proprietários
© 1 por Bruna Bittencourt / LBFA Mídia

Ricky Rubio não pertence à NBA

Em 2009 ele foi um das apostas do Grandes Ligas.

O encanto acabou.

Dois anos a mais de experiência no basquete europeu, jogando pelo tradicional clube FC Barcelona e pela excelente seleção espanhola, não trouxeram aprimoramentos para o jogo de Ricky Rubio e sua primeira temporada na NBA está prestes a iniciar com ele carregando uma habilidade bem inferior do que se esperava.

Na época a dúvida era como iria ser seu desenvolvimento nos arremessos de média e longa distância – atualmente a indagação permanece. Rubio não evoluiu neste quesito e piorou em outros. Não foi por falta de treinamento ou de competição. Qualquer lado negativo é colocado na conta do time, do Barcelona.

Sim, o Barcelona tem um modelo de jogo que não se encaixa bem com o armador de 21 anos, mas e daí? O estilo “meia-quadra” de jogar do time azul-grená poderia moldar Rubio de forma diferente, adaptação que teria que partir dele. Quer dizer que para se dar bem na NBA uma franquia terá que praticar um basquete que o espanhol goste? Senta lá Ricky...

Antes do draft de 2009, Rubio comentou que seu desejo seria ir para o Oklahoma City Thunder. A franquia do astro Kevin Durant atua em alta velocidade no ataque, usa muito as transições e Rubio seria uma boa peça no elenco. Mas são os times que escolhem os jogadores e não o contrário. O Minnesota Timberwolves pegou o armador na 5ª escolha e lá encontrará um treinador que terá a missão de inserir Rubio no melhor basquete do mundo. Rick Adelman tem o perfil ideal para trabalhar pacientemente com o novato.

Bem, novato na NBA, lógico. Joga profissionalmente desde os 14 anos de idade. Desta curta carreira, os anos mais interessantes de serem observados são justamente estes dois últimos, pois recebeu o rótulo de “Atleta da NBA” e teve que entrar em quadra com a atenção voltada a si por ser um figura tão destacada. Tudo para notar se o basquete seu mostrava melhoras.

Nada!

No Mundial de basquete realizado em 2010 na Turquia, a Espanha foi eliminada nas quartas de final pela Sérvia e perdeu a disputa do quinto lugar para a Argentina. Rubio terminou em sexto em assistências e não apareceu entre os 10 primeiros em roubos de bola – característica considerada forte pela agilidade e longa envergadura. Terminou o torneio com aproveitamento de quadra de 28% e 2 arremessos de três pontos convertidos em 17 tentados. Nos nove jogos do selecionado, sua média de pontos foi 4 em 25 minutos em quadra.


No Barcelona, o conjunto fez com que ele ganhasse títulos importantes, como a Euroliga de 2010 e o campeonato espanhol deste ano; em nenhum deles Rubio foi efetivo e/ou importante. Veja o exemplo que aconteceu na final da ACB 2011, que ocorreu no mês de Junho.

Sem grandes dificuldades, o Barcelona venceu o Bizkaia Bilbao em três jogos (melhor de 5). Rubio marcou 3 pontos... em toda série! No primeiro jogo ele conseguiu 4 assistências, mas nas outras duas partidas conseguiu apenas outras três, terminando a grande decisão com um total de 7 assistências... Seu total de minutos em quadra foi de 39... Com baixa produtividade, o tempo em quadra, obviamente, foi se tornando escasso.

Numa decisão de campeonato regional, jogando para uma média de 7 mil torcedores nos ginásios e apresentar um pífio desempenho como este?

Em Agosto veio o EuroBasket 2011 na Lituânia. Espanha campeã, confete pro ar, Rubio na foto do título... Foi relevante? Não. Teve uma média boa de minutos em quadra, 15.5, mas não computou bons números (média por jogo): 1.5 pontos, 2.1 assistências e 1.4 roubos de bola (o 14º colocado nesta categoria). Seu aproveitamento nos arremessos de quadra foi péssimo (23.3%), converteu 1 arremesso de três em 15 tentados e só anotou um lance livre.

Bom ou ruim?

Com a palavra Pau Gasol, ala do Los Angeles Lakers e líder da seleção espanhola, sobre as atuações de Rubio no EuroBasket 2011: "Gostaria de ter visto uma melhora mais substancial do que apresentada por ele." (via Associated Press)

Tem os que o defendem, mas precisam achar argumentos por aí. É jovem, mas quantos jovens com menos que 21 anos brilham (brilharam) na NBA sem ter a experiência que Rubio adquiriu? Barcelona! Seleção da Espanha! Não são meras equipes. Ele se gaba por jogar profissionalmente desde os 14 anos, então pode ser dito que em 6 anos de carreira seus números são ridículos. Basta ver para enxergar.


Para piorar, repórteres que cobriram o EuroBasket in loco viram Rubio treinar persistentemente arremessos – o primeiro a chegar e o último a sair. Não surtiu efeito. Ele recebeu um treinamento de arremessos particular de um treinador, Jarinn Akana (que já cuidou de Dirk Nowitzki), especializado em basquete, que teve a oportunidade de ficar com Rubio durante um ano e meio. Não surtiu efeito [2].

A NBA não é circo. Pode até ser marketing e nesta área terá as atenções divididas com Jimmer Fredette. O que Rubio fez contra os americanos nos Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim (China) contaminou os olhos e a mente de todos. Passaram-se os anos e o que é visto agora é um jogador improdutivo que não convence.

Verdadeiramente, no mínimo, três armadores novatos terão uma temporada 2011-12 melhor que Rubio: Kyrie Irving, Brandon Knight e Kemba Walker, estes sim jogadores de NBA.

Não ser sucesso na NBA não, necessariamente, mostra que determinado jogador é todo ruim. Pode até fazer sucesso na Europa, mas não no melhor basquete do mundo. Hoje Rubio está longe de ser um jogador de NBA. Em dois anos de experiência após ser selecionado pelos T’Wolves, o espanhol mostrou vontade e voluntarismo, nada de qualidade nem eficiência. Ser voluntarioso e ter vontade não rendem status na NBA, são aspectos que definem uma carreira curta na associação.

O único que pode mudar esse quadro é Rick Adelman. Treinando clubes de NBA desde 1988, Adelman trabalhou com Terry Porter, Tim Hardaway, Jason Williams, Mike Bibby, Rafer Alston; armadores que o convívio lhe dá propriedade para tentar extrair de Rubio alguma coisa positiva.

Adelman é quem poderá alterar o título deste artigo para “Ricky Rubio pertence à NBA”.



(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 Lucas Jackson / Reuters
© 2 David Ramos / Getty Images

Grandes Ligas entrevista: Eduardo Câmara, kicker brasileiro na NCAA


Na Football Bowl Subdivison (FBS), conhecida como primeira divisão do football da NCAA, não há playoffs. Já na Football Championship Subdivision (FCS) tem playoffs e estão na segunda rodada, que será realizada no próximo sábado dia 3 e um brasileiro estará em campo defendendo as cores de uma das universidades que mais surpreenderam na temporada 2011-12.

O natalense Eduardo Câmara, kicker da Universidade Central Arkansas (UCA), eleito o segundo melhor kicker da conferência no campeonato 2011-12, entrará em campo para jogar contra a Universidade Montana, quinta colocada no ranking FCS e campeã da Conferência Big Sky – título dividido com Montana State. A UCA é a 15ª colocada no ranking, com um retrospecto de 9v-3d, uma derrota a mais que Montana. A universidade do campo cinza e roxo ficou em segundo lugar na Conferência Southland, a mais competitiva da FCS; a campeã foi a Sam Houston State, número um no ranking.

Com uma vitória fácil sobre a #21 Tennessee Tech, 34 a 14, os UCA Bears mantêm uma incrível série de 8 vitórias seguidas. Começaram o campeonato com 1 resultado positivo em 4 jogos e esta arrancada trouxe o time aos playoffs e dá forças para avançar ainda mais na pós-temporada.

Eddie, como o brasuca é chamado pelos americanos, faz desta sua primeira temporada de fato na NCAA. Após se formar na Cedar Hill High School (Texas), uma das escolas elite no football do estado, cidade (Cedar Hill) situada a 25 km do centro de Dallas, ele ingressou na poderosa Universidade Arkansas, hoje número 8 no ranking BCS. Teve que sair de lá e se juntou aos Bears da UCA – o mais conhecido estudante/atleta é Scottie Pippen, membro do hall da fama do basquete.

Nesta entrevista Eduardo conta como foi essa sua saída de Arkansas. Fala também sobre sua vida nos Estados Unidos e seu atual momento na UCA. Diz se topa jogar pela seleção brasileira de football contra o Chile em amistoso a ser realizado no dia 21 de janeiro de 2012.

Confira a conversa que tive com ele, com a ajuda de perguntas feitas por leitores do blog e colegas.

***


Grandes Ligas – Qual sua altura e peso?
Eduardo Câmara – 1m75 e 71kg

GL – Você acha que sua altura pode ser um fator negativo na hora de os times da NFL considerarem a chance de selecioná-lo? (pergunta feita por Everaldo Marques, narrador da TV ESPN e rádio Estadão/ESPN)
EC – Não.

GL – Qual foi seu primeiro contato com o football?
EC – Foi na 7ª série. O treinador sabia que eu jogava futebol e pediu para chutar a bola oval.

GL – Quando sentiu que tinha total controle de força e direção do chute?
EC – Aprender a chutar não foi tão difícil, fazia sem uma maneira especial. Mas controle total mesmo tive só no penúltimo ano do high school (ensino médio).

GL – Como você foi parar nos Estados Unidos?
EC – Vim porque meu padrasto teve uma oferta de trabalho aqui [EUA]. No começo foi complicado já que não sabia inglês. Mas aprendi rápido e depois de um ano não tive problemas.

GL – Como foi a adaptação com a língua inglesa?
EC – A escola aqui é das 8h às 15h e a maioria do tempo era aprendendo inglês. O difícil é lembrar o português (risos).

GL – E a convivência com os americanos, tranquila?
EC – Sim. Estou aqui desde 2002 e já me acostumei com tudo.

GL – Como é ser um brasileiro nos EUA que joga football ao invés de soccer?
EC – A maioria do povo daqui não sabe que sou brasileiro. Meu inglês é tão bom que ninguém acredita que sou brasileiro até começar a falar português. Mas é difícil porque eu amo futebol. Sempre joguei e era meu sonho virar profissional. Ainda quero tentar, porém me concentro atualmente no football e vou fazer o possível para ser o melhor.

GL – Há preconceitos contra estrangeiros em times de football?
EC – Não, nunca fui vítima de preconceito.


GL – Por que Eddie, pra facilitar a pronúncia do nome?
EC – Começaram me chamar de Eddie no high school... e ficou! Agora todos me conhecem assim e tudo que faço no football é com “Eddie Camara”. Se você tem um nome grande ou estranho logo criam um apelido, fica mais fácil e o povo gosta.

GL – Como é jogar football no estado do Texas?
EC – Football no estado do Texas é o melhor do país. Os atletas, as escolas, a competição, os estádios, os uniformes... Tudo é melhor no Texas. Eles levam o football muito a sério, do high school até o profissional.

GL – Como é ser parte de um time (high school) top do país e ser considerado um dos melhores kickers da nação – segundo declarações do seu ex-treinador Joey McGuire?
EC – Foi uma experiência inacreditável! Você joga na ESPN, ganha quase todos os jogos, sempre tem entrevista... E quando seu nome está entre os melhores tudo o que faz é notícia. Todos melhores kickers me conhecem. Fui competir em Las Vegas, Beverly Hills (Califórnia), Dallas... Um treinador rival me tinha como 4º melhor do país... E jogar numa escola top atrai os scouts (olheiros) das grandes universidades, eles sempre iam até Cedar Hill. Também mandavam cartas, muitas! Tenho cartas de mais de 30 universidades, duas caixas cheias!

GL – Quando, no high school, você sentiu que tinha condições de ser um kicker na NCAA?
EC – Quando percebi as universidades conversando comigo, por volta do penúltimo ano (junior)

GL – Como foi o processo de seleção?
EC – Arkansas foi a primeira universidade a me oferecer uma bolsa e eu não queria esperar para tomar um decisão. Gostei bastante dos treinadores e logo optei por ela.

GL – Como foi participar de uma temporada numa universidade elite da NCAA, da super conferência SEC?
EC – Foi legal. As viagens para os jogos fora de casa são todas feitas de avião, se precisar de qualquer coisa é só pedir que eles te entregam. A atenção é bem maior.

GL – Mesmo sem jogar, o que deu para aproveitar desta experiência?
EC – Fiz muitos amigos. Não importa qual nível que você joga. Se você é bom vai ter sua chance na NFL.

GL – Por que saiu de Arkansas? O que aconteceu?
EC – No meu último ano de high school rompi um ligamento do joelho (ACL). Quando entrei em Arkansas fui direto competir e como titular; até minhas pernas não aguentar mais. Então comecei a errar e chutar muito mal. Passei 5 meses parado depois da cirurgia, o que me prejudicou bastante. Após a recuperação, falei com o treinador [Bobby Petrino] que queria jogar, se não aqui em outra universidade. Por gostar muito de mim, aconselhou que fosse melhor sair para não perder mais um ano.

GL – Como foi o ingresso na Central Arkansas?
EC – Tenho amigos da Cedar Hill que jogam na UCA e eles comentaram com o treinador que eu tinha saído dos Razorbacks [Arkansas]. O treinador ligou pra mim e conversamos pessoalmente. Ele me disse que o time precisava de um kicker. Esperei outras oportunidades, mas essa era a única universidade que me ofereceu uma bolsa. O meu técnico do high school [Joey McGuire] disse que não é comum kickers ganharem duas bolsas de estudos diferentes depois que a primeira oportunidade não deu certo. Acho que tive sorte.

GL – Seu primeiro jogo com os Bears foi excelente: um FG de 42 jardas, 5 de 5 em chutes extras... Boa estreia.
EC – Ótima! Enfim estava jogando novamente e realizei bons chutes. Great feeling!

GL – Já na partida seguinte foram dois FG’s errados...
EC – Errei um de 44 jardas e o outro era um chute fácil, mas fui bloqueado, não tive chance. A defesa entrou fácil pela linha ofensiva.

GL – Vocês começaram com 1v-3d. Como foi reverter este quadro e vencer 8 jogos seguidos?
EC – Fizemos uma reunião. Se não ganhássemos o restante dos próximos jogos não íamos para os playoffs. Então há 8 semanas que encaramos cada partida como jogo eliminatório.

GL – Descer de divisão não é ruim? Não pode prejudicar sua futura transição à NFL?
EC – Foi péssimo! Mas se ficasse na FBS teria que perder outro ano e eu queria jogar, não podia esperar. Dois anos sem experiência seria pior. Meu treinador em Arkansas [Petrino] disse o seguinte pra mim: “Não importa o nível que você atue, pois as traves (Y) são do mesmo tamanho. Se fosse outra posição aí prejudicaria porque o nível de competição é menor. Mas um kicker não enfrenta ninguém, basta chutar com precisão”.

GL –A Southland é uma das conferências mais fortes da FCS? – com a maioria das universidades sediadas no Texas, outra em Louisiana e só a UCA fora destes dois estados.
EC – Sim. Acredito que a Southland é a SEC da FCS.

GL – Como é seu relacionamento com os torcedores?
EC – Muito bom; todos são legais comigo. Quando chuto os fãs cantam na arquibancada: “Ole! Ole! Ole! Ole!” (risos).

GL – Qual curso você faz na UCA?
EC – Economia. Sou bom em negócios, principalmente quando volto pra Natal e faço um “rolo” com meus familiares que querem minhas roupas, tênis, aparelho celular... Tudo! (risos).

GL – Conta um pouco do seu dia na UCA.
EC – Tenho duas aulas por dia, entro 8h. Depois do almoço o time faz uma reunião por volta das 14h. O treino começa 15h45 e acaba por volta das 18h. Depois do treino, janto e vou pra casa: aí faço deveres, jogo PlayStation, assisto TV, descanso...

GL – Quais são os benefícios do jogador de football numa universidade?
EC – Os benefícios são maiores nas grandes instituições – o time contrata alunos com boas notas para ajudar os atletas. Aqui na UCA também tem isso, mas em Arkansas acontece com mais intensidade e lá o que você precisar eles fazem.

GL – O que a bolsa de estudos na UCA garante pra você?
EC – Tudo! Comida, aulas, livros... Se quiser pode morar dentro do campus. Caso queira morar fora do campus a universidade paga o aluguel.

GL – Se os quarterbacks ficam com as cheerleaders mais gatas, o que sobra para os kickers? (risos)
EC – Na UCA as cheerleaders são lindas, mas na high school tem mais destas – sem contar o grupo de dança. De fato, os QB’s ficam com a maioria e as melhores, mas o kicker vem em segundo ou entre os cinco primeiros (risos). Não sei o porquê, mas as mulheres daqui adoram kickers! E eu não reclamo...

GL – Como é o relacionamento com as rally girls? (garotas “auxiliares” dos jogadores)
EC- Tanto na high school quanto aqui na UCA elas estão presentes, são cheerleaders e dançarinas. Vez ou outra elas colocam presentes/lembranças nos armários dos jogadores.

GL – Qual momento mais marcante da carreira?
EC – São dois na verdade, as duas vezes que ganhei um jogo com FG. Uma foi no high school na terceira prorrogação e a outra foi três semanas atrás contra Texas State, FG que levou a UCA aos playoffs.

GL – Qual porcentagem de acertos de FG você acha ideal para uma boa temporada?
EC – Agora estou com 73%, 14 de 19 com um destes bloqueado. Se não fosse isto teria 4 errados, mas todos que errei era pra ter acertado. Quero voltar a não errar, porém sei que às vezes acontece. O objetivo é não errar mais que 4 e acertar mais que 15. Mesmo assim 15 de 19 não é bom pra mim; 17 de 19, isto é uma boa temporada.

GL – Você quer jogar pela seleção brasileira de football no dia 21 Janeiro de 2012 contra o Chile em Foz do Iguaçu? (pergunta feita por Flávio Cardia, diretor executivo da Associação de Futebol Americano do Brasil e por Danilo Muller, treinador da seleção brasileira de futebol americano)
EC – Claro que sim! É um sonho.



(GL)
Escrito por João da Paz

O lockout da NBA chega ao fim; os donos venceram e estão com a responsabilidade

A bola está em jogo e os donos controlam a partida.

Entre os players, a NBA tem no seu time homens de alta qualidade: Adam Silver, Chefe Operacional da associação e Michael Jordan, dono do Charlotte Bobcats. Comandado por David Stern, comissário, arquitetaram uma grande vitória para as franquias e para a NBA, pondo fim a 149 dias de paralisação da melhor liga de basquete do mundo.

Os jogadores, mimados, queriam manter o mesmo acordo outrora em vigor, ficando com 57% dos lucros relacionados ao basquete produzidos pela associação; e para os donos os 43% restantes. Nada disto. Estes últimos firmaram forte nas negociações, se impuseram como lideres e os jogadores não sabiam o que fazer. Mais perdidos ainda por serem liderados pelo advogado David Boies, que no lockout da NFL defendeu os donos e agora estar do outro lado.

Boies aconselhou erroneamente a dissolução do sindicato, com os membros entrando em grupos na justiça contra a NBA reclamando por negociações injustas. Ele, do lado da NFL, não viu o que acontecera? Neste caso, os jogadores também processaram a liga, num tribunal no estado de Minnesota, e ganharam. Mas na seguinte instância, e em outros tribunais, os juízes favoreceram a NFL. Assim o publico se posicionou contra os jogadores, forçados a ceder e entrar num acordo com o comissário Roger Goodell e os donos dos clubes.

O mesmo ocorreria com a NBA: os jogadores poderiam até ganhar uma instância, porém no final das contas a razão estaria com os donos. Melhor então acertar o impasse antes de isto acontecer.

O que colaborou para o enfraquecimento dos jogadores a ter pouco poder nas discussões do novo acordo trabalhista foi a tímida participação dos membros. Alguns estiveram presentes todos os dias? Sim. Havia jogadores que sabiam de tudo que se passava? Sim. Grandes nomes da liga sentaram-se na mesa de negociações (LeBron James, Dwyane Wade e Carmelo Anthony)? Sim. Contudo muitos não estavam nem aí e outros tantos estavam se preocupando em acertar contratos com times europeus; inclusive Kobe Bryant, que só entrou no debate nos últimos instantes.

Eles, os jogadores, tentaram colocar na mídia que os donos estavam sendo gananciosos por quererem ganhar mais, ter maior parte nos lucros. Mas quem começou a negociação querendo 57% da fatia foram os jogadores... A estratégia não deu certo. A conclusão distribui os lucros de forma igual, 50-50, porém a favor dos donos. É, mesmo que os jogadores possam, hipoteticamente, ficar uma temporada com 1% a mais, o que só vai acontecer se o crescimento anual da liga exceder a meta, ou seja, se os donos conseguirem arrecadar o que pretendem - caso não, os donos ficam com 1% a mais.

Neste novo acordo os donos vão economizar anualmente US$ 300 milhões ao reduzir os salários dos jogadores. As franquias que mais fazem dinheiro terão que dividir uma parcela maior dos lucros com as franquias de médio/pequeno porte. Uma forma de tentar igualar a competição, o que não vai funcionar.

A NBA quer valorizar os times médios/pequenos, dá força a eles. De certa forma isto foi conseguido com esta divisão de lucros, mas a atenção ainda ficará com as franquias mais potentes e tradicionais. Este novo acordo de 10 anos, com os donos ou jogadores podendo rescindir após 6, cria uma tranquilidade nas redes de TV e patrocinadores ao saber que podem fazer um longo contrato por este determinado tempo. Não querem, entretanto, times de médio/pequeno porte nas finais, pois não atrai público, não atrai audiência.


Para a NBA a temporada passada foi um esplendor, com o trio de super amigos do Miami Heat (LeBron, Wade e Chris Bosh) chegando até à decisão. Isto trouxe para os ginásios e para os televisores torcedores que apoiavam as estrelas (muitos), assim como os que queriam que eles fracassassem (muitos também). Gerou na mídia uma grande cobertura que excedeu o âmbito esportivo – que para os patrocinadores significa mais exposição, mais grana.

Quem gosta de basquete admira o estilo de jogo do San Antonio Spurs e curtiu a dinastia texana na década passada – e os títulos em anos ímpares. Basquete bem jogado, tática perfeita... Porém sem atrativo algum ao grande público, com duas finais com a participação dos Spurs tendo as piores médias de audiência das finais na história da NBA: 2007 contra o Cleveland Cavaliers (6.2) e 2003 contra o New Jersey Nets (6.5) – como efeito comparativo, a média de audiência da decisão da temporada passada entre Dallas Mavericks versus Heat foi de 10.2.

O sucesso da NBA está atrelado ao bom desempenho das estrelas e das grandes equipes. Toda brincadeira tem um fundo de verdade, notório, e David Stern disse certa vez que a final ideal da NBA é o Los Angeles Lakers contra qualquer outro time... O que é verdade, apesar de que os Lakers podem ser substituídos por um clube grande e de tradição. Uma das alegrias do comissário é ver os Knicks com Amare Stoudemire, Carmelo Anthony e com o desejo de trazer Chris Paul. É imprescindível que o time de New York esteja bem para a NBA também estar bem. Isto vale para o pulo que os Bulls deram com o talento e fama de Derrick Rose; a NBA também precisa de um time competitivo em Chicago.

As franquias estão com uma meta: gerar lucro. Esta pressão vem com a assinatura deste novo acordo. Tudo foi moldado para isto ocorrer. Se for diferente, o plano B pode ser acionado.

As grandes franquias não vão ficar simplesmente "doando dinheiro" para os médios/pequenos e estes não fazerem nada, não colocarem em quadra um time forte e não conseguirem levar público ao ginásio para consumir produtos. O temido assunto da contração, que vem a ser a eliminação de franquias da NBA, surgirá com força. Por isso a responsabilidade dos times menores é considerável, sabem que estão lutando pele sobrevivência – lembrando que uma franquia está sob o controle da NBA por motivos de má gerência: o New Orleans Hornets.

A volta da NBA trouxe júbilo aos jogadores que pensaram que corresponderiam o amor ao basquete jogando em outras partes do mundo, mas só encontraram longas viagens de ônibus, hoteis paupérrimos, nível baixo de competição e goteiras em ginásios. O esporte era o mesmo. Basquete. Só que não era o basquete da NBA. Salário semelhante. Só que não era dinheiro da NBA.

Após esta parada na relação, um tempo para reavaliar a vida e para onde ela guia, os donos receberam a confirmação que os jogadores irão se sentir melhor em franquias como Toronto Raptors e New Jersey Nets do que em clubes como Flamengo e Besiktas.


(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 Streeter Lecka / Getty Images

A melhor temporada regular dos esportes americanos


O sistema BCS é confuso, mas cria um campeonato empolgante.

Querendo ou não, gostando ou não, invariavelmente os melhores times do football universitário se encontram na final do BCS, que dá ao vencedor o rótulo de “Campeão Nacional”. Apesar da NCAA, órgão que organiza os jogos da temporada regular, não determinar um campeão para os times de football, ela se beneficia pelo sistema BCS que provoca 15 semanas de partidas atraentes e um tropeço qualquer serve para tirar o perdedor da chance de disputar o título.

Esta recente semana foi prova do motivo real de que a temporada regular do football universitário é a melhor entre os esportes americanos. Um jogo de certa forma irrelevante, Oklahoma State versus Iowa State, teve um resultado que mudou a ordem do ranking. Oklahoma State estava em 2º lugar, mas perdeu o jogo (foto acima) e caiu várias posições. A universidade estava invicta, porém a derrota tira qualquer chance dos Cowboys conseguir uma passagem para a decisão do BCS.

Só na NCAAf que partidas da 12ª rodada podem influenciar definitivamente a concepção dos dois melhores times do campeonato. Além de Oklahoma State, outras universidades fortes perderam jogos e minaram qualquer oportunidade de ser uma das 2 melhores equipes dos EUA ao fim da temporada: Oklahoma, Oregon e Clemson.

Querem criar um modo de playoffs na NCAAf; não precisa. Pensam que assim as injustiças serão menores; mentira. Veja o que acontece no basquete universitário, que tem a pior temporada regular entre os esportes americanos: 68 clubes vão para os playoffs e no dia da seleção muitas universidades “choram” e reclamam por não terem sido incluídas no March Madness... Logo, que diferença faz uma partida em Dezembro, Janeiro? Por mais que uma escola perca vários jogos, é possível se classificar para a pós-temporada.

Nos esportes profissionais não é diferente:

MLB: 162 jogos? Com duração de +3horas? Fala sério! Quem vai acompanhar a liga em Julho, Agosto? O público vai ficar sintonizado no final de Setembro e no mês de Outubro, tempo de decisão.

NBA: Similar. O grande público só acompanha os playoffs...

NFL: Pode parecer que é diferente destas outras duas, mas não. Após a metade do campeonato, 12/13 times estão fora da disputa de vagas na pós-temporada.

Expandindo este exemplo da NFL, perceba o que aconteceu nesta temporada 2011-12: o Jacksonville Jaguars e o Seattle Seahawks venceram o Baltimore Ravens (Semana 7 e 10 respectivamente); os dois primeiros não vão para os playoffs, Baltimore estará lá. Na Semana 3, o Buffalo Bills derrotou o New England Patriots; Buffalo não vai para os playoffs, New England estará lá. Na Semana 6 o Tampa Bay Buccaneers derrotou o New Orleans Saints; Tampa não vai para os playoffs, New Orleans estará lá.

Estas foram belas vitórias, grandes feitos, mas quem saiu com o resultado positivo não gozou nada mais que os louros da específica partida. Os derrotados seguem fortes e com condições de disputar o Super Bowl.

Na NCAAf uma derrota pode ser fatal, principalmente para quem foi a derrota. Da mesma forma que uma vitória não vale muita coisa, desde que seja contra times fortes e competitivos. Derrotas e vitórias não são meras estatísticas no football universitário, depende de como o time se comportou nestas ocasiões. Por isso todo jogo é válido e pode afetar a forma do ranking BCS, ou seja, das escolas que vão estar na grande final.


Alabama Crimson Tide deste ano tem uma derrota e é a 2ª colocada do ranking. Esta derrota foi para a 1ª colocada, LSU (foto acima). Após o encontro entre eles, ‘Bama caiu um pouco no ranking, mas voltou à posição que não deveria ter saído após os resultados deste final de semana. Uma derrota para uma universidade da Conferência SEC vale mais que vitórias em outras conferências.

O domínio da SEC* é justificado em campo, incontestável. Dos últimos 12 campeões do BCS, sete são membros da conferência. Abaixo está o recorde, nas finais nacionais, das outras cinco conferências que formam o BCS:

Big East: 1v-2d / Big Ten: 1v-2d / ACC: 1v-2d / Big XII: 2v-5d / Pac-12: 0v-1d

Viu o porquê do domínio da SEC no football universitário? (uma das razões...)

Pela primeira vez nos 14 anos de história do ranking BCS, três escolas da mesma conferência estão nas primeiras posições: 1 LSU, 2 Alabama e 3 Arkansas – e não só isso, estas universidades fazem parte da mesma divisão, a SEC Oeste.

Na próxima sexta, 25, acaba a temporada regular da SEC. LSU enfrenta Arkansas. E se Arkansas vencer, como ficará o ranking? As três vão ter uma derrota e cada uma sendo pelos rivais: LSU perdeu para Arkansas (neste caso hipotético), Arkansas perdeu para Alabama e Alabama perdeu para LSU. Mesmo para quem não é fã de football, muito menos da NCAAf, mas gosta de drama, este jogo do dia 25 é imperdível.

Após tudo, os dois melhores times chegarão à final. Os últimos três campeões (Florida Gators – 2008/09, Alabama Crimson Tide – 2009/10 e Auburn Tigers – 2010/11) venceram 6 times rankeados em suas respectivas campanhas. Uma afirmação da qualidade das equipes.

Nesta temporada, se Arkansas ou Alabama forem as campeãs, também terão 6 vitórias contra times rankeados – LSU não, se for campeão serão 8 vitórias contra times rankeados.

Uma derrota na SEC vale muito? Sim. E o que os times das outras conferências precisam fazer para chegar ao título? Não perder seus jogos, ora! Cinco times têm uma derrota e poderiam estar invictos, dois deles são Alabama e Arkansas. Como foram as derrotas dos outros três?

Stanford (Pac-12) perdeu para um rival de conferência, Oregon. O detalhe é que Oregon tem duas derrotas... Oklahoma State também perdeu para um rival, Iowa State, que, mesmo com a vitória, tem aproveitamento negativo na própria conferência Big XII (3v-4d)... Virginia Tech também perdeu para um rival de conferência (ACC), Clemson, que na época estava em 13º no ranking; VTech só jogou com dois times rankeados – o outro foi Georgia Tech...

Para ser um dos top na NCAAf, é preciso vencer os rivais, os times fracos, médios... Não pode vacilar. Todo jogo importa, toda partida tem um significado. Faltam duas semanas para o término da temporada regular, depois vem às finais de conferência, e muita coisa pode acontecer que mudará a parte de cima do ranking definindo os dois melhores times. Seja como for, serão os dois melhores times. Numa conquista que não vem de última hora, mas construída rodada após rodada.

Então aproveite! Acompanhe os momentos cruciais da competição que proporciona a melhor temporada regular dos esportes americanos.


(GL)
Escrito por João da Paz


*Universidades que integram a SEC (Southeastern Conference): Georgia Bulldogs, Florida Gators, South Carolina Gamecocks, Vanderbilt Commodores, Tennessee Volunteers, Kentucky Wildcats, Auburn Tigers, Alabama Crimson Tide, Louisiana State Tigers, Arkansas Razorbacks, Mississippi State Bulldogs e Ole Miss Rebels.