O Lucro e o Descrédito


A notícia primeiramente revelada na semana passada pela agência de notícias Associated Press, via sigilosos documentos oficias, informou que o Pittsburgh Pirates lucrou 29.4 milhões de dólares juntando as temporadas de 2007 e 2008, causando um furor nos torcedores do clube que não aguentam ver seu time constantemente dando vexames em campo.

Fazendo uma análise fria e apaixonada, logo se entende que os diretores/sócios/donos ficaram com boa parte desta grana feita, mesmo com o time sendo um dos piores da MLB. Porém ao estudar os números com racionalidade, levando em consideração a explicação da diretoria, é possível chegar a conclusão que nenhum dinheiro foi desviado.

Primeiro é preciso compreender que por mais que os fãs tenham uma parcela indireta nas finanças da franquia (compra de ingressos, produtos licenciados, etc.) a entidade é privada e, como qualquer outra empresa, não tem a obrigação de tornar público balanço de custos e arrecadações. Alguém de dentro da MLB vazou estes documentos para a AP e os Pirates responderam os questionamentos mais agudos acerca desta polêmica, procurando esclarecer as principais dúvidas.

Uma delas trata sobre a distribuição de 20.4 milhões de dólares para parceiros da franquia. Parte do dinheiro, cerca de US$ 11 milhões, foi destinado para pagar taxas federais e estaduais de indivíduos membros do corpo acionista (donos) referente ao ano fiscal de 2006 e 2007. Robert Nutting, dono majoritário dos Pirates, assumiu o posto em 2007 e mudou o estatuto do clube em relação ao pagamento de taxas individuais, embora o IRS (departamento do governo americano que fiscaliza a renda da população) exija que corporações paguem as taxas de seus respectivos donos. Por os Pirates serem na essência uma parceria formada com certas limitações, Nutting (foto abaixo) modificou essa obrigação dizendo que tal ação não é automática para uma empresa nesta determinada situação; a outra parte da específica distribuição, cerca de US$ 9 milhões, foi devolvida a família Nutting por empréstimos feitos ao clube em 2003.


A MLB aprovou todas as contas dos Pirates dos anos bases 2007 e 2008. Mesmo os documentos mostrando que os donos do clube não receberam nada pelo lucro produzido (desconsidere o recebimento do dinheiro emprestado, depósito automático datado na época quando ele se realizou), foi necessário também explicar de forma mais clara que isto de fato aconteceu. Os argumentos de Frank Connelly, presidente da franquia, esclareceram algumas coisas importantes sobre o mundo do clube e em qual direção a equipe se dirige.

Houve uma explanação sobre os investimentos da diretoria na reestruturação do elenco. Apesar de ser uma frase dita há muito tempo, os Pirates, segundo Connelly, está a meio caminho de se tornar um clube competitivo. Entrando no começo desta temporada o time tinha a menor folha salarial da MLB (US$ 34.9 milhões), já utilizou 46 jogadores (até 29/08), está prestes a chegar a derrota de número 100... Como assim se tornar competitivo?

Veja o San Diego Padres. Tinha no começo do ano a segunda menor folha de pagamento e é o atual líder da dificílima divisão Oeste da Liga Nacional. A projeção é que os Pirates elevem a folha salarial para próximo dos US$ 80 milhões se igualando perto do que gastam os Brewers e os Reds, rivais da divisão Central (LN). É algo que já vem sendo feito com as divisões de base e com os novatos contratados pela organização.

Os Pirates é um dos times que mais gastam com assinatura de jovens atletas. As mais recentes aquisições foram nesta frente pagando US$ 6.5 milhões de bônus para o arremessador Jameson Taillon – um valor recorde para a franquia; US$ 2.25 milhões de bônus para o arremessador Stetson Allie; e US$ 2,6 milhões de bônus para o arremessador mexicano Luis Heredia (de apenas 16 anos de idade). Outra questão surge: com todos estes bônus, os Pirates terão condições de assinar uma escolha numero 1 do draft? Conelly diz que sim e isso pode acontecer em 2011.

Claro que não é só de jovens que se faz um bom time de beisebol. Uma fonte de bons jogadores é o mercado de agentes livres e os Pirates, ao contrário da visão mais comum, não têm realizado um trabalho tão ruim assim. Se for elaborada uma lista dos jogadores que o clube perdeu para outros clubes por não ter condição ($) de assinar, dará uns dois times completos. Nestas mais recentes transações foram perdidos nomes como Jason Bay, Jose Bautista (foto abaixo, atual líder da MLB em HR), Nate McLouth e Matt Capps. Entretanto muita “bomba” foi passada para frente, evitando gastar muito com jogadores que pouco acrescentariam. O ideal é seguir os exemplos dos Texas Rangers e Tampa Bay Rays que contratam com uma precisão cirúrgica, porque não desfrutam de uma grande folha salarial; o que faz diminuir a margem de erro.


Caso seja feito um trabalho bem executado, os Pirates podem voltar a disputar vagas nos playoffs, ou ao menos vencer mais jogos do que perder. Basta continuar a levar seriamente este projeto que a diretoria tem em mãos. Talvez seja muita ingenuidade, mas é possível ver sinceridade no posicionamento de Connely e de Nutting enquanto ao processo de reformulação do clube (ambos estão juntos em Pittsburgh desde 2007), Aqueles torcedores mais otimistas estão esperando fechar a janela de seis anos, determinada pelos dois, para colocar um time forte em campo. Como dito anteriormente, meio caminho foi percorrido.

A desconfortável notícia do vazamento de documentos confidenciais causou uma reação raivosa dos que se importam com a franquia por verem números tão discrepantes. Contudo uma breve explicação dos chefes detalhou o que verdadeiramente ocorre, elucidando termos e condições que só pessoas com conhecimento fiscal e/ou administrativo conseguem destrinchar – talvez também seja este um dos motivos para que tais papéis não sejam publicados, podendo levar a uma distorção da interpretação dos números.

O que o torcedor dos Pirates quer saber é quando o time vai deixar de perder, quando o time vai voltar a ser vencedor. A diretoria aproveitou o momento e explicou a quantas anda o processo de revitalização da franquia dando sustentação a popular frase: há males que vem para o bem.




(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 por Pigiron

© 2 Doug Pensinger / Getty Images

Eles Também Contracenam

O velho ditado diz que atletas, na verdade, querem ser artistas e que artistas querem ser jogadores. E quantas pessoas fizeram esta transição!

Na imensa variedade de filmes sobre os esportes americanos, vemos que muitos atores se dão bem quando encarnam uma personagem que possui habilidades atléticas. E quando acontece o contrário e jogadores fazem as vias de atores? Bem, talvez o resultado não seja tão satisfatório.

O heroísmo de Shaquille O´Neal em Kazaam e Steel não foi lá grande sucesso – quer dizer, o pivô/rapper recebeu uma indicação ao prêmio Razzie por Steel, na categoria Pior Ator. Outro astro da NBA arriscou uma aparição na grande tela e Space Jam agradou ao público em geral sendo um sucesso de bilheteria. Todo mundo queria ver Michael Jordan junto com Pernalonga, Frajola, Patolino, Lola...

Outro (mais um!) grande astro da NBA vai apostar suas fichas no cinema. Em férias, LeBron James irá gravar neste meio de ano o filme Fantasy Basketball Camp onde ele é o protagonista. Será um filme sobre basquete que tem um verdadeiro jogador de basquete como ator principal e que faz um papel de jogador de basquete.

Claro que não são só os caras da NBA que estão por aí fazendo filmes e tudo mais. Jogadores das outras ligas têm sua parcela nos cinemas e na TV também. Por isso, para encerrar os Especiais de Agosto, veremos alguns bons destaques, nomes da MLB, NFL e NBA que já se apresentaram frente às câmeras.


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No Esporte: Tem dois títulos da World Series: um pelo Saint Louis Cardinals (1982) e outro pelo New York Mets (1986). Foi 5 vezes para o Jogo das Estrelas e MVP da Liga Nacional em 1979 com os Cardinals. Encerrou a carreira com o Cleveland Indians em 1990.

Na TV: Teve uma memorável participação em Seinfeld no episódio “The Boyfriend [1992]” Apareceu também no último episódio da série.

Deve ser difícil fazer um papel de si mesmo, mas Hernandez se deu bem na sua atuação no episódio especial (duas partes) da terceira temporada. Seinfeld encontra o jogador num vestiário e recebe um elogio de Hernandez pelo trabalho como comediante. Os dois passam a se conhecer, mas Seinfeld se enrola no cuidado da amizade e age como se Hernandez fosse seu namorado.

Jerry Seinfeld, tanto no seriado como na vida real, é fã dos Mets. Nesta temporada ele se reencontrou com Keith na transmissão do jogo dos Mets contra o Detroit Tigers (dia 23 de Junho). Hernandez, que é comentarista da equipe nova-iorquina pela TV SNY, relembrou do episódio e outras coisas durante quatro entradas que Seinfeld participou – ele tem uma cadeira de luxo reservada com seu nome no Citi Field.


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No Esporte: Atualmente defende o Boston Celtics e foi campeão em 2008. Já passou pelo Milwaukee Bucks e Seattle SuperSonics. Participou de 9 Jogos das Estrelas.

No Cinema: Fez uma ponta em Jogo Perigoso [2001]. Mas seu principal destaque foi em Jogada Decisiva [1998], contracenando junto com Denzel Washington.

Você já pode ter assistido a este filme em uma das sessões de cinema do canal SBT. Jogada Decisiva mostra Jesus Shuttlesworth [Allen], um habilidoso jogador de basquete universitário, numa relação conturbada com seu pai Jake [Denzel].

O filme tem um bom desenrolar e a história flui num tom satisfatório – a direção fica por conta de Spike Lee. É possível notar que Allen contracena bem em situações nas quais não está com a bola em mãos e que Denzel mostra habilidades em quadra numa cena quando disputa um duelo contra o jogador da NBA; Denzel jogou basquete na Universidade Fordham e foi treinado por PJ Carlesimo, hoje assistente técnico do Toronto Raptors.




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No Esporte: Jogou pelo New York Giants em todos seus 17 anos na NFL. Foi o melhor defensor em 2001, campeão do Super Bowl em 2007 e esteve em 7 Pro Bowls.

Na TV: Era um dos atores principais da série Brothers [2009] do canal FOX – show cancelado após a primeira temporada.

Apesar de apenas 13 episódios, Brothers teve sua impotância. Depois de muito tempo uma série, na TV aberta americana, tinha afro-americanos como personagens principais. Contava a história de um jogador de football aposentado [Michael Strahan] que volta a morar com sua mãe por ter perdido todo seu dinheiro – Strahan não fazia o papel de si mesmo.

O programa teve vários problemas e um deles foi não encontrar um horário ideal de exibição. Puxando meia hora pra cá, meia hora pra lá, mudando de dias... Foram 7 alterações no total, sempre transitando no horário nobre da sexta ou do domingo. A FOX não tem uma vasta tradição em seriados cômicos (só ganhou dois Emmys), mas Brothers não manteve o padrão do humor de super sucessos da rede como Family Guy, The Simpsons e Glee.


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No Esporte: Começou sua carreira na NBA com o Boston Celtics. Em 1997 foi para Los Angeles jogar com os Lakers e ganhou três títulos por lá: 2000. 01 e 02.

No Cinema: Harry em Meet The Browns [2008], Fabrizio em Para Tudo há uma Primeira Vez [2006], entre outras.

Na TV: Dwayne em 2 episódios de Ugly Betty [2007], Daunte em 5 episódios de Lances da Vida [2006], David em 6 episódios de Love, Inc. [2005-06], Jackson Vahue em 11 episódios de OZ [1997-2003], entre outras.

A personagem que colocou Fox definitivamente em Hollywood foi Jackson Vahue em OZ. Depois de alguns anos ele fez a transição drama-comédia e apareceu muito bem em Ugly Betty (versão americana de Betty, a Feia). Ser destaque em papéis tão distintos é um sinal de que ele é um ator. Ponto Final.

A partir do próximo dia 13 de Setembro Rick Fox entra em outra fase, digamos mais melodramática. Ele está no elenco da segunda temporada de Melrose Place (continuação de uma antiga série chamada, aqui no Brasil, de Barrados no Baile). Esta nova versão foi cancelada após sua primeira temporada, mas o canal que a exibe nos EUA (The CW) resolveu renovar por mais um ano. A personagem de Fox será o novo dono da boate COAL. Por aqui o seriado é exibido pelo canal a cabo SONY.


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No Esporte: Jogou como DE ou LB em quatro diferentes times na NFL: Los Angeles Rams (1991), San Diego Charges (1993), Washington Redskins (1995) e Philadelphia Eagles (1996)

No Cinema: Hale Caesar em Os Mercenários [2010], Agente 91 em Agente 86 [2008], Terrence em Os Reis das Ruas [2008], Latrell Spencer em As Branquelas [2004], Black Stones em Dia de Treinamento [2001], entre outras.

Na TV: Seu trabalho atual é Nick Kingston na série Are We There Yet? (adaptação do filme Querem Acabar Comigo). Sua personagem mais conhecida é Julius em Todo Mundo Odeia o Chris [2005-2009]

Antes do sucesso na TV, Crews recebeu boas avaliações pelo seu hilário papel em As Branquelas. Porém não há como o desassociar do excessivamente pão-duro e amável Julius, pai do Chris no seriado Todo Mundo Odeia o Chris – exibido no Brasil pela Rede Record.

Sua carreira de ator é bem administrada, conseguindo bons trabalhos tanto no cinema quanto na TV. Seu filme mais recente é Os Mercenários (em cartaz nos cinemas) onde ele divide cenas com mega-astros de filmes de ação; esteve por aqui para filmar algumas tomadas e aceitou um convite para fazer uma aparição “meia-boca” no Casseta & Planeta da Rede Globo (começo de Maio).

Crews está num projeto televisivo que promete ser outro sucesso. A série Are We There Yet? do canal TBS renovou, após uma temporada, para mais de 90 episódios (o que dá mais cinco ou seis temporadas). Veremos se Crews irá conseguir fazer com que Nick substitue em representatividade seu papel como Julius.

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Extra:

The Simpsons – Episódio "Homer at Bat [1992] "

No desenho acima, além de Homer e Sr. Burns, estão nove (ex) jogadores da MLB que participaram do episódio número 52 – 3ª temporada. Da esquerda pra direita, em sentido horário, estão Don Mattingly, Jose Canseco, Darryl Strawberry, Roger Clemens, Ken Griffey Jr., Mike Scioscia, Wade Boggs, Ozzie Smith e Steve Sax. Todos eles fizeram as vozes dos seus respectivos personagens.

Os funcionários da usina nuclear de Springfield decidem se inscrever para um campeonato de softball. O time consegue avançar até as finais graças as boas atuações de Homer com o bastão; ele diz que o seu taco é mágico. Ao chegar na decisão, o Sr. Burns faz uma aposta de um milhão de dólares com o rival, time da empresa nuclear de Shelbyville. Não querendo perder o jogo, Sr. Burns encarrega seu assistente, Waylon Smithers, para contratar os melhores jogadores de beisebol do momento.

O episódio é considerado um dos melhores de todos os tempos da série e foi um dos primeiros a atingir uma grande audiência, suficiente para chegar ao primeiro lugar no dia da estreia.



(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 Fox Media Co.
© 2 por Kenneth Dolin
© 3 TBS Media

Especiais de Agosto


06/08: Eles Também Cantam
13/08: Eles Também Administram
20/08: Eles Também Governam/Legislam

Jogo dos 5 Erros


Valor. Esta palavra, nas suas mais variadas flexões, circunda as mentes dos membros da diretoria e da comissão técnica do Washington Redskins. Tudo pensando em Albert Haynesworth (foto acima), jogador que custou milhões aos cofres do clube e que não demonstra dedicação, comprometimento, vontade. Valeu fechar um contrato de US$ 100 milhões por 7 anos? Vale a insistência em tentar fazê-lo focar no coletivo?

Não é de hoje que Albert age de forma intransigente, só pensando em si. Traços de um individualismo medíocre que vem desde o tempo da escola no estado da Carolina do Sul. Na transição entre o ano de júnior e o de veterano ele se apresentou acima do peso e desinteressado no seu time, visto que ele já tinha assegurado uma bolsa de estudos para atuar na NCAA.

O mesmo se repetiu neste ano, quando o talentoso defensor não se apresentou com o porte físico ideal na preparação para a temporada 2010. Por mais que ele tenha tido uma perda de 15kg em relação a 2009, não era considerado satisfatório pela comissão. Ao fazer os testes básicos de condicionamento físico, foi reprovado. Recebeu uma ordem do treinador Mike Shanahan que só iria treinar se passasse na avaliação. Depois de muitas tentativas Haynesworth cumpriu a meta estabelecida pelo preparador da equipe, mas nada impediu que muitos questionassem a falta de responsabilidade de um atleta que, nos primeiros 13 meses de contrato com os Redskins, recebeu 35 milhões de dólares. Como pode um jogador profissional falhar em um simples teste? Como pode alguém que ganhou uma quantia enorme de dinheiro não se preparar adequadamente para exercer sua profissão?

A ira chegou ao ponto de muitos jornalistas e comentaristas, principalmente os ex-atletas da NFL, fazerem a mesma prova designada à Albert. Para a surpresa de poucos, todos os que aceitaram o desafio passaram. A finalidade era exemplificar que se alguém que não é um jogador profissional conseguiu completar o teste dentro do tempo padrão, aquele que é profissional deveria se envergonhar por não ter conseguido.


Haynesworth se defendeu usando um diagnóstico que reporta uma doença em seu corpo chamada rabdomiólise, que ataca os músculos gerando um desgaste acima do normal, além de afetar os rins, podendo causar uma grave infecção renal. Por mais que possa soar sério, é possível amenizá-la com a ingestão de líquidos. Não cuidar do corpo pode ter agravado o estado da doença, porém por ter jogado no último sábado ele deve estar recuperado. Para não voltar a sentir uma fadiga desproporcional, basta se manter em forma, saudável e hidratado.

A birra de não aparecer nos treinamentos iniciais (voluntários) foi um dos outros equívocos de Albert. Uma das alegações dele era não concordar com o novo sistema defensivo da equipe que irá utilizar 3 jogadores na linha de defesa ao invés de 4 como no ano passado, o que cria uma mudança de posição passando de DT para NT. Justamente por haver esta transição é que era preciso mais treinos e mais estudos táticos para se adaptar ao novo esquema, entretanto não foi assim que Albert encarou a situação e somadas as constantes reprovações nos testes físicos, desperdiçou muitas oportunidades para aprender um pouco mais.

Ele ainda está treinando com a segunda equipe defensiva. Só na semana passada ele perdeu três dias de treinamentos e nas contas de Jim Haslett, coordenador defensivo, o camisa 92 só participou de 6 dos mais de 40 treinos da equipe. Para recuperar a posição de titular e se encaixar na nova tática defensiva será necessário muito treino em um alto nível, sem contar os jogos da pré-temporada.

Na mais recente partida de preparação no último sábado, Albert participou por volta de vinte jogadas na posição de NT. Após o jogo ele se rebelou dizendo aos repórteres que achou um absurdo entrar no segundo tempo do jogo e enfrentar jogadores de uma categoria mais baixa. Não fez questão de externar qualquer arrependimento pelo comportamento nesta pré-temporada e afirmou que ano que vem fará a mesma coisa. Não aceitar ordens é outro erro de Haynesworth e causou uma indignação nos veteranos do time, principalmente do LB London Fletcher.

Fletcher teve uma conversa particular com Albert e o teor foi que o time está pronto para seguir em frente, com ou sem o camisa 92. O posicionamento de Fletcher condiz com o restante do grupo que está cansado de responder diariamente perguntas sobre um cara que nem parece fazer parte de um time.

Não satisfeito em incitar uma ira dos seus companheiros, ele extrapola e briga com seus superiores: o treinador e a diretoria. Na mesma entrevista pós jogo de sábado passado, Haynesworth insinuou que a franquia quer lhe causar uma má impressão perante à imprensa e aos fãs, dizendo inverdades sobre seu condicionamento físico. Disse também que não se agradou de ser usado somente no segundo tempo da partida.


Shanahan (foto acima) resolveu pôr um fim a este assunto, deixando todas as diretrizes claras ao seu jogador mais problemático e entraram num acordo de não mais comentar nada via mídia. O que ficou evidente é que se Albert não treinar e não render o esperado, não joga: simples assim. Shanahan já teve uma experiência similar como esta em 2006 quando treinava o Denver Broncos e tirou a titularidade do QB Jake Plummer por ele não se dedicar aos treinos – o promovido foi o então QB novato Jay Cutler.

Os Redskins foram agressivos para adquirir o defensor que interessava a muitos clubes. Gastou muito dinheiro e pouco tempo, pois entraram num acordo em pouco mais de seis horas de abertura da janela de negociações de 2009. Agora, será que foi uma boa contratação? Não há dúvida que Albert goza de habilidades excepcionais, aliando força e velocidade num corpo gigantesco. Contudo, o que fazer com os problemas fora de campo, vale a pena buscar soluções? A certeza é que os dois lados precisam se acertar por mais que, nesse caso, a maior responsabilidade seja do jogador, que precisa receber um sinal de despertar para enxergar os equívocos e corrigi-los.



(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 John McDonnell
© 2 AP Photo

Cicatriz no Rosto, Ferida Aberta e Vida Transformada


Bebida alcoólica... raiva... agressão... Consequências que levam a uma encruzilhada com somente dois caminhos finais: à destruição ou ao arrependimento.

Ano passado Miguel Cabrera (foto acima), 1B do Detroit Tigers, percorreu esta perigosa rota. Uma tragédia poderia ocorrer, mas uma briga foi suficiente para lhe levar até a direção da mudança. O resultado foi que os que vivem a sua volta ganharam um novo homem, um melhor pai, um melhor marido, um melhor jogador.

Cabrera, desde seu início na MLB, lidou com problemas em relação à bebida. Quando ainda estava no Florida Marlins, foi suspenso duas vezes (uma em 2005 outra em 2007) por chegar atrasado em jogos de dia – o que quer dizer que a noite foi longa... Seus companheiros sempre o alertavam sobre o excesso na farra. Muitos estavam com ele nos bares por aí, porém Cabrera abusava. O triste é que a pessoa afetada não percebe que está numa delicada situação.

Geralmente o quadro é revertido quando algo de grave acontece e uma luz ilumina o que está escuro, logo percebendo a real posição que se encontra. No final da temporada 2009, num momento crucial para os Tigers, Cabrera chegou no ponto mais agudo da sua caminhada. Após um jogo contra o rival de divisão Chicago White Sox, ele foi se divertir com os jogadores adversários, saíram para beber. Enquanto uns apreciaram com moderação, o venezuelano novamente não leu o aviso. Novamente chegou tarde em casa. Novamente houve uma discussão.

Sua esposa, Rosangel, fez a pergunta corriqueira: “Onde você estava para chegar em casa às 6 da manhã!” Embriagado Cabrera escutou o “desaforo”, mas não ouviu. O bate-boca foi intenso até socos surgirem e ambos serem feridos; Miguel teve um corte na cabeça e no lado esquerdo do rosto - abaixo do olho. Ela prontamente foi à delegacia de polícia prestar queixa pela agressão e Cabrera prontamente compareceu. Nenhuma acusação foi arquivada ou levada adiante, porém as poucas horas que ele ficou detido foram a medida exata para cair na real.

As péssimas performances na sequência também contribuíram. Nos dois jogos restantes da série contra os White Sox, Miguel não rebateu nada (0 em 7 tentativas). Os Tigers perderam a liderança da divisão e tiveram que fazer um jogo de desempate contra os Twins por uma vaga nos playoffs. O time de Minnesota venceu a partida extra e Cabrera recebeu em sua conta a responsabilidade da eliminação da sua equipe.

Então ele despertou e se posicionou de maneira correta: assumiu que tinha um problema com bebida e foi atrás de apoio. De diretores da franquia até amigos mais íntimos, todos que viviam ao redor de Cabrera se propuseram a ajudá-lo. Passou três meses numa clínica de reabilitação para viciados em bebidas alcoólicas, dias que lhe serviram como renovação de energia, criando nele uma nova mentalidade para não repetir a cena de horror daquela manhã quando o álcool no seu sangue (0.26) estava três vezes acima do limite permitido para dirigir nas ruas de Detroit.


O ato de buscar um auxílio deu certo. Hoje ele tem um melhor relacionamento com sua mulher e com sua filha; tem um melhor relacionamento com o jogo. Percebeu que não precisa da bebida para se divertir, para aliviar a tensão. Descobriu que simples autógrafos para crianças podem proporcionar uma satisfação imensa. Os admiradores do bom beisebol agradecem.

Todos diziam sobre Cabrera a mesma coisa: se ele fosse mais consciente, seria muito mais produtivo. O simples fato de não ir à baladas, chegar cedo em casa e estar disposto para os jogos diurnos, trouxeram uma melhora substancial nos seus números. É o líder da MLB em OPS, estatística que melhor define um rebatedor, e segundo colocado em aproveitamento com o bastão - nestas duas categorias ele disputa a primeira posição contra Josh Hamilton do Texas Rangers, que também teve seus problemas com bebidas. Além disto Cabrera tem mais RBI (106) do que todos os outros jogadores e está em segundo em HR´s (31) – o líder é Jose Bautista do Toronto Blue Jays com 38.

O passado só deve ser lembrado pelo lado positivo. As coisas ruins que aconteceram devem ser analisadas como superadas e Cabrera faz isto quando ouve dos torcedores rivais impropérios sobre o comportamento que tinha quando agia influenciado pelo álcool. Com a meta de não se prejudicar, ele absorve os insultos como motivação para se tornar um melhor jogador. Tentam o desconcentrar ou fazê-lo ficar com raiva, mas não conseguem. Notam que a investida para tirá-lo do eixo não foi bem sucedida quando Miguel começa a fazer o que sabe de melhor: rebater bolas para todos os lados do campo.

A habilidade dele é excelente. Embora jogue mais vezes num estádio que favorece os arremessadores (Comerica Park), Cabrera consegue desempenhar seu papel muito bem na 4ª posição na ordem de rebatedores (conhecida como “limpa as bases”). Justamente quando está com o bastão e algum companheiro está nas bases, seu aproveitamento eleva: .345 quando jogadores estão em posição para marcar (na 2º e/ou 3ª base); e .417 quando as bases estão cheias.

Uma característica forte do jogo de Cabrera é rebater a bola do lado oposto – por ser destro, entre a 1ª e 2ª base. Isto ele aprendeu quando criança com um tio que o levava para treinar rebatidas. Toda vez que o garoto não conseguisse jogar a bola no lado oposto, tinha que correr uma volta no infield. Para evitar a punição, lá ia as bolas como seu “treinador” ordenava. Em um dos primeiros momentos importantes de Cabrera na MLB, demonstrou que as aulas da infância deram resultados.

No jogo 4 da World Series de 2003 contra o New York Yankees, o jovem de 20 anos de idade, enfrentou Roger Clemens, um dos melhores arremessadores da história* Um míssil para o lado oposto foi rebatido = HR (vídeo abaixo).



Hoje ele está com 27 anos e pode terminar esta temporada com seus melhores números em oito anos de carreira: projeção final de 41 HR´s e 134 RBI, além da melhor marcar em .BA e OPS. Se os Tigers fossem aos playoffs, Miguel seria um candidato sério para o prêmio de MVP da Liga Americana. Apesar de que ainda falta muita coisa para se conquistar e três anos para ele atingir a idade que muitos acreditam ser o pico para os jogadores de beisebol. Até lá, e depois também, sua estrada está bem pavimentada para levá-lo ao mais alto ponto possível, onde uma ajuda da bebida não é bem vinda. Basta um sorriso, paz e amor a si mesmo.



(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 The Detroit News Media
© 2 Hannah Foslein / Getty Images

Eles Também Governam/Legislam

Atletas se envolvem com política constantemente, seja em opiniões partidárias ou em doações para campanhas. Alguns, porém, chamam para si o poder e entram noutro jogo que é mais nobre do que sua ex-atividade, porém também é mais sujo, corrompido e cheio de lobby.

Uma das características principais para se ter sucesso no jogo da política é carisma. Muitos esportistas têm esta virtude de sobra por sempre estarem na mídia e defenderem clubes de grande torcida. Esta simpatia é usada como forma de maquiar um possível desconhecimento dos assuntos políticos e, logo, é a chave para aumentar a popularidade. Outros são pessoas de renome e tem o adicional de serem inteligentes, formados nas melhores universidades e prontos para exercer fielmente o cargo assumido.

Por mais que os Estados Unidos tenham vários partidos e um neutro (Partido Independente), o destaque vem quando há o posicionamento em um dos dois lados mais fortes: direita ou esquerda. Mesmo que alguns jogadores não saibam o significado destes termos, a maioria se diz de direita. Os opostos de propostas, abordagem política e fundamentos ideológicos são representados por dois predominantes partidos: o Republicano (direita) e o Democrata (esquerda). Para saber como se posiciona os atletas/políticos aqui citados, veja um pouco do que representa cada partido.

Partido Republicano: Fundado em 1854 por ativistas abolicionistas, eles tinham uma atitude, na época, de expansão e se tornaram populares. Ao passar dos tempos este pensamento se modificou e o partido é o símbolo do conservadorismo da direita clássica. Acreditam no mercado livre e na prosperidade individual. Os setores da sociedade que comumente se associam com o partido são os profissionais liberais e os empresários. Os mais famosos presidentes republicanos foram Abraham Lincoln, Theodore Roosevelt, Richard Nixon, Ronald Reagan e George W. Bush.

Partido Democrata: Defendem uma intervenção maior do governo na economia. A base de apoio vem das classes menos favorecidas, grupos da minoria racial e classes sindicais. Assume ideias socialistas e tomam medidas para agradar a população. Os mais famosos presidentes democratas foram Andrew Jackson, Woodrow Wilson, John Kennedy e Bill Clinton. É o partido do atual presidente americano: Barack Obama.

2010 é também ano de eleição nos EUA. Abaixo estão dois ex-atletas que vão concorrer ao pleito do dia 2 de Novembro; um que termina sua carreira no final deste ano; um que é atual prefeito e outros dois que já deixaram a política, mas que marcaram muito enquanto exerciam cargos públicos.


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No Esporte: Jogou em 16 temporadas na NBA por cinco times: Cleveland Cavaliers, New Jersey Nets, Portland Trail Blazers (duas passagens), New York Knicks e Phoenix Suns.

Na Política: É o candidato do Partido Republicano ao governo do estado de Oregon.

A missão de Dudley é uma das mais difíceis nesta eleição: vencer um ex-governador num estado que teve o último Republicano eleito em 1982 e historicamente é Democrata – Obama, por exemplo, venceu por uma vantagem de 16% em Oregon nas eleições de 2008. Porém o ex-pivô vem angariando muito apoio e a última pesquisa mostra ele na frente do seu rival por 2 pontos percentuais,

O que não falta para Dudley é ajuda financeira; mais de um milhão e meio de dólares arrecadados. Entre os financiadores estão os ex-jogadores Terry Porter e Clyde Drexler; David Stern, comissário da NBA e Phil Knight, presidente da Nike (que tem sede na cidade de Portland, estado de Oregon). Tem como principais propostas diminuir as taxas para empresas e reduzir o gasto governamental. Um dos desafios é diminuir o alto índice de desemprego do estado: 10%.

Seu passado lhe dá base para o que é hoje: formado em Ciências Políticas pela tradicional Universidade Yale.

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No Esporte: É um dos 20 arremessadores na história da MLB que conseguiu um Jogo Perfeito. Em 17 anos de carreira foi sete vezes para o Jogo das Estrelas e entrou no Hall da Fama em 1996.

Na Política: É Senador pelo estado de Kentucky (mandato até 2010) – esta é a sua segunda legislatura. Foi deputado federal por 12 anos.

Não concorre este ano por ter arrecadado pouco dinheiro para a campanha. Chegou a hora de ele largar a política – o sexto Senador mais velho da atual legislatura. É um ferrenho opositor do governo Obama e partidário da extrema direita. Na votação do orçamento 2010 ele obstruiu uma proposta de US$ 10 bilhões destinados ao seguro-desemprego. Esperneou, fez alarde, mas não venceu.

Bunning é conhecido pela sua atuação na investigação contra o uso de esteróides na MLB. Porém só por isto ele é conhecido. A revista Time (de mentalidade esquerdista) o elegeu como um dos cinco piores Senadores dos EUA. Recentemente ele foi manchete nos cadernos de esportes ao criticar o “cuidado exagerado” em relação a contagem de arremessos de Stephen Strasburg, jovem arremessador do Washington Nationals.


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No Esporte: Foi a terceira escolha do Washington Redskins no draft de 1994. Teve uma carreira curta na NFL, jogando até 1997.

Na Política: É deputado federal, por dois mandatos, pelo estado da Carolina do Norte. Concorre a reeleição neste ano.

Vem perdendo espaço e as últimas pesquisas indicam o rival Jeff Miller (R) na frente por uma pequena margem. Embora tenha vencido a eleição distrital de 2008 com 61.8%, sua região eleitoral foi favorável a John McCain, candidato republicano à presidência. Com a baixa de popularidade de Obama, a tendência é os Republicanos terem mais representantes na Câmara e Shuler pode sair derrotado em sua terceira disputa.

Ele é defensor do meio-ambiente e encaminhou diversos projetos acerca desta questão. Para seu distrito, Shuler trouxe empresas de biodiesel e busca colocar o estado como líder em produção de energia renovável.


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No Esporte: Participou de 3 Jogos das Estrelas da NBA; jogou 14 anos na associação defendendo apenas dois clubes: Phoenix Suns no final da carreira e Cleveland Cavaliers no começo, time que o escolheu na 7ª escolha no draft de 1987. Foi campeão mundial de basquete em 1994.

Na Política: É o prefeito de Sacramento, cidade do estado da Califórnia, desde 2008 (mandato até 2011).

Antes de entrar na política, Johnson foi ativo em trabalhos comunitários na cidade de Sacramento, o que lhe tornou mais popular. Em 2008 foi eleito com 57.4% dos votos e embora seja o 55º prefeito do município, é o primeiro natural da cidade e o primeiro afro-americano. Sua principal característica é estar sempre em contato com a população, andando nas ruas e ouvindo as reclamações dos habitantes. Mensalmente ele marca um encontro mais formal com os moradores, como aconteceu ontem à noite. Johnson reúne seus secretários e juntos respondem as dúvidas de qualquer pessoa que participe do evento.

A cidade passa por uma dificuldade imensa em relação à economia. Obama criou um pacote de estímulo para revigorar a atividade econômica em cada estado. Califórnia ficou com US$ 85 bilhões e Sacramento recebeu sua parte, US$ 1.1 bilhão, no último mês de Junho.


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No Esporte: Quarterback, jogou nas antigas NFL (Pittsburgh Steelers / 1957) e AFL (Charges de 1960 a 1962; e Buffalo Bills de 1962 a 1969). Foi campeão em 1964 e 65, levando o prêmio de MVP no último título.

Na Política: Deputado federal pelo estado de New York de 1971 até 1989. Foi secretário no governo do presidente George Bush (1990-1993) e concorreu como vice-presidente na chapa de Bob Dole em 1996 contra Bill Clinton. Morreu em 2 de Maio de 2009.

É um dos mais importantes nomes do Partido Republicano das últimas décadas. Era considerado um símbolo do conservadorismo e, nas eleições presidenciais de 2008, ficou ao lado de Sarah Palin; para ele, McCain era “muito esquerda”.

Durante sua carreira política, nunca houve acordo entre seu real desejo e suas ações. Queria ajudar os menos favorecidos, contudo seus projetos e medidas faziam os ricos ficarem mais ricos e os pobres mais pobres. Enquanto foi deputado, se favoreceu por só um legislatura presidencial Democrata (Jimmy Carter, 1977-1981) estar em vigor durante seu período na Câmara e quando saiu de lá entrou no governo Bush.


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No Esporte: Ganhou, com a seleção americana de basquete, a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio (1964). Atuou na Itália (Olimpia Milano) e na NBA (New York Knicks). Sua camisa número 24 está aposentada nos Knicks.

Na Política: Durante 18 anos foi senador pelo estado de New Jersey – de 1979 a 1997.

Bradley é graduado em História na Universidade Princeton, o que lhe ajudou na sua carreira política e pós-aposentadoria. Escrevendo livros, mantém viva sua opinião e visão sobre o mundo político, embora tenha mudado bastante sua filosofia. Nas eleições presidências de 2000, na fase primária dentro do Partido Democrata, ele era considerado a esquerda-da-esquerda, mais radical que Al Gore. Perdeu a indicação e Gore foi derrotado por George W. Bush na polêmica eleição daquele ano.

Apoiou Obama em 2008 e subiu no palanque em comícios para defender propostas do seu candidato, principalmente a reforma no sistema de saúde. Hoje Bradley está mais moderado, posicionado na centro-esquerda.



(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 Fredrick D. Joe / The Oregonian
© 2 Michael Reynolds / EPA
© 3 Robert Durell / The Washington Post
© 4 AP Photo

*Os senadores têm mandato de seis anos cada. Já os deputados de dois anos cada.

Especiais de Agosto


06/08: Eles Também Cantam
13/08: Eles Também Administram
27/08: Eles Também Contracenam

Sentidos e Direções


Por que um garoto de 23 anos decidiu abandonar o football?

Esta pergunta foi formulada pelos admiradores da NFL que receberam a notícia da aposentadoria de Glenn Coffee (foto acima), ex-RB do San Francisco 49ers e promissor atleta – o clube contratou como seu substituto o RB Brian Westbrook, ex-Eagles. Para Coffee o football não é mais a sua prioridade e larga assim uma chance única que poucos conseguem. Decide voltar para a Universidade Alabama e conseguir o diploma em Direitos do Consumidor, curso que deixou no terceiro ano para ingressar na NFL. Retornar a Alabama lhe proporcionará lembranças que poderão lhe deixar mais confuso, porém certo em si de que a melhor opção foi escolhida.

Na poderosa universidade, atual campeã do BCS, ele exibiu performances correndo com a bola de um RB talentoso o suficiente para brilhar no profissional. Em Alabama ele encontrou a Cristo. Sentimentos misturados invadiram sua mente ao terminar a temporada 2008 e a chance de ir para a NFL apareceu em sua frente após números fantásticos: 1383 jardas em 233 corridas (média de 5.9) para 10 TD´s. No mais íntimo, Coffee estava em dúvida, mas ele não desperdiçaria a oportunidade esperada desde criança e entrou no draft de 2009. Os 49ers o escolheram na posição 74, 3ª rodada.

Ele não deixava as suas incertezas transparecerem, mantinha elas em particular. Seu jogo agressivo e “trombador” é a combinação ideal no estilo ofensivo do treinador Mike Singletary. Aos poucos a comissão técnica foi lhe dando mais participação no ataque da equipe. Ano passado, correu 83 vezes numa média de 2.7 jardas por tentativa e marcou 1 TD. Nesta temporada, seu segundo ano na liga, Singletary o colocaria em campo um maior números de vezes. Coffee sabia disto, porém não seria o melhor para ele.

As tais incertezas começaram a aparecer externamente e não conseguia se concentrar 100% no football. Algo lhe impedia de desempenhar com a bola oval seu talento: um chamado. O desejo de ajudar o próximo e realizar grandes coisas para o Reino de Deus fizeram que Coffee deixasse o esporte de lado para abrir os braços ao cristianismo. Ele não quer só ser um membro, quer ser um membro atuante, participativo. Enquanto isso Alabama está a sua espera e lá ele irá reviver os tempos que o levaram a conhecer Cristo. De lá muitas missões o esperam.

Coffee poderia continuar na NFL e ser ativo no trabalho cristão? Sim. Só que para ele esta não era a superior das escolhas. Al Harris, cornerback do Green Bay Packers, decidiu expandir ao mundo sua vocação cristã sem largar a NFL ou sua recuperação de uma lesão no ligamento cruzado anterior (ACL) do joelho. Harris inovou ao postar no site YouTube vários vídeos mostrando todo seu trabalho de fisioterapia e fortalecimento realizados nesta pré-temporada. No meio tempo ele finalizava outro trabalho que chegará às ruas neste mês.

Pela sua gravadora, 3irty1 Entertainment, seu amigo de infância lançará um álbum de rap gospel. Kevin Soto (apelidado Proof) é parceiro de Harris a mais de 25 anos. Os dois cresceram no mesmo bairro, mas tomaram rumos diferentes. Harris se modelava um jogador da NFL na NCAA e Soto se envolvia com o crime. Ao chegar na liga, Al não deixou seu amigo de lado e sempre o visitava, seja na prisão ou no bairro natal. Nestas conversas o jogador queria lhe apresentar outro amigo que Soto deveria conhecer, porém o encontro era adiado constantemente.

Em 2008, Soto foi aonde Harris encontrou Cristo e hoje os três se reúnem no mesmo local. O ministério Word Of The Living God ganhou um missionário; Soto visita cadeias e prisões para mostrar outra direção, palavras que tem valor para os que ouvem por saber por onde passou aquele que está falando. Junto com seu amigo famoso, o rapper vai propagar a mesma mensagem através da música e, quem sabe, conseguir mudar o rumo de quem claramente está perdido.


Ser um atleta profissional não impede de exercer sua crença. Harris entendeu isto. O mesmo acontece com Husain Abdullah (foto acima), safety do Minnesota Vikings. Muçulmano, ele está em jejum por este ser o mês do Ramadã – começou dia 13 de Agosto. Isto quer dizer que ele não se alimenta ou bebe água durante o dia; só quando o sol se põe é permitido se alimentar. Sacrifício necessário? Husain responde: “Não coloco nada antes de Deus, nada antes da minha religião. Isto é uma coisa que eu escolhi fazer, ninguém me obrigou. Por isto eu sempre irei jejuar” disse o jogador à agência de notícias AP.

Husain jejua desde os sete anos e este é mais um mês que ele ira expor o quanto o Islã e seus preceitos são importantes para sua pessoa. Mesmo sendo uma atitude ousada ele assume o risco, pois não é nada seguro nem sáudável treinar em dois períodos sem tomar um gole de água sequer. Mais do que uma demanda exterior, o importante é estar de bem consigo e Husain se sente desta forma. A comissão técnica dos Vikings entende e faz um plano especial para ele.

O departamento de nutrição do clube prepara um mega café da manhã (antes do sol nascer) para que Husain tenha energias suficientes a serem gastas no dia. O jantar é especial também, feito para recuperar os nutrientes perdidos com o suor e o desgaste. Na madrugada ele acorda para tomar um milk shake protéico, reforçando mais seu sistema.

Todos da organização respeitam o comprometimento de Husain e alguns, inclusive, vão fazer o jejum pelo menos por um dia, mostrando apoio ao companheiro.

O safety dos Vikngs, parte fundamental do time de especialistas em 2009, não esconde sua fé. Não deixa que nada atrapalhe o exercício da sua crença e mostra a todos sobre o que verdadeiramente acredita. Igor Olshansky, defensive end do Dallas Cowboys, também torna explícita sua fé, marcada com uma tatuagem na clavícula.

A Estrela de David indica que ele é um judeu e não só porque desenhou a estrela de seis pontas no corpo; Igor é um ativo em trabalhos da sinagoga e estudou numa escola tradicional em San Francisco, a Academia Hebraica que tem como base de ensino o judaísmo ortodoxo. De antigo ele não tem nada e por isto acaba sendo uma referência aos jovens judeus, os estimulando a exercer as práticas judaicas no cotidiano. Igor não que ser o modelo de judeu, entretanto ele procura obedecer rigorosamente os costumes da sua religião, não deixando que nada impeça dele fazer isto.

O mundo da NFL é rodeado de jogadores praticantes da maldade e com comportamentos dúbios. Por mais que alguém ache na religião algo de ruim, deve se considerar que pelo menos os inúmeros atletas que exercem sua respectiva fé estão buscando fazer o bem. A imagem de uma liga problemática, com atletas agindo de forma intransigente, pode ser usada como comparação a imagem de caras que fazem de tudo para cumprir os dogmas religiosos e serem bons exemplos para os que estão de fora.


Tim Tebow, quarterback do Denver Broncos, é o exemplo mais nítido de um jogador que demonstra sua fé em campo. Quando estava na Universidade da Flórida (leia: O Popular), ele usava dois adesivos pretos embaixo dos olhos. Neles Tebow escrevia versos bíblicos; o que agora é proibido pela NCAA. Ele é a capa principal do jogo eletrônico NCAA Football 11 da EA Sports, o simulador mais completo do gênero. Só que uma coisa falta nas fotos de Tebow: os versos bíblicos nos adesivos. A empresa não permitiu a escrita das siglas e números, numa atitude que não causou repercussão. Agora se Tebow se “transformar em normal” e pecar...

Este é um dos preços que pagam aqueles que não escondem sua religião: ser alvo preferido dos maldizentes. Chegar a público e dizer “Eu sou Cristão” ou “Eu sou Muçulmano” ou “Eu sou Judeu” é se colocar numa delicada posição perante os hipócritas, que se armam prontos para arremessar objetos no teto de vidro dos outros sem se preocupar com seus próprios telhados.



(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 ESPN
© 2 Cougfan
*Capas do jogo NCAA Football 11 pertencem a EA Sports

Muni no Shinyuu*

Juntos nas horas boas e ruins, os tradutores dos jogadores japoneses da MLB fazem mais do que ser o mediador entre o atleta e a mídia, eles estão presentes em todos os momentos sendo responsáveis por ajudar os nikkeis não só nas atividades profissionais, mas também no dia-a-dia os auxiliando a se adaptar a uma nova cultura.

Alguns clubes contratam um intérprete profissional, geralmente um nipo-americano. Outros permitem que seus jogadores tenham um intérprete particular. Isso cria situações estranhas como o Atlanta Braves ter dois japoneses no elenco (Kenshin Kawakami e Takashi Saito) e nenhum tradutor oficial, enquanto os Rays, ao trocar Akinori Iwamura com os Pirates, mantiveram o tradutor Tateki Uchibori na organização.

Seja pessoal ou parte da franquia, o intérprete cuida apenas de um só jogador, justamente por demandar bastante tempo e atenção. Conheceremos agora aqueles que auxiliam cinco atletas da MLB e aprenderemos um pouco mais sobre estes anônimos que são importantíssimos para o desenvolvimento da carreira dentro e fora de campo dos atletas nikkeis.


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Ichiro Suzuki: Natural de Kasugai, prefeitura de Aichi na região Chūbu. Joga nos EUA desde 2001 e tem como atual intérprete Anthony Suzuki.

Anthony nasceu no Havaí e sempre sonhou em ser um jogador de beisebol profissional. Estudou em uma universidade no Japão com uma bolsa de estudo que lhe permitia fazer parte da equipe de beisebol. Apesar de não ter conseguido atingir seu objetivo, Anthony aprendeu bastante sobre os aspectos do jogo e a disciplina regular dos japoneses, lições que o ajudam no seu trabalho com os Mariners.

Ele é pago pelo clube e antes de trabalhar com Ichiro cuidava do catcher Kenji Johjima – Anthony começou sua carreira nos Padres com o arremessador Akinori Otsuka. Fazer esta ponte catcher-arremessador, arrmessador-catcher é a complicadíssima porque exige muita atenção do intérprete em passar todos os detalhes do plano de jogo como os sinais, características individuais de cada rebatedor adversário... Com Ichiro, Anthony tem um serviço tranquilo, mesmo tendo que por muitas vezes fazer companhia ao jogador nos treinos jogando a bola para ele rebater e aprimorando jogadas defensivas.

O caso Ichiro é clássico e responde a uma indagação corriqueira. Ele, com 10 anos na América, fala um bom inglês, porém não suficiente para ter uma conversa fluente com a mídia. O uso de um tradutor impede que Ichiro seja mal interpretado e torna a relação com a imprensa mais restrita, com Anthony fazendo as vias de um assessor controlando com quem e quando Ichiro vai falar.


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Hiroki Kuroda: Natural de Ōsaka, região Kansai. Joga nos EUA desde 2008 e tem como tradutor Kenji Nimura.

Os Dodgers têm um bom profissional na sua equipe. Nimura fala fluentemente três línguas (Inglês, Espanhol e Japonês), é formado em Antropologia e trabalha usando um método moderno de tradução, transmitindo o que Kuroda que falar de uma forma mais livre do que traduzir, literalmente, palavra por palavra do que diz o arremessador.

Nimura nasceu no Japão, mas foi criado em Los Angeles e estudou na Universidade Estadual de San Diego, estado da California. Ele também ajuda Kuroda nos afazeres extra campo e destaca uma dificuldade dos atletas nikkeis: “Uma coisa é ser bilíngue, outra coisa é ser bicultural”. Dentro do clube, Kuroda brinca com os companheiros e é bem quisto por todos, contando com a ajuda da linguagem universal do beisebol. Já fora deste mundo Nimura está sempre presente, inclusive para satisfazer uma paixão de Kuroda: assistir a série televisiva Prison Break. Porém Nimura não faz mais do que comprar os DVD`s dublados em japonês, é claro.


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Takashi Saito: Natural de Sendai, capital da prefeitura de Miyagi, região Tōhoku. Joga nos EUA desde 2006 e tem como tradutor Kosuke Inaji.

O salário anual de Inaji gira em torno dos 45 mil dólares, pago em sua totalidade por Saito. Para o tradutor é um bom negócio, pois ele largou um bom emprego dentro da sua área profissional para iniciar este trabalho alternativo.

Formado em Biotecnologia pela Universidade California Davis em 2009, Inaji logo conseguiu um emprego na empresa Campbell Seeds com um salário de US$ 12/hora. Ele achou melhor fazer parte da franquia Braves e almeja crescer dentro do organograma do clube. São profissões totalmente opostas, uma exata e outra humana, mas ele está gostando do trabalho até agora, só que já percebeu o quanto é desgastante ser um intérprete, tendo que acordar cedo, dormir tarde e estar com o jogador em todos os lugares. Rotina que começa em Fevereiro e vai até o final de Setembro (ou Outubro, se o time avançar até a pós-temporada).


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Hideki Matsui: Natural de Neagari, prefeitura de Ishikawa, região Chūbu. Joga nos EUA desde 2003 e tem como tradutor Roger Kahlon.

Por Matsui ter sido o MVP da World Series de 2009, Kahlon brilhou junto com seu cliente: foram entrevistas concorridas com importantes orgãos da imprensa, passeio em New York, conversa com o prefeito, conversa com o presidente...

Roger está com Matsui desde o começo da sua carreira na MLB e na troca Yankees-Angels o tradutor foi junto com o DH; Roger não faz parte da franquia. Kahlon conta que a relação entre ambos é de pura amizade e ele gosta de relatar o que aconteceu na primeira temporada deles na MLB. Nesta situação, claramente um dependia do outro, pois Matsui estava chegando a outro país e Kahlon nunca tinha feito um trabalho de intérprete antes. Então Roger ajudava Hideki na adaptação ao país e o jogador ajudava o tradutor em como lidar com pessoas acostumadas ao glamour – Matsui já era estrela na terra do sol nascente.

Kahlon nasceu no Japão e é filho de um indiano com uma filipina.

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Kazuo Matsui: Natural de Higashiōsaka, prefeitura de Ōsaka, região Kansai. Joga nos EUA desde 2004 e tinha como tradutor Yoshitaka Ono.

Antes que a dúvida surge, não há parentesco entre Kazuo e Hideki.

O tinha é porque Ono, um intérprete profissional, não trabalha mais com Kazuo, que está na divisão de base (minor) dos Rockies jogando pelo Colorado Springs Sky Socks. Ono experimentou momentos diversos com seu cliente, exemplificando a noção de participar das alegrias e tristezas.

Na sua primeira passagem pelos Rockies, Kazuo foi fundamental nos playoffs de 2007 e na classificação inédita do clube à World Series. Sempre presente estava Ono para ser o elo de ligação entre a imprensa e o jogador que era bastante requisitada para entrevistas e reportagens. Embora o sucesso tenha surgido, ao final da temporada Kazuo foi trocado para o Houston Astros e após dois campeonatos de baixa produtividade, o 2B foi dispensado. E lá estava Ono para comunicar à imprensa da saída do Kazuo da MLB e, consequentemente, sua saída também.



(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 Dilip Vishwanat / Getty Images
© 2 e 3 Lisa Blumenfeld / Getty Images
© 4 Eric Hartline / US Preswire


*Melhor Amigo em japonês

Eles Também Administram

Muitos atletas se frustram quando decidem investir suas finanças no mundo dos negócios. Por diversos fatores acabam indo à Pindaíba aumentando a população de lá – leia: Os Pindaibanos. Contudo, há os que acertam nos empreendimentos e conseguem construir uma carreira após a aposentadoria ou paralelo ao trabalho esportivo. Na segunda parte dos Especiais deste mês, agora é a vez de saber quem são os jogadores que alcançaram sucesso e estabilidade fora das quadras/campos.


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No Esporte: Em 20 anos de carreira, só jogou pelo Baltimore Orioles. Campeão da World Series de 1983; 19 vezes no Jogo das Estrelas; dois prêmios de MVP da Liga Americana (1983 e 1991); é membro do Hall da Fama desde 2007; e jogou 2632 partidas seguidas em 17 temporadas, recorde em toda história da MLB.

Nos Negócios: Sua empresa é dona de três times de base e de três academias de beisebol.

A empresa dele chama-se Ripken Baseball e foi fundada em 2001 – anteriormente tinha o nome de The Tufton Group. Foi criada ainda quando estava em atividade para criar oportunidades para Ripken quando ele se aposentasse. O grande acontecimento, ser o atleta da MLB que mais jogou partidas seguidas, foi o responsável por tudo o que possui. Com o dinheiro ganho pelo sindicato por alcançar a marca histórica (75 mil dólares) ele construiu um campo de besiebol para crianças e adolescentes na sua cidade natal Aberdeen no estado de Maryland. Daí pra frente...

Hoje a Ripken Baseball administra três times de base (minors): Aberdeen Iron Birds (filial dos Orioles); Augusta Green Jackets (filial dos Giants) e Charlotte Stone Crabs (filial dos Rays). A empresa faz vários torneios e clínicas para crianças e também cuida de produtos licenciados do Ripken Jr., como livros didáticos sobre os fundamentos do beisebol e DVD´s que abordam este mesmo tema. Patrocinado por grandes marcas como Gatorade, Under Armour e Chevrolet, a Ripken Baseball fatura anualmente cerca de 25 milhões de dólares.


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No Esporte: Foi a 9ª escolha no draft de 1985 pelo Cleveland Cavaliers, que o trocou para o Chicago Bulls. Além dos Bulls, Oakley defendeu o New York Knicks, Toronto Raptors, Washington Wizards e Houston Rockets.

Nos Negócios: É dono da famosa Oakley´s Car Wash (lava-rápido). Há um ano construiu uma churrascaria chamada Red.

Ele deu partida na sua empresa em Cleveland, cidade natal, porém a rede ganhou notoriedade quando chegou a New York. Hoje a Oakley´s Car Wash é um símbolo no setor e tem uma clientela fiel.

Oakley construiu esta identidade fazendo coisas diferentes – de padrão ele só mantém a atitude extrovertida dos funcionários. A começar pela sala de espera, que em todas as lojas tem sofás confortáveis e gigantes tevês, entre outros agrados; cada loja possuiu um grande espaço para vender auto-peças, como se fosse um varejista; suas promoções são inusitadas: as mulheres ganham desconto especial às quartas e os idosos às quintas; os serviços são nomeados com jogadas de basquetes (os mais populares são o Rebound e o Slam Dunk). Tudo isso vem com uma garantia especial: quem lavar o carro na Oakley´s Car Wash e o automóvel se sujar dentro de 48 horas após a entrega do veiculo, eles o lavam novamente sem cobrar por isto.


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No Esporte: Só defendeu um time na NFL: Denver Broncos. Foi campeão do Super Bowl XXXII e XXXIII, sendo MVP do último; na temporada regular foi MVP em 1987 e jogou 9 Pro Bowls.

Nos Negócios: Em Denver tem dois restaurantes e já foi dono de cinco concessionárias de veículos.

As lojas de veículos renderam a Elway muita grana. Em 1997 a maior empresa americana do mercado, AutoNation, comprou as cinco concessionárias que Elway era dono por US$ 82 milhões. Hoje ele cuida de outro departamento, mas ainda tem um dinheiro investido no ramo de concessionárias.

Sua principal atenção é voltada a seu restaurante: Elway´s. Um, que fica no centro da cidade de Denver, ele só tem a licença do nome e do menu. Já em outro, na zona nobre de Denver (bairro Cherry Creek) ele administra ativamente e de forma mais direta. O padrão do restaurante é médio, pois há uma mistura de alto excelência nas dependências e nas refeições com o baixo preço dos pratos. Em Cherry Creek, não há sequer uma referência aos Broncos, ao jogador Elway ou a NFL, o ambiente é de um restaurante chique. No centro da cidade é mantido o mesmo padrão de elegância, mas há uma pintura do ex-quaterback com a camisa azul e laranja.

Ele tem uma organização não-governamental que cuida de crianças que sofrem abusos sexuais e/ou domésticos. A Elway Foundation é fortemente participativa nas comunidades de Denver e faz isso desde 1987.


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No Esporte: Sua primeira temporada na MLB foi em 2006 pelo New York Mets. Em 2007 ele foi trocado para o Kansas City Royals, seu time atual. É arremessador titular.

Nos Negócios: Dono de um estúdio fotográfico na cidade de Phoenix, estado de Arizona – Bannister é natural de Scottsdale, município a leste de Phoenix.

A luva de 100 mli dólares recebida ao assinar seu primeiro contrato com os Mets foi toda investida em seu negócio. Assim foi fundada a Loft 19 Studio, que se tornou referência em ensaios fotográficos. A empresa possuiu dois grandes estúdios e pode fazer seus trabalhos na própria sede ou levar os profissionais até o local dos ensaios. Bannister entrega o estúdio ao seu pai quando chega a temporada do beisebol, mas é sempre participativo nas operações da empresa.

A Loft 19 já produziu trabalhos para empresas como Wal Mart, ESPN, CBS, Nike, GQ (revista) e People (revista). Beyoncé, Danica Patrick e Steve Nash são algumas das inúmeras pessoas famosas que foram fotografadas pelas lentes da Loft 19.


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No Esporte: Melhor Novato em 1994 e membro de 5 Jogos das Estrelas, Webber passou por cinco franquias na NBA: Golden State Warriors, Washington Wizards, Sacramento Kings, Philadelphia 76ers e Detroit Pistons.

Nos Negócios: Em Chicago tem uma companhia que atua no setor imobiliário, controla um restaurante/bar em Sacramento e é sócio de uma empresa de marketing.

Ele ganha dinheiro reformando e criando imóveis. Ganha dinheiro em ações publicitárias. Mas o grande barato dos seus empreendimentos é o Center Court with C-Webb, o restaurante/bar. Todo temático, é possível encontrar vários itens da NBA no local. O piso é do mesmo material que usam nas quadras da associação. Há 34 televisões LCD para os clientes poderem assistir os mais diversos eventos esportivos.

O mais legal é que Webber abre o bar/restaurante para excursões escolares sem cobrar nada. As crianças, de colégios particulares ou públicos, fazem um tour pelo restaurante/bar e aprendem como se administra um lugar destes, criando uma curiosidade instigante nelas, que ainda lancham de graça e saem com uma camiseta do passeio.

Paralelo a todas estas atividades, Webber mostra seu talento de produtor musical. E olha que ele conseguiu certo destaque quando duas de suas produções foram feitas para o lendário rapper Nas: as músicas são Blunt Ashes e Surviving the Times.


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No Esporte: Jogou oito anos pelos Titans e uma temporada em Dallas. Ganhou o troféu Heisman (pela Universidade Estadual de Ohio) em 1995, foi o novato ofensivo do ano em 1996 e participou de 4 Pro Bowls.

Nos Negócios: Possui um restaurante/bar na cidade de Columbus, estado de Ohio, chamado Eddie George´s Grille 27 (e outro em Nashville, estado do Tennessee); uma empresa que cuida da saúde humana chamada EGX Lifestyle; e uma organização que auxilia comunidades chamada EDGE.

A EDGE tem uma abordagem interessante, já que ela cria parques e espaços para práticas esportivas em locais que não há este tipo de coisa. Porém, do trio de empresas a que mais chama a atenção é o restaurante/bar.

Ele fez o primeiro em Nashville. Devido ao sucesso surgiu a oportunidade de fazer um na sua cidade natal e George pensou no melhor lugar possível para abrir seu novo empreendimento: próximo ao campus da Universidade Estadual de Ohio. Quando era aluno, andava nas cercanias da faculdade e sentia falta de um lugar descontraído para sair com os amigos, amigas... O restaurante/bar é muito bem localizado, fica de esquina e recebe diariamente dezenas de estudantes da Ohio State.

Foram gastos 2 milhões de dólares para a construção do estabelecimento que tem capacidade para 200 pessoas (sentadas). Há 41 Tv´s LCD bem distribuídas para que em qualquer lugar do restaurante/bar o cliente possa ver o que está passando. O número 27 não aparece à toa no nome, está presente no menu: são 27 pratos, 27 vinhos, 27 drink´s, 27 sanduíches...

Eddie George tem um MBA pela tradicionalíssima Universidade Northwestern via escola Kellogg de Administração, uma das mais concorridas em todo mundo.



(GL)
Escrito por João da Paz


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Especiais de Agosto

06/08: Eles Também Cantam
20/08: Eles Também Governam/Legislam
27/08: Eles Também Contracenam

Casamento: Solução ou Problema?


No centro de tantas tribulações é possível encontrar um refúgio. Antonio Cromartie, corneback do New York Jets achou o dele e se chama Terricka Cason. No dia 2 de Julho deste ano os dois se uniram no matrimônio (foto acima). Com uma esposa ao lado para apoiá-lo e revigorá-lo, o jogador espera ter paz e tranquildade na vida pessoal para então poder recuperar as boas atuações em campo após duas temporadas frustrantes.

2007 foi o seu melhor ano. Mesmo reserva no San Diego Charges, foi escolhido para o Pro Bowl. Nos campeonatos seguintes seu desempenho caiu, somando 5 interceptações em 2008 e 2009 enquanto só em 2007 ele teve 10 INT´s. Ao conversar, no ano passado, com o Union-Tribune, jornal local de San Diego, Cromartie revelou que sua concentração no jogo não era 100%: “Minha mente estava em outro lugar. Estava lidando com minhas crianças, com suas mães...

Isso: mães e crianças. Em Março deste ano o CB admitiu ser pai de sete crianças com seis mulheres diferentes que moram em cinco estados da América. Por ter tantos filhos em cidades distintas, haja tempo para vê-las e cuidar delas; além, claro de dar atenção as mães. Cromartie se esforça a cada dia para não ser um pai distante e procura estar conversando com os filhos constantemente – a internet é a ferramenta utilizada. Ele não quer que as crianças cresçam e vejam suas respectivas mães brigando com seu pai, por isso tenta ao máximo não desgastar relações que são extremamente frágeis.

Ninguém o colocou nesta delicada situação. Por motivos que não vem ao caso, ele se descuidou. Porém assume a paternidade e age contrariamente ao que muitos esportistas fazem, pois ele não é o único atleta da NFL que tem vários filhos com diferentes mulheres. Alguns aceitam a responsabilidade: Ricky Williams, RB dos Dolphins (3 filhos); Michael Vick, QB dos Eagles (3 filhos); e outros não - rumores dizem que Ray Lewis, LB dos Ravens, tem 6 filhos com 4 mulheres diferentes.

Chegar a público e tomar a atitude que Antonio fez é complicado. Logo surgiram piadas e comentários sarcásticos dos fãs e dos próprios companheiros de equipe. Ele não liga para este tipo de coisa porque sabe que há algo de mais importante. Assim que fechou contrato com os Jets, Cromartie pediu um adiantamento de US$ 500.000 para acertar contas com a justiça e pôr em dia algumas pensões alimentícias. As sete crianças receberão dinheiro todo mês, mas a ausência do pai talvez seja a mais sentida.


Jerzie é o filho (o oitavo) que estará mais próximo. Fruto do relacionamento com Terricka (foto acima), ele é o mais novo das crianças – nasceu em Abril. A decisão de ter um bebê com Cromartie é pessoal por parte dela, visto que sabia do histórico do seu marido; ambos se conhecem desde 2007. Cason é uma dançarina/atriz/modelo e faz parte do programa Candy Girls do canal E! O reality show mostra os bastidores de como vivem as meninas que aparecem nos vídeos clipes de artistas da música rap.

Terricka tem um destaque neste segmento. Sua lista de vídeos conta com Party Starter do Will Smith, Dope Boy Fresh do Three Six Mafia, Lollipop do Lil Wayne, entre outros. As principais participações dela, porém, foram em outros dois clipes: em Run It, primeiro e grande sucesso do Chris Brown que contracena com Terricka em passos de dança durante todo vídeo; e em Move do Mims, onde ela aparece abraçada com o rapper. Segundo a modelo, este clipe foi o que mais lhe desagradou.

A imagem que se tem destas garotas são preconceituosas e machistas. Mas dificilmente artistas da indústria desrespeitam as modelos que recebem uma grana altíssima para aparecerem nos vídeos. Terricka trabalhou em 18 clipes de 17 rappers e só em Move que foi desrespeitada. O diretor do vídeo disse para Terricka “atue como se você quisesse dormir com ele.” Comentando sobre o assunto, ela diz “Não acredito que ele vá para um set de filmagem de um comercial e fala para atriz que ela deve atuar como se quisesse dormir com o ator. A atitude do cara foi de total desrespeito.”

Um incidente isolado, visto que os rappers tem um bom convívio com as garotas, um tratamento profissional e isto se vê em Candy Girls, apesar do programa focar mais na vida de cada uma das mulheres – são sete no total. Cromartie já apareceu em um dos episódios, mostrando quem realmente é o dono do coração da Terricka.


Mas, o quanto durador pode ser um relacionamento que envolve uma dançarina/atriz/modelo com um jogador da NFL que possui um passado de casos amorosos por onde quer que vá? Quem sustenta o casamento, não só nesta específica situação, é a confiança. Ao falar de amor entre marido e mulher, o renomado médico psicoterapeuta Flávio Gikovate afirma “Quando a mágica do encantamento amoroso não vem acompanhada da mágica da confiança, a pessoa está posta numa situação muito difícil, na qual o sofrimento e insegurança serão as emoções mais constantes.”

Sofrimento e insegurança foram sentimentos que permaneceram presentes no cotidiano de Cromartie nos últimos dois anos. Em um clube novo, numa cidade nova e com uma perspectiva nova, ele dá sinais que voltou aos eixos e percorre o caminho certo. Casar tornou as coisas diferentes e declarara “É muito mais fácil chegar em casa e encontrar uma esposa amiga, solidária. Hoje eu fico na expectativa de chegar em casa. Estar casado permite que você tenha alguém em casa que se preocupa contigo, que te ama e que lhe apóia. Isto induz você querer fazer mais para sua família.

A primeira impressão desta nova vida de Cromartie é a melhor das possíveis. Mostra estar em paz consigo mesmo, com seus filhos (e suas mães)... Nos primeiros treinos desta pré-temporada ele exibe boas performances, com lampejos daquele grande atleta que fez um campeonato em 2007 fantástico.

E o casamento, alicerçado na confiança, parece ter sido a opção correta.




(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 Arquivo Pessoal
© 2 E! Entertainment Media
© 3 Arnold Turner / WireImage

Bud Selig e o Realinhamento Divisonal da MLB


O Comitê formado por 14 membros* influentes no mundo do beisebol criado por Selig, comissário da MLB, está olhando para as franquias distribuídas como está no mapa dos EUA mostrado acima, sem separação por divisão. Fazem isto porque tem uma ideia em mente: mudar a atual formatação das divisões para melhorar o nível de competitividade da liga.

O ponto de partida é remodelar as divisões levando em consideração a folha salarial do clube e se o elenco está num processo de reformulação ou disputará vagas nos playoffs. Esta é uma proposta que está sendo estudada com afinco pelo Comitê, com possibilidades de entrar em vigor em 2011. O objetivo principal é não deixar três times fortes numa só divisão e balancear o talento em cada uma delas, assim igualando o nível de dificuldade do calendário das equipes.

O exemplo usado é o da Divisão Leste da Liga Americana. Hoje o Boston Red Sox estaria fora dos playoffs em terceiro lugar na divisão com 7 jogos atrás do primeiro colocado New York Yankees. Caso o time estivesse na Divisão Central da LA, era o segundo lugar e apenas ½ jogo atrás do primeiro colocado. Haveria em tão uma troca de times entre estas duas divisões, com os Red Sox (ou o Tampa Bay Rays) envolvidos nesta mudança – Bud Selig está tão comprometido nesta nova estruturação, que até uma das maiores rivalidades da liga pode ser afetada, tirando Boston da mesma divisão de NY.

O próximo passo seria ajustar as divisões conforme o desempenho do time em campo e o investimento feito para o próximo campeonato, uma avaliação feita anualmente que mudaria a composição das divisões a cada temporada: por isto que este método ganhou o nome de “Realinhamento Flutuante”. Há alguns critérios a serem obedecidos e dois deles são importantes: um time não pode jogar numa divisão que esteja a dois fusos horários da sua sede (os EUA tem quatro zonas de fuso) e um time não pode mudar de Liga, porém com uma única exceção.

Na primeira temporada do novo alinhamento, haverá uma igualdade de clubes nas Ligas – a Liga Americana tem 14 times e a Liga Nacional tem 16. Uma equipe da Divisão Central da LN, com 6 clubes, perderia uma equipe para a Divisão Oeste da LA, que tem 4 clubes; quem deve fazer esta transição é o Houston Astros. Desta forma todas as seis divisões teriam 5 clubes, todos os times teriam jogos iguais dentro da sua respectiva divisão e os números de partidas entre as ligas aumentaria, corrigindo um erro que ocorre a cada ano justamente em confrontos envolvendo as divisões citadas.


Exemplo: o Texas Rangers entrou na série dos jogos entre as ligas, que se iniciou no dia 11 de Junho, 2 jogos a frente do Oakland Athletics. Contando uma série isolada ocorrida no mês de Maio, os Rangers conseguiram 14v e 4d contra a LN, jogando com os últimos colocados da Divisão Central (Milwaukee, Houston, Chicago e Pittsburgh) e com o Florida. Já o Oakland teve 8v e 10d contra a LN, porém enfrentou adversários mais difíceis: San Francisco (duas séries) e os líderes da Divisão Central (Saint Louis e Cincinnati). No término dos jogos entre as ligas, dia 27 de Junho, os Rangers estavam 10 jogos na frente dos Athletics, claramente favorecidos pela tabela. Ressaltando que no confronto direto Texas versus Oakland, foram 12 jogos, até 09/08, e cada time venceu 6 partidas.

O realinhamento mudaria os jogos entre as ligas, não diminuído os confrontos diretos dentro da mesma divisão e afetando as partidas dentro da respectiva Liga. Mesmo esta última ação tendo potencial de prejudicar um pouco a disputa pela repescagem, Bud Selig permanecerá firme com a idéia de não alterar os confrontos divisionais e aumentar o encontro entre as ligas.

Quando houve o vazamento desta história via imprensa, logo surgiram as mais loucas propostas para alternativas de realinhamento. Uma mudança radical juntando as duas Ligas e criando novas divisões... Acabar com as divisões e fazer de cada Liga um grupo único de 16 clubes com os quatro primeiros colocados se classificando para os playoffs... Expandir a MLB para 32 clubes e criar oito divisões, com o campeão de cada liga se classificando para os playoffs... Por mais que uma mudança esteja próxima e vai modificar bastante a configuração atual da MLB, não será nada de mirabolante que acontecerá.

Houve quem propusesse um calendário diferenciado de acordo com o desempenho das equipes ao término de um campeonato, com times fracos jogando mais vezes contra times fracos e times fortes jogando mais vezes contra times fortes, modelo similar ao que acontece na NFL. Esta idéia, porém, foi prontamente descartada por Selig.

É claro que não serão todos os problemas de paridade da MLB resolvidos por um novo realinhamento das divisões. Se os Royals, Pirates, Orioles, Nationals e Indians não se reestruturarem internamente, calendário nenhum irá aumentar a probabilidade destes clubes alcançarem a pós-temporada. Entretanto é admirável a pró-atividade da MLB em fazer algo para melhorar seu produto em campo mesmo com clubes que hoje não estão bem, mas que na última década participaram da World Series (Astros em 2005, Marlins em 2003 e Diamondbacks em 2001).

Ao fundar o Comitê, Bud Selig disse que nenhuma questão envolvendo o beisebol seria desconsiderada. Qualquer nova ideia seria estudada para ver qual a real chance de implementá-la. Alguém colocou na mesa o projeto de realinhamento divisional, o grupo gostou e agora estão avaliando a melhor maneira de por em prática num futuro bem próximo.



(GL)
Escrito por João da Paz


*Eis os 14 membros do Comitê: Tony La Russa (treinador dos Cardinals); Joe Torre (treinador dos Dodgers); Jim Leyland (treinador dos Tigers); Mike Scioscia (treinador dos Angels); John Schuerholz (ex-diretor dos Braves); Terry Ryan (ex-diretor dos Twins); Mark Shapiro (diretor dos Indians); Andy MacPhail (diretor dos Orioles); Chuck Armstrong (presidente dos Mariners); Paul Beeston (dono dos Blue Jays); Bill DeWitt Jr. (dono dos Cardinals); Dave Montgomery (presidente/sócio dos Phillies); Frank Robinson (lendário ex-jogador) e Geroge Witt (ex-jogador)


© 1 Tony Gutierrez / AP

Eles Também Cantam

Neste mês de Agosto o Grandes Ligas irá publicar uma seção de especiais que mostrará atletas da NBA, NFL e MLB em outras atividades. Toda sexta uma publicação entra no ar e hoje quem abre o show são os cantores, ou melhor, jogadores/cantores.


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No Esporte: É arremessador titular do Cincinnati Reds. Começou sua carreira no Pittsburgh Pirates e passou pelo Boston Red Sox, onde foi campeão da World Series em 2004.

Na Música: Lançou em 2005 o álbum “Covering The Bases”. Tem covers de bandas famosas da cena rock americana, como Foo Fighters, Pearl Jam e Alice In Chains.

A primeira impressão que se observa é cética, porém depois de ouvir as faixas do disco, se percebe que Arroyo tem estilo, o estilo ideal que se encaixa no grunge. A tonalidade da sua voz é boa e se adapta corretamente às músicas que ele escolheu para fazerem parte do álbum. Everlong (Foo Fighters), Black (Pearl Jam), Hunger Strike (Temple of the Dog) são algumas das 12 músicas que estão no "Covering the Bases" – aliás, um nome altamente criativo e sugestivo para um jogador de beisebol que faz covers.

O vídeo abaixo traz Arroyo cantando, ao vivo, dois sons do disco: The Freshmen (The Verve Pipe) e Slide (Goo Goo Dolls). Uma banda o auxilia na execução, mas ele toca seu violão acústico - ele posou junto com um na foto da capa do CD, tirada no Fenway Park, estádio dos Red Sox.

Bronson Arroyo – The Freshman / Slide



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No Esporte: Atualmente defende o Los Angeles Lakers e conquistou seu primeiro título na temporada passada. Chicago Bulls, Indiana Pacers, Sacramento Kings e Houston Rockets foram os clubes que ele jogou em 11 anos de carreira.

Na Música: Em 2006 saiu seu primeiro álbum, chamado “My World”.

Por ter crescido no bairro berço da música rap, Queensbridge / New York, Artest naturalmente se envolveu com o estilo. Só que ele passou de um mero ouvinte a um rapper ao gravar “My World” e trabalhar com o álbum como um profissional. Entre os produtores estão os renomados LT Hutton e Steve Sola; nas colaborações aparecem Diddy (em Intro), Juvenille (em Cash Money), Jungle (em QB Family) entre outros.

Artest fez clipes também, mantendo neles o padrão visto em vários vídeos da música rap. Os sons que ganharam uma versão visual foram Fever e Get Lo.

Ron Artest ft. Nature, Gatman, Challace, Mike Jones & Capone – Get Lo



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*Banda composta por Marc Colombo, OT/Dallas Cowboys; Leonard Davis, G/Cowboys; Cory Procter, G/Miami Dolphins; e pelo guitarrista Jerry Chapman*

No Esporte: O trio de jogadores estavam juntos em Dallas até a temporada passada. Leonard Davis foi a escolha número 2 do Arizona Cardinals no draft de 2001 e participou de três Pro Bowls (2007, 2008 e 2009).

Na Música: O “Tragedy”, bom disco de heavy metal, foi lançado em 2010.

Os jogadores brincam que na banda só há um músico profissional: Chapman, embora dois caras toquem instrumentos desde a adolescência. Colombo começou com a guitarra quando estava no ensino médio e Procter começou a tocar bateria na mesma época. Davis é o que iniciou a carreira de músico tarde (há um ano e meio), influenciado pelos companheiros que fundaram a banda e o incentivavam a aprender a usar o baixo que sua esposa lhe deu de presente.

Então a formação fica assim: Procter na bateria, Davis no baixo, Chapman na guitarra e Colombo no vocal. Os grandalhões mandam bem no heavy metal e fizeram um álbum que agrada quem é admirador do estilo. Ouça o single principal:

Free Reign – Tragedy



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No Esporte: É agente livre. Atuou até o ano passado no Cincinnati Bengals e jogou no começo da carreira no Indianapolis Colts, sendo campeão do Super Bowl XLI.

Na Música: Fez um disco gospel – auto intitulado – que chegou às lojas no mês de Maio de 2009.

Por ser um amante da música, sempre foi difícil para Utecht esconder seu talento. Ele nunca gostou de tocar enquanto estava numa temporada da NFL e por isso seus companheiros de time (Bengals) se surpreenderam ao notar que um disco tinha sido feito pelo tight end da equipe; se impressionaram mais ainda por perceber que ele canta bem.

Porém Utecht, antes de entrar no mercado musical, se destacou. Já teve a oportunidade de cantar para os presidentes americanos George Bush e George W. Bush; e cantou o hino dos EUA antes de um jogo do Minnesota Twins e de um jogo do Cincinnati Reds, deixando todos dos estádios boquiabertos por ver um jogador da NFL fazendo uma performance de alto nível com o microfone.

Ben Utecht – Yours



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No Esporte: Assinou recentemente um contrato de dois anos com o Boston Celtics. Já passou pelo Orlando Magic, Los Angeles Lakers, Miami Heat, Phoenix Suns e Cleveland Cavaliers. Foi quatro vezes campeão (2000, 01, 02 e 06), três vezes MVP das Finais (2000, 01 e 02); e ganhou o prêmio de MVP na temporada 1999-2000.

Na Música: Tem quatro discos: Shaq Diesel [1993]; Shaq Fu: Da Return [1994], You Can´t Stop the Reign [1996] e Respect [1998]

A carreira de Shaq no rap é longa e bem sucedida. O começo já foi um estouro total, com o álbum “Shaq Diesel” atingindo o status de Disco de Platina. O segundo não chegou a tanto, mas foi Disco de Ouro. Os trabalhos subsquentes não foram um super hit de vendas como os anteriores, porém manteve o nome Shaq vivo no jogo do hip-hop. Suas músicas fizeram muito sucesso, sendo tocadas constantemente nas rádios – e vídeos executados na MTV.

Ele ganhou o respeito de gente importante do movimento e gravou sons com grandes rappers como: Jay-Z, Rakim, Lord Tariq, Mobb Deep entre outros. Abaixo está disponível dois grandes sons de Shaq que contam com a colaboração de nomes lendários da música rap.

Shaquille O´Neal ft. RZA & Method Man – No Hook [álbum “Shaq Fu: Da Return"]



Bônus: Shaquille O´Neal ft. Notorious B.I.G. – You Can´t Stop The Reign [álbum: “You Can´t Stop The Reign”]



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No Esporte: Durante todos seus 16 anos na MLB só jogou no New York Yankees. Participou de 5 Jogos das Estrelas, ganhou o prêmio de MVP em 1996 da Decisão da Liga Americana e foi quatro vezes vencedor da World Series.

Na Música: É um excepcional violonista, muito elogiado por críticos musicais. Tem dois álbuns, um de 2003 “The Journey Within” e outro de 2009 “Moving Forward”.

Aqui o assunto é um pouco diferente, pois estamos falando de um instrumentista.

Williams evita o microfone, mas desempenha seu papel com o violão esplendorosamente. Ainda jogador, lançou o seu primeiro disco e logo entrou para a classe “jazz contemporâneo”. Após aposentar-se do beisebol se dedicou à música e fez o “Moving Forward”, altamente elogiado pela crítica especializada – o disco lhe rendeu uma indicação ao Grammy Latino na categoria “Melhor Álbum Jazz”.

Bernie Williams – La Salsa en Mi / ao vivo [álbum “The Journey Within”]


Bônus: Bernie Williams ft. Jon Secada: – Just Another Day [álbum “Moving Forward”]



(GL)
Escrito por João da Paz


Especiais de Agosto

13/08: Eles Também Administram
20/08: Eles Também Governam/Legislam
27/08: Eles Também Contracenam