Zé Alguém


A busca por quem rebate mais home runs ou a disputa por quem é o rebatedor mais forte deixou de ser o principal assunto comentado no mundo da MLB depois da era “pós-esteróides”. O lado ofensivo do jogo agora é colocar a bola em campo e ser o mais eficiente possível, o que leva a seguinte questão: Qual será o rebatedor a ter um aproveitamento ofensivo igual ou acima de 40%? - o último a conseguir tal feito foi Ted Williams (.406 BA) em 1941 com o Boston Red Sox.

Rapidamente um nome surge: Joe Mauer

Joe (José em português), catcher do Minnesota Twins, está para terminar o mês de Agosto com um BA de .390 – até 30/08 ele está com .387; a média ofensiva dela nesta temporada é de .367. Estes números não são os únicos argumentos que sustentam Mauer como o candidato mais capacitado para atingir a marca de 40% no final do campeonato, há outros fatores a favor dele.

Antes, porém, é preciso salientar: Mauer é um catcher. Isto quer dizer que ele, entre os nove jogadores do ataque, é o que menos tem que se preocupar com o bastão e sim com a defesa. A posição exige dedicação para ajudar o arremessador a escolher as melhores bolas para jogar contra os rebatedores adversários e estar sempre atento a movimentação dos jogadores nas bases. Joe sabe disso e, mesmo tendo dois títulos de melhor rebatedor da Liga Americana (2006 e 2008), a sua primeira preocupação é sempre a defesa.

A rotina dele de preparação para a partida é típica de um catcher: estudo sobre os rebatedores do time que ele está prestes a enfrentar; conversa com o arremessador do jogo... Com tanta dedicação assim, como separar um tempo para treinar o swing? A resposta para esta pergunta só engrandece mais o que Mauer faz no ataque.

Ao vê-lo rebater e perceber a naturalidade que traz para o bastão, é difícil entender que ele é um catcher. Para se ter uma noção, este .367 BA dele é igual a última melhor marca de um jogador da mesma posição em final de campeonato: Babe Phelps em 1936 com o Brooklyn Dodgers. Quando dizem que Mauer é um dos melhores rebatedores do beisebol, só estão afirmando uma verdade.

Todos os aspectos de um jogador ofensivo excelente Mauer possuiu. Raramente ele rebate no primeiro arremesso; raramente ele rebate em bolas longe da zona de strike; raramente ele se desespera quando está com dois strikes contra... No entanto, esta é uma situação que ele se sente confortável e tem um aproveitamento, nesta circunstância, cerca de 7% melhor do que a média de todos os outros jogadores da MLB.


Paciência e consistência resumem como Mauer (de branco na foto acima) encara os arremessadores adversários, que perdem a paciência e consistência quando o enfrentam. A tranqüilidade de Mauer no bastão é exemplificada por algo que ele não faz: o swing “interrompido” – ao invés de completar o swing em uma bola que não veio bem arremessada, o rebatedor segura o bastão antes de ultrapassar o home plate. Ao fazer o tal swing “interrompido”, o rebatedor mostra que está cansado e desistindo daquele confronto com o arremessador. Rick Stelmaszek, atual treinador do bullpen dos Twins e está na comissão técnica do clube há 29 anos, disse em entrevista à Sports Illustraded que viu Mauer fazer o tal swing apenas seis vezes nestes seis anos de carreira do jogador.

Durante este tempo todo ele nunca teve que lidar com uma lesão tão grave como a que aconteceu neste início de temporada, ficando fora do primeiro mês de campeonato.

Grave porque, justamente para um catcher, tal lesão é mais prejudicial. Na pré-temporada 2009, os médicos da franquia perceberam através de uma ressonância artográfica – radiografia que mostra as articulações do corpo – uma inflamação na parte baixa da coluna, perto da bacia (ou pélvis). Mauer teve que ficar de repouso para se recuperar da popular “dor nas costas” e não sentir o efeito dela quando voltasse a campo e fizesse o que todo catcher faz: se agachar e levantar a todo instante.

Tal problema não só poderia afetar seu desempenho nas partidas mas também em sua vida particular. Ele passou por momentos que não podia nem se levantar da cama, muito menos andar. Hoje são os medicamentos receitados a ele, tomados regularmente todos os dias, que o fazem ficar livre das dores e do desconforto. Contudo, é bom sempre ficar atento em como bloquear o home plate quando um jogador tentar marcar um ponto... É preciso se preparar para o choque.


Em primeiro lugar a defesa afinal...

O que Joe Mauer faz muito bem e gosta de valorizar. Talvez por que todos falam só sobre seus números ofensivos e de sua habilidade no ataque, ele sempre faz questão de se orgulhar pelo seu jogo defensivo – ele foi Luva do Ouro ano passado. Porém, como não destacar que ele está cada vez mais próximo de quebrar um recorde histórico? O mundo do beisebol esperou anos por alguém com a capacidade de quebrar a tal marca de .400 BA e Mauer é o eleito de muitos para atingir a proeza que há tempos se espera.

Mesmo sabendo disto, ele vai levando um dia de cada vez e, com seu talento, mantendo a regularidade e o alto nível de jogo no ataque, sua marca registrada.

Ele é mesmo muito mais do que um Zé Ninguém.


(GL)



© 1 Charles Rex Arbogast / AP
© 2 Chuck Crow / The Plain Dealer


PS: Leia “Competitivo e Eficiente”, texto que detalha a campanha 2009 do Colorado Rockies (publicado em 3 de Julho)

Além De Um Conto De Fadas


Era uma vez...

Duas amigas, duas confidentes, duas irmãs. Ambas estiveram sempre juntas nos momentos mais especiais: seja nas dificuldades, seja nas alegrias, seja nos sonhos...

Venus Williams (a mais velha) e Serena Williams (a caçula) foram criadas para ser o que são hoje: estrelas. Nada impediu que elas chegassem a este patamar: nem as mudanças de casas, nem as dificuldades, nem o preconceito.

Nasceram em Michigan (norte dos EUA), passaram a infância na Califórnia (oeste) e foram para a Flórida (sul) quando adolescentes e estão lá até hoje. O período morando em Los Angeles, no perigoso bairro de Compton (berço do gangsta rap e das gangues Bloods, Crips e Mexicans), foi o momento que elas vislumbraram ser... astronautas!

Bem, este era o desejo da mais velha quando tinha 10 anos de idade; Serena não “viajou” tanto assim. Talvez Venus quisesse se aproximar mais dos astros, ou conhecer mais de perto a origem do seu nome...

Porém, um choque de realidade é preciso. Afinal, como que uma mulher, afro, vai se tornar uma astronauta? Mais fácil é entrar nos clubes da elite sendo jogadora de tênis!

Por que não?

Este pensamento passou pela cabeça do Sr. Richard Williams, pai das garotas. Ao assistir com sua senhora uma reportagem que mostrava como eram bem sucedidas as jogadoras de tênis, ele logo fez uma proposta para sua esposa: “Vamos ter várias filhas e fazer delas jogadoras de tênis?!”. Dentro desta proposta ou não, o casal teve cinco meninas, mas só duas, a mais velha e a mais nova, mostraram um talento natural para o esporte.

O “fado madrinho”, o grande conhecedor das técnicas do tênis que viu nas meninas “um talento natural para o esporte” foi... Richard Williams! Apesar de nunca ter praticado tênis ou ter sido treinador de nada; aprendeu as nuances táticas assistindo fitas de partidas e lendo publicações sobre o nobre jogo.

Serena (esq.) e Venus (dir) em Compton.

Imagina... Duas meninas afros, “treinadas” pelo pai e vindo das quadras públicas da periferia de Los Angeles – aonde elas tinham que varrer o piso para tirar as cápsulas e projéteis de bala do chão antes de jogar. O talento, porém, sobressaiu estas adversidades e as meninas, na jornada rumo ao estrelato, foram morar em Palm Beach, Flórida, para aprimorar suas habilidades; quando Serena tinha nove anos e Venus onze.

Ao chegarem nos verdes clubes da ensolarada Flórida, as irmãs arrasaram ganhando todos os torneios que participaram e chamando a atenção de muita gente. Só que seu pai as tirou do circuito juvenil e passou, mais uma vez, a treiná-las sozinho. Isto aconteceu porque ele ouvia comentários de outros pais dizendo para suas filhas: “Como você perdeu para esta n****?!”. Richard achou melhor poupá-las deste constrangimento.

O instinto de pai deu certo. Mesmo não competindo entre as amadoras, as irmãs desenvolveram suas respectivas habilidades jogando uma contra outra. No primeiro ano de profissional, Venus jogou apenas quatro torneios da temporada, Serena jogou apenas dois, pois ainda existia o tal do conceito premeditado.

Quando Venus participou de um torneio pra valer, o US Open de 1997 com 17 anos, ela foi a primeira jogadora “não cabeça-de-chave” a chegar numa final de um torneio na era moderna; perdeu para Martina Higgins, então número 1. Nas semifinais, um episódio marcante aconteceu: ao trocar de quadra com a romena Irina Spirlea, ela trombou Venus num gesto considerado por muitos racista, expressando a idéia do “o que você está fazendo aqui?”

Fácil dizer. Juntas, elas têm 18 majors (Serena 11 e Venus 7) e venceram seis dos últimos onze. Os outros títulos deixa que Irina e a “elite” dos clubes de tênis registrem...

Outra coisa que estas pessoas podem fazer é contar quanto dinheiro elas ganharam nestas duas décadas de carreira. Para facilitar o trabalho: Venus, US$ 23 milhões, segunda colocada entre todas as jogadoras da história do tênis; Serena US$ 26 milhões, primeira colocada.

Esta quantia dar para realizar bastantes sonhos. Como o de ser estilista da Venus, que acordava de madrugada quando criança para desenhar modelos que almejava, um dia, produzir – hoje ela tem uma grife chamada EleVen.

Dar para também ser sócia de uma franquia esportiva.

Por que não?


Um super bilionário, Stepehn Ross, apresentou as irmãs como as mais novas sócias do Miami Dolphins, se tornando as primeiras mulheres afro-americanas a fazer parte de uma diretoria da NFL, espaço que nem homens afro-americanos conseguem entrar. Por morarem bem perto do clube (uma hora de carro) elas sempre foram torcedoras dos Dolphins e agora serão pessoas importantes dentro da organização

Ross, dono da franquia, delegou a elas a função de trabalho na comunidade. As irmãs serão responsáveis por divulgar a marca do clube nas periferias e agregar valor aos Dolphins, trazendo mais torcedores para o estádio e criando uma identificação mais forte dos fãs com o time.

Quem diria que aquelas irmãs chegariam a este ponto: parceiras de uma franquia na liga mais rica do mundo, caminhando tranquilamente entre os mais abastados.

Por que não?

Se elas chegaram ao topo do tênis, atropelando clubes burgueses e adversárias que a menosprezavam... Até aquela “viagenzinha” para a lua é possível...

Mas aí seria tudo perfeito demais para um conto de fadas, onde tudo pode acontecer...


(GL)


© 1 Getty Images Archive (1991)
© 2 Capa da SI – 15 de Setembro de 1997

Retomada


Ano 2005. Carnell “Cadillac” Williams (esq.) e Ronnie Brown (dir.), running backs (RB) da Auburn, eram os mais visados no draft criando altas expectativas para temporadas de sucesso na NFL.

Ano 2009. Agora é o tempo deles se firmarem na liga.

Brown foi escolhido pelo Miami Dolphins na segunda posição, Williams foi para o Tampa Bay Buccaneers na quinta escolha. Os dois conseguiram um feito raro: jogadores da mesma universidade e da mesma posição entre as cinco primeiras escolhas da primeira rodada. Isto aconteceu porque ambos tiveram campeonatos fantásticos em Auburn, principalmente o de 2004.

Desde 2001, Brown e Williams dividiam as responsabilidades no jogo corrido da equipe. Teve temporadas que Brown se destacou quando Williams estava machucado (2002) e teve temporadas que Williams foi o destaque quando Brown estava machucado (2003). Quando 2004 chegou, Ronnie, no quarto ano, e Cadillac, no terceiro, iriam optar entrar no draft a não ser que Tommy Tuberville, treinador da Auburn, contratasse um coordenador ofensivo que armasse jogadas para os dois. Ele fez isto trazendo Al Borges da UCLA.

Cada um teve participações qualitativas no ataque e, junto com o quarterback Jason Campbell (hoje no Washington Redskins), Auburn terminou a temporada invicta – 13v e 0d –, mas não jogou a final (USC versus Oklahoma) e sim o Sugar Bowl contra Virgina Tech, vencendo a partida por 16 a 13. É bom lembrar que Auburn começou o campeonato na 18ª posição no ranking do USA Today/ESPN e Tuberville quase foi demitido no início da temporada... Brown correu 913 jardas, marcando 8 TD´s e pegou 34 passes para 313 jardas; Cadillac correu 1165 jardas e marcou 12 TD´s.

Daí veio às tais altas expectativas.


Quem respondeu primeiro foi Cadillac (foto acima). Sobre o comando de Jon Gruden, que confiava muito no garoto e acreditava no seu potencial, Williams foi o novato ofensivo de 2005 pela votação popular no site da NFL e pela a Associatede Press (AP – votos dos jornalistas). Ele completou 1178 jardas com média de 4.1 jardas por corrida, conseguindo 6 TD´s. Cadillac escreveu seu nome na história da NFL ao ser o primeiro RB novato a atingir a marca de 100 jardas em três jogos seguidos – seus tênis usados em 2005 estão no Hall da Fama.

Entretanto, Williams não manteve a mesma produtividade nos anos seguintes. Em 2007, no quarto jogo da temporada, ele fraturou o tendão patelar do joelho direito e teve que fazer cirurgia. Ficou fora do restante do campeonato e só voltou em Novembro de 2008. Na sua sexta partida após o retorno, último jogo da temporada contra o Oakland Raiders, Cadillac torceu o joelho esquerdo, porém nada parecido com a outra lesão; “só” abriu questões sobre se os Bucs podem confiar nele o jogo corrido da equipe.

Para evitar dúvidas, o elenco possui outros dois bons RB´s: Derrick Ward e Earnest Graham, ambos garantidos no grupo de 2009. Williams, então, está na disputa pela terceira vaga; briga com Clifton Portis (participou do Pro-Bowl do ano passado como return) e Kareem Huggins (que fez dois regulares jogos de pré-temporada). Mostrando confiança em Williams e acreditando que ele ainda pode jogar em alto nível, Raheem Morris, treinador, vai colocá-lo no próximo jogo da pré-temporada contra o Miami Dolphins, em uma rotação com Ward e Graham. Caso dê certo, Cadillac estará no elenco.

Vai ser um jogo que marcará o reencontro dos RB´s. A diferença é que Ronnie (foto abaixo) está em uma melhor situação. Talvez não fosse pra tanto, mas, em entrevista ao Miami Herald, Brown disse que pertence à elite da NFL quando o assunto é RB...


O bom ano de 2008 criou esta confiança (um “pouco” exagerada, é verdade) graças às jogadas “wildcat” de Tony Sparano e equipe. Por mais que dividisse jogadas com Ricky Williams, Brown teve uma temporada sólida com 916 jardas – média de 4.3 por corrida – e 10 TD`s; recebeu 33 passes para 254 jardas. A tendência é que Sparano entregue mais bolas para Ricky, mas Brown estará em campo várias vezes para tentar enganar os adversários com a formação “wildcat”.

Essa foi a primeira temporada que Ronnie jogou todos os 16 jogos. Assim como Cadillac, ele teve seus problemas com lesões na NFL: quebrou a mão esquerda em 2006 e machucou o joelho em 2007 o tirando de toda a temporada que, provavelmente, seria a melhor de sua carreira.

A meta é ultrapassar a marca de 1000 jardas corridas, que ele só conseguiu em 2006 (1008). Brown tem competência para chegar a tal marca. Confiança, pelo visto, ele tem de sobra. Resta saber se ao final desta temporada seu nome será mencionado entre RB´s como Adrian Peterson, LaDainian Tomlinson, DeAngelo Williams...

Para Ronnie Brown, esta é “A” temporada de reafirmação. Para Carnell Williams, esta é “A” temporada de reafirmação. Ambos estarão buscando algo que poucos jogadores conseguiram: serem relevantes na NCAA e na NFL. A primeira etapa já foi alcançada, falta agora mostrar consistência e regularidade na liga para entrar no seleto grupo.

Caso precisem de inspiração, é só olhar o que foi feito de bom em suas carreiras, usando os bons números como exemplo e motivação para serem destaques mais uma vez.

(GL)



© 1 Jeffery A. Salter / SI
© 2 Hans Dery / AP
© 3 AP

Pequeno Grande Baixinho


Um metro e setenta e dois centímetros.

Esta é a altura de Dustin Pedroia, segunda base (2B) do Boston Red Sox. Tamanho que se tornou empecilho devido ás criticas em relação ao seu jogo. Tamanho que se tornou motivação para ele mostrar que pode estar na MLB.

Sempre quando Pedroia vai rebater, é engraçado vê que o catcher adversário, de cócoras, fica quase na mesma altura que ele... É curioso vê-lo fazendo o swing com toda a força possível para rebater a bola o mais longe que pode. Porém, não é surpresa assistí-lo sendo eficiente no ataque em todas as partidas: ele tem talento.

Pedroia (sobrenome português) tem feitos raros alcançados em suas duas temporadas completas na liga: novato do ano em 2007 (Liga Americana) e Luva de Ouro (LA), Silver Slugger (LA) e MVP (LA) em 2008. Além do título da World Series em 2007.

Conseguir esta quantidade de prêmios em um período tão curto nos dois primeiros campeonatos disputados na MLB credencia Pedroia como um dos melhores jogadores da liga. Foi preciso alcançar todas estas conquistas para ganhar o respeito dos adversários e companheiros.

Este é o jogador que todos vocês estão falando, brincadeira, né?”. Esta foi a reação de Terry Francona, treinador dos Red Sox, quando viu Dustin, em 2006, quase cair depois de um swing em uma de suas primeiras partidas na equipe. O aproveitamento do 2B no bastão foi de apenas .191 em 31 jogos no ano. Entretanto, a comissão técnica do clube resolveu nomeá-lo como titular da posição para temporada 2007.

Só que a situação para Pedroia não melhorou logo de cara.

No primeiro mês de disputa ele teve um aproveitamento ofensivo de apenas .172. Passou a ser alvo de críticas da imprensa e dos torcedores, criando um desejo na diretoria de mandá-lo à liga de base (minor - AAA) para melhorar sua produtividade no ataque. Antes disto acontecer, Pedroia fez questão de se dedicar em aprimorar sua técnica com os Red Sox, sendo o novato do mês seguinte (Maio). Daí pra frente à história já está contada.

Um dos pontos fundamentais para ele ter se firmado como um grande jogador foi a melhora do seu swing, porque os outros fundamentos do jogo, principalmente os defensivos, Dustin sempre dominou. Quando ainda estava na universidade – Arizona State – ele foi nomeado por duas vezes como o melhor defensor do ano da NCAA; atributo que não o colocou como uma alta escolha no draft de 2006 – Boston o escolheu na 2ª rodada.

Afinal, o problema era o swing.


Basta vê-lo jogar e perceber: Pedroia vai com toda a força em busca da bola. O que hoje é uma virtude, antes era seu principal defeito. Diversos analistas e ex-jogadores diziam constantemente que ele era muito agressivo com os braços, mas não tinha equilíbrio nas pernas; por mais que ele não sofresse tantos strikeouts, ele não tinha uma rebatida de qualidade, sendo muitas vezes eliminado na bola rasteira. Quando Dustin corrigiu isso, tudo se encaixou perfeitamente.

A capacidade que ele tem em ver o melhor arremesso é destacável. Ele passou uma temporada escolar completa (High School), no ano de veterano, sem sofrer um strikeout sequer. Esta habilidade ele sempre teve consigo, só faltava ter um controle melhor de onde colocar a bola em campo, rebatendo com eficiência. Mesmo não tendo a força para converter home runs, ele é um dos melhores jogadores ofensivos da liga, pois tem a capacidade de rebater com qualidade de forma constante – até 23/08/09, ele tem 143 rebatidas em 478 oportunidades, com apenas 38 strikeouts.

Outro aspecto de excelência do jogo de Pedroia é a defesa. Sempre alvo de brincadeiras de seus companheiros pela sua altura, o 2B responde que quanto mais baixo a pessoa é, mais próxima ela fica do chão e mais ágil ela se torna. Esta agilidade é peculiar dele, que faz jogadas extraordinárias entre as bases e tem um dos melhores aproveitamentos defensivos da posição com apenas seis erros em 116 jogos neste ano.

Por ter estilo de jogo mais simples e mais tradicional, Predoia é considerado o modelo do atleta da era “pós-esteróides”. Para mostrar um bom exemplo para as crianças (e adultos também) a Sony CE colocou o 2B na capa do jogo “MLB 09 The Show”, algo que Pedroia, e poucas pessoas, imaginariam que aconteceria um dia. Em um comercial promocional engraçadíssimo, Dustin diz:

Caro amigos da PlayStation, MLB 09 The Show acha que eu não posso rebater uma bola rápida arremessada dentro da zona de strike... Vocês vão consertar isto, certo?

Um dos diretores responde: “Bem Dustin, o jogo é um dos mais reais já feitos, então vamos manter como está... Isto se chama integridade.”

Depois aparece Pedroia polindo o prêmio de MVP do ano passado...

Personificando a personalidade do pequeno grande baixinho.

(GL)



© 1 Ruben W. Perez / The Providence Journal
© 2 Icon SMI



PS: Leia "Sem Dar Um Passo Maior Que As Pernas", perfil do arremessador novato do Atlanta Braves, Tommy Hanson (publicado em 06 de Julho)

Comte Explica


Eu não sei quando vou voltar a ser titular, mas serei o próximo quarterback negro a vencer um Super Bowl e irei para o Hall da Fama”.

Arrogante? Prepotente? Confiante?

Bom, esta afirmação acima vem de Vince Young, quarterback do Tennessee Titans. Lógico que tal declaração gerou diversos comentários nas ruas, programas de rádio, sites, TV´s... Entretanto, Young tem um fundamento para justificar o que disse.

O potencial que o camisa 10 tem é indiscutível, só que ele nunca o concretizou em uma forma constante, regular. Em 2007, quando Young levou os Titans aos playoffs, ele teve mais interceptações (INT - 17) do que touchdowns (TD -9) com uma média de 6,7 jardas por passe. No ano anterior ele foi eleito o novato do ano da NFL.

Em seus três anos de liga, ele tem um rate bem baixo para um QB titular: 66.8 – por exemplo, JaMarcus Russell do Oakland Raiders, que não é um primor de QB, tem um rate na carreira de 73.9. Apesar disto, Young acredita que pode ser o QB titular dos Titans nesta temporada.

A briga é com o veterano Kerry Collins, que no ano passado assumiu o posto depois de Young se machucar no primeiro jogo do campeonato. O Tennessee foi a melhor equipe da Conferência Americana na temporada normal, mas perdeu para o Baltimore Ravens nos playoffs. Collins terminou a campanha de 2008 com 12 TD, 7 INT e um rate de 80.2 (números da temporada normal). Situação que fez o treinador Jeff Fisher, em entrevista a Associated Press no começo desta pré-temporada, confirmar Collins como titular da equipe dizendo que “Vince terá que fazer o possível para ganhar a vaga”.

E isto ele está fazendo.

Young passou este período de preparação trabalhando mais tempo na academia, mais tempo no campo. O objetivo é melhorar seu condicionamento físico e técnico para chegar ao nível de football que ele tinha quando jogava na Universidade de Texas, mesmo sendo rotulado como um QB mediano no passe, porém excelente na corrida.

Estas são as características de Young e são elas que o levarão ao status que ele almeja na NFL. No universitário, este estilo de jogo colocou Vince como um dos melhores QB´s de toda a história da NCAA. 2004 e 2005 foram anos que ele foi destaque em todas as mídias, elevando sua popularidade a um patamar nunca antes visto na NCAA – muitos o consideram o jogador mais popular de toda a história do football universitário; ele até tem o “Dia Vince Young”, 10 de Janeiro, celebrado em todo o estado do Texas.


A dedicação e o trabalho carregaram Young até o reconhecimento; por isso que agora ele está fazendo o mesmo que fez em sua adolescência: trabalhando e se dedicando. Porém, o que hoje é feito para recuperar o prestígio perdido, antes era questão de sobrevivência.

Dentro de uma linha de raciocínio lógico e/ou carnal, imaginar que Young chegaria a ser um adulto já era um prognóstico positivo. Desde criança, sua vida era rodeada por alcoólatras, drogados, vândalos... O problema é que o exemplo vinha da família, pois sua mãe era uma das alcoólatras, drogadas, vândalas... Young conta que, com 10 anos de idade, ele não conseguia permanecer em casa a noite porque pessoas ficavam lá fazendo orgias e usando todo o tipo de drogas, tudo com o consentimento da mãe. Em seu quarto havia um buraco no qual ele via tudo isto e muito mais, era sua “janela para o mundo”. Ir para a rua não era uma boa opção porque ele era alvo de brincadeiras maldosas; seu apelido era “Crack Baby”.

Então, Young falou consigo mesmo dizendo:

Eu não sei o que vai acontecer comigo, só sei que eu não serei mais um ‘desses’”.

Arrogante? Prepotente? Confiante?

Comte explica.

Auguste Comte (1798-1857), filósofo francês fundador da Sociologia e do Positivismo, disse que é preciso “ver para prever, a fim de prover” frase que sintetiza o pensamento positivista. Quer dizer: enxergar a realidade e conhecê-la melhor, de modo que através de ações uma pessoa possa mudá-la, transformá-la.

Fácil era para Young ser “mais um produto do meio” e entrar na bandidagem. Caso fosse pego, por exemplo, poderia culpar sua mãe, sua família, seus amigos, o sistema... Entretanto, tomou outra atitude: não escolheu ser “mais um produto do meio” e sim ser um fator de mudança. Ao invés de ter uma postura de vítima e dizer “Assim a sociedade me fez”, ele optou por usar tal situação como estímulo para ser diferente. Ou seja:

O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós fazemos do que os outros fizeram de nós” – Jean-Paul Sartre, filósofo francês.


O pensar positivo tem os seus resultados e Vince Young sabe disto. Afirmar que “Eu não sei quando vou voltar a ser titular, mas serei o próximo quarterback negro a vencer um Super Bowl e irei para o Hall da Fama” faz parte desta idéia de acreditar que o melhor estar por vim. Ele sabe muito bem que só isto não basta, sabe que é necessário se esforçar para atingir tal objetivo; sabe muito bem porque já passou por experiência semelhante. Assim como ele escolheu ser diferente dos exemplos que tinha ao seu redor em sua infância, escolheu por meta o “Super Bowl” e o “Hall da Fama” como motivação para ser um melhor jogador hoje do que foi ontem.

Vince Young sabe que a vida é feita de escolhas.

(GL)

© 1 Nick Laham / Getty Images
© 2 John Biever / SI


PS: Leia “Às Cores Quando Não Há Palavras”, texto que traça um perfil de Rex Ryan, treinador do New York Jets (publicado em 1º de Julho)

A Voz Que Todos Ouvem


A voz do “professor”.

Apesar deste termo não ser muito usado como sinônimo de treinador na NFL (diferente do que acontece no futebol brasileiro), Raheem Morris, novo técnico do Tampa Bay Buccaneers, assume o papel de instrutor ao invés de comandante.

Este tipo de identificação é preciso ser feita sempre. Morris tem apenas 32 anos (o treinador mais novo da liga) e biótipo de jogador; ás vezes é díficil identificá-lo quando ele se mistura com o grupo.

Sendo assim, como exercer autoridade perante seus atletas? Como fazer com que eles dêem crédito a alguém tão jovem? A estratégia é usar a comunicação, o diálogo, e assim se aproximar melhor dos jogadores.

Por isso que o termo “professor” vem à mente.

Eles [jogadores] estão em busca de um professor e esta é a minha função. As pessoas irão lhe ouvir pelo o que você tem a dizer, como você pode ajudá-las... É isso que os jogadores querem ouvir, não importa o quão velho eu seja” diz Morris sobre se a sua idade afeta o seu comando na equipe.

Ele tem personalidade, isto é inquestionável. As suas entrevistas coletivas são um caso a parte; bastante leve e em alto-astral, mas sem perder o profissionalismo nas respostas, pois ele sabe a responsabilidade que tem alguém que dirigi um time na NFL. Os dez anos de experiência trabalhando em comissões técnicas o ajudam a entender isso.

Morris conseguiu o primeiro emprego de assistente na universidade Hofstra com 22 anos, passando depois por Cornell e Kansas State. Ele entrou na franquia Buccaneers em 2002 e com 26 anos fez parte da comissão técnica campeão do Super Bowl; saiu em 2007 para ser coordenador defensivo da Kansas State na NCAA, mas voltou aos Bucs no ano seguinte. Os mais de seis anos em Tampa servem como uma credencial de respeito aos seus atletas.

Ele é jovem, mas tem uma mentalidade da ‘velha escola’, sabe? Ele te encara face a face e fala ‘O que você está fazendo não é bom o bastante...’ Ele sabe fazer isto sem te menosprezar” diz Barrett Ruud sobre o trato de Morris com os jogadores – na foto ao lado Raheem conversa com McGwon.

O elenco todo segue as orientações do “professor” que se relaciona bem com os atletas, porém não alivia nos treinos. Derrick Ward, novo running back da equipe, jogou por quatro temporadas com o New York Giants do treinador Tom Coughlin, tido como um dos mais rígidos da liga. Ward afirmou recentemente que o treino de Morris é mais forte do que o do Coughlin “É tudo em um ritmo mais acelerado, mais agressivo, mais físico

Raheem quer que este seja o tom da equipe nesta temporada, para o time não chegar fraco em dezembro e perder os últimos quatro jogos como aconteceu no ano passado – o time vinha bem com 9v – 3d até então. O que um jogador de football dificilmente irá admitir é que o adversário venceu o jogo porque foi mais “físico”. Esta, contudo, é uma frase que se ouve com freqüência nos Bucs, graças às “vídeos-aulas” do “professor” Morris, que mostrou a prova real do porque o time não se classificou para os playoffs do campeonato passado.

Diferente de Jon Gruden, seu antecessor, Morris não passa muito tempo na sala de vídeo. Ele gosta mesmo é de “aula campal”, ser o líder por exemplo. Ao invés de apenas dizer como se deve fazer determinado exercício, ele entra em campo e demonstra pessoalmente como que deve ser executado. Isto passa confiança aos jogadores que vêem no treinador dedicação e comprometimento – na foto abaixo, Morris marca o receiver Pat Carter em um treino.


Para conseguir se classificar para a pós-temporada, Tampa terá que se esforçar muito em uma divisão competitiva: NFC Sul – NO, CAR e ATL. A principal questão a ser resolvida é sobre quem será o quarterback titular: Byron Leftwich, Luke McCown ou Josh Freeman. Em entrevista coletiva nesta última segunda, Morris disse que quem começar o terceiro jogo da pré-temporada, contra o Miami Dolphins, será o titular no início do campeonato. Entretanto, ele deixou claro que se o escolhido não mostrar um desempenho satisfatório, irá ser substituído.

Em prol do grupo, Morris não permitirá intocáveis no elenco.

A adição de Ward e Kellen Winslow (tight end) acrescenta mais opções para o ataque da equipe. A defesa está renovada e pronta para por em prática as lições aprendidas neste período de pré-temporada. Os jogadores como um todo estão sedentos em praticar o que foi ensinado a eles e honrar o “professor” pelas instruções passadas.

E mostrar que ouviram ao invés de só escutar.



© 1 Bucs Media
© 2 Brian Blanco / AP
© 3 Bucs Media

Nas Entrelinhas

Não está escrito, mas existe. Assim como o viver em sociedade tem suas condutas e comportamentos implícitos, o beisebol é um esporte que tem sua própria “cartilha” não oficial sobre como deve ser a postura dos atletas, jogadores e árbitros em campo.

O escritor Ross Bernstein, autor de mais de 40 livros sobre esportes, dedicou uma de suas obras a esta tal “cartilha”. “The Code: Baseball Unwritten Rules” mostra detalhadamente estas regras paralelas do jogo, fruto de uma pesquisa intensiva feita com mais de 100 jogadores e treinadores da MLB – em atividade ou já aposentados – que foram entrevistados para este projeto.

Neste mês de agosto, a MLB mostrou exemplos claros de atitudes das quais o livro relata, dentre elas duas se destacaram. No jogo entre Los Angeles Dodgers contra o Milwaukee Brewers (dia 04/08) o reliever dos Dodgers, Guilhermo Mota, atingiu Prince Fielder (Brewers), com uma bola arremessada intencionalmente, em retaliação a Manny Ramirez e Juan Pierre, ambos dos Dodgers, também terem sido alvo de “boladas” no mesmo jogo.

Outro caso aconteceu no jogo entre Boston Red Sox contra o Detroit Tigers, quando Rick Porcello (Tigers) arremessou uma bola rápida nas costas do rebatedor Kevin Youkilis (Red Sox) que correu em direção de Porcello iniciando uma briga. Na mesma partida, Junichi Tazawa (Red Sox), atingiu Miguel Cabrera (Tigers).

O Grandes Ligas hoje irá explicar estas questões e outras mais desta “cartilha comportamental” do beisebol:


“Olho Por Olho...”


Sem meio termo: se um arremessador atingir um rebatedor, o troco vem em seguida, não importa se o lance foi intencional ou não. No último sábado (15/08) David Wright (Mets) foi atingido na cabeça por um arremesso – foto acima - de Matt Cain (Giants). Mesmo todos os jogadores dos Mets, assim como Jerry Manuel, treinador da equipe, terem entendido que Cain não jogou a bola de propósito, Johan Santana (Mets), mais tarde no jogo, arremessou em cima de Pablo Sandoval (Giants).

A tendência é este tipo de situação acontecer mais na Liga Americana (LA) do que na Liga Nacional (LN), porque na LN o arremessador também rebate.


Briga Sem Bastão


Quando um rebatedor é atingido, ou uma bola passo perto, geralmente ele vai para cima do arremessador e parte para a briga, porém sempre deixando o taco no home plate. Exatamente como fez Coco Crisp (foto acima) no ano passado contra James Shield, arremessador do Tampa Bay Rays.


A Turma do Deixa Disso


Aí chegam eles todos. Todos literalmente. Na foto acima uma confusão criada entre os jogadores do New York Yankees e Toronto Blue Jays, por Alex Rodriguez ter sido atingido por uma bola.

Quando há qualquer briga, ou pelo menos um indício dela, todos os jogadores que estão no estádio – seja no bullpen ou no banco de reservas – entram para “separar” os brigões. O jogador que não participar da “separação” e se omitir, estará em posição delicada perante os outros atletas e comissão técnica. Houve casos de omissão que acabaram com jogadores indo para uma liga de base (minors) como punição e outros que foram dispensados do clube ou envolvidos em negociações.


Cara a Cara


Em decorrência de uma má interpretação do árbitro, os treinadores entram em campo para, digamos, “bater um papo” com o comandante da partida. A amistosa conversa pode até ser em tom alto, em gritos para falar a verdade, desde que não seja citada a mãe do querido árbitro; desde que o treinador não o mande para algum lugar indesejável, desde que o treinador não o mande fazer algo desagradável... Caso algumas destas coisas ocorram, o treinador é expulso na hora, o que aconteceu com Ozzie Gullen (foto acima), técnico do Chicago White Sox.


Sem muita alegria


Na NBA, após uma enterrada, há comemoração. Na NFL, após um touchdown, há uma dancinha. Na MLB, após um home run, há... nada! Quando o jogador consegue mandar a bola para fora do estádio ele deve correr entre as bases seriamente (Mike Rivera na foto acima), se isto não acontecer e ele sair gritando e comemorando, é provável que ele seja atingido por uma bola na próxima vez que ele pegar o bastão. O excesso na comemoração de um home run é tido como desrespeito para o arremessador. Para esta regra também há exceções: um home run de desempate no final do jogo, o pulinho do Sammy Sosa, o olhar de Barry Bonds...


Outro

Não roube uma base, nas últimas três entradas, se o seu time estiver vencendo por mais de cinco corridas... Não dê um “carrinho” agressivo em direção da segunda base numa situação de queimada dupla – double play... Sempre corra forte para a primeira base, independente de como saiu a rebatida... Não leia os sinais do adversário, principalmente os que o catcher manda para o arremessador... Nunca desrespeite o árbitro; ele pode te prejudicar...

Extraordinário!


Este é Earvin “Magic” Johnson.

É também Vice Presidente do Los Angeles Lakers e sócio minoritário da franquia.

Hoje, as empresas administradas pela sua companhia, Magic Enterprises, valem cerca de US$ 700 milhões. São estabelecimentos famosos gerenciados pelos seus associados, localizados nas periferias de 85 cidades em 21 estados americanos. Starbucks (cafeteria), Burger King (lanchonete), 24 Hour Fitness (academia), T.G.I. Fridays (restaurante) são alguns das dezenas de estabelecimentos que abraçam a idéia de Magic: levar qualidade para a comunidade.

Visão que parece simplista, até fácil de conceber, entretanto são poucos os que fazem algo parecido. Como diz Magic em seu mais recente livro lançado ano passado “32 Ways to be a Champion in Business” (tr. 32 Maneiras de Ser Campeão em Negócios): “O poder do consumo está nas classes mais baixas”. Mesmo pensamento que o empresário brasileiro Samuel Klein (fundador das Casas Bahias) tem.

A Magic Enterprises traz essas marcas famosas para a periferia das grandes cidades e as pessoas que trabalham nas lojas são da região. Desta forma, além do lugar se desenvolver, tal ação gera empregos diretos para os que estão por perto. Em entrevista a revista TIME, Magic disse que o maior feito de sua vida foi “Sem nenhuma duvida, colocar 40.000 pessoas da minoria para trabalhar”.

Outro empreendimento de Johnson é algo fantástico. O Magic Theatres, rede de cinemas, que se encaixa no mesmo perfil dessas outras empresas; voltada ao público urbano dos bairros mais pobres. Chamar os cinemas do Magic Theatre de apenas “cinemas” é pouco. Todo complexo segue o mesmo padrão seja qual for o lugar da localização; cada um tem por volta de 5.600m² com várias “lojinhas” dentro; há de 10 a 15 salas com telas em alta definição e som estéreo SDDS; cadeiras no estilo “stadium” com capacidade entre 3.200 a 5.000 pessoas – na foto abaixo, um localizado no Harlem, NY.


Paralelo a estes negócios, Magic administra sua fundação (Magic Foundation) que arrecada dinheiro destinado a pesquisar o vírus HIV. Desde que ficou sabendo que tinha o vírus, descoberto depois da temporada 1991-92 – quando deixou de jogar basquete – ele se tornou um dos ativistas mais conhecido em todo mundo, lutando para buscar a cura para a AIDS e orientar as pessoas em evitá-la.

Ele também virou um “palestrante motivacional”. Mas, na verdade, ele nem precisa falar muito. Basta uma platéia de, por exemplo, 5 mil pessoas vê-lo de pé no palco. Estar vivo e ativo com o HIV em seu corpo por 18 anos já é bastante motivacional.

Agora, como ele consegue? Quer dizer, como ele sobrevive? “Tomando remédios e me exercitando todo o dia...”, conta Magic “...e procuro ser sempre otimista, isto ajuda bastante. O fato de eu ter descoberto cedo foi importante também, porque eu pude tratar a doença logo.”

Antes de largar a NBA para cuidar da AIDS, ele deixou um legado fenomenal. Foram cinco títulos conquistados (80, 82, 85, 87 e 88), três vezes MVP (87, 89 e 90), doze vezes participou do Jogo das Estrelas... Fora todos estes feitos mensuráveis, Magic fez muito mais: ele inovou a maneira de jogar a posição de armador e foi um dos “criadores” do “Showtime”, estilo de jogo baseado em contra-ataques velozes e em jogadas... “mágicas”...

São tantos os recordes dele, mas um merece destaque: além de ser MVP e campeão da NBA, Magic foi MVP e campeão da NCAA, defendendo a universidade estadual de Michigan (Spartans) em 1979. A rivalidade criada com a universidade de Indiana e contra seu melhor jogador, Larry Bird, transferiu-se para associação quando Bird foi para o Boston Celtics e Johnson para os Lakers

Não foi só na NCAA ou na NBA que Magic aprontou das suas e fez sucesso. Desde a escola ele já era manchete nas páginas esportivas dos jornais da época. Certa vez, depois dele, com quinze anos de idade, anotar um triple-double absurdo de 36 pontos, 18 rebotes e 16 assistências, quando jogava em Michigan na escola Everett (High School), um jornalista local do Lansing State Journal chamou pela primeira vez Earvin de “Magic”.

Por isso há motivos de sobra para comemorar os 50 anos de Magic Johnson.

Segundo o dicionário Michaelis Moderno da Língua Portuguesa, extraordinário significa: fora do ordinário, que não é conforme a ordem. Esta é a definição perfeita para Johnson.


Ao invés de passar a bola para onde estar olhando, assistência para o outro lado. Ao invés de investir em quem tem dinheiro, dezenas de negócios em bairros pobres. Ao invés de ser uma vítima do HIV; postura de guerreiro para vencê-lo e sobreviver. Ao invés de ser conhecido pelo nome de batismo; Magic Johnson é o “nome” pelo qual as pessoas lhe chamam.

Tudo fora da ordem, tudo fora do normal.

Assim como este texto, que termina no início e começa no final.



© 1 Andrew D. Bernstein / Getty Images

As Perguntas Que Não Se Calam

O Grandes Ligas destaca hoje seis questionamentos para ajudar o leitor a entender melhor alguns jogadores e clubes antes da temporada regular iniciar.


Como irá voltar Tom Brady?


Pegando o jogo de ontem contra o Philadelphia Eagles (foto acima) como exemplo, ele voltará como se não tivesse saído. O quarterback do New England Patriots jogará todas as partidas da pré-temporada, mesmo que seja apenas por um tempo em cada uma, como aconteceu nesta quinta. Segundo o próprio Brady disse em entrevista coletiva após o jogo: “Não há como simular isto (uma partida) no centro de treinamento”.

Ele mostrou segurança em relação ao seu joelho esquerdo, no qual ele sofreu uma lesão que o tirou de toda a temporada passada. Se movimentou com firmeza atrás da linha ofensiva e arremessou bons passes; teve uma INT que pode ser creditada a falha de Randy Moss em sua rota e ao cornerback dos Eagles, Sheldon Brown, que teve méritos em ler bem a jogada.

Pegando ritmo de jogo nestes quatro primeiros jogos de “exibição”, Brady irá entrar no primeiro confronto valendo contra os Bills em forma para levar sua equipe até a final.


Norv Turner vai atrapalhar ou ajudar?


Talvez não haja um elenco com tantos talentos individuais na liga como o do San Diego Charges: Phillip Rivers (QB), LaDainian Tomlinson (RB), Vincent Jackson (WR), Antonio Gates (TE), Shaun Phillips (LB), Shawne Merriman (LB), Antonio Cromartie (CB)…

Porque, então, esta equipe não avança nos playoffs?

Vencer a divisão Oeste da Conferência Americana não deve ser problema, o time pode até almejar uma melhor posição na tabela e ganhar folga na primeira rodada da pré-temporada. Tudo isto pode acontecer se Turner, treinador dos Charges, não querer “inventar a roda” ou pensar “que tem um rei na barriga”. Ou seja, para continuar com os ditos populares, se ele “não atrapalhar, já estará ajudando”.


Como acreditar no inconfiável?


Esta é a missão de Brad Childress, técnico do Minnesota Vikings: dizer aos seus QB´s Sage Rosenfels (2) e Tarvaris Jackson (7) que, apesar do time ter se esforçado em buscar um outro QB (leia-se Brett Favre), a comissão técnica acredita no bom trabalho de ambos para levar o time ao Super Bowl...

Tá bom!

Não importa como formal Childress será com seus QB´s, nas entre linhas estará subentendido que “se não tem outro, vai qualquer um de vocês...”. Ele pode, se quiser, brincar de “cara ou coroa” e ver o que dá, porque Rosenfels e Jackson se completam – a qualidade de um é o defeito do outro. Enquanto Rosenfels tem mais precisão no passe e visão de jogo, Jackson é mais ágil e tem mais força no braço.

Childress merece, pelo menos, receber um “Boa Sorte”...


Dolphins nos playoffs de novo?


Difícil...

Tudo o que aconteceu de bom no ano passado, se virou contra o time.

A jogada “wildcat” não é mais segredo pra ninguém e a tabela do Miami é uma das mais difíceis desta temporada – diferente do campeonato de 2008. Além dos jogos na divisão, os Dolphins jogarão contra os times da divisão Sul da Conferência Nacional (ATL e CAR fora; TB e NO em casa), contra os primeiros colocados das divisões da Conferência Americana do ano passado (SD e TENN fora; PITT em casa) e contra o IND em casa.

Tony Sparano, treinador do time, merece, pelo menos, receber um “Boa Sorte”...[2]


Roy Williams será “O” receiver?


Sim. Ao menos tem tudo pra ser.

O ataque do Dallas Cowboys não dependerá apenas de Roy: o jogo corrido está forte com três peças talentosas (Marion Barber, Felix Jones e Tashard Choice) e o ataque terá jogadas preparadas para os dois tight ends (Jason Witten e Martellus Bennett). Assim, Williams não ficará sobrecarregado com todas estas opções ofensivas que o elenco possuiu.

Além do mais que, nas últimas quatro temporadas, Williams jogou com quatro diferentes sistemas de ataque – três com o Detroit Lions e no ano passado com os Cowboys. Já entrosado com Tony Romo (QB) e sem a obrigação de bloquear enquanto outro recebe todos os passes (no caso, Terrell Owens, em ´08), Roy Williams tem potencial para ser um dos destaques ofensivos deste ano na NFL.


Michael Vick nos Eagles... e agora Reid?


Nada demais. (na foto acima, Vick em primeiro plano e Andy Reid no fundo)

Qualquer uma das 32 franquias cresceria com a adição de Vick no elenco. Contudo, ele só se desenvolveria com mais qualidade e mais rápido sob um comando mais rígido, mais disciplinador.

Rigidez / Disciplina e Andy Reid (treinador do Philadelphia) são sinônimos. Reid conversou pessoalmente com Vick e conheceu o “novo Vick”, que será reserva de Donovan McNabb. Aliás, não a nenhuma ameaça a titularidade de McNabb, Michael vem acrescentar e ajudar o camisa 5, que afirmou que fez lobby para o clube contratá-lo.

O curioso é que sempre houve comparações entre os dois, mesmo Michael tendo a qualidade de correr melhor com a bola. Embora o sistema ofensivo dos Eagles seja passar primeiro e depois correr, Vick não será afetado por isto; o objetivo de Andy Reid é colocar McNabb, Vick, Brian Westbrook (RB), LeSean McCoy (RB), DeSean Jackson (WR) e Jeremy Maclin (WR) juntos em campo para deixar o adversário adivinhando quem vai finalizar a jogada.


© 1 Mike Roemer / AP
© 2 AP
© 3 Rich Kane / US Presswire

Nnamdi Asomugha


Ham?!

Bom, muitos sabem o que forma todas estas letras juntas, mas alguns não fazem a mínima idéia. Por isso cabe uma explicação: Ele é um jogador da NFL, cornerback (CB) do Oakland Raiders e é o defensor mais bem pago de toda a liga.

Faltou uma coisa? Sim, claro, a origem deste nome. Vem de um dos maiores grupos étnicos africanos (Igbos, pronuncia: i-bos) que habitam em grande parte na Nigéria. Falando em pronuncia... Aqui vai um facilitador para os fãs da NFL aprenderam a falar corretamente o nome do CB: Nnamdi (Nahm-Dee) Asomugha (AWE-sum-WAH), que significa Jesus Vive na língua Igbo.

Depois deste didatismo vem a afirmação sobre Asomugha que todos torcedores conhecem: Melhor CB de toda a NFL. Prestes a iniciar sua sétima temporada na liga e com 28 anos de idade, pode se esperar que o melhor ainda virá e que ele está prestes a chegar no ponto mais alto do seu football.

Nas últimas duas temporadas, somando as 32 partidas que os Raiders jogaram, apenas 73 passes foram lançados na direção de Asomugha e somente um resultou em touchdown (segundo o site STATS.com). Para ser mais exato, no ano passado, só Randy Moss, wide receiver (WR) do New England Patriots e Tony Gonzalez, tight end do Kansas City Chiefs (hoje com o Atlanta Falcons) pegaram mais que dois passes quando marcado por Asomugha.

Em entrevista ao The Providence Journal, Bill Belichick, treinador dos Patriots, disse que Asomugha “executa sua função com excelência” e que “ele foi o melhor CB que enfrentamos o ano todo”. Quando os quarterbacks (QB) vêem seu principal WR marcado pelo camisa 21 dos Raiders, eles preferem arremessar para o outro lado, de preferência bem distante de Asomugha. É o que Philip Rivers, QB do San Diego Charges chama de “A presença do 21”.

Tudo isso leva a situações curiosas. Tem partidas que sua mãe, Lilian, liga para ele e pergunta: “Você jogou hoje, filho?”. Aí Nnamdi responde que sim, só não apareceu porque os QB´s não jogaram nenhuma bola por perto...

“Aparecer”, no sentido de chamar a atenção, não é muito é de Asomugha. Na verdade, quanto menos aparecer, melhor. Se ele não tiver o seu nome mencionado pelo narrador da partida, é sinal de que o bom trabalho foi feito. Este ostracismo que o cerca é saudável, assim ele pode fazer suas ações fora de campo com mais calma, com mais sossego.

Porém, que fique registrado: ele é exaltado pela “Raiders Nation”. Esta identificação vem porque o jogador é muito ligado a comunidade e faz inúmeros trabalhos com os jovens de Oakland. Asomugha é parceiro de uma instituição da cidade chamada East Oakland Youth Development Center, que realiza inúmeros programas e atividades direcionados aos jovens menos favorecidos da cidade. Asomugha voluntariamente criou um passeio especial, em 2006, no qual ele leva estudantes que fazem parte do Centro para conhecer as melhores universidades americanas. Neste ano, por exemplo, ele levou os garotos (as) para New York onde eles visitaram faculdades gabaritadas como NYU e Columbia.

Aliás, quando Asomugha estava no metrô de New York com seus pupilos, ninguém o reconheceu...

Além deste trabalho em Oakland ele, junto com sua mãe, tem uma fundação na Nigéria que fornece comida, abrigo, remédios, assistência profissional e bolsas escolares às viúvas e órfãos, vítimas de pobreza no país africano. São dois centros na Nigéria e o plano e expandir para outros países.


Por estas ações filantrópicas e voluntárias, Bill Clinton (foto acima, à dir.) ex-presidente americano, o convidou para participar deste ano de um fórum, realizado na Universidade do Texas, que discutiu a importância de desafiar estudantes universitários para agir em questões tais: como educar os mais necessitados, como ser proativo na comunidade... Asomugha falou exatamente sobre o que ele faz na periferia de Oakland e na Nigéria.

Embora tenha recebido inúmeros prêmios e menções por suas conquistas fora de campo, Nnamdi Asomugha não é destaque na mídia, não é tema de conversa entre os fãs da NFL... Contudo é inevitável que, depois de conhecê-lo melhor, não se comente por aí, já que ele vem construindo uma sólida reputação na liga e fora dela.

Certamente será difícil esquecer um nome como este.



© 1 Lee Suzuki / The Chronicle
© 2 Getty Images
© 3 Steve Hopson

Figuraça!


Amanhã (11/08) é dia de festa no vestiário do San Francisco Giants. Pablo Sandoval, terceira base (3B) completará 23 anos. A alegria terá um “motivo” a mais para aparecer em SF, porque mesmo sem motivo, ela sempre está presente.

O clima no clube é diferente desde a chegada de Pablo aqui”, diz Bengie Molina, catcher. “É um lugar mais alegre, mais prazeroso de estar”.

Sandoval é carismático. Difícil é não gostar de alguém que está sorrindo o tempo todo, de um cara que ainda não descobriu os negócios que envolvem o esporte e joga apenas por diversão. Atitude que é extremamente contagiosa.

E os torcedores do time já pegaram esta “doença”.

Se Sandoval é um dos favoritos dos fãs, não é à toa: “Nós temos que tratar os torcedores como amigos” disse Pablo ao San Francisco Chronicle. Os seguidores do clube aceitam o carinho e já adicionaram o rebatedor como amigo também.

Uma demonstração disto foi a campanha criada pela franquia e abraçada pelos torcedores para colocar Sandoval no Jogo das Estrelas deste campeonato, na última vaga disponível pela Liga Nacional (LN). Acabou perdendo a disputa para o outfielder Shane Victorino do Philadelphia Phillies, mas todos abraçaram a causa “Vote Pablo” com camisetas, adesivos, banners na internet...

O 3B está tendo, de fato, uma campanha muito boa, tanto na defesa quanto no ataque. Hoje ele está à frente de Albert Pujols na disputa pelo título de rebatedor e só atrás de Hanley Ramirez; o aproveitamento de Sandoval é de .332 até 09/08. Defensivamente ele é um dos melhores da MLB e com muito treino chega a este status: antes de cada partida, Pablo recebe de 50 a 60 bolas rasteiras na 3B, usando a menor luva que existe para ter um melhor controle na recepção.

Nesta parte técnica há bastante dedicação do jogador, porém quando a questão é condicionamento físico... Pode alguém com 1,55m de altura e pesando 111kg praticar algum esporte? Sim, é só perguntar a Sandoval que ele responde. Sua estatura e seu porte atlético não é modelo para ninguém, mas talvez exatamente por isto que ele tem tantos admiradores. Entretanto, se não fosse assim, ele não teria um dos melhores apelidos do mundo dos esportes: Kung Fu Panda, dado pelo arremessador do time, Barry Zito.


Toda vez que Sandoval vai para rebater uma bola, uma pergunta vem em mente: Como ele consegue? Assistir o “gordinho” jogando bolas para todos os lados do campo com potência e precisão é, no mínimo, diferente, curioso. Principalmente quando ele faz loucuras, coisas que outros jogadores da MLB não fazem.

Um destes lances aconteceu no jogo contra o Houston Astros na última segunda (3/08). Era a sétima entrada e os Giants estavam perdendo de 3 a 2. Sandoval vai rebater e na primeira bola arremessada ele... faz um bunt! Foi eliminado. O San Francisco perdeu o jogo, mas o time marcou mais uma corrida na nona entrada que foi impulsionada por... Pablo Sandoval!

Este estilo do Sandoval atacar já acostumou (ou não) os torcedores do clube. Não tem problema se a bola é arremessada na altura da cabeça ou no tornozelo, se estiver confiante, ele vai fazer o swing e tentar rebater. Percebe-se que paciência não faz parte do seu repertório.

Pablo é o jogador da MLB que mais rebate no primeiro arremesso: 47%. Se ele deixa passar, a probabilidade de ele rebater na segunda oportunidade é de 67%. O site The Baseball Cube dá nota 8 (de 0 a 100) para a “paciência” de Sandoval; Albert Pujols, por exemplo, recebe nota 80.

Com Sandoval no ataque é assim: ou é oito ou oitenta.


Em uma conversa com Barry Bonds, exemplo de como um jogador pode ser calmo com o bastão, o lendário outfielder aconselhou “Panda” a selecionar melhor os arremessos e esperar a bola que mais gostar para rebater. Resposta de Sandoval: “O problema é que NÃO tem arremesso que eu NÃO goste de rebater...”

E nesta caminhada vai Sandoval: o bastão potente que os Giants precisam para chegar aos playoffs e fora de campo a alegria da franquia, dos jogadores e dos fãs. Se sem motivo todo dia é momento de festa no clube, amanhã o riso será multiplicado e a alegria estará presente.

No estilo "Kung Fu Panda”.



©1 David Greene / Getty Images
©2 Brayn Patrick / Sacramento Bee

Especial - Bonito e Perigoso


Não se espante: pesquisadores do Hospital Nacional da Criança (NCH), localizado na cidade americana de Columbus, estado de Ohio, divulgaram nesta quinta, via Agência Reuters, que as (os) atletas que mais se machucam em nível escolar ou universitário são os que praticam o esporte... Cheerleading!

Isto! C-H-E-E-R-L-E-A-D-I-N-G-! (soletrando pra entrar no ritmo).

O aumento de lesões em garotas e garotas, de todas as idades e todos os grupos, aumentou 150% em comparação ao último estudo realizado em 1997, passando de 24 mil para 62.408 em 2007, ano que a pesquisa do NCH foi realizada, traçando as lesões relacionadas com esportes registradas em 100 departamentos de emergências de Hospitais federais americanos.

30% dos atletas se machucaram praticando cheerleading; outros seis esportes juntos completam os 70% restantes (atletismo, vôlei, football, basquete, ginástica e futebol). A maioria dos casos aconteceram em treinamentos de educação física, que as (os) cheerleaders executam se preparando para as apresentações.

Fazer parte da equipe de cheerleader, seja da escola ou da universidade, é mais sério do que o pensamento comum raciocina. Para concorrer a uma vaga, além de estar “em forma” e ter habilidades acrobáticas, é preciso ter boas notas no currículo escolar para se tronar elegível; o mesmo que acontece com o football, basquete...

Quando a equipe é selecionada e a temporada esportiva se inicia, os treinamentos são de segunda a sábado. Caso a escola ou universidade chegue às fases finais, alguns dias o turno de treinamento é dobrado.

Mais do que incentivar a torcida e animá-la, a equipe de cheerleaders é a representante oficial da escola ou universidade. Todos participam de eventos na comunidade, festividades beneficentes... Junto com o glamour e o reconhecimento, ser cheerleader é compromisso, dedicação e entrega.

Por tudo isso, é sempre crescente o número de jovens que querem integrar a equipe de cheerleader da sua escola ou universidade. Para tanto, porém é necessário muito treinamento, muito esforço. Talvez por esta razão que tem crescido o numero de lesões ocorridas entre as (os) cheeleaders; preço pago pelo alto risco de mostrar algo acima do limite para poder se destacar.


Tanto no nível escolar quanto no universitário há uma competição entre as equipes que é transmitida anualmente pela ESPN: o campeonato da UCA (Universal Cheerleaders Association). A atual campeã é a Universidade Estadual de San Diego (foto acima); o campeonato de 2010 será de 15 a 18 de Janeiro na Disney, em Orlando.

O charme de ser cheerleader atrai muita gente. Pessoas famosas já foram “líder de torcida”. Sandra Bullock, Cameron Diaz, Lindsay Lohan, Eva Longoria, Christina Aguilera, George W. Bush...

B-U-S-H-!

Sim, Bush. Cheerleading não é só para meninas. Apesar de serem elas que fazem todas as danças com os “pom-pom” e tudo mais, são os homens que sustentam toda a equipe, que jogam elas para o ar, que seguram elas...

Por falar nisso, o “mundo cheeleader” é alvo de preconceitos e sofre com os “rótulos” que outros procuram estampar. Basta assistir a série Hereos e ver Claire Bennet (interpretada por Hayden Panettiere) e Jackie Wilcox (interpretada por Dannielle Savre) para ver as “picunhas” que uma apronta para a outra. Cheerleaders sempre foram mostradas como egocêntricas e individualistas.

Não é bem assim. Mesmo situações do tipo acontecendo na vida real, a maioria das cheerleaders levam para os esportes profissionais o que aprendeu na escola e na universidade. Assim que chegam à NFL ou na NBA elas tem responsabilidades sociais com a cidade, representam a franquia e são compromissadas com o clube. Se entrar em uma equipe escolar ou universitária é difícil, imagina no profissional.


Na NBA, todas as franquias têm equipes de cheerleaders. Na NFL seis clubes (New York Giants, Chicago Bears, Green Bay Packers, Pittsburgh Steelers, Detroit Lions e Cleveland Browns) não possuem equipes. A mais famosa de todas com certeza são as DCC (Dallas Cowboys Cheerleaders). Stefani Peterson (foto acima) precisou encarar quatro seletivas para entrar no teste de escolha das cheerleaders e, claro, se preparar bastante para vencer a concorrência. “Quando fui para a primeira aula de avaliação, não tinha idéia do que encontraria. Fiquei intimidada quando entrei na sala e vi 30 mulheres lindas, arrumadas e dançando muito! Pensei comigo: ‘O que estou fazendo aqui?!’” disse Stefani ao site das DCC. “Cheguei à final e fiz o meu melhor: mostrei as danças que aprendi desde a primeira aula e deu tudo certo”.

O conselho que Roger Goodell, comissário da NFL, deu a Michael Vick serve aqui também: “Estar na NFL não é um direito, é um privilégio”. Para as meninas chegarem aos campos (NFL) e quadras (NBA) muito esforço foi feito; braços quebrados, tornozelos torcidos e hematomas pelo corpo são provas disso.

Missão nova a partir de agora: valorize mais as cheerlearders, olhem para elas com mais carinho. Quem sabe alguém, prestando bastante atenção, consiga enxergar um destes tais hematomas...



©1 Peter Read Miller / SI

NBA, NFL & Twitter - Relação de Amor e Ódio


Há palavras construtivas, outras nem tanto assim. É uma forma de informar, mas que pode causar desentendimentos. Ferramenta de discórdias.

Está aí, claro que em 140 caracteres, uma possível definição do Twitter pela perspectiva da NFL e NBA. Entre banir sua utilização ou usar em benefício próprio, ambas as ligas enfrentam este dilema de formas diferentes, cada uma tomando uma abordagem peculiar.

Com o crescimento do Twitter – que pode ser definido como “o buteco da net” – e o mau uso dele, a NFL e suas franquias, assim como a NBA e suas franquias, estão tomando atitudes para tentar regularizar o acesso dos seus funcionários, atletas, e clubes. Isto precisa ser feito: criar um limite para a “liberdade de expressão”, se não mais coisas absurdas irão acontecer.

Porque coisas absurdas já aconteceram.

O San Diego Charges (NFL) multou o cornerback Antonio Cromartie em US$ 2.500 porque o jogador criticou a comida do clube em um dos seus posts, insinuando que por este motivo o time não conseguia vencer o Super Bowl (uma brincadeira que só ele entendeu). Tudo bem que o Twitter é o “buteco da net”, porém existem assuntos que não devem ser comentados.


Continuando com os Charges... Shaun Phillips (foto acima), linebacker do time, “twittou” com o linebacker do Oakland Raiders, Kirk Morrison, se ele tinha o link do vídeo da Erin Andrews (famosa repórter da ESPN, quem um paparazzo filmou nua em um hotel); pedido que pode ser considerado comum, mas que qualquer pessoa tem acesso a ele. Tudo bem que o Twitter é o “buteco da net”, porém existem assuntos que não devem ser comentados.

Em uma forma de tentar organizar tudo isso, muitas franquias da NFL proibiram seus jogadores de mandar um twitter enquanto estão em horário de trabalho (quando um post é enviado é registrado o dia e a hora). O Green Bay Packers colocou tal transgressão no topo da lista: o jogador da franquia que violar essa regra será multado em US$ 1.700. Já na questão do uso pessoal do site, a orientação básica é não falar sobre um assunto que os atletas não comentariam com um repórter, afinal eles estão por toda a parte.

Talvez na empolgação de “legisladora do Twitter”, a NFL tomou uma atitude prejudicial à liga e aos fãs: é proibido twittar nas dependências do clube, seja jornalista, seja torcedor. É perdida, então, a oportunidade de cobrir uma sessão de treinos táticos e físicos como nunca se viu. É desperdiçada a chance de divulgar a liga aos torcedores por um ângulo que só repórteres têm acesso, mesmo eles dispostos a informarem seus seguidores sobre o que está acontecendo nos bastidores.

Aqui é descoberta uma contradição: muitas franquias - os Charges, por exemplo - no draft deste ano divulgaram suas escolha via Twitter, antes mesmo do Roger Goodell, comissário da liga (foto abaixo), anunciá-las para o público. O ponto em questão é achar um meio-termo da melhor utilização do Twitter e usá-lo como ferramenta de divulgação da liga.


Assim faz a NBA. Enquanto a NFL não tem uma página no Twitter oficial (apesar do Goodell ter), a associação de basquete possui uma das páginas com mais seguidores do site (até 7/08, são 1.113.002 de pessoas que seguem a NBA e os números não param de crescer...). Nesta quinta, aliás, aconteceu algo curioso.

O site Twitter foi alvo de hackers e ficou fora do ar por bastante tempo – no horário de Brasília, a manhã toda e parte da tarde. Assim que voltou a funcionar, a página da NBA foi uma das primeiras a twittar comemorando o retorno do site, postando um link de uma das danças do Dwight Howard, pivô do Orlando Magic.

A NBA é bastante agressiva no uso do site. O calendário da temporada 2009-10 foi divulgado em primeira mão no Twitter e a associação sempre coloca a disposição dos seus seguidores as principais novidades envolvendo clubes, jogadores e a própria liga. De fato, para a NBA este é mais um meio de divulgação e/ou comunicação.

Para os atletas também. Vários jogadores da NBA usam o Twitter para interagir melhor com os fãs, principais alvos da associação. Contudo, esta total liberdade causou alguns desconfortos.

Um dos casos mais curiosos da história do Twitter aconteceu com Kevin Love, ala-pivô do Minnesota Timberwolves. A diretoria da franquia estava em intensas negociações diárias com Kevin McHale, ex-treinador da equipe, para ver se o dispensava ou não. Quando eles decidiram pela dispensa, Love soube e twittou; a questão é que McHale ainda não tinha sido informado oficialmente sobre, e Love foi manchete em todos os noticiários esportivos com o seu “furo” de reportagem.

De volta ao capítulo “Tudo-bem-que-o-Twitter-é-o-buteco-da-net", porém-existem-assuntos-que-não-devem-ser-comentados”, JR Smith (foto ao lado), ala do Denver Nuggets, substituía em seus posts a letra “C” pela letra “K”; nada demais, certo? Talvez ele queria esbanjar seu “internetês”...

Nada disso.

Esta maneira de escrever palavras com “K” ao invés do “C” é um sinal clássico da conhecida gangue “Bloods”, que por ser rival histórico da “Crips”, seus membros não usam a letra “C” em nenhuma ocasião. Ninguém insinuou que Smith estaria promovendo uma gangue, mas este é um gesto que abre a “porta da especulação” e pode causar um mau exemplo aos jovens fãs da NBA.

Todos estes exemplos citados mostram a magnitude e poder de alcance que o Twitter tem. Contudo, o poder de persuasão está com quem posta, com esta pessoa está o controle. Logo, basta saber o que escrever, a hora correta de postar... Assim sendo, todos ganham: a NFL e a NBA que se tornarão mais acessíveis aos torcedores; os jogadores que poderão interagir com sues fãs com mais freqüência, independente do lugar onde estejam; e os seguidores que irão receber cada vez mais informações.

Como acontece nos contos de “amor versus ódio”, o final é sempre feliz. Para assim ser, basta usarem a moral desta história como lema:

Usem o Twitter com moderação.



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As Suas Glórias Vêm do Passado


E o que aconteceu sirva de exemplo.

O pensamento da diretoria dos 49ers é fazer com que esta seja a temporada da conversão, de mudança de atitude. A meta é apagar o que aconteceu nesta década e se espelhar nos áureos 20 anos de sucesso que o clube teve entre 1981-2000 (5 títulos do Super Bowl, 13 títulos de divisão e 16 participações nos playoffs). O treinador Mike Singletary (foto acima) e o presidente do clube Jed York serão os encarregados desta missão.

A favor de Singletary já existe um fato: depois das 10v-6d do campeonato de 2002, sobre o comando de Steve Mariucci, apenas Mike, no ano passado, conseguiu terminar a temporada com um retrospecto positivo: 5v e 4d – quatro das cinco vitórias aconteceram nos últimos cinco jogos da temporada.

O tom de mudança aconteceu logo no primeiro jogo que Singletary dirigiu a equipe (como interino) contra o Seattle Seahawks na semana 8. Mike tirou o tight end (TE) titular do time, Vernon Davis faltando 10 minutos para o término da partida, após o jogador agredir um safety dos Seahawks (o time foi penalizado em 15 jardas). Em entrevista coletiva depois da partida, Mike disse que Davis era “in-treinável” e que preferia jogar com 10 em campo do que contar com Davis.

O TE aprendeu a lição. Na partida seguinte, contra o Arizona Cardinals, ele marcou um incrível touchdown (TD) saltando sobre um defensor, algo que não faz parte do seu plantel de habilidades...

Este é apenas um exemplo da abordagem diferente de Singletary em comparação com Mike Nolan, treinador que ele substituiu. Nolan não era um treinador que se relacionava com os jogadores e tinha o costume de criticá-los via imprensa – Alex Smith, quarterback (QB) já foi uma das “vítimas”. O estilo “durão” de Singletary era exatamente o que o elenco precisava; alguém que exige o máximo dos atletas, mas que sabe o momento de “frear”. Características de um treinador que foi um ótimo jogador.

Para entender como era Singletary na época de jogador, basta uma frase: Linebacker do Chicago Bears nos anos 80. Pronto! Agora não é segredo do por que desta mentalidade aguerrida dele. Foi 10 vezes para o Pro-Bowl, duas vezes eleito o jogador de defesa do ano (1988 e 1985) e campeão do Super Bowl XX (20) em 1980; ele é membro do Hall da Fama.


Ao olhar os treinamentos do San Francisco desta pré-temporada é nítido ver o foco de Singletary no trabalho físico do seu grupo. Justin Smith (foto acima, camisa 94), veterano defensive end (DE) com oito temporadas de experiência na NFL, disse que pela primeira vez está fazendo diversos exercícios de tackle. São seis dias de pré-temporada e seis dias de treinos com o equipamento completo e já sete jogadores estão fazendo tratamentos diários na enfermaria do clube (nenhum com lesão grave).

Alguns atletas estão receosos enquanto este método “da velha escola” em treinar uma equipe. Porém, por ser ex-jogador e um dos mais fiscos que atuou na liga, Singletary sabe a hora de parar e recuar quando os jogadores chegarem ao nível atlético que ele almeja. Enquanto isso não acontece, eles terão que encarar um morro (literalmente) que ele pediu para que fosse construído nas dependências do clube; de vez em quando os jogadores vão lá se exercitar: o morro é feito de areia fofa e têm 4,5m de altura, seu apelido é Pain (tr. Dor).

Acreditando que o trabalho duro trará à franquia resultados positivos, a primeira ação do novo presidente dos 49ers, Jed York, foi efetivar Singletary. Decisão sábia tomada pelo responsável em administrar o clube que conviveu com algo que não é de seu costume: fracassos.

Além das derrotas dentro de campo, está década foi marcada por brigas familiar fora dele envolvendo a família DeBartolo e a família York.

Longa história resumida: Eddie DeBartolo Jr. era o dono da franquia na época áurea da equipe (1981-2000), porém teve que ceder o clube à sua irmã (Denise) depois de se envolver em um caso de corrupção com o governador do estado de Louisana. Denise, que já tinha experiência em administrar uma franquia (foi campeã com o Pittsburgh Penguins na NHL em 1991), assumiu junto com seu marido, John York, o San Francisco 49ers no início desta década.

Uma das primeiras atitudes de John foi tirar tudo o que lembrasse DeBartolo Jr. Tudo! Fotos, objetos... Os dois não se davam bem e a situação dentro do clube ficou constrangedora, pois nem o nome “DeBartolo Jr.” poderia ser mencionado. Anos passaram e a rixa permanecia em pé.

Entretanto, como sempre acontece nas relações humanas, depois de perceber que o desentendimento era por motivos infantis, o casal John/Denise (foto ao lado) resolveu por fim a esta história e irá homenagear DeBartolo Jr. como o membro número 1 do Hall da Fama dos 49ers, que será inaugurado no primeiro jogo em casa desta temporada contra o Seattle: será a primeira vez, desde 2000, que DeBartolo Jr. volta ao estádio do clube.

Talvez esta reconciliação traga de volta o “ar” vitorioso que sondava a franquia nos anos 80 e 90. “Ar” este que envolveu jogadores como Joe Montana, Steve Young, Ronnie Lott... Em mais um gesto demonstrando “que-o-passado-bom-deve-ser-lembrado-e-o-ruim-esquecido”, Jed York ordenou que os uniformes deste campeonato sejam em um tom vermelho mais claro, lembrando o tempo de vitórias sobre o comando de DeBartolo Jr...

E o que aconteceu sirva de exemplo.


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