Percepção e o Bom Excesso


Uma das principais virtudes do ser humano é reconhecer falhas, admitir erros. Isto leva a correção e melhora da pessoa tanto na vida profissional quanto na pessoal. Porém, são poucos que fazem esse tipo de reflexão, os poucos que são conhecidos por especiais, aqueles que excedem o normal e ultrapassam a linha do bom. Kobe Bryant, armador do Los Angeles Lakers, se encaixa perfeitamente nesse conceito.

Os 31 anos de Kobe enganam. Em tese ele pode ter ainda uma longa carreira na NBA – já admitiu que, se der, jogará até os 40 –, mas sua quilometragem na associação é alta com 13 temporadas no currículo. A mente está jovem e aguenta mais; o corpo está cansado e pode durar menos. Como Bryant não é daqueles que gostam de jogar apenas para competir, ele nota suas delimitações e busca aprimorar seu jogo em aéreas que irão lhe ajudar nesta determinada fase da carreira.

Ele sabe dos movimentos e jogadas que ele fazia quando era mais novo e que agora não fazem parte do seu arsenal. Ele sabe também que hoje há jogadas no seu repertório que não existiam antes. Para entender estes aspectos, um cara o ajuda nesta questão desde a pré-temporada do campeonato 2008-09 e o personal trainer é nada mais nada menos que Tim Grover. Grover trabalhou por muito tempo com Michael Jordan e hoje cuida de Bryant (e também de Dwyane Wade, armador do Miami Heat); ele acompanha o atleta, monitora e prepara, introduzindo técnicas na rotina de treinamento de Kobe que ele não tinha o costume.

A partir de então Bryant, com frequência, vai para uma banheira cheia de cubos de gelo relaxando assim os músculos do corpo; três vezes ao dia, quando ele está na ativa, Kobe coloca as pernas em um balde durante vinte minutos. Grover não trabalha a parte muscular de Kobe e sim partes específicas do corpo como tornozelo, pulso e quadril, com a meta de melhorar a agilidade e destreza do jogador em quadra. Apesar de ser contratado para cuidar especificamente do condicionamento físico, Grover auxilia Bryant na parte técnica também. Por exemplo: nas finais contra o Orlando Magic (jogo 3) quando Kobe errou 5 de 10 arremessos livres, Grover apareceu no outro dia mais cedo na quadra e colocou o jogador durante 40 minutos arremessando só lances livres. Ao falar com a revista Sports Illustraded sobre este compromisso do Bryant em sempre almejar a evolução, Grover disse: “As super estrelas não chegam a este status por acidente. Tudo acontece pelo tempo dedicado, o esforço feito e o conhecimento que vem através de ouvir outras pessoas”.

A parte de “...ouvir outras pessoas...” Kobe usou na pré-temporada deste campeonato. Em uma sessão quase secreta – que só teve um trecho filmado por uma rede de TV local da cidade de Houston – ele ficou cinco horas com o lendário pivô Hakeem Olajuwon treinando movimentos de pivô, dentro e fora do garrafão, para aumentar as jogadas e possibilidades do atleta dos Lakers em se desvencilhar da marcação e ir para a cesta. Na mais recente partida contra o New York Knicks (dia 24/11), Kobe precisou de um dos tais movimentos para sair de uma marcação dupla e o resultado final está no vídeo abaixo.



Motivos. Bryant os procura para conseguir as vitórias e ser bem sucedido em quadra. O fato de ele nunca ter usado nenhum dos quatro anéis de campeão está dentro desta filosofia pessoal de não ficar admirando e/ou exibindo as conquistas – ele terá tempo para fazer isto quando se aposentar. Assim que ele recebeu o anel pelo título da temporada passada, Kobe prontamente o pegou e colocou em um cofre junto com os outros e disse: “Agora é hora de conseguir mais um”.

Depois de mais de 42.000 minutos jogados em toda a carreira na NBA – o quarto na lista entre os atletas em atividade –, Bryant se vê em uma posição de crescimento constante. No último dia 19 (jogo contra o Chicago Bulls) ele chegou a posição de número dois na categoria “cestinhas” da história da franquia; o primeiro é Jerry West com 25.192 e logo atrás vem Bryant com 24.292 (até 30/11). Atingir o topo e terminar a carreira como o maior pontuador da franquia Lakers serve como mais uma motivação. O jornal Los Angeles Times fez uma pesquisa perguntando qual será o legado do camisa 24 quando ele se aposentar e 56% das pessoas responderam que ele será o melhor e maior jogador da história do clube.

Os adversários servem também de inspiração para ele, pois quanto mais agressivo o oponente for, melhor. Nas entrevistas coletivas após os jogos contra o Magic (finais da temporada 2008-09), Kobe dizia constantemente que estava incomodado com a marcação de Mickaël Pietrus, pois o ala do Orlando ficava nervoso e não se aproximava tanto dele. Kobe prefere mais contato na marcação, similar ao que Bruce Bowen fazia (foto abaixo), porque “... é mais legal, aí se torna um desafio a ser superado...”.


O excesso desses desafios, metas e objetivos é algo bom e produtivo, visto que estes fatores irão injetar mais qualidade no jogo de Kobe Bryant. Somando a percepção que ele tem e o seu alto QI sobre o jogo de basquete, tudo leva a crer que só coisas boas virão a acontecer no futuro. Caso não ocorra desta maneira, a consciência dele estará leve por ter tentado o sucesso de todas as maneiras e buscar ser um atleta relevante na NBA por um longo período; o que poucos – os especiais – conseguiram fazer.

Está aí mais uma motivação para Kobe, se é que ele precisa de mais...


(GL)



© 1 e 2 – Direitos Reservados

Pela Tangente

David Garrard, camisa 9


Poucos estão percebendo mas se os playoffs terminassem hoje, o Jacksonville Jaguars (6v-4d) estaria na pós-temporada deixando de fora o atual campeão Pittsburgh Steelers. De todos os times que brigam pelas duas vagas na repescagem da Conferência Americana, o time da Flórida é o que tem o melhor desempenho dentro da conferência (5v e 2d), algo que pode lhe favorecer no final das contas; o clube tem potencial para terminar com 10v e 6d – projeção das seis partidas restantes: vitórias contra Houston Texans (casa), Miami Dolphins (casa), San Francisco 49ers (fora) e Cleveland Browns (fora); e derrotas contra Indianapolis Colts (casa) e New England Patriots (fora).

Os Jaguars vêm de três vitórias seguidas e desde as duas primeiras derrotas no começo do campeonato, conseguiu 6v e 2d. O momento é todo favorável ao time, porém o próximo jogo será um grande desafio não apenas pelo adversário (os 49ers), mas pela longa viagem que o time fará, atravessando todos Estados Unidos até chegar em San Francisco. A última vez que a equipe viajou para costa oeste trouxe para casa um mau resultado, contudo uma mudança de atitude aconteceu então.

Na semana 5, Jacksonville foi jogar em Seattle contra os Seahawks e levou uma goleada: 41 a 0. O elenco sofreu vários problemas, com o defensive end Quentin Groves se envolvendo em um acidente com três carros e, por consequência, perdeu o vôo para a partida; o receiver Mike Sims-Walker se atrasou para a reunião do clube antes do confronto e foi para o banco; além dos cinco sacks em cima do quarterback (QB) David Garrard. Depois deste desastre, o running back (RB) Maurice Jones-Drew foi à imprensa e criticou a falta de personalidade do time e cobrou melhores atuações.

Daí em diante o time jogou cinco vezes e ganhou 4 - perdeu para os Titans em Tennessee.


Só o fato de estar com um aproveitamento acima dos 50% depois de 10 jogos já é surpreendente, pois se esperava que esta fosse uma temporada de transição para os Jaguars, vindo de um 2008 com apenas 5 vitórias no total e diversas contusões no plantel. O reformulado elenco-2009 faz esta boa campanha com um tom de inusitado em volta dos números, criando mais um desafio para o treinador Jack Del Rio (foto acima).

São nada menos que 28 jogadores diferentes na equipe em relação ao ano passado; dentre eles têm 13 novatos (maior número na liga) e quatro deles são titulares absolutos – Eugene Monroe (left tackle), Eben Britton (right tackle), Terrance Knighton (defensive tackle) e Derek Cox (cornerback). Isto mostra o belo draft que a franquia fez, liderado pelo diretor de football (GM) Gene Smith e pelo diretor de pessoal Terry McDonough. O plano de reconstrução da equipe foi executado, porém parece que os jogadores adiantaram o processo e já estão em busca de colocar os Jaguars novamente nos playoffs.

O time não joga um fantástico football nesta temporada, aliás, longe disto. De todos os times da NFL que tem mais vitórias que derrotas, os Jaguars são os únicos com saldo negativo de pontos: -36. O ataque não é brilhante (apenas 199 pontos, média de 19,9 PPJ) e as últimas vitórias foram por uma diferença de três pontos ou menos. Por mais que as atuações em campo não agradem os mais exigentes torcedores, Jacksonville consegue algo mais importante que tudo e atinge o principal objetivo de todo o clube: vencer.

Entretanto há uma razão para prestar mais atenção nos Jaguars, porque eles têm uma peça fundamental para o sucesso de qualquer time e que pode estar no Pro Bowl (Jogo das Estrelas): Maurice Jones-Drew (foto abaixo).


Existe um debate ocorrendo nestes últimos dias na NFL sobre quem é o atual melhor RB. Os nomes de Chris Johnson (Titans), Steven Jackson (Saint Louis Rams) e Adrian Peterson (Minnesota Vikings) aprecem logo de cara. Drew passa despercebido neste debate mas, para quem não o vê atuar, basta olhar os números e notar que ele é o líder em touchdowns corridos (13) em toda a liga. Afirmar quem é o melhor vai de cada um, é um gosto pessoal. Porém, sem dúvida, Drew merece ser citado entre os melhores RB´s do momento.

Ele marcou pelo menos um TD em cinco jogos seguidos e tem 25 desde o começo da temporada-2008; maior número entre todos os jogadores da Conferência Americana. Em quatro anos – período que Jones-Drew está na NFL – só LaDainian Tomlinson (San Diego Charges) tem mais TD´s que ele: 67 contra 51*. O RB dos Jaguars terá a oportunidade de melhorar este número no próximo confronto contra os 49ers, mesmo enfrentando a sexta melhor defesa contra o jogo corrido da NFL. Semana passada, San Francisco cedeu 129 jardas para Ryan Grant (Green Bay Packers) – a média de jardas cedidas por jogo dos Niners na corrida é de 94.7 (até 20/11).

As jogadas de Jones-Drew faz com que Garrard tenha mais tempo para executar o passe e colocar a bola nas mãos de Sims-Walker, que já marcou 6 TD´s em nove jogos. O garoto está se tornando a arma de segurança da equipe e o alvo preferido do QB, recebendo dicas de um dos melhores atletas que já jogou na posição de receiver: Torry Holt. Holt não é o único veterano da equipe responsável em auxiliar e educar os mais jovens; Tra Thomas (offensive tackle) e John Henderson (defensive tackle) assumem o posto de mais experientes, balanceando a juventude do elenco.

Sem receber a atenção da mídia, Jacksonville Jaguars caminha rumo aos playoffs deixando muito time bom para trás. Vale acompanhar se a equipe, no momento mais crucial da temporada, vai conseguir repetir as atuações feitas até agora. Ninguém percebe, mas eles podem chegar a Janeiro fazendo o percurso típico das surpresas: correndo por fora.


(GL)



*Segundo a ESPN

© 1 Al Messerschmidt / Getty Images

Os Olhos do Texas


Neste último sábado (21), o quarterback (QB) da Universidade do Texas, Colt McCoy, ouviu pela última vez a música “The Eyes of Texas”, executada pela banda da faculdade, ao entrar em campo na sua despedida do Texas Memorial Stadium. O jogo contra Kansas Jayhawks marcou a derradeira aparição dos veteranos do time no campus e foi especial para McCoy: a vitória de Texas foi a 43ª do QB, que passou a ser o mais vitorioso de toda a história da NCAA.

Os olhos do Texas (expressão pela qual é conhecida a universidade) estão em McCoy nos 2 jogos restantes - e quem sabe mais 1 - que faltam para o término da temporada. O próximo será quinta (26) contra a rival Texas A&M – transmissão da ESPN para todo o Brasil – e de vital importância para os Longhorns, que precisam continuar invictos para manter a esperança de disputar o título nacional. No dia 5 de Dezembro será a decisão da Conferência Big XII contra Nebraska; desde 2005 que Texas não chega a decisão. E, caso vença estes dois confrontos, as chances de jogar a final do BCS (em 7 de Janeiro de 2010) aumentam, sendo assim a segunda vez que os Longhorns decidem o título nesta década.

Os grandes feitos até então da universidade foram conseguidos sobre o comando de um cara: Vince Young. Ele foi o líder do campeonato de 2005, quando Texas derrotou USC (Universidade do Sul da Califórnia) e o MVP da final. No elenco tinha um garoto novato, mas que não participava do time pois estava sendo preservado para a temporada seguinte. O menino era Colt McCoy, que observava de fora como se construía um time vencedor.

Em 2006 ele assumiu a posição de QB titular, porém só após quatro anos ele leva sua equipe para a decisão da Big XII, justamente no ano de veterano. Existem dois caminhos a serem ultrapassados para chegar ao Campeonato Nacional do BCS e disputar com Florida ou Alabama o título, contudo as chances são boas e favoráveis para Texas.

Esta vem sendo a melhor temporada de McCoy, o que o coloca no topo da corrida do Troféu Heisman, dado ao melhor jogador da temporada – o último Longhorn a levar a honraria foi o running back Ricky Williams em 1998. Essa marca de 43 vitórias é estupenda e se entende melhor quando posta na seguinte perspectiva: se McCoy vencer mais um jogo, significa que para empatar o recorde, um QB precisa vencer 11 jogos por ano (média) em quatro temporadas seguidas.


A representatividade de McCoy vai além de performances com a bola oval em mãos, atinge todos da universidade e membros da comunidade de Austin, capital do estado do Texas e cidade onde fica o campus. A popularidade dele não é tão grande quanto foi a de Young, mas McCoy tem sua influência entre os estudantes e companheiros de time.

Toda sexta, os jogadores de football vão a um hospital infantil de Austin (Dell Children´s Medical Center) e visitam as crianças que estão lá. McCoy, nestes quatro anos, nunca perdeu uma visita e conhece todos os funcionários e pacientes pelo nome. Ele também é missionário cristão e a cidade que ele vai todo ano fica no Peru, dentro da Floresta Amazônica, chamada Iquitos; a sua mais recente viagem foi no meio deste ano e todos por lá sabem quem ele é e por qual universidade ele joga. Ao chegar na cidade de New York para a premiação do Heisman-2008, ele ligou para sua professora do colégio (Kay Whitton), da sua cidade natal Tuscola, lhe agradecendo por tudo que ela fez por ele... Estas são coisas que fazem de McCoy um ser extremamente carismático.

As performances de McCoy em campo são boas e vai melhorando gradativamente jogo a jogo. Ele começou a temporada mal, com 7 interceptações nos seis primeiros jogos. Desde a partida contra a arqui-rival Universidade de Oklahoma, foram 2 interceptações em 5 jogos. Aliás, a partida contra os Sooners foi a pior – em números – de Colt neste campeonato, contudo ele fez uma jogada que mudou o curso da partida e lhe rendeu elogios de todos, principalmente de Greg Davis, coordenador ofensivo da equipe


Faltavam 6 minutos para acabar o jogo; 16 a 13 para Texas e a bola estava com McCoy a 12 jardas da endzone. Um passe do QB dos Longhorns é interceptado na jarda de número 9 pelo cornerback Brian Jackson e tudo levava a crer que seria um retorno para TD, até chegar um jogador do Texas e derrubá-lo na jarda 30 (da defesa de Oklahoma). Quem acertou Jackson foi McCoy (foto acima). O esforço do QB foi louvável já que muitos, nesta mesma situação, entregariam os pontos. Por não ter avançado muito, a defesa de Texas ganhou confiança e permitiu um avanço de 37 jardas em 6 jogadas do ataque dos Sooners, não cedendo um field goal e recuperando a bola faltando dois minutos e meio para acabar a partida – Texas venceu.

O que este time dos Longhorns tem de diferente em relação aos de anos anteriores é esta garra e determinação de vencer a qualquer custo, entendendo que este é o ano do título. Por isto que a partida contra Texas A&M será interessantíssima, porque Texas precisa continuar invicta para almejar o Campeonato Nacional. Não serão apenas os olhares do Texas que estarão voltados para esta partida; assim como nos jogos restantes dos Longhorns, vendo se McCoy & CIA farão história mais uma vez.


(GL)



© 1 John Albirght / Icon SMI
© 2 Darren Abate / AP
© 3 Nate Billings / The Oklahoman

Contrastes do Eu


O jornalista Fábio Sormani, que tem uma coluna especializada em basquete no portal iG, gosta de chamar Kevin Durant, ala do Oklahoma City Thunder, de “muleque”; no bom sentido, claro. Esta pode ser uma ideal definição do jogador, mas que está demonstrando nesta temporada 2009-10 algumas mudanças no seu comportamento, já que ele está se tornando adulto – completou 21 anos em Setembro –, porém sem deixar morrer a criança dentro dele.

Durant está na metade do processo desta metamorfose e é por isso, tanto em quadra como fora dela, que é possível ver atitudes responsáveis misturadas com uma dose de “mulecagem”.

Em Outubro, o camisa 35 do Thunder tomou as dores do time e foi a público defender sua equipe de um texto escrito no site da ESPN por Henry Abbot criticando as atuações de Durant, dizendo que nos minutos quando ele está em quadra, Oklahoma rende menos – para Abbott, isso “mata o time”. Kevin respondeu através da sua conta no Twitter: “Todos que duvidam de mim como um jogador e meu time como um todo, só tenho uma coisa pra dizer: estamos treinando o mais forte possível” e “O que mais querem? Deixa eu ser o jogador que eu sou... venho cedo todo dia treinar e vou em busca do meu limite”.

Por mais que o conteúdo do que foi escrito no site não tenha sido todo contra Durant e nem contra o elenco do Thunder – depois ele percebeu isto ao conversar com seus companheiros –, estas respostas do ala mostram que ele está ciente e disposto em assumir a liderança do clube que é extremamente jovem (nenhum titular tem mais de cinco anos de experiência na NBA). Ele de fato é o primeiro a chegar ao Centro de Treinamento e o resultado disto tudo é que o Oklahoma está surpreendendo a todos e é o oitavo colocado na Conferência Oeste com 7v e 7d (até 23/11).



Enquanto Durant vai assumindo a bronca e se portando como o “mais velho do time”, ele vai filmando clipes musicais caseiros (com os colegas de clube James Harden e Jeff Green - confira acima o cover da música Say Ahh do Trey Songz ft Fabolous) como se fossem três adolescentes da sétima série... Harden, aliás, é o parceiro de Durant nas noitadas... jogando vídeo game. Aí está a personalidade “muleque” de Kevin, que protagonizou com seu irmão mais velho, na mais recente férias da família em Bahamas, algo que todo mundo já fez na vida: tocar a campainha da casa dos outros e sair correndo.

Os papéis de adulto e de criança são também demonstrados em quadra e ficam evidentes em performances do ala neste começo de campeonato. São jogos que ele faz maravilhas com partidas na qual ele comete falhas e erros infantis. Veja como isto vem acontecendo em alguns destes jogos – em azul as boas atuações, em vermelho as más:

Contra o Sacramento Kings, dia 28 de Outubro (venceu) – Durant errou os últimos sete arremessos que tentou, depois de converter uma cesta de três no início do segundo tempo.

Contra o Detroit Pistons, dia 30 de Outubro (venceu)– Ele marcou 11 dos seus 25 pontos no último quarto.

Contra o Portland Trail Blazers dia 1º de Novembro (perdeu) – Marcou apenas 16 pontos, acertando só 3 de 21 arremessos e errou todos os cinco chutes de três tentados.

Contra o Los Angeles Lakers, dia 3 de Novembro (perdeu) – Foi o cestinha do time com 28 pontos, mas errou um arremesso crucial no final do tempo normal, que poderia dar a vitória ao Thunder (a bola nem acertou o aro). A partida foi pra prorrogação e os Lakers venceram. Somando o quarto período e o tempo extra, Durant errou cinco chutes de cinco e cometeu três erros.

Contra o Houston Rockets, dia 06 de Novembro (perdeu) – Anotou 27 pontos em cima dos bons marcadores Travor Ariza e Shane Battier, terminando o jogo com 50% de aproveitamento no arremesso (11-22).

Contra o Sacramento Kings, dia 10 de Novembro (perdeu) – Durant conseguiu 37 pontos e converteu uma cesta de três faltando 4 segundos para acabar o jogo; deixou seu time um ponto atrás. Restando apenas 2 segundos e o Oklahoma precisando de três pontos para levar a partida para a prorrogação, o ala erra o chute de três decisivo.


Contra o Los Angeles Clippers, dia 11 de Novembro (venceu)– Foram 30 pontos e o arremesso da vitória faltando 38 segundo para terminar a partida.

Contra o San Antonio Spurs, dia 14 de Novembro (venceu) – Teve um aproveitamento de arremessos ruim (6 de 18), mas converteu 13 de 15 lances livres.

Contra o Washington Wizards, dia 20 de Novembro (venceu) – Depois de anotar a pior marca da temporada (12 pontos contra o Orlando Magic, dia 18/11), Durant conseguiu 12 pontos nos primeiros 14 minutos... Terminou o jogo com 35 pontos.

Estes altos e baixos são normais nesta fase da carreira. O experiente armador do time, Kevin Ollie, comentou a respeito desta situação dizendo: “Falamos constantemente para ele que estas situações [de decidir o jogo em um arremesso] acontecerão com frequência. Ele [Durant] precisa passar por isso e aprender a cada partida”.

O nível de responsabilidade de Kevin Durant deve aumentar logo mais, pois o chefe da comissão técnica da seleção americana de basquete, Jerry Colangelo, disse que não sabe quem vai sair do “Redeem Team”, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos em Pequim, mas sabe que Durant estará no mundial do ano que vem (a ser realizado na Turquia).

Aos poucos Durant vem ganhando a confiança dos seus companheiros, preparando para ser o jogador que finalizará as partidas do Oklahoma. Ele vem, a cada dia que passa, ganhando mais experiência (em quadra), se moldando como um homem (social) e sendo um jogador mais completo (em casa) nos joguinhos de vídeo game NBA Live ´09 e NBA 2K9 – para não deixar morrer a criança dentro dele, óbvio.


(GL)



© 1 Chris Covatta/Getty Images
© 2 Thunder Media

Especial Rappers e Jogadores da NBA - Músicas

Há muito em comum, e não é surpresa pra ninguém, que as estrelas do melhor basquete do mundo estejam presentes nas rimas de vários MC`s que movimentam a cena do Hip-Hop. São diversos os motivos que fazem os atletas aparecem nas músicas do gênero e hoje o Grandes Ligas traz um especial mostrando o porquê destas inspirações dos rappers e curiosidades acercas dos sons.

Evidente que existem milhares de músicas da cena rap com jogadores da NBA nas rimas e por isso que esta não é uma seleção das melhores músicas (ou coisa parecida). É apenas uma coleção simples de sons que muitos já escutaram (ou não) e serve como entretenimento.

Para começar, a mais recente música sobre este tema e a mais polêmica.


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Jay-Z
Álbum: The Blueprint 3 (2009)
Música: Empire State of Mind


8 million stories out there and they're naked,
city it's a pity half of y’all won’t make it,
me I gotta plug a special and I got it made,
If Jeezy's payin LeBron, I’m paying Dwyane Wade


Quando os nomes LeBron (James) e Dwyane Wade saem da boca de Jay-Z se espera algo sobre os agente livres do ano que vem que podem ir para o New Jersey Nets (leia “Jay-Z, Brooklyn e a NBA”). Porém, a referência às super estrelas do basquete vai além disto e retrata o mais puro dialeto das ruas. Antes de falar de LeBron e Wade, Jay-Z cita o famoso rapper Young Jeezy e traz a tona a música dele (24/23) que diz: “I used to pay Kobe, now I pay LeBron” (tr. Eu pagava Kobe, agora pago LeBron).

Nas periferias americanas os números de jogadores da NBA são usados para especificar quanto custa um kilo de cocaína (em mil dólares). Jay-Z então diz “se Jeezy está pagando LeBron (23)eu estou pagando Dwyane Wade (3)”. Nota: a camisa de Kobe Bryante é número 24.


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Ice Cube
Álbum: The Predator (1992)
Música: It was a Good Day



Called up the homies and I'm askin y'all
Which park, are y'all playin basketball?
Get me on the court and I'm trouble
Last week fu*** around and got a triple double
Freakin ni**** everyway like M.J. [Michael Jordan]
I can't believe, today was a good Day

Aqui Ice Cube fala do que ele considera um dia bom: jogar basquete com os amigos. Talvez seja muita presunção, mas ele diz na letra que “semana passada marcou um trible double” e que os caras jogam como se fossem Michael Jordan. Lembrar do camisa 23 do Chicago Bulls era bem comum nos raps do início da década passada. Percebe-se que o som é das antigas não só por falar de Jordan, mas pela própria produção da música.


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Fabolous
Álbum: Street Dream (2003)
Música: Throwback


So pull out the Chicago and the script to wear on Soul Train
The Bulls, When Mike
[Michael Jordan] had hair and a gold chain
I get the Spirit in St. Louis, How could the god lose
I do back flips in the Ozzie Cardinals
They love me in Cleveland, Everytime I travel there
I'm in the Indians or that Cavaliers
When I hit Minnesota, That kid from Brooklyn wear
The Vikings or the Timberwolves from
[Kevin] Garnett's rookie year
And in Milwaukee I had to pimp it and go back
20 years with the Bucks and Brewers throw backs



Fabolous é um dos melhores rimadores da cena hip-hop e no som Throwback – que significa lembrar do passado, porém também é a forma como se chama os uniformes antigos dos clubes americanos – , o rapper fala de ambas as coisas quando rima “... os Bulls, quando Mike [Jordan] tinha cabelo e usava corrente de ouro” e “...o garoto do Brooklyn usa em Minnesota... a camisa de novato do [Kevin] Garnett”.

Ele faz menção ao Cleveland Cavaliers e ao Milwaukee Bucks, talvez a única letra de rap que cita o time que já teve Kareem Abdul-Jabbar e agora tem Brandon Jennings.


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Kanye West
Álbum: Blue Collar do Rhymefest (2006)
Música: Brand New


I'm leavin' you haters
Like when Shaq
[O´Neal] left the Lakers just to "Heat" it up
I state the stats to stunt - I don't need to front
I make history e'ry day - I don't need a month
The survey says - by the streets according
Kanye's just important as Michael Jordan
Was to the NBA when he was scorin'



Entenda porque o ego de Kanye West é tão grande.

Ele “só” diz que "de acordo com pesquisas nas ruas": “Kanye é importante tanto quanto Michael Jordan era para a NBA quando ele jogava”... Descoberto o motivo pelo qual a Beyoncé o chamou para o remix da sua música Ego...

Agora, Kanye faz uma rima legal usando Shaq (O´Neal) e (Miami) Heat, retomando a saída do pivô de Los Angeles para Flórida “apenas para esquentar as coisas”.


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Charles Hamilton
Single: Brooklyn Girls (2008)


Shorty is a player can't nobody play her
Can't nobody game her cause she aint a gamer
Baby girl ballin kinda like the Lakers
If you would trade her like
Shaq [O´Neal] then see ya later, player
She do it so easy it's kinda like a layup
She could lay up wit your boy wit no make up


Outra menção a troca de O´Neal quando ele deixou os Lakers em 2004. No caso, o rapper Charles Hamilton fala sobre o que uma garota do Brooklyn (distrito de New York) fará quando alguém a trocá-la por outra: irá terminar a relação sem problemas. Aí ele continua dizendo “...ela fará isto tão fácil como uma bandeja...” .


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Paul Wall
Álbum: Get Money, Stay True (2007)
Música: Break em Off



Higher than the satellite, crawlin' like a baby
Maneuverin' thru the traffic like I'm Tracy McGrady
Still choppin' on ‘em buttons, I'm struttin' and lookin' fresh
Switch hittin' like berkman, this is ballin' at its best


A cena do dirty south marca sua presença com Paul Wall citando Tracy McGrady, armador do Houston Rockets. Wall faz uma rima dizendo que ele se comporta no trânsito (fazendo manobras) igual a maneira que T-Mac faz quando entra no garrafão e passa pelos defensores.


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Asher Roth
Álbum: Asleep In The Bread Aisle (2009)
Música: Lark on My Go Kart



Sitting on a truffit
Puffing on the best cut bud tryna get but from ms. muffet
Me and teddy rockspins stirring up a ruckus
egging all the houses smashing all the pumpkins
suck a d*** b*** kiss chumps can't funk with the punk kids
Ash Roth be the king of the blumpkins
any Tim Duncan, spur of the moment

Só mesmo o alternativo Asher Roth para conseguir fazer uma rima com Tim Duncan. Na verdade, ele utiliza com muita inteligência o nome do San Antonio Spurs usando a expressão “spur of the moment” (que significa: espontâneo, do nada), dando sentido ao que ele vem dizendo na letra. Pra Asher, qualquer garota será bem vinda e no clipe ele mostra bem o que ele quer dizer com “qualquer” – o vídeo é em desenho animado e o rapper está vestindo, nesta parte da música, uma camisa número 21 (foto abaixo).



...



Lil Wayne
Single: Outstanding (2007)


I never fall back
I'd rather go forward
and when I come through
ya betta dunk like
[Dwight] howard
because i got power
just like a forward
I come through the lane
and straight dunk like Staudi-
Mire, Amare reminds me of I-uh
he's a Pheonix Sun and I am fire

Para mostrar que tem a “força” de um “ala”, o rapper cita nada menos que Amar´e Stoudemire, o que faz lembrar do Phoenix Suns e que o faz lembrar que ele é quente tanto quanto o sol. O “superman” Dwight Howard, pivô do Orlando Magic, aparece também na letra e começa toda esta história de força e tal.



(GL)

Dos Males, o Menor


O Chicago Bears está com 4 vitórias e 5 derrotas em 9 jogos. Outros quatro times na NFL têm este mesmo aproveitamento (Carolina Panthers, San Francisco 49ers, New York Jets e Miami Dolphins) e especialistas colocam os Bears como o pior entre eles. As expectativas eram altas no início do campeonato e o torcedor do clube esperava uma temporada de sucesso. Com jogos difíceis pela frente, a esperança de se classificar para a pós-temporada está se acabando e, por mais que Jay Cutler (quarterback – QB) tenha sua parcela de responsabilidade por este fracasso, ele não é o principal e nem o maior problema.

A cada semana o elenco dos Bears expõe suas limitações: deficitário na linha ofensiva, jogo corrido abaixo da média e receivers que deixam a desejar. Esta busca incessante por um wide receiver (WR) número 1, aquele para receber os passes nos momentos decisivos, fez com que os torcedores do clube dissessem “Quem sabe seja o novato Johnny Knox?”. Não – pelo menos no momento. Também não é Devin Hester, Earl Bennett, Devin Aromashodu... O running back Matt Forte não vem repetindo as boas atuações do ano passado e o jogo corrido da equipe caiu bastante – 20 jardas a menos por jogo em relação a 2008 –, isto deixa o clube sem muitas opções de jogadas ofensivas, contando ainda com atuações lamentáveis dos offensive linemen.

Cutler tem 17 interceptações até agora e sim, algumas delas foram erros dele em decisões equivocadas. Mas não é de se estranhar que a maioria das interceptações (13) tenha acontecido quando o time adversário tem em campo cinco ou mais defensive backs (ou seja, mais safeties e cornerbacks marcando o passe). Enquanto não houver uma melhora do sistema ofensivo de Chicago, os adversários vão usar esta estatística a favor, mandando pouca pressão em cima do QB e o forçando a passar – foto abaixo do jogo contra o Atlanta Falcons.


São evidentes as escassas opções que o treinador Lovie Smith tem para usar a cada jogo. O responsável por mudar isso é o diretor de football (GM) da franquia, que tem a função de contratar atletas e formar o elenco. Ao ver o time se comportando tão mal partida após partida, os fãs imploram por mudanças – qualquer que seja – e os pedidos são pela saída de jogadores, do treinador... Porém, os torcedores precisam confiar em Jerry Angelo (GM) que está no cargo desde 2001 e foi o responsável por montar o time campeão da Conferência Nacional em 2006 e que chegou ao Super Bowl XLI (perdeu para o Indianapolis Colts).

Angelo não só fez uma troca espetacular com o Denver Broncos, mas renovou o contrato de Cutler até 2013, o que mostra o comprometimento com o atleta em desenvolver o “novo” Bears em volta dele, buscando atrair jogadores de qualidade. Colocando sentimentos de lado e a paixão também, é claro que Cutler é o futuro da franquia, mesmo ele tendo atuado mal em alguns jogos neste ano.

Exemplo: no jogo contra o San Francisco 49ers (dia 12/11), Cutler teve 5 interceptações só que, com todos os erros e deficiências da equipe ofensiva, ele conseguiu passar para 307 jardas. A porcentagem de passes completos em 2009 (62.4) está na média de sua curta carreira (quatro anos na NFL) e a projeção é que ele termine o campeonato com 30 passes para touchdowns – o que seria sua melhor marca.

Para entender Cutler é preciso desvinculá-lo do grupo dos “Mannings” e “Bradys” da vida. Ele não é um QB deste naipe, deste calibre; o que não quer dizer que ele não seja bom. Isto Cutler é: um bom QB que, igual a outros QB´s de sucesso, precisa de um elenco satisfatório ao seu dispor. Esperavam que ele fosse o grande transformador da franquia e que exorcizasse a péssima sina que acompanha os QB´s dos Bears ao longo das últimas décadas. Não é tão simples assim.


Mais de 12 mil pessoas (por dia ) acompanharam a preparação do Chicago para esta temporada. A cidade abraçou Cutler (foto acima) de uma maneira pouco antes vista. Os outros jogadores do time eram “secundários” nas pautas dos jornalistas – em uma brincadeira com os repórteres, Lance Briggs, experiente linebacker, perguntou a eles: “Vocês sabem que eu ainda jogo aqui, né? Ou será que eu preciso fazer uma dança ou alguma coisa para aparecer (risos)”. Com o passar dos jogos e com os resultados negativos aparecendo, Cutler e os torcedores passaram a perceber que a caminhada para as vitórias será árdua.

Ser um QB em Chicago não deve ser fácil. O maior mercado da NFL tem só uma franquia, com tudo e todos concentrados em um só time. A mentalidade de como encarar a liga tem que ser mudada, acompanhando o que fizeram outros clubes. O Pittsburgh Steelers, por exemplo, tinha uma característica parecida com os Bears: jogo corrido e físico a todo custo. Aos poucos, a franquia mudou esta abordagem incluindo o passe no playbook, contudo mantendo a agressividade tradicional. Hoje, os principais times da NFL (Colts, New Orleans Saints, Minnesota Vikings – nota especial: 17 TD´s passe; 12 TD´s corrido em 2009 – e New England Patriots) tem o jogo aéreo como a arma mais letal. Se Angelo está pensando em fazer esta transição – que será bem parecida com o que aconteceu em Pitssburgh – ela já começou bem pela escolha do QB.

O próximo passo é montar um bom grupo de receivers, uma boa linha ofensiva e estabelecer o jogo corrido de forma mais constante. As defesas do Philadelphia Eagles, Vikings e Baltimore Ravens estão esperando para colocar Jay Cutler mais uma vez à prova neste campeonato. Mesmo sem saber o que irá acontecer, Cutler vai conhecer mais as suas virtudes e defeitos nestes respectivos jogos; e todos irão entender que, dos inúmeros problemas que o Chicago Bears tem, o quarterback é o menor deles.


(GL)


© 1 Johnathan Daniel / Getty Images



PS: Leia “Comte Explica” uma reflexão sobre Vince Young baseada em Auguste Comte e Jean-Paul Sartre (publicado no dia 21/08)

A Provação


Assim que a equipe de basquete da universidade de Cincinnati (Bearcats) entrar em quadra hoje para enfrentar Praire View A&M, marcando o inicio da temporada 2009-10 da NCAA, a atenção estará toda voltada para o camisa 33 do time: o armador novato Lance Stephenson (foto acima).

O campeonato deste ano tem três novatos sensações que tendem a jogar apenas um ano no universitário e ir logo em seguida para a NBA - John Wall (Kentucky) e Xavier Henry (Kansas) são os outros dois. Entretanto a pressão maior estar em Lance, que precisa demonstrar maturidade em todos os aspectos – dentro e fora de jogo –, ganhando a confiança e a escolha de um time da associação, isto porque foi difícil uma universidade com um programa de basquete da elite lhe oferecer uma bolsa de estudos devido aos problemas que ele teve ao longo da sua carreira na High School (ensino médio), mesmo sendo um atleta muito talentoso.

Stephenson sempre teve que lidar com algo intangível: ser uma lenda do basquete em New York (NY). Toda cidade está à espera do novo jogador nova-iorquino que vai brilhar na NBA. Em dois eventos particulares na adolescência, ele fez jus ao que diziam nas ruas sobre seu jogo: 1º - quando estava na oitava série, sua escola desafiou o time do OJ Mayo (então melhor jogador em nível high school dos Estados Unidos) e bastaram dois dribles em cima do hoje atleta do Memphis Grizzlies (NBA) para que as escolas de NY passassem a recrutar o garoto; 2º - em um amistoso (2005) na Rucker Park – templo do basquete de rua americano –, ele marcou 40 pontos em cima de Jamal Crawford, hoje no Atlanta Hawks (NBA). A tradicional Abraham Lincoln High School ficou com Stephenson e a sua transferência foi manchete principal dos jornais da cidade.

Ir para Lincoln aumentou a responsabilidade de Lance, pois foi lá que outras duas lendas do basquete de NY estudaram: Stephon Marbury e Sebastian Telfair. Por atuarem na mesma posição, mais comparações surgiram e a expectativa crescia cada vez mais sobre o que ele iria fazer na escola. Ao concluir os estudos, seu currículo esportivo foi de mais destaque em comparação aos dos ex-jogadores da escola: Lance (foto abaixo) levou Lincoln a ser tetra campeã da cidade no torneio entre escolas públicas (algo sem precedente) e se tornou o maior cestinha da história de NY, passando a marca de Telfair.


Estes números e conquistas receberam um carinho especial das principais universidades da NCAA, mas apareceu a dúvida sobre seu comportamento social. Em 2008 ele enfrentou graves problemas: recebeu da escola uma suspenção de cinco dias por brigar com um compaheiro de equipe; e foi preso por abusar sexualmente uma garota nas dependênicas do colégio. Querendo ou não, tais fatores pesavam contra ele e as boas faculdades se distanciavam de Stephenson. Para agravar mais ainda sua imagem, ele foi cortado da seleção sub-18 dos EUA por indisciplina tática e técnica. Ou seja: egoísmo – fominha no bom português.

Bob McKilop, treinador da universidade Davidson e da seleção sub-18, justificou a saída do seu principal cestinha dizendo: “5% do jogo ele está com a bola na mão, nos outros 95% ele joga sem a bola. É exatamente nisto que Lance precisa melhorar”.

A última coisa que um time top da NCAA quer é alguém individualista + problemático. A parte negativa de Stephenson estava quase saindo vencedora ao se perceber que as grandes universidades estavam fechando seus respectivos elencos para esta temporada e parecia que não sobraria espaço para ele na elite. Até que na última hora apareceu Mick Cronin e Cincinnati.

Cronin, treinador dos Bearcats, lutou com a diretoria da universidade para assinar com Stephenson, dentro do planejamento de recolocar a escola entre as principais no campeonato de basquete da NCAA. São quatro temporadas sem se classificar para o torneio da NCAA, porém há tradição no basquete da faculdade: um bi-campeonato (1961-1962), 14 aparições seguidas no torneio (entre 1992 e 2005) e estrelas da NBA que já defenderam os Bearcats (Oscar Robertson, Nick Van Exel e Kenyon Martin, por exemplo).


Para esta temporada, Cronin conseguiu manter no campus quatro dos cinco melhores jogadores do ano passado. A simples adição de Stephenson (foto acima) já coloca o time como um dos principais elencos da NCAA e um dos favoritos para disputar o título da competitiva conferência Big East (que teve três cabeças de chave no torneio de 2009: Louisville, Connecticut e Pittsburgh; e Villanova, junto com CONN, no Final Four).

Aos poucos Lance vem se entrosando com seus novos companheiros. Em um dos primeiros treinos com a equipe ele marcou 24 pontos em 25 minutos. No primeiro amistoso de pré-temporada (contra Saginaw Valley State) ele marcou nove pontos em 18 minutos vindo da reserva. Já no segundo amistoso (contra Bellarmine), ele anotou 15 pontos e foi o cestinha da partida atuando como titular. Ele deve jogar de ala (posição 3), porque a equipe tem dois excelentes armadores: Cashmere Wright e Donta Vaughn. Yancy Gates (ala) e Steve Taylor (pivô) completam o quinteto inicial.

São vários os objetivos de Lance em Cincinnati e um deles é colocar os Bearcats de volta ao topo, mostrando que os votantes dos rankings USA Today e Associated Press estão errados – a universidade não recebeu nenhum voto sequer em ambos no posicionamento da pré-temporada. Consequentemente ele terá que provar em quadra o seu jogo mais maduro e coletivo, somado com sua habilidade nata de converter cestas, deixando um gosto de arrependimento nas universidades que não apostaram nele e calando seus críticos. Assim sendo, Stephenson almeja aprovação dos scouts da NBA, para quem sabe no ano que vem, ou mais pra frente, ele venha a atuar no melhor basquete do mundo.


(GL)



© 1 Lonnie Webb / MaxPreps
© 2 Jeff Swinger / The Enquirer

Separados Pelo Draft


O poderoso e bem sucedido programa de football da USC (Universidade do Sul da Califórnia) estava para fazer história no draft deste ano. Os linebackers (LB) Clay Matthews III (acima, à esq.), Brian Cushing (centro) e Rey Maualuga (à dir.) entraram na seleção como prováveis escolhas de primeira rodada, o que seria um marco – entretanto, só Maualuga caiu para a segunda rodada. Os três hoje são titulares dos times que os escolheram e estão fazendo uma ótima temporada cada um, em especial Cushing, cotado para ser o Melhor Defensor Novato.

Apesar de não mais estarem juntos, o trio se mantém em contato com frequência, continuando a forte amizade construída em USC. Lá, todos eles tinham funções vitais e foram responsáveis pelo sucesso da escola na NCAA neste final de década. Porém, muitos scouts (olheiros) questionavam a capacidade e a habilidade dos LB´s acreditando que o trabalho em conjunto do sistema defensivo da USC-2008 (que colocou oito jogadores na NFL nesta temporada) fazia com que os três se destacassem.

Esta preocupação era válida, pois muitos times da liga acreditaram em jogadores da USC nestes últimos anos e levaram “bomba”. Os casos mais recentes são do quarterback (QB) Matt Leinart (hoje reserva do Arizona Cardinals) e do running back (RB) Reggie Bush (do New Orleans Saints) que não corresponderam toda a expectativa criada em torno deles pelas performances de ambos no universitário.

O trio de LB´s esbanjava um sucesso semelhante a este, sendo capas de revistas e tudo mais. Maualuga foi considerado o melhor jogador defensivo da NCAA no ano passado; Matthews III ganhou seu espaço mesmo sendo menosprezado por gente da própria comissão técnica no começo de sua carreira universitária; e Cushing era o capitão do time, escolhido pelos seus companheiros.

A pergunta a ser respondida era: Confiar nos garotos, ou não? Seriam eles “bombas” ou um sucesso? Nota-se, depois de completa a metade da temporada 2009-10, que quem apostou neles se deu bem.



REY MAUALUGA – Cincinnati Bengals – 38ª escolha (2ª rodada)
30 tackels, 1 sack e 2 fumbles forçados


No perfil dele está escrito “estupenda velocidade e um tackle devastador”. Mesmo assim, muitos clubes passaram por Maualuga. Contudo, para ele até que foi bom, porque encontrou nos Bengals um antigo companheiro de USC: o também LB Keith Rivers.

Rivers está sendo uma espécie de tutor, ensinando a Rey como funcionam as coisas no profissional e o ajudando a entender as linguagens usadas no sistema defensivo da equipe. Por isso a adaptação dele está sendo altamente satisfatória, fazendo com que o jogador se sinta mais à vontade no clube. A identificação de Maualuga com a franquia é demonstrada nos diversos eventos beneficentes que o atleta já participou, o tornando uma figura popular na cidade. Camisas com fotos que mostram a expressão facial de Rey com o uniforme do time são populares entre os torcedores dos Bengals.

Maualuga foi titular, na posição de strongside linebacker, em todos os oito jogos até agora.



CLAY MATTHEWS III – Green Bay Packers – 26ª escolha
22 tackles, 3 sacks e 1 fumble forçado


Este “III” depois do nome mostra que Matthews é de uma geração de respeito. Seu avô (Clay Matthews) foi offensive linemen do San Francisco 49ers na década de 50; seu pai (Clay Matthews Jr.) jogou 19 temporadas na NFL; seu tio (Bruce Matthews) entrou no Hall da Fama da NFL em 2007.

Este legado familiar continua com Matthews III. Aos poucos ele foi ganhando espaço no novo esquema defensivo dos Packers e sua estréia como titular foi especial. No primeiro confronto entre Brett Favre e Green Bay em Minnesota, Matthews III marcou o seu primeiro touchdown na NFL roubando, literalmente, a bola do RB dos Vikings (Adrian Petterson) numa das melhores jogadas do ano – vídeo abaixo. Desde então, ele não mais largou a titularidade.



Como os Packers agora estão jogando com quatro LB´s, Clay está se adaptando a esta nova formação, jogando mais aberto pelo lado direito da defesa. Ele está cumprindo bem as suas funções em campo que são: pressionar o QB, ler o jogo corrido e se posicionar na cobertura por zona contra o passe.

Na semana 6 ele foi eleito o novato da semana, graças aos dois sacks anotados contra o Detroit Lions.



BRIAN CUSHING – Houston Texans – 15ª escolha
78 tackles, 1,5 sacks, 2 fumbles forçados e 2 inteceptações


O que Cushing fez nestes nove primeiro jogos é incrível. O curioso é que o seu principal colega de defesa (DeMeco Ryans - LB) teve um início de carreira na NFL parecido – Ryans venceu o prêmio de Melhor Defensor Novato de 2006.

Cushing foi eleito o melhor defensor da semana (Conferência Americana) por duas vezes - semana 6 e 8; ele conseguiu um safety contra o Oakland Raiders - primeiro jogador dos Texans a marcar um safety desde 2002; ele é o líder dos novatos em tackles e o segundo em toda a NFL – liderou/ou empatou seu companheiros de time, nesta categoria, em seis das nove partidas até agora. Tudo isso feito com uma lesão no pé e lidando com ela a mais de um mês.

Ele sempre foi altamente rankeado, desde os tempos do High School (ensino médio). Uma história interessante aconteceu entre Charlie Weis (atual treinador da Universidade de Notre Dame) e Bill Belichick (treinador do New England Patriots).

Weis estava na função de coordenador ofensivo dos Patriots quando ele foi convidado para assumir Notre Dame. Charlie estava de olho em um garoto do estado de New Jersey, perto do estado de Massachusetts (região de New England), chamado Brian Cushing. No dia marcado da visita do treinador a casa do atleta, Weis comunicou Belichick que ele iria para New Jersey numa viagem de recrutamento. Belichick prontamente perguntou: “Você está tentando pegar o Cushing, certo?”. Weis, que não tinha mencionado o nome do LB, perguntou a seu amigo como ele sabia do garoto e descobriu que muita gente da NFL já conhecia “o LB de New Jersey”

Muitos especialistas da NFL o colocam como o Melhor Defensor Novato desta metade da temporada, assim como um dos melhores LB de toda Conferência Americana.


(GL)


*Estatísticas até 13/11

© 1 Jim Biever/Packers Media
© 2 Brett Davis/US Presswire

Dupla de Três


Não é convencional, mas está funcionando.

Alguns times da NBA usam dois armadores ao mesmo tempo em quadra, porém apenas em ocasiões necessárias. Poucos utilizam esta formação por longos minutos e/ou começam o jogo com ela. Agora, e três armadores ao mesmo tempo? E começando como titulares?

Só o Portland Trail Blazers.

Desde que o treinador Nate McMillan resolveu iniciar o jogo contra o San Antonio Spurs (dia 6/11) com Andre Miller (I), Steve Blake (II) e Brandon Roy (II) juntos como titulares, a equipe está invicta: três jogos e três vitórias (além dos Spurs, eles passaram pelo Minnesota Timberwolves e Memphis Grizzlies). Mesmo a inusitada armação do quinteto titular está dando certo, McMillan observa com cuidado a atuação do trio para decidir se vai continuar assim durante o campeonato 2009-10. Segundo ele informou a agência de notícias Associated Press "o teste dos três armadores irá durar duas semanas".

A função de McMillan é aproveitar o máximo de Miller, que foi contratado nesta pré-temporada. O experiente armador, que tem o recorde atual da NBA de mais partidas jogadas de forma consecutiva (538), escolheu os Trail Blazers – ao invés do New York Knicks –, porque a equipe de Portland, segundo ele, é mais “competitiva e vencedora”. O dilema então surgiu: como encaixar Miller no elenco? Pois ele é muito bom pra estar no banco, mas pode atrapalhar o já entrosado quinteto titular.

O desvalorizado Blake é um jogador que se adaptou bem ao estilo de jogo do time e conhece muito bem seus companheiros (em tese ele é o armador número 1, responsável por iniciar as jogadas). Roy é o puro finalizador e um dos principais nomes de toda a associação (em tese ele é o armador número 2, responsável por definir as jogadas). Encontrar um espaço para Miller não só, aparentemente, parecia impossível, mas suas características iriam confrontar com seus companheiros de posição, em especial Roy. Por exemplo: no último quarto da partida, Roy naturalmente fica com a bola para criar uma jogada para ele mesmo; já Miller segura o ritmo mais um pouco e cria uma jogada para os outros.

E aí?


Bem, para ver se realmente daria errado (ou não) era preciso colocá-los juntos numa partida – o que aconteceu contra os Spurs e nos outros dois jogos subseqüentes. O resultado positivo é nítido e não se resume as vitórias, mas no comportamento do time como um todo.

Quando os três estão em quadra, um só é responsável por chamar as jogadas: Miller. Isto porque McMillan (foto acima) confia na experiência do jogador, que já conhece os desenhos táticos do esquema ofensivo do treinador e ele o deixa à vontade em quadra para decidir como será finalizada a posse de bola no ataque. Contudo, tanto Blake quanto Roy tem, em certas ocasiões, a função de dar um passe: contra os Wolves e os Grizzlies, Roy foi o líder de assistências do time nos jogos (7 em cada).

Percebe-se que o estilo de passe agressivo de Miller está aos poucos envolvendo mais seus companheiros. Por ser um time mais leve e veloz, o contra-ataque dos Trail Blazers melhorou sensivelmente com os três armadores em quadra. Contra o Minnesota, foram 21 pontos no contra-ataque e contra Memphis foram 10 (todos estes no segundo tempo). O Portland até então tinha o pior aproveitamento no contra-ataque de toda a liga: 5.2 pontos por jogo.

Especificamente nesta estatística, e em outras também, um jogador pode ajudar o trio a fazer melhores performances: Greg Oden (foto abaixo). O gigante pivô do Portland, se jogar bem no garrafão e de forma constante, vai aliviar a marcação no perímetro para os armadores trabalhar melhor a bola. Oden é importante também nos rebotes defensivos, iniciando ele assim os tão importantes contra-ataques.


Para o torcedor do clube o mais importante é que estas mudanças não afetem o potencial de Roy; pelo contrário, esta formação só irá ajudá-lo. É claro que adaptações precisam ser feitas e ele sabe disso. Ontem, conversando com a imprensa no vestiário, Roy disse: “Preciso aprender a ser mais agressivo sem a bola em minhas mãos, sempre lembrando de envolver os outros jogadores também. Eu estou tentando não ser egoísta, mas continuando sendo agressivo e criando jogadas”. A adaptação de Roy está muito boa; nestes três jogos com o trio ele foi o cestinha da equipe em dois deles (24 pontos contra SAN e 20 contra MEM). O curioso é que contra o MINN, Roy marcou só 2 pontos, mas mesmo assim o Portland venceu a partida por 23 pontos.

Fora esta preocupação de como Roy se daria com este novo esquema (na parte ofensiva), surgia o questionamento de como ele iria marcar os alas adversários – já que Roy está jogando na posição número 3. A partida de ontem mostrou que Roy está bem, porque Rudy Gay, ala do Memphis Grizzlies, anotou 12 pontos enquanto a média dele, antes do jogo, era de 22.5 PPJ. O verdadeiro teste para Roy no quesito marcação será na próxima segunda (dia 16) contra o Atlanta Hawks do Josh Simth (ala).

Conforme os jogos vão passando e as partidas se desenvolvendo, McMillan analisa a postura do seu time. Ainda falta ocorrer situações para definir se o quinteto titular vai com três armadores até o final, assim este período de duas semanas pode ser estendido. Nestes três primeiros jogos, deu para perceber que, no mínimo, a equipe com três armadores será um diferencial considerável e, mesmo que não dê certo para serem titulares, podem virar uma arma contra um adversário específico ou num momento de uma partida.

Este modelo fora de padrão faz com que os torcedores do Portland Trail Blazers transformem a conclusão da tradicional frase: 1 é pouco, 2 é bom e 3 é melhor ainda!


(GL)



© 1 Jed Jacobsohn / Getty Images
© 2 Picapp

Meramente Perfeito


Por pouco.

Duas jogadas e dois detalhes mantiveram o Indianapolis Colts invicto após oito rodadas, status que coloca Jim Caldwell (foto acima) como o primeiro técnico, desde Potsy Clark em 1930, a vencer as oito primeiras partidas na temporada de estréia. Contra o rival Houston Texans (dia 08/11), houve dois fatores que colaboraram com a vitória dos Colts: um teve a participação de Caldwell; o outro teve uma participação da sorte.

Faltando um segundo para o término do jogo o kicker dos Texans, Kris Brown, tinha a chance de empatar e mandar a partida para a prorrogação. A bola precisava viajar pelo ar por 42 jardas, uma distância menor em comparação com um FG que ele converteu no final do primeiro tempo: 56 jardas. Porém, para felicidade de Caldwell, Brown perdeu o FG decisivo e os Colts saíram vencedores do importante confronto da divisão Sul da Conferência Americana. A sorte ajudou Indianapolis.

Já a participação fundamental de Caldwell para seu time conseguir o resultado positivo não veio por intermédio de uma nova armação tática ou coisa parecida, e sim através de uma toalhinha vermelha. Usada para contestar a decisão dos juízes no campo, a tal toalha vermelha foi lançada por Caldwell no limite permitido ao final do segundo quarto, quando restava segundos para entrar o tempo da TV – espaço de dois minutos finais do primeiro e do segundo tempo, onde só os juízes podem decidir se uma jogada pode ser revertida (ou não) olhando o replay. A discussão em questão foi um fumble do running back Ryan Moats (Houston) na jarda de número 1 da defesa dos Colts. A decisão dos juízes na hora foi manter a bola na jarda 1, pois acreditavam que ela tinha saído de campo nesta jarda. Mas, segundos antes dos Texans iniciar o ataque, Caldwell desafia a marcação e os juízes mudam de opinião ao verem o replay: percebe-se que a bola não saiu e Jerraud Powers (Indianapolis) recuperou o fumble bem em cima da linha da endzone – ou seja, touchback e posse de bola para os Colts na jarda de número 20.

Apesar de estar no seu primeiro ano à frente de um time da NFL, a experiência de Caldwell e seu feeling aprimorado foram cruciais nesse momento especifico, afinal são oito anos na organização Colts (treinador de quarterbacks e assistente técnico) e uma vasta participação na NCAA em várias comissões técnicas: Iowa, Southern Illinois, Northwestern, Colorado, Louisville e Penn State, além de ter sido treinador de Wake Forest durante oito anos (1993-2000). Este é o campeonato de estréia dele na NFL, o que não quer dizer que ele começou agora.


É bom salientar: mesmo ele não sendo cotado para levar o prêmio de “Treinador do Ano”, o crédito destas oito vitórias é de Caldwell (claro que com a ajuda de Peyton Manning). Por mais que ele tenha pegado um time pronto do Tony Dungy, Jim fez mudanças pontuais e já impôs seu estilo, tanto dentro quanto fora de campo.

A formação da sua equipe de coordenadores passou por decisões difíceis. Tom Moore (ofensivo) e Howard Mudd (linha ofensiva) decidiram se aposentar, mas voltaram à comissão recebendo um tratamento especial da diretoria a pedido de Manning. A parte defensiva teve mudanças também, com Larry Coyer assumindo o posto de coordenador e o setor de especialistas ganhou novo técnico, com Ray Rychleski assumindo o posto.

Quando questionado sobre quem tem mais participação no sucesso da equipe, Caldwell faz questão de ressaltar o conjunto e a manutenção da filosofia de Dungy: “Nós tivemos muito sucesso por aqui, por isso não há muito que mudar; não existe razão para colocar um rótulo ‘Jim Caldwell’ em qualquer coisa que seja feita” diz o treinador. “Este time pertence ao dono, ao departamento pessoal, aos nossos assistentes, aos nossos jogadores... Pertence a todos nós”.

São várias as semelhanças entre Tony e Jim, mas existem as diferenças. Uma destas, que os repórteres setoristas dos Colts comentam com frequência, são as inúmeras interrupções que Caldwell faz nos treinamentos quando ele vê algo que não lhe agrada – o que Dungy não fazia. Jim é muito mais energético e participativo nos treinos, não hesitando em aumentar o tom de voz quando preciso.


Caldwell trabalhou particularmente com Manning nesta pré-temporada – lembrando dos tempos de assistente – para ajustar melhor os novos receivers no esquema tático e tentando suprir a ausência do machucado Anthony Gonzalez. O resultado disso é a eficiência acima da média do novato Austin Collie e do outrora desconhecido Pierre Garçon. O jogo aéreo dos Colts permance forte, o que dá a Payton números recordes até esta metade da temporada: primeiro QB da história a passar pra mais de 300 jardas em sete dos primeiros oito jogos.

A franquia Colts está acumulando recordes também. A vitória sobre os Texans marcou o 17º triunfo seguido em jogos da temporada normal – apenas o quarto time a atingir este feito. O líder nesta categoria é o New England Patrots (21 vitórias entre 2006-08 e 18 entre 2003-04) e são justamente eles os próximos adversários dos Colts, tentando parar esta sequencia de vitórias do time de Caldwell que busca repetir a campanha invicta (2007) do arqui-rival.

A temporada 2009 e o jogo contra o Houston mostrou que não é fácil passar tantos jogos sem perder. Entretanto, o novato treinador vem mantendo Indianapolis no topo e almejando continuar a tradição das últimas sete temporadas: se classificar para os playoffs, por mais que seja meramente, pois o importante é alcançar o objetivo de ir para a pós-temproada.


(GL)



© 1 Jim Bryant / UPI
© 2 Gary C. Caskey / UPI
© 3 Michael Conroy / AP

Exemplo Vem de Casa


Em tempos de dificuldade financeira, há uma pessoa que se sobressai, aproveita a crise e a transforma em oportunidades: a Dona de Casa. Não existe alguém que saiba melhor reconhecer o excesso, cortar gastos e ainda poder comprar uma pizza sábado à noite sem prejudicar o orçamento mensal. Esta abordagem clássica está sendo copiada pela NBA e suas franquias, que enfrentam prejuízos e perdas, mas estão “dando seus pulos” para sair desta encrenca.

Esta temporada é a 25ª de David Stern, comissário da NBA, no comando da mais poderosa liga de basquete do mundo; este tende a ser o campeonato menos rentável deste período. Ele já anunciou em Julho que mais da metade das franquias irão perder dinheiro no biênio 2009-10 e que o lucro geral da associação chegará a apenas 5 pontos percentuais. Com perdas consideráveis, como os clubes vão sobrevier? Bem, reconhecer o excesso e cortar os gastos já é um bom começo, desde que nestas conversas não seja mencionada a frase “redução salarial dos jogadores”.

Existe um impasse delicado entre o sindicato dos atletas (NBPA) e a associação – leia “A Crise Econômica e a NBA: Greve à Vista!”. Os jogadores têm uma parcela considerável nos lucros das franquias; por volta de 57% do total. E se caso os clubes estiverem com os lucros baixos, será reduzido a participação dos atletas? De forma nenhuma!

Billy Hunter, presidente do sindicato, diz que vai negociar com Stern um novo acordo entre ambas as partes, pois o vigente terminará em Junho de 2011. Hunter já falou via imprensa que não irá concordar com a redução da participação nos lucros (os tais 57%), mas está disposto em buscar um novo modelo de contrato, porque segundo ele “este atual é o mais fraco entre todos os esportes profissionais americanos”. Porém, não custa nada perguntar: Se os jogadores têm participação nos lucros, porque não podem participar dos prejuízos?

Não é verdade?

Bom... Já houve dois encontros, dia 4 de Agosto e 22 de Setembro, entre o NBPA e a NBA. Em um deles, a palavra ficou com o sindicato, em outro a associação liderou a reunião. A posição de Hunter foi a citada acima; já a defesa de Stern (foto abaixo) foi mostrar o efeito “bola de neve”: redução do número de torcedores nos estádios, redução na renda, redução do valor dos ingressos, menos lucro... Para a associação, estes “57%” é um número muito alto. A solução para esse caso está longe de ser resolvida.


Como o mundo não para de girar, as franquias estão seguindo a receita das donas de casa, sem esquecer de usar a criatividade para tentar lucrar uma coisinha. Veja, primeiramente, o que os clubes estão fazendo no quesito ”reconhecer os excessos / corte de gastos”:

- O Charlotte Bobcats não terá mais apresentações de artistas consagrados no intervalo das partidas. Ao invés disto, usarão crianças e adolescentes locais para fazerem os shows, economizando assim 100 mil dólares.

- O Cleveland Cavaliers não mandará mais os tradicionais cartões de Natal para seus sócios torcedores; os mandará pelo correio eletrônico. Economia de 40 mil dólares.

- O Memphis Grizzlies fez um upgrade em todos os computadores da organização, ao invés de comprar maquinas novas. Economizou 50 mil dólares.

- O Detroit Pistons fez uma mudança “radical” nos pacotes entregues aos sócios-torcedores. A duas temporadas o carnê vinha em uma pasta de couro que quando aberta tocava música. Na temporada passada os carnês foram entregues com camisetas e cards. Neste ano, os carnês enviados tinham um papelão sem desenho no embrulho. Economia de 100 mil dólares.

Fora estes ajustes extras, muitas equipes estão sofrendo cortes de pessoal. Alguns clubes reduziram o número de assistentes: de 5 para 3. O New Jersey Nets não manda mais scouts (olheiros) para assistirem jogos – pior fizeram os Grizzlies que eliminou todo o departamento de scouts. O Miami Heat cortou 20% dos salários de toda a comissão técnica. Sem contar que algumas equipes estão deixndo apenas 13 jogadores no elenco, quando o tradicional (e mais coreto) é 15 – este corte de atletas pode salvar para uma equipe por volta de US$ 1 milhão.

Agora veja a criatividade dos dirigentes:

- O Heat e o Portland Trail Blazers estão fazendo promoções de ingressos individuais para jogos específicos, aumentando ou diminuindo o valor da entrada de acordo com a importância do adversário – algo que é muito comum na MLB.


- O Chicago Bulls mandou um agrado aos torcedores que renovassem o carnê dos 41 jogos em casa: uma camisa oficial do Derrick Rose (foto acima).

- A diretoria dos Mavericks deu um ingresso do Jogo das Estrelas - 2010, que será realizado em Dallas, para as pessoas que compraram (ou renovaram) o carnê com os jogos de toda a temporada.

- O Indiana Pacers ofereceu aos 100 primeiros torcedores que comprassem o talão de ingressos de toda temporada (ou só da metade) um encontro com Tyler Hansbrough

- O Denver Nuggets, Orlando Magic e o Heat estão fazendo acordos corporativos (com empresas), negociando os ingressos de maior valor no ginásio.

Quem se deleita ao ver todas estas movimentações é o Chris Granger, Vice-Presidente Sênior de Operações de Marketing e Negócios da NBA. Todas as ações só foram tomadas depois de uma extensiva pesquisa com mais de 30 mil fãs das 30 franquias, perguntados sobre o que eles querem ter dos clubes além de um ingresso para assistir a um jogo. “Estas pequenas ações de marketing estão funcionando, pois os times passaram toda pré-temporada com os dados da enquete, pensando no que poderiam oferecer de melhor aos fãs” disse Granger ao jornal Sports Business.

Pelo visto a NBA está fazendo a lição de casa, seguindo os três passos orientados pelas melhores economistas do mundo: reconhecer o excesso, cortar gastos e usar criatividade. Assim, pode até surgir uma promoção chamada a “Noite da Pizza”. Evidente que não será todo dia, de preferência no sábado, não é Dona de Casa?


(GL)

Custo / Benefício

Andy Pettitte e Alex Rodriguez


Quanto maior o pensamento, maior o tombo? Ou, quanto maior o pensamento, mais longe se chega? A fina linha que separa estas duas frases tem um nome: planejamento. A meta de todo o clube é ganhar o campeonato, agora e se um time almejar o título e não vencer, a temporada pode ser considerada um fracasso?

Para o Philadelphia Phillies não.

Para o New York Yankees sim.

Nada mais do que o troféu da World Series seria uma total frustração para NY. Ao ver e ouvir as declarações dos clubes que protagonizaram a grande decisão da MLB neste ano ficou claro a diferença de abordagem com relação ao resultado final: Yankees campeão. Enquanto Ryan Howard (Phillies) dizia aos repórteres que “uma temporada na qual se consegue chegar à decisão, lembrando que é a segunda vez seguida, não pode ser considerada um fracasso”; Andy Pettitte (Yankees) falava: “As expectativas são altas por aqui. Os Steinbrenners [donos do clube] projetam metas altas. É praticamente injusto eu dizer que seria uma temporada desperdiçada se não ganhássemos a World Series [final]”.

As expectativas são altas por um motivo: muito dinheiro gasto. Desde a última vez que os Yankees perderam a World Series, para o Arizona Diamondbacks em 2001, a diretoria da franquia investe no elenco uma quantidade muito maior do que as outras equipes da liga; entre 2002 e 2008. Os Yankees chegaram a gastar, em 2005, US$ 82 milhões a mais do que a segunda equipe na categoria folha salarial / ano. Nesta temporada 2009, os pagamentos com os atletas chegaram a marca estratosférica de US$ 208 milhões / ano - 52 milhões de dólares a mais do que qualquer outro clube da MLB -, o que faz surgir comparações curiosas.

Existem 20 países no mundo que tem um PIB (Produto Interno Bruto) menor do que a folha salarial 2009 dos Yankees. Pegando só o infield titular, (foto abaixo com Mark Teixeira – 1B, Robinson Cano – 2B, Derek Jeter – SS e Alex Rodriguez – 3B), o gasto que o clube de New York tem com estes jogadores (81 milhões de dólares) daria para bancar 16 dos outros 29 clubes da liga.


Quem pode mais, gasta mais. Esta é a regra da MLB, que não usa o teto salarial como a NBA e NFL. Mas, se durante sete anos os Yankees investiram mais do que todas as outras franquias, porque venceram só agora? A resposta é conhecida por “investimento sábio”.

O diretor de beisebol, Brian Cashman, (o trocadilho “homem do dinheiro” é inevitável) quase foi demitido ano passado pelo fracasso de não ter colocado os Yankees nos playoffs. Recebeu um voto de confiança da família Steinbrenner, renovou seu contrato por três anos e atacou o mercado de agentes-livres, contratando os três principais atletas disponíveis (os arremessadores CC Sabathia e AJ Burnett; e Teixeira) gastando US$ 432,5 milhões somando as três negociações. Depois de tudo acertado, vem a pergunta: como, então, eles conseguem cobrir toda esta quantidade monstruosa de dinheiro e ainda obter lucro?

Neste caso, não existe apenas uma resposta correta, mas com certeza um sentimento pode definir o porquê: paixão. Não quer dizer que os outros 29 clubes da MLB não tenham torcedores apaixonados e/ou fiéis, porém a história com os Yankees é diferente.

Uma garrafa de cerveja – Heineken – no novo Yankee Stadium (estádio de US$ 1.5 Bilhão) custa 11 dólares (R$ 18,92); uma revista do clube custa 18 dólares (R$ 30,96); a média do valor dos ingressos - em comparação com o New York Mets, que também inaugurou um novo estádio este ano -, é o dobro mais caro que os do arqui-rival da mesma cidade. Tudo bem que alguns lugares de luxo do Yankee Stadium ficaram vazios em boa parte da temporada, mas alguém tem que pagar os salários, o estádio...

Os torcedores sabem disto e colaboram também de outras formas, comprando camisetas, bonés e produtos licenciados do clube. Esta participação dos fãs traz uma relação de cobrança maior e mais exigente, pois eles estão pagando alto por peças com a marca do clube, por ingressos e itens no estádio. Desta forma há a “obrigação” da diretoria em construir não só um time competitivo, mas vencedor – da World Series, de preferência.

E isto foi feito. As contratações foram realizadas para montar um bom elenco. Em 2009, os Yankees foram o time que mais venceu, marcou mais corridas e conseguiu mais rebatidas. Também foi a equipe que mais conseguiu defender os resultados nas entradas finais das partidas após estar à frente no placar. Resumindo: foram os melhores.

O que não é fácil, realmente. Num elenco cheio de milionários, não é difícil um tentar se aparecer mais do que o outro. No mundo dos esportes coletivos, onde é comum ver grandes equipes cheias de estrelas decepcionarem, é gratificante assistir um time que é cheio destas mesmas estrelas, mas atuar bem em campo e ser vitorioso.

O valor destes Yankees aumenta quando o MVP da final não é um jogador estrela – apesar de que Hideki Matsui é uma enorme celebridade no Japão –, quando os jogadores se divertem em campo (e fora dele também) como se estivesse jogando apenas... beisebol e quando o desacreditado treinador responde aos críticos mostrando o número da sua camisa: 27.


Joe Girardi escolheu o número 27 para se lembrar do fator mais importante na organização Yankees. Ele usou 27 nesta temporada porque queria ser lembrado como o treinador que levou o clube ao 27º título da história. Ele conseguiu. Teve erros? Sim. Falhou diversas vezes? Sim. Mas, quem é o campeão 2009 da MLB?

Literalmente no final das contas, percebe-se que valeu o alto investimento. Pelo menos neste ponto, dinheiro compra felicidade – é só ver os torcedores dos Yankees e nem precisa perguntar se eles estão felizes. O time que muitos “amam odiar” está no primeiro lugar do pódio, o que causa em muita gente um mix de revolta com inveja, com rancor, com mesnoprezo...

O principal personagem desta conquista, aquele que calculou os riscos dos investimentos e planejou tudo isto, respondeu aos críticos de forma categórica. Brian Cashman disse:

Podem nos chamar do que quiserem. Mas terão que nos chamarem de campeões também”.

Se ele conhecesse o lendário treinador de futebol Mario Jorge Lobo Zagallo, Cashman diria: “Vocês vão ter que nos engolir!”.

Na verdade, foi isto que ele quis dizer.


(GL)



© 1 David J. Phillip /AP
© 2 Brian Kersey / UPI
© 3 Kathy Willens / AP

Gilbert Arenas Modelo 2010


O velho homem ficou para trás.

A temporada 2009-10 marca o retorno de Arenas, armador do Washington Wizards, depois de perder dois campeonatos devido a lesões no joelho. Este início mostra que ele está focado em outras coisas que não seja blogar, controvérsias e polêmicas. O objetivo é fazer com que o bom elenco dos Wizards ganhe a divisão Sudeste da Conferência Leste e faça uma boa campanha nos playoffs.

A diretoria da franquia se programou para a volta do seu principal atleta e trouxe reforços. Mike Miller (ala), Randy Foye (armador) e Fabricio Oberto (pivô) chegaram para compor o conjunto que muitos consideram o melhor do Leste. Para comandar o time veio Flip Saunders, experiente treinador com passagens pelo Minnesota Timberwolves, Detroit Pistons e Seleção Americana.

No esquema tático de Saunders, baseado no ataque, o armador é peça fundamental. Arenas terá que ser em quadra uma extensão do treinador e, além de ser bastante comunicativo, terá que ser um distribuidor de jogadas e envolver os companheiros no sistema ofensivo. Por ser conhecido por arremessar primeiro e passar depois, a comissão técnica ganhou outro reforço para ajudá-lo nesta questão: Sam Cassell.

Cassell, que foi o armador dos Wolves em 2003-04 quando a equipe comandada por Saunders chegou às finais da Conferência Oeste, tem a função de auxiliar Arenas para que ele melhore seu jogo no aspecto passe – não em quantidade, mas em qualidade. Nestas quatro primeiras partidas da temporada percebe-se que Arenas estar participando mais do coletivo, deixando de ser tão individualista.

Ele, porém continua fazendo o que sabe melhor: arremessar. Esta sua ausência por duas temporadas não afetou seu jumper, que continua preciso e eficiente; graças aos treinamentos diários que ele nunca deixou de praticar – a não ser quando era vetado pelos médicos. Arenas sempre foi dedicado ao crescimento do seu jogo e aprimoramento dos seus fundamentos. O que diferencia esta temporada de outras não é só a nova abordagem em quadra, mas como ele está se relacionando com as pessoas fora dela.


Gilbert era um alvo; se os outros não o colocassem nesta posição, ele fazia questão de estar no centro das atenções (direta ou indiretamente). Isto, de certa forma, ofuscava o que ele fazia em quadra (e fora dela também), pois a mídia e os torcedores comentavam mais sobre o que ele escrevia em seu popular blog (publicado no site da NBA) do que as atuações dele em quadra. Demorou, mas ele percebeu o prejuízo de imagem que estava tendo. Talvez por falta de orientação, talvez por falta de experiência...

Arenas fazia coisas totalmente conflitantes fora de quadra: era imaturo no vestiário ao fazer “brincadeiras escolares” com seus companheiros, entretanto tinha (tem) projetos sociais maravilhosos. O tempo inativo o fez refletir e pensar sobre o que é de fato importante. Jason Kidd, armador do Dallas Mavericks, definiu esta questão brilhantemente após seu time perder para os Wizards na abertura do campeonato 2009-10:

A maturidade vem com a idade. Estar machucado às vezes nos faz pensar em outros caminhos, outras rotas. Ele ainda chamará a atenção, mas não precisará fazer nada para atraí-la ou dizer alguma coisa para consegui-la.”

Arenas agora estar quieto. Antes ele era punido por falar demais; ironicamente ele já recebeu uma multa de US$ 25 mil dólares por não falar com a imprensa nesta temporada. O foco do “Agente Zero” é jogar basquete no mais alto nível e deixar que seu jogo fale por ele. Se alguém quiser comentar sobre algo feito fora de quadra, existem belíssimas histórias para serem divulgadas ao grande público – e não estamos falando de coisas supérfluas.

Ele faz parte do programa “NBA Fit”, que chama a atenção sobre a importância da educação física e da boa alimentação para combater a obesidade infantil. Ele doará US$ 150 por cada ponto marcado em casa para escolas da grande Washington (o dono da franquia, Abe Pollin, doa a mesma quantia pelos jogos fora de casa). Ele é mentor de um garoto que, com 10 anos de idade, perdeu os pais em um incêndio (o menino trabalha como gandula no clube). Ele criou uma fundação chamada “Zero 2 Hero” (tr. De Zero à Herói) que arrecada fundos para sustentar programas de auxílio a crianças sem-teto; serve também para incentivar a adoção.


“De Zero à Herói”. Uma boa definição para Arenas. Criado sem a mãe, morou com seu pai por uns anos, quando criança, em um estacionamento (dormindo dentro de um carro) na cidade de Los Angeles. Quando chegou à escola teve alguém que o apoiou: Sra. Maggie Foster. Foster (que significa adotivo) é um nome bastante sugestivo, porque ela recebeu Arenas em sua casa diversas vezes e o colocou em escolhinhas de basquete para que ele pudesse ter algo que fazer, ao invés de ir para as ruas.

“De Zero à Herói” é também bastante sugestivo para Arenas, pois quando chegou na tradicional universidade de Arizona, então treinada pelo lendário Lute Olson, disseram a Gilbert que seu tempo em quadra seria zero. Ele mudou o número de sua camisa (era 25 na escola) e passou a vestir “0”, usando uma crítica para servir de inspiração, o motivando a mostrar que é capaz de estar em quadra por mais do que míseros zero segundos.

Do “velho” Arenas uma coisa é boa de se extrair. Ele escreveu em seu blog certa feita que “Quando eu sair da NBA, não quero que meu legado seja: ‘Vencedor de um campeonato’. Quero que seja assim: ‘Ele jogou para e pelas pessoas, dando esperança para que possam ser igual a ele’”. Sua atitude mudou com o tempo e ele está mais responsável. Sabe que tanto o sucesso, quanto o fracasso do Washington Wizards será creditado a ele: o principal jogador da franquia.

Resta saber se será para sempre esta transformação, ou até quando vai durar este “renascimento do novo EU”.


(GL)



© 1 por Douglas Sounders
© 2 Ned Dishman / NBA / Getty Images