Segundo Recomeço


O Denver Broncos iniciou esta temporada com um rótulo de “Recomeço” estampado em todos do clube. Um novo treinador Josh McDaniels (foto acima), novo sistema ofensivo e defensivo, novo quarterback (QB), novos jogadores... A temporada 2009 serviria como transição para um bom 2010.

Serviria... Depois de três vitórias nos três primeiros jogos, o clube está agora em outra situação: a de provar se merece ser considerado um dos melhores times do ano. Esta frase será confirmada (ou não) a partir de Domingo, quando “outro” campeonato começa para o Denver.

Estão invictos, é verdade. Entretanto uma vitória foi milagrosa (contra o Cincinnati Bengals) e as outras duas contra Cleveland Browns e Oakland Raiders – não precisa dizer mais nada... Da semana 4 pra frente, os Broncos vão enfrentar adversários que estão em um nível mais alto na NFL, o que será um ótimo teste para ver se os avanços técnicos e táticos da equipe são propriamente qualitativos.

McDaniels é lembrado pelos trabalhos feitos como coordenador ofensivo do New England Patriots – em 2007 (melhor ataque de toda a história da NFL) e em 2008 (onze vitórais com o inexperiente QB Matt Cassel). A mesma filosofia ofensiva de NE foi implementada em Denver, com a “pequena” diferença na qualidade dos atletas. Josh preferiu dispensar o excelente QB Jay Cutler (hoje no Chicago Bears) a trabalhar com ele que estava insatisfeito com algumas decisões da comissão técnica. Kyle Orton veio na troca com o Chicago e o “não-tão-bom” QB se encaixou na metodologia do novo treinador.


Orton (foto acima) é a definição do atleta que se não enfeitar muito e/ou pensar que joga mais do que realmente tem capacidade, vai sempre ter atuações regulares. Com os Bears ele foi assim, errando muito pouco e ganhando jogos. Com os Broncos ele está sendo assim, errando muito pouco (0 INT) e ganhando jogos. A partida contra os Raiders mostrou que ele pode usar seus running backs (RB) Knowshown Moreno e Correll Buckhalter caso o jogo aéreo esteja ineficiente. Embora a característica ofensiva histórica dos Broncos seja correr (Terrell Davis, Cliton Portis...) o passe será bastante presente nos jogos (média de 29,3 passes tentados nas três primeiras semanas), o que não necessariamente diz que é uma estratégia para agradar o problemático wide receiver (WR) Brandon Marshall.

Marshall teve inúmeros problemas disciplinares na pré-temporada criando um clima ruim entre ele, os companheiros de clube e o treinador. Longa história curta: ele permaneceu no elenco. Porém não está sendo acionado constantemente como aconteceu no campeonato passado e dois fatos comprovam isto: no jogo contra os Browns, quando o desenho da jogada mostrava 3 WR´s, Jabar Gaffney, Brandon Stokley e Eddie Royal iam à campo – várias vezes isto aconteceu; Marshall marcou o seu primeiro touchdown (TD) na temporada contra os Raiders neste último Domingo.

Aquilo, contudo, que vem chamando a atenção de todos da liga não são os números e nem as atuações do ataque, são os números e as atuações da defesa; créditos a Mike Nolan, coordenador defensivo.

Depois de uma passagem pouco produtiva no San Francisco 49ers como treinador (de 2005 a 2008), Nolan volta a sua especialidade: defesa. Se os Broncos tem alguém na comissão técnica que comandou um dos melhores ataques da NFL (McDaniels), a franquia tem alguém que comandou uma das melhores defesas da NFL. Nolan foi coordenador defensivo do Baltimore Ravens durante três anos (2002-2004) e volta ao time que ele começou na liga – foi treinador dos linebackers (LB) do Denver entre 1987-1992. O esquema que Nolan utiliza é o 3-4 (três defensores na linha de scrimmage e quatro LB´s), diferente do que os jogadores dos Broncos estavam acostumados. Uma mudança deste tipo traz algumas dúvidas aos atletas, mas eles têm se adaptado bem.

Exemplo: Elvis Dumervil. Defensive end de origem, Dumervil está jogando na posição de LB aberto, com liberdade para atacar o QB e ser agressivo contra o jogo corrido. Nem ele mesmo sabe explicar direito sua posição: “Bom, eu acho que eu sou um LB agora. Na verdade, estou me divertindo muito, pois estou atuando como LB mas tenho a liberdade de fazer que eu mais gosto que é atacar o QB. Acabei achando meu nicho e hoje sou um jogador mais completo” disse Dumervil depois de conseguir quatro sacks contra os Browns – ele tem seis sacks no total em 2009.

Embora tenha sido adversários fracos, os míseros 16 pontos que a defesa sofreu (apenas um TD) são pra se considerar. Hoje o Denver tem a melhor defesa da liga e, mesmo sendo ainda cedo, poucos imaginariam que esta afirmação poderia ser feita sobre uma equipe defensiva que foi no ano passado a 29ª em jardas contra e a 30ª em pontos contra. A aquisição de atletas experientes contribuiu para que Nolan conseguisse melhorar drasticamente a defesa dos Broncos.

Renaldo Hill, Brian Dawkins, Champ Bailey e Andre´Goodman

Os veteranos estão sendo fundamentais na secundária. O destaque maior vai para o free safety Brian Dawkins, o capitão da defesa e o responsável por orientá-la. Renaldo Hill (strong safety) e Andre´ Goodman (cornerback) foram jogadores escolhidos com precisão pela diretoria, trazendo experiência e conhecimento para o sistema defensivo – Mario Hagan (LB) e Andra Davis (LB) são os outros veteranos contratados para esta temporada.

Todos eles serão colocados a prova nos próximos quatro jogos. Domingo (04/10) começa o desafio para a defesa dos Broncos: Dallas Cowboys em casa (3º melhor ataque em ´09), depois Patriots em casa (5º melhor ataque em ´09), dia 19/10 os Charges em San Diego (partida chave dentro da divisão) e 01/11 em Baltimore contra os Ravens (2º melhor ataque em ´09). E a tabela só fica mais complicada daqui pra frente – tirando os jogos da divisão, há ainda os confrontos contra Pittsburgh Steelers e New Yor Giants (em casa); Indianapolis Colts e Philadelphia Eagles (fora).

O campeonato de verdade começa agora para o Denver Broncos.

(GL)



© 1 Steve Dykes / US Preswire
© 2 Reza A. Marvashti / Denver Post

Playoff Mode [OFF]


Já classificado para a pós-temporada e prestes a alcançar o título da divisão Oeste da Liga Nacional (LN) – que deve acontecer no início desta semana – o Los Angeles Dodgers tem (quase) tudo para se dar bem em Outubro menos o mais importante: arremessadores. Não que eles não sejam de qualidade, mas estão passando por uma má fase desde a parada para o Jogo das Estrelas.

Em meio a tantos fatores, o mais importante nos playoffs é uma rotação consistente. Por mais que a equipe tenha o melhor ERA da LN (3.41 até 27/09), há muitas questões a serem resolvidas seja no bullpen ou entre os titulares. Exemplo: o bullpen tem 43 defesas de resultados (36 dessas do closer Jonathan Broxton), porém tem 25 defesas de vitórias desperdiçadas (segundo pior da LN).

Esta preocupação aumenta um pouco ao perceber que os arremessadores titulares não têm características para jogar até a sétima, oitava entrada. Como eles saem um pouco antes, o trabalho do bullpen cresce em responsabilidade. A aquisição de George Sherrill melhorou sensivelmente a capacidade do bullpen em segurar as vitórias quando entram em campo.

A diretoria dos Dodgers não parou por aí. Depois do fechamento da janela de transferências, o clube contratou Vicente Padilla (dispensado do Texas Rangers) e Jon Garland (ex-Arizona Diamondbacks) para reforçar a rotação de arremessadores que tinha perdido Hiroki Kuroda e Clayton Kershaw para o departamento médico. Neste meio tempo, a equipe sofreu com as más atuações do seu principal arremessador: Chad Billingsley (foto abaixo).


Até a metade da temporada, Chad era o melhor arremessador da LN com 9v e 3d e um ERA de 2.72. Desde então são 3v e 6d com os últimos dois jogos “sem decisão” – LAD perdeu ambos. Antes da pós-temporada chegar ele irá jogar contra o San Diego Padres amanhã (29/09) e terá o descanso ideal de cinco dias para ter condições de atuar na primeira partida dos playoffs. O que ninguém pode afirmar o certo, porque nem mesmo a comissão técnica da equipe não sabe como será a rotação de arremessadores.

A projeção apontava para Randy Wolf ser o titular no jogo um, mas ele vai encerrar a temporada na sexta (03/10) contra o Colorado Rockies e não teria o descanso normal para encarar a primeira partida dos playoffs. Se há incertezas acerca de quem será o primeiro titular, quanto mais em relação ao segundo, o terceiro...

A projeção é que Wolf e Billingsley fiquem com a primeira e a segunda partida – a responsabilidade da comissão técnica será em escolher a ordem do jogo de cada um. Kuroda e Kershaw já estão recuperados e vão disputar a terceira e quarta vaga; com a tendência do japonês estar no terceiro jogo. No início da temporada, Kershaw era a opção natural para o jogo dois, entretanto Joe Torre, treinador, não deve apostar tão alto no garoto de 21 anos contra os potentes adversários que os Dodgers poderão enfrentar.

É certo que Los Angeles não pegue o Colorado Rockies (caso o time se classifique na repescagem, pois, mesmo os Dodgers sendo primeiro da LN, não pode jogar contra uma equipe da mesma divisão). Resta então o Saint Louis Cardinals e o Philadelphia Phillies. Nesta semana final da temporada regular os Dodgers vão lutar para conseguir o melhor aproveitamento na LN e ter a vantagem do mando de campo em todos os playoffs da liga – 48v e 30d até 27/09 no Dodgers Stadium.


Colocando os Cardinals e Phillies dentro da perspectiva de um possível confronto, existe certo equilíbrio no ataque: PHI em 1º, LAD em 3º e STL em 7º na LN, categoria corridas marcadas. Os Dodgers têm uma estatística a seu favor que é o saldo de corridas (similar ao saldo de gols no futebol): +180, de longe, o melhor de toda a MLB. Agora, quando o assunto é arremessadores...

O favorecimento é claro tanto para Philadelphia quanto a Saint Louis. No caso dos Phillies, uma rotação com Cliff Lee, Cole Hamels, Joe Blanton e Pedro Martinez (sem contar J.A. Happ, provável novato da LN) é bastante sólida e difícil de igualar. Já a rotação do Cardinals tem um número impressionante contra Los Angeles nesta temporada – contando só Chris Carpenter, Adam Wainwright e Jole Piñeiro: combinados eles têm 38 entradas e apenas seis corridas contra os Dodgers com um ERA de 1.42.

Estes detalhes são fundamentais. A análise do beisebol se faz através de inúmeras estatísticas, porém quando se fala sobre playoffs duas coisas importam: quem são os dois principais arremessadores e quem é o closer. Mesmo com as suas cinco defesas desperdiçadas neste campeonato, Broxton é um closer confiável. O ponto de interrogação que marca os Dodgers está sobre os arremessadores titulares. Os tais nº1 e nº2 não estão definidos nem na mente de Joe Torre que, na sua 14ª pós-temporada seguida, deve saber como resolver esta dúvida e colocar o seu elenco pronto para mais uma campanha rumo ao título...

...em modo [ligado].

(GL)



© 1 e 3 Getty Images
© 2 Lisa Blumenfeld / Getty Images

Diploma = Vitória?

Matt Forté, RB do Chicago Bears em Tulane


Há alguma relação entre uma graduação universitária e eficiência no esporte?

É comum ver jovens largarem os estudos da faculdade, deixando a NCAA para trás e irem participar de ligas profissionais: NBA, NFL, MLB... Outros, porém ficam na sua alma mater* até o final do curso. Esses que saíram cedo voltam para terminar? Se conseguir o diploma, ele interfere na atuação em campo? Veremos...

Vamos abordar aqui a NFL e a MLB porque criam um antagonismo intrigante. Um esporte é considerado complexo (futebol americano), outro é considerado simples (beisebol). Esta afirmação “não-oficial” e muito comentada entre os praticantes e admiradores das modalidades é verdadeira? Os números mostram que sim.

Um estudo feito pelo Wall Street Journal envolvendo mais de 800 atletas e treinadores de todos os times da MLB encontrou apenas 26 pessoas graduadas. O jornal fez um rankeamento para saber qual time tem mais jogadores “crânios” e qual tem os “burros” e se isso influi nos resultados em campo.

Oakland Athletics e Arizona Diamondbacks (foto abaixo) são os clubes com mais “crânios” na equipe – ambos estão atualmente em último lugar nas suas respectivas divisões. Já entre os times com mais “burros” estão Los Angeles Dodgers, Los Angeles Angels, Detroit Tigers – todos estes com grandes chances de irem aos playoffs.


O draft da MLB, por onde entram os jogadores americanos, pode ser uma das razões por não ter tantos graduados jogando, pois muitos são escolhidos de ligas amadoras ou das High Schools (escolas de ensino médio) e os que vêm da universidade dificilmente voltam para terminar. Os times da MLB têm muitos asiáticos e latinos nos clubes e estes jogadores vêm como agente livres e, em grande maioria, não possuem diploma.

Através da imprensa, os jogadores da MLB criticam comentaristas e especialistas que tentam complicar o jogo, criando terminologias e teses complexas para mostrar que entendem do “riscado” e que é preciso muito estudo para ser eficiente em campo. Os jogadores argumentam que não é bem assim. Em entrevista para a ESPN, um atleta bastante conhecido e vitorioso falou anonimamente sobre a questão dizendo: “Quando estamos com o bastão para rebater, nosso pensamento é jogar a bola o mais longe possível e o mais forte que puder. Nada mais além que isto.”

Apelidado de o “homem mais inteligente do beisebol”, o arremessador Craig Breslow do Oakland Athletics, formado em Bioquímica e Biofísica Molecular (!) na Universidade de Yale (uma das mais conceituadas do EUA) confessa que quando pensa de mais, seus arremessos saem um pouco de direção. Por isso ele tenta manter a mecânica do braço na mais possível simplicidade. Lance Berkman (Economia – Rice), Mark DeRosa (Economia – Universidade da Pensilvânia) e Brad Asmus (Artes – Dartmouth) são alguns dos diplomados da MLB que completaram seus cursos universitários.


A posição do beisebol mais importante para usar o “crânio” é a de diretor (GM); são os casos de maior destaque, mas poderia ter um contingente maior. Jon Daniels, foto acima, o mais jovem GM da liga (Texas Rangers – Cornell), Mark Shapiro (Cleveland Indians – Princeton) Ken Williams (Chicago White Sox – Stanford) e Theo Epstein (Boston Red Sox – Yale) são os expoentes entre os dirigentes graduados.

Ao fazer uma comparação com a NFL, a diferença é exorbitante e estrondosa. Mais de 98% dos treinadores tem curso universitário e mais 95% dos coordenadores tem um diploma. Muitos jogadores saem da NCAA já veteranos e dos que vão antes, no mínimo tem três anos de curso. Estes são encorajados a terminar a faculdade através do programa “Continuing Education” promovido pelo sindicato dos atletas, que facilita tudo para o jogador terminar o curso e receber o diploma aonde quer que ele esteja jogando – por volta de 15 ganham a graduação anualmente. Conheça alguns dos que participaram deste programa nos últimos dois anos: Dallas Clark (Indianapolis Colts – Pedagogia, Iowa); Chase Blackburn (New York Giants – Matemática Integrada, Akron); Jason Witten (foto ao lado, Dallas Cowboys – Administração Esportiva, Tennessee); Kevin Payne (Chicago Bears – Estudos Gerais, Louisana Moore); Kassim Osgood (San Diego Charges – Sociologia, Universidade Estadual de San Diego).

Na semana de jogo, todos os jogadores com a comissão técnica estudam exaustivamente a partida anterior e o adversário do confronto seguinte. Todos os mínimos detalhes são observados, sempre pensando no erro zero na próxima atuação. As jogadas só serão executadas com eficiência se todos estiverem cientes da sua função e treinado o movimento específico.

Não é por acaso que os dois times da NFL com mais jogadores diplomados são os bem sucedidos New England Patriots e o Indianapolis Colts.

Muito estudo precisa ser feito para derrotar o oponente na NFL, sabendo que ele também estar se dedicando ao máximo nos vídeos e scouts. Já na MLB o negócio é arremessar com mais “veneno” a bola e rebater mais forte que o outro. No football o diploma pode ser considerado igual a vitórias em campo, o mesmo não se pode afirmar do beisebol.



*expressão usada para referir-se a universidade

(GL)



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Operação Michael Vick

Tony Dungy, Joel Segal, Billy Martin e Andy Reid - da esq. para dir. em sentido anti-horário


Dia 24 de Agosto de 2007. Data que Roger Goodell, comissário da NFL, suspende indefinidamente o então jogador mais bem pago de toda a história da liga, sem direito a receber nenhum centavo. Esta foi mais uma punição para Michael Vick entre tantas outras. Três dias depois, Vick confessa o crime de organizar rinhas de pit-bull, antes da corte federal americana ou do estado onde mora (Virginia) lhe dar uma condenação.

Prestes a retornar à NFL em um jogo oficial, Vick ainda tem obrigações com a justiça. Ele já cumpriu os 23 meses na prisão (dois deles em casa) e agora estar em liberdade condicional por três anos, tanto a nível federal quanto estadual; qualquer erro, qualquer falha o levará de volta à prisão. Ele está ciente deste fato e precisa permanecer comportado para permanecer livre.

Goodell também alertou que ele precisa permanecer comportado para jogar na NFL.

Antes do comissário autorizar o retorno do jogador para os campos da liga em 27 de Julho deste ano, Goodell escreveu uma carta para Vick dizendo, entre outras coisas, que “... sua margem de erro é muito limitada...” Para que Michael pudesse voltar a jogar e recebesse outra oportunidade de Goodell, muita coisa nos bastidores aconteceram.

Joel Segal, empresário do jogador, foi o primeiro que se dispôs a ajudar Vick. Segal não o abandonou, pelo contrário, ia visitá-lo constantemente na prisão localizada na cidade de Leavenworth, estado do Kansas (EUA). Sempre que encontrava Vick, no pátio da prisão igual a um visitante comum, Segal dizia “... mantenha-se em forma, olhe para frente...” Motivação necessária para Michael manter-se ocupado no presente durante todos os meses confinado, pensando que algo bom aconteceria no futuro e tentando esquecer o passado.

Mais do que visitas motivacionais, Segal trabalhava muito para minimizar as punições que Vick recebeu (justiça) e tentar melhorar sua imagem perante o povo (social). O empresário então precisou chamar um advogado e uma personalidade do esporte para ajudá-lo nestas tarefas.

A aposta foi alta no lado justiça da história. Billy Martin (foto abaixo) aceitou ingressar no “time”, ele que é um famoso advogado de defesa criminal com especialização em crimes do colarinho branco, mas que cuida também de casos envolvendo gente do esporte (o ex-jogador da NBA Jayson Williams, por exemplo). Quando Martin entrou no caso ele logo aconselhou Vick a assumir a culpa, encarar as responsabilidades de uma pessoa pública e se preparar para corrigir os erros. Até que a estratégia deu certo, pois a punição não foi tão severa quanto poderia ser, apesar da condicional ser bastante rígida.


Com a situação perante a lei resolvida, a questão passava a ser como controlar a fúria da população (fãs da NFL ou não) que mostrou um repúdio notório às ações praticadas por Vick. Segal chamou pro seu “time” uma mulher (Judy Smith) que trabalha especificamente em ajudar pessoas a administrar estas crises com o povo. Contudo, ela não era suficiente para diminuir toda raiva ensandecida das pessoas. Uma coincidência ajudou Segal, Martin e Judy a achar o “alguém” certo.

Nestas situações que a vida proporciona, Martin se lembrou de uma colega sua do tempo de infância que hoje é casada com um grande homem da NFL. A mulher chama-se Lauren Dungy, esposa de Tony Dungy, ex-técnico (Indianapolis Colts e Tampa Bay Buccaneers) e hoje comentarista. Encontraram a peça que faltava.

Entre Dungy e Vick só uma coisa havia em comum: a prisão. Não que Tony já tenha sido preso, mas ele sempre teve um ministério cristão no qual ele visita constantemente presídios e cadeias em todo o EUA, dando a população carcerária uma palavra de conforto e ajuda – houve um período que Tony quase abandonou a NFL para se dedicar somente a esse trabalho. As características de Tony se encaixavam perfeitamente naquilo que Vick precisava: um conselheiro. Segal chamou Dungy para se juntar ao “time” e ele prontamente aceitou.

Assim que Dungy entrou na história tudo mudou. Ao ver uma pessoa do caráter irrepreensível de Dungy junto com Vick, a população e a imprensa passou a ter outra percepção do caso pensando da seguinte maneira: “Se alguém com uma credibilidade tão forte como Dungy é a favor de Vick, lutando para que seja dada outra chance, vale considerar a hipótese de conceder outra oportunidade”.

O envolvimento de Dungy teve uma repercussão direta entre os diretores, presidentes e técnicos da NFL exatamente pelo citado acima. Vários dirigentes ligavam para Tony nem para saber como contratá-lo, pois Dungy não é o empresário, mas para saber como Vick estava, se ele realmente mudou, se tava arrependido...

As especulações eram diversas acerca dos times que Vick poderia jogar. Justamente o Philadelphia Eagles, time que acertou com o jogador, era um dos clubes menos citados sobre uma possível negociação. Foi uma brincadeira de escritório que levou Vick para Filadélfia.

Estava reunida a alta cúpula da franquia para um bate-papo informal: executivos, diretores, presidente... quando alguém soltou: “E se a gente contratar o Michael Vick?” Respostas despretensiosas surgiram (e piadas de mau gosto também), porém Joe Banner, presidente do clube, considerou e resolveu ligar para Andy Reid sobre a possibilidade. Achou uma opinião positiva de uma pessoa que luta por segundas chances.


Num sábado á noite, Banner (foto acima) liga para Segal e fala sobre Vick pela primeira vez. Foi uma conversa inicial que resultou em vários acertos. Estava encaminhada a ida de Michael para os Eagles.

Mas, afinal de contas, o que Reid falou com seu presidente que o fez contratar Vick? Dias depois todos ficaram sabendo.

Reid é um conservador elevado à décima, mas ele deixou as emoções florir na coletiva de apresentação de Michael Vick. O treinador compartilhou o drama que ele passou em 2007, justamente o mesmo ano que Vick foi preso, ao presenciar dois filhos seus (Garret e Britt) serem presos no mesmo dia, em incidentes diferentes, por graves acusações envolvendo drogas e armas. Ambos ainda estão presos, entretanto logo eles ganharão novamente a liberdade e irão enfrentar a dificuldade de conseguir a segunda chance.

Por a história do Michael e dos meus filhos terem acontecido no mesmo tempo, eu acompanhei de perto o que Vick estava passando e sei muito bem o que é estar na situação que ele se encontrava. Por isso, eu sei quais são as mudanças que precisam ser feitas.” Afirma Reid se colocando a disposição de ir além da função de treinador e se propondo a ajudar no que for necessário.

Neste Domingo quando entrar em campo no jogo dos Eagles contra o Kansas City Chiefs, Michael Vick irá agradecer a Deus por mais um jogo que irá acontecer e deve se lembrar de agradecer também por todas as pessoas que trabalharam e se dedicaram para que esse dia chegasse. Agora a bola está em suas mãos para concretizar o que ele diz frequentemente: Fazer com que as ações falem mais do que as palavras.


(GL)



© 1 Arte Gráfica por Kevin Dearth (Michael Vick)
© 2 Steve Helber / AP


PS: Leia “As Suas Glórias Vêm do Passado” texto sobre o San Francisco 49ers e Mike Singletary (publicado em 05 de Agosto)

O Incomum e o Inusitado


Uma das primeiras ações do treinador John Harbaugh em 2008, assim que chegou para comandar o Baltimore Ravens, foi contratar seu amigo Cam Cameron para o cargo de coordenador ofensivo. Os dois já tinham trabalhado juntos na Universidade de Indiana – Camerom o técnico e Harbaugh o coordenador defensivo – e a tarefa inicial em Baltimore era muito simples, mas complicada ao mesmo tempo: melhorar a produtividade do ataque.

A ordem dos treinadores? “Vamos pelo menos vencê-los (a defesa) nos treinos...” Convenhamos que não deve ser algo tão fácil de fazer, pois o esquema defensivo dos Ravens não é só um dos melhores da NFL atual; pode ser considerado um dos mais empolgantes de todos os tempos.

Pelo apresentado nestes dois primeiros jogos da temporada 2009, percebe-se que o jogo ofensivo dos Ravens melhorou sensivelmente. Quando se comenta sobre o melhor ataque da liga, dois nomes surgem rapidamente: (Drew) Brees e Saints. Pois bem, o New Orleans é o melhor ataque até então neste campeonato, seguido por Baltimore...

Sim! Baltimore é o segundo melhor ataque do campeonato com média de 34.5 PPJ, 10 pontos acima da média registrada no ano passado.

Joe Flacco, QB titular do time em sua segunda temporada, está fazendo algo incomum para ele nesta curta carreira na liga: passar a bola. Flacco já tem 5 touchdowns em apenas duas semanas; ele demorou oito jogos para conseguir esta marca em 2008.

Após duas boas partidas em que o jogo aéreo foi bastante eficiente, Camerom foi questionado várias vezes pela imprensa local se Flacco iria mesmo passar a bola com mais frequência. O coordenador prontamente respondeu que não vai mudar as características da equipe (que vem desde os tempos do Brian Billick): correr primeiro, depois correr novamente... jogo aéreo não é uma das primeiras opções, porém está lá a disposição no livro de jogadas e Camerom (foto abaixo com Joe) sabe que o seu QB pode marcar pontos através do passe.


No primeiro jogo da temporada contra o Kansas City Chiefs, o Baltimore conseguiu 501 jardas no ataque (303 no passe e 198 correndo), um recorde na franquia. Flacco passou a bola em 43 oportunidades e só em quatro jogos que ele passou mais de 30 vezes no ano passado (perdeu em cada um deles). Harbaugh fez questão de afirmar que tal estratégia não foi por acaso e poderá se repetir mais vezes. “Nós vamos passar a bola se for nos ajudar a vencer. Entendo que temos capacidade para desenvolver o jogo aéreo com mais produtividade do que fizemos em 2008”.

Contra o San Diego Charges, no jogo seguinte, a história mudou um pouco. A estratégia de passar não poderia ser a mesma já que os Charges têm dois ótimos cornerbacks (Antonio Cromartie e Quentin Jammer) e jogadores que pressionam constantemente o QB (principalmente o linebacker Shawne Merriman, que forçou uma interceptação). Camerom apostou no jogo corrido para tornar o passe menos previsível e deixar Flacco mais a vontade em situações que ele próprio chamava as jogadas. Este balanço ofensivo produziu dois TD´s corrido (todos de Willis MaGahee) e dois TD´s no passe.

A confiança que Camerom coloca em Flacco vem dos treinamentos do time e pela pré-temporada da equipe. São estes os momentos que Flacco aprende como uma defesa pode ser desenhada na melhor forma possível, dando a ele a oportunidade de ler a jogada e direcionar a linha ofensiva para uma possível blitz, orientar os receivers sobre uma marcação dupla ou individual... Isto ele aprende vendo o capitão do outro time, Ray Lewis, quando as jogadas de defesas são cantadas.


Esta ofensividade toda não empolga a imprensa local e muito menos os torcedores. O foco está no “baixo” desempenho do sistema defensivo que está com uma média 10 de pontos cedidos a mais nesta temporada em comparação com o campeonato passado (25 contra 15). A saída do coordenador defensivo Rex Ryan (hoje treinador do New York Jets) fez a defesa sair um pouco do eixo, mas tem tudo para aos poucos voltar ao normal. Na partida contra os Charges, o time cedeu 474 jardas no total e a culpa do “desastre” foi creditada a secundária da equipe que permitiu passes para 81, 45 e 38 jardas. O trabalho para ajustar esta falha já está sendo feito nesta semana com os CB´s Fabian Washington e Domonique Foxworth - Harbaugh deve usar mais a marcação por zona bem aberta e profunda mandando Terrel Suggs e Trevor Pryce pressionar constantemente o QB adversário para os passes serem mais curtos.

Depois de, provavelmente, passar pelo Cleveland Browns neste próximo domingo, os Ravens terá um bom teste contra o New England Patriots fora de casa. Aí será o termômetro para ver se realmente a defesa está muito ruim e se o ataque está muito bom. O jargão diz ataque ganha jogo, defesa ganha campeonato, mas esta frase não faz parte do dialeto do torcedor dos Ravens. Embora a equipe defensiva tenha jogado muito mal no último domingo, foi ela quem decidiu a partida – com o super tackle de Ray Lewis em Darren Sproles nos segundos finais do jogo.

Os fãs do Baltimore nunca acreditaram em tal clichê porque sempre presenciaram a defesa ganhar jogos... algo que tende a ser diferente neste ano, pois o clube usará uma estratégia “inusitada e insólita” para conseguir vitórias: o jogo ofensivo.

(GL)



© 1 Rob Carr / AP
© 2 John Angelillo / UPI
© 3 Kim Hairston / Baltimore Sun

Quando Um Completa o Outro

Chris Carpenter e Adam Wainwright

Ao olhar para os dois principais arremessadores titulares do Saint Louis Cardinals, se chega a uma conclusão fácil: ambos se completam. Se Tim Lincecum (arremessador do San Francisco Giants) não atrapalhar, os dois irão criar uma “discórdia”, pois só um poderá levar o troféu Cy Young. Tanto Adam Wainwright quanto Chris Carpenter estão nas conversas sobre quem será o melhor arremessador da Liga Nacional (LN) na primeira temporada, depois de quatro anos, que os dois jogam juntos como titulares.

Eles formam a combinação perfeita do “1-2”, favorecendo assim os Cardinals na pós-temporada e já causando preocupação nos prováveis adversários que os enfrentarão em dias seguidos; a projeção é que Carpenter arremesse o primeiro jogo dos playoffs e Wainwright o segundo.

Os dois, porém são muito semelhantes em alguns aspectos: na altura, no peso e na mecânica de arremesso. Identificá-los sem olhar para o nome atrás da camisa é difícil, tornando a opção de escolher qual é o melhor entre eles bastante complicada, tarefa que os jornalistas (responsáveis por eleger o vencedor do Cy Young) terão que realizar. A vantagem vai para Carpenter por “parecer” mais eficiente, embora Wainwright tenha rotina similar – Chris tem menos derrotas (4) e Adam mais vitórias (18).*

Carpenter já estava no time em 2005 quando Wainwright foi chamado das ligas de base para arremessar duas entradas como reliever. No ano seguinte quando ele oficialmente permaneceu no elenco, a comissão técnica decidiu fazê-lo um closer (aquele que arremessa no final do jogo para fechar a partida) porque Dave Duncan, treinador dos arremessadores, enxergou o potencial no braço de Adam para definir com agressividade as partidas. O resultado foi extremamente positivo com Wainwright jogando nove entradas nos playoffs e não cedendo nenhuma corrida na campanha do título da World Series.


Enquanto isso Carpenter estava fazendo uma estupenda temporada como titular defendendo o Cy Young conquistado em 2005. Ele foi decisivo também na World Series, principalmente no jogo 3, com uma impressionante atuação em oito entradas e desempatando na ocasião a série contra o Detroit Tigers.

2007 chegou e Carpenter, no seu primeiro jogo da temporada, machucou o cotovelo e teve que fazer uma cirurgia muito conhecida no mundo da MLB: Tommy John Surgery – que refaz o ligamento do cotovelo usando um tendão de outras partes do corpo. Chris teve que ficar de fora do campeonato todo e Duncan trouxe Wainwright do bullpen para substituí-lo. Adam assumiu a titularidade também em 2008, porque Carpenter enfrentou mais problemas no braço fazendo apenas quatro jogos.

A temporada 2009 é a primeira que Carpenter e Wainwright estão juntos como titulares e Duncan está adorando – ele que é o responsável por ambos estarem tão bem a ponto de concorrerem ao Cy Young. Produzir arremessadores de qualidade faz pare do currículo de Dave: são quatro jogadores “Hall da Fama”, quatro vencedores de Cy Young, um MVP e 10 atletas que venceram 20 jogos em 30 anos de carreira passando por cinco clubes. O mais peculiar disso tudo é que Duncan não foi arremessador nos seu tempo de MLB – ele era catcher – fazendo dele o único treinador de arremessadores da liga que não foi um jogador da posição.

Duncan deixa a entender que Carpenter é favorito para levar o Cy Young deste ano “Ele é o pacote completo, quero dizer que ele elimina rebatedores canhotos e destros com a mesma facilidade”. Ele só não afirma sua posição porque o campeonato que Wainwright está fazendo é notável: prestes a chegar a marca de 20 vitórias (meta principal de arremessador), o último jogador dos Cardinals a chegar a tal marca foi justamente Carpenter em 2005, ano que ele levou o Cy Young.


A dois jogos que Adam busca a 19ª vitória e não consegue (perdeu para o Florida Marlins e teve uma “não decisão” contra o Chicago Cubs ontem). Aliás, mesmo não saindo com a vitória, Wainwright fez um belo jogo com 10 strikeouts, sendo a segunda vez na carreira que ele termina uma partida com strikeouts em duplos dígitos. Mantendo a rotação ideal, Carpenter arremessou no Sábado passado contra o mesmo Cubs – teve uma “não decisão” mas passou invicto por oito entradas.

Caso Carpenter ganhe o Cy Young (ou Lincecum, por exemplo), será apenas a quarta vez que um jogador repete a honra nos últimos 25 anos: Randy Johnson, Greg Maddux e Tom Glavine são os únicos que conseguiram dois prêmios na LN neste período. Caso Wainwright leve o troféu, será algo inesperado para alguém que passou desacreditado nas ligas de base até chegar às mãos de Dave Duncan.

E se o prêmio for para qualquer um dos jogadores do Saint Louis, será mais uma vitória do treinador Duncan, o especialista em moldar arremessadores que recebem o tag “Cy Young”, colocando dois atletas do seu plantel na disputa sem um anular o outro, pelo contrário, com o outro completando o um.

*até 20 de Setembro

(GL)



© 1 Dilip Vishwanat / Getty Images
© 2 e 3 Tom Gannam / AP

Medos e Limites: Caso Leodis McKelvin


Restava menos de dois minutos para o término da partida entre New England Patriots e Buffalo Bills. A equipe de Buffalo estava na frente (24 a 19) e prestes a receber um kickoff dos Patriots. Leodis McKelvin, cornerback, recebe a bola dentro da endzone e tinha duas opções: forçar um touchback ajoelhando onde estava para seu time começar o ataque a partir da jarda de número 20, ou correr buscando avançar mais no campo. Ele optou pela segunda alternativa, pois ele é um especialista em retornar kickoffs – o segundo em toda a NFL no ano passado com 1468 jardas. Ninguém esperava que o lance retratado na foto acima acontecesse.

Quando McKelvin chegou perto da jarda de número 30, ele recebeu vários tackles e deixou a bola cair. Os Patriots recuperaram e marcaram o touchdown (TD) da vitória nos minutos finas do jogo. A reação de todos que estavam assistindo, seja torcedor do Bills ou não, foi de espanto; exatamente o mais difícil aconteceu.

Ao voltar para sua residência – que fica na cidade de Hamburg, perto de Buffalo, estado de New York – ele se depara com um ato de vandalismo. No jardim em frente da casa está escrito o placar do jogo e um desenho obsceno “ensinando a ele como ajoelhar”... Ver aquilo causou uma sensação de medo. Até então ninguém sabia quem era o autor da barbaridade e nem se tinha feito algo com a casa.

A polícia conseguiu achar os infelizes desocupados que fizeram a agressão: dois adolescentes de 16 anos que confirmaram a ação. Na Quarta (dia 16), McKelvin (foto à esq.) disse ao Sgt. Thomas Best, da delegacia de Hamburg, que não iria registrar acusação contra os garotos, não querendo levar eles à prisão pelo ato ocorrido. Porém nesta Quinta (17), o advogado do distrito de Eric County, área de Buffalo, disse em entrevista a uma rádio local (WBEN) que recebeu uma declaração juramentada de McKelvin afirmando que o jogador gostaria de incriminar os garotos – talvez Leodis soube que a punição será leve se vier a ser concretizada. O objetivo do atleta é ao menos punir os infratores, mesmo que sejam algumas horas de serviços comunitários, aproveitando para não deixar um cheiro de impunidade no ar.

Este episódio trouxe de volta a questão da segurança dos jogadores da NFL. Todos vivem com bastante medo e receio desde a morte do Sean Taylor, jogador do Washington Redskins, em 2007. “Nós, atletas da NFL, sempre pensamos no pior desde o incidente com Taylor. As pessoas chegam à sua casa com alguma coisa e é preciso manter a atenção” diz McKelvin sobre a sensação que os jogadores da liga têm hoje. Os garotos foram até a residência de Leodis com um spray, mas eles poderiam estar com outros objetos...

Entre os atletas da NFL há várias histórias de medo e situações que pessoas passaram do limite. Eis algumas delas:

BEN ROETHLISBERGER, quarterback do Pittsburgh Steelers. No começo ele era alvo de olhares julgadores e de comentários provocantes. Seus companheiros diziam: Quem é este “novato” para andar com este monte de guarda-costas? “Big Ben” ri deste tempo quando olha para as mesmas pessoas que lhe criticavam e hoje estão com seguranças também... “Ter um guarda-costas não é sinônimo de fraqueza. Tenho plena certeza que 99% dos jogadores da NFL podem encarar uma luta ‘mano a mano’. A questão, porém não é só nos proteger mas também outras coisas como a nossa reputação, nossa saúde, família, dinheiro... Estamos tentando salvar as nossas vidas.” afirma o QB.

KEVIN MAWAE, center do Tennesee Titans e presidente do sindicato dos atletas da NFL. Ele contou uma história pessoal interessante à ESPN. “Isto aconteceu em 2006 quando comecei a morar em Tennessee. Eu estava no CT e minha mulher e meus filhos em casa. Ela recebeu um telefonema de um vizinho dizendo que a van estacionada na frente da nossa casa estava lá por três dias, com um cara olhando para a residência usando um binóculo. Então, eu liguei para a segurança da NFL e eles conseguiram a placa da van, descobriram quem era o cara e o pegaram no mercadinho do bairro. O ‘espião’ era um simpático senhor de idade que queria apenas me ver e pegar um autógrafo. Esse é um exemplo clássico do limite ultrapassado: Nunca se sabe o que pode acontecer”.

FRED TAYLOR, running back do New England Patriots. Por “não saber o que pode acontecer”, Fred toma uma decisão mais drástica, conhecida como AK-47, pistola automática... Ele tem licença para usar armas e as carrega com frequência, mesmo a NFL não permitindo elas em alguns lugares, principalmente nas sedes dos clubes e em estádios. “Quem sabe o que é suficiente? Tudo o que você imaginar de dispositivo de segurança eu tenho instalado na minha casa. Posso monitorar tudo no meu laptop. Mesmo assim não me sinto totalmente seguro”.



RYAN STEWART, ex-safety do Detroit Lions. Esta é uma história quase trágica. Ele estudou na escola de ensino médio Berkeley High School na Carolina do Sul e participou de uma das grandes rivalidades do estado. Em um jogo com seu time perdendo para o grande rival por 5 pontos e o relógio já zerado, ele retornou um kickoff – pegando a bola na endzone – e por pouco não marcou o TD da vitória; faltou 11 jardas. Ao voltar para casa, um carro estava o seguindo (Stewart dirigia uma pick-up no estilo off-road). Em um determinado ponto, alguém sai do carro de trás e atira contra Ryan. A bala atravessa a caçamba, a cabine dupla e para na parte traseira do banco do motorista... Stewart nada sofreu.

Apesar de parecer óbvio, muitos fãs não sabem quando ultrapassam o limite entre ser “um-idiota-sem-ter-o-que-fazer” ou apenas um torcedor indignado. O que aconteceu com McKelvin foi surpreendente porque os torcedores dos Bills são conhecidos em toda a NFL por apoiar incondicionalmente os jogadores do clube e respeitar a privacidade deles. É claro que a ação de dois meliantes não expressa o sentimento de toda a torcida. No jogo deste domingo em casa contra o Tampa Bay Buccaneers, irá ser a oportunidade de eles fazerem algo semelhante ao que foi feito com Scott Norwood.

Norwood é conhecido simplesmente por perder o field goal mais importante da franquia - caso fosse convertido daria o título do Super Bowl XXV (1991) aos Bills contra o New York Giants. Até hoje ele é chamado de Wide Right (tr. Pra Fora à Direita) e foi satirizado em programas, seriados, músicas... Porém quando ele chegou em Buffalo após a decisão, 25 mil fãs gritaram “Nós amamos Scott” e o ovacionaram mais do que a estrela do time, o QB Jim Kelly.

A agência de notícias Associated Press foi às ruas de Buffalo ver o real sentimento do verdadeiro torcedor do clube. Encontraram o bom senso ao entrevistar um sócio-torcedor (Harry Kozlowski). “Eu sugiro que nós fãs assinemos um cartão gigante pedindo desculpas a McKelvin. O que aconteceu com ele é lamentável porque rotulou todos os torcedores dos Bills. Os fãs de football esquecem que os jogadores são seres humanos e ir para o jardim de um atleta e cometer um ato de vandalismo não vai ajudá-lo a jogar melhor... Mostrar apoio e incentivo fará maravilhas para ele superar o fato de ter decepcionado seus companheiros”.

(GL)



© 1 Steven Senne / AP
© 2 Michael Conroy / AP
© 3 Mark Mann / Maxim
© 4 AP

'Juntos Somos +'

Domenik Hixon e Sinorice Moss

É a união que motivará os wide receivers (WR) do New York Giants a fazerem um bom campeonato.

Nós somos capazes. Perdemos dois receivers sim, porém isto nos fez ficar mais amigos um do outro, mais unidos”. Palavras de Mario Manningham, único jogador ofensivo a marcar um touchdown (TD) na abertura da temporada contra o rival Washington Redskins – vitória dos Giants por 23 a 17. Estes dois nomes que Manningham fala são Plaxico Burress e Amani Toomer, excelentes WR´s que não fazem mais parte do elenco.

Nas previsões de pré-temporada, analistas e comentaristas alertavam para o fato de que os Giants não teriam mais um WR número 1, aquele alvo de segurança para jogadas de terceira descida e na redzone (parte do campo entra a jarda 20 e a goal line). Burress, mais especificamente, é um especialista nestas jogadas de redzone; se uma equipe consegue ter um alto aproveitamento nelas marcando TD´s, mostra a eficiência na conclusão e finalização da campanha de ataque. Na partida contra os Redskins, Lawrence Tynes, kicker de NY, converteu dois field goals quando o ataque estava na redzone e um quando o time chegou na jarda número 27. Conforme a temporada for se desenvolvendo, Eli Mannig (quarterback – QB) irá achar este receiver finalizador.

Já nas terceiras descidas, Eli completou vários passes em tais situações ao invés de ir com os running backs, jogada mais segura e de mais confiança. Isto foi feito para envolver os receivers na partida e deixar a defesa dos Redskins confusa e adivinhando qual jogada Manning iria utilizar. Um exemplo claro disto ocorreu no touchdown de Manningham.

Era o início do segundo período, os Giants estavam atrás no placar (0 a 3) e na terceira descida para sete jardas – 31 jardas para marcar o TD. A jogada desenhada é uma corrida pelo lado esquerdo da linha ofensiva, mas Eli muda para um passe quando olha a formação defensiva do Washington bastante agressiva, dando a pinta de blitz. Eli faz o sinal do passe curto para a direita e vai para a formação shotgun. Quando a jogada inicia, de fato vem a blitz com oito jogadores e o passe vai curto para Manningham, que dribla três defensores e marca o TD - veja vídeo abaixo).



O TD é todo crédito de Mannigham” disse Eli após o jogo. “O improviso veio na hora porque pensei que a defesa fosse nos marcar por zona ou fazer uma cobertura dupla. A jogada não estava dentro do planejamento mas ele entendeu o sinal e deu tudo certo. Estes jovens receivers estão ligados e atentos”.

Eli usou quatro diferentes WR nesta partida (Manningham, Domenik Hixon, Steve Smith e Hakeem Nicks). O time terá a ausência do novato Nicks durante três semanas devido uma torção no pé esquerdo, desta forma Sinorice Moss deve ser mais utilizado neste grupo de receivers que não promete formar um líder, mas sim criar um espírito de coletividade com cada um complementando o outro.

Smith é um WR de posse; Manningham é habilidoso para correr e também para receber; Hixon foi o primeiro da equipe em jardas recebidas no campeonato passado; Moss é o mais veloz de todos e Nicks é um dos melhores WR novatos deste ano e fez uma boa estréia.

Durante nossa preparação todos perguntaram: Quem será o número 1? Nós temos sete caras que podem jogar e espero que todos sejam utilizados. Não se pode focar só em um WR porque assim facilita o trabalho dos nossos adversários” disse Hixon sobre questionamentos feitos durante a pré-temporada do clube e que voltaram a ser mencionados depois da partida do último domingo. (ele falou sete receivers incluindo Derek Hagan e Ramses Barden entre os já citados aqui).


O mais importante é que Eli confia nos seus jovens WR´s (na foto acima à dir. com Steve Smith á esq). Ele pode não ter mais o seu alvo preferido em campo (Burress), entretanto há inúmeras opções para avançar o time no campo rumo aos TD´s e ampliando mais as formas de ataque do time não sobrecarregando os RB´s Brandon Jacobs e Ahmad Bradshaw. Quanto mais diversidade ofensiva, melhor; o forte da equipe ainda é a defesa que, mesmo com a mudança na coordenação, fez uma excelente partida inclusive marcando um TD (Osi Umenyiora).

Ao ver os receivers tão unidos e focados em juntos assumir as responsabilidades do jogo aéreo do time, os torcedores dos Giants vão poder confiar mais neles entendendo que quando um WR estiver em um mau dia, outro irá assumir o lugar. A nova missão dos fãs é reconhecer os receivers não só pelo esforço e dedicação, mas saber quem eles são entre tantos números “80”: 87, 83, 88, 82...

(GL)



© 1 New York Giants Media
© 2 Mike Groll / AP

Luzes da Sexta à Noite


Nesta última sexta (11/09) Derek Jeter, shortstop (SS) do New York Yankees, quebrou um recorde que durou 72 anos: se tornou o jogador com mais rebatidas na história da franquia. O destaque dado ao feito de Jeter pode ter incomodado um pouco os torcedores de outros clubes, mas chegar a este patamar não é fácil, sem mencionar que o camisa 2 dos Yankees esta à frente de grandes nomes do esporte que jogaram no time de New York: Lou Gehrig, Mickey Mantle, Joe DiMaggio, Babe Ruth, Yogi Berra...

O troféu de MVP da Liga Americana praticamente tem um destino certo: Joe Mauer, catcher do Minnesota Twins – se há um Yankee que ameace Mauer, o nome dele é Mark Teixeira, primeira base (1B). Só que esta marca alcançada por Jeter, somada com os bons números que ele vem produzindo neste campeonato, faz com que especialistas tragam o nome dele na discussão do prêmio, que Jeter nunca ganhou.

Em 1999 ele esteve perto de levar. Muitos pensavam que ele seria o vencedor – com .349 BA, 24 HR´s e 219 rebatidas – porém os jornalistas escolheram Ivan Rodriguez, catcher do Texas Rangers. Três anos atrás, 2006, Jeter foi mais uma vez considerado como um dos favoritos a ser o MVP – .343 BA na ocasião. Quem ganhou o prêmio foi Justin Morneau, 1B dos Twins.

Derek Jeter não tem em 2009 os números que produziu nestas duas temporadas citadas, contudo são as melhores estatísticas da carreira – até 14/09. Ele está acima de sua média em BA (.332 contra .317), OBP (.399 contra .387) e OPS (.870 contra .846). Além de ter melhorado num aspecto do seu jogo que sempre foi alvo de críticas: a defesa.

Existem textos e mais textos, comentários e mais comentários sobre o crescimento do jogo defensivo de Jeter. Na verdade não houve uma melhora substancial no quesito em relação aos números e sim o fato de que o SS tem errado menos do que em outras oportunidades. Isto já é suficiente para colocá-lo no debate.


Mas dificilmente ele sairá vencedor.

Jeter não se preocupa tanto com prêmios individuais “A única coisa que importa é o quinto anel de campeão da World Series” ele afirma constantemente. Com os Yankees no topo da MLB e jogando o melhor beisebol no final da temporada normal, as chances são grandes dele conquistar mais um título.

Este pensamento coletivo de Jeter mostra m pouco do seu caráter, que é bem exemplificado no seu estilo de jogo. Ao vê-lo jogar é possível entender como ele é fora de campo; discreto, calmo, persistente... Os valores que ele demonstra são aqueles básicos, típicos conselhos da vovó.

Sobre ouvir os pais: “Eles são os primeiros que eu vou conversar sobre qualquer coisa; principalmente se eu precisar de uma ajuda ou conselho”. Sobre ser verdadeiro: “Não acredito que alguém possa enganar as pessoas por um longo período.” Sobre más companhias: “Uma coisa importante é você estar com boas pessoas ao seu redor. Quando você vê caras em situações desagradáveis e tomando decisões equivocadas, a maioria das vezes eles estavam com pessoas erradas. Penso que é preciso estar consciente de quem está a sua volta, isto pra mim é primordial; mas aí vai de cada um”.*

Até quando Jeter erra ele aprende e ainda ganha dinheiro. (Provavelmente se lembrando dos conselhos de que é preciso aproveitar toda oportunidade...).

Ele não está imune ao estereótipo nova-iorquino: solteiro, rico, jogador dos Yankees... Vez ou outra ele está aproveitando as luzes da sexta à noite e se divertindo na capital do mundo. Em 2002, George Steinbrenner, dono da franquia, disse à imprensa que Jeter ficou até as 3 da manhã numa festa – não era dia de folga – durante o campeonato; aproveitando para criticar o jogador por “falta de foco” e que tal incidente “não lhe caiu bem”. Foi tudo um mal entendido. Tanto que, em Março de 2003 ambos aparecem em um comercial da Visa satirizando a situação.



Exatamente por viver em New York e ter que lidar diariamente com a feroz e impetuosa mídia dos tablóides e afins, ficar longe das manchetes polêmicas, colunas sócias e fofocas é uma tarefa quase impossível. Analisando friamente, até que Jeter tem um saldo positivo a seu favor ficando longe de escândalos e polêmicas mesmo com uma vasta e respeitável lista amorosa.

A cantora Mariah Carey, as atrizes Scarlett Johansson, Gabrielle Union, Jessica Alba e a brasileira Jordana Brewster, a Miss Universo Lara Dutt são algumas das mulheres que já se envolveram com o jogador. Agora ele está em um relacionamento sério desde 2008 com a atriz Minka Kelly (foto abaixo).


Kelly, que é uma das protagonistas do famoso seriado Friday Night Lights – que tem como tema o futebol americano – parece ser a escolhida “Srª Jeter”. Rumores “tablodianos” dizem que o casal está prestes a noivar, o que Kelly prontamente nega.

Independente do que acontecer daqui pra frente com certeza Derek Jeter, por dois motivos óbvios, não esquecerá facilmente os brilhos das luzes da Sexta à noite.


(GL)

*Declarações dadas ao site da Major League Baseball


© 1 Brian J. Myers / US Presswire
© 2 Elsa / Getty Images
© 3 Mitchell Haaseth / NBC


PS: Leia “Tablóide Ambulante”, artigo sobre Alex Rodriguez – 3B do New York Yankees (publicado em 30 de março)

Capacetes, Pra Quê te Quero?!


Pra proteger, ora!

- Que venham com estética, por favor?! – Dizem assim os jogadores da MLB.

Desde o dia 10 de Setembro a tradicional empresa Rawlings, fabricante de equipamentos para o beisebol, disponibilizou para qualquer jogador da liga o novo capacete S100, desenvolvido após exaustivas pesquisas visando a proteção da cabeça dos rebatedores.

Eles, entretanto, não acharam uma boa idéia.

- Certo, protegem a nossa cabeça de uma bola a 100 mph (ou 162 km/h), mas é feinho, em? Convenhamos... – diria um atleta da MLB.

Na verdade este é o pensamento mais comum. As conversas nos vestiários e via imprensa deixa a entender que o S100 não será tão popular entre o seu principal público alvo: os jogadores. Agora, para saber se realmente vale a pena ou não usá-lo, alguns fizeram o teste.

Ryan Dempster, arremessador do Chicago Cubs, foi o primeiro a utilizar o dito cujo – os Cubs estão na Liga Nacional e lá o arremessador também faz parte do ataque. Alvo de risadas e piadas, Dempster superou as provocações e aprovou o novo equipamento. Depois dele veio David Wright, que foi atingido com uma bola na cabeça (leia “Nas Entrelinhas”) e resolveu testar o novo capacete. Alvo de risadas e piadas, Wright superou as provocações e aprovou o novo equipamento².

A má repercussão do projeto inovador não atinge a Rawlings – como disse Mike Thompson, gerente executivo de marketing da empresa “...de qualquer forma, eles usarão um capacete nosso mesmo...” – o objetivo foi aplicar as mais novas tecnologias existentes em beneficio dos atletas. O S100 (foto à esq.) seria só apresentado no final do ano e disponibilizado na pré-temporada de 2010, mas a diretoria da Rawlings resolveu despachá-los antes devido a recentes incidentes que jogadores tiveram sendo atingidos com bolas na cabeça em 2009.

Tanto o lado interno quanto o externo são feitos com material de ponta. O interior é totalmente diferente em relação a modelos anteriores: o S100 tem um revestimento de proteção dentro do capacete mais seguro; já os outros tipos (Standard-Padrão e Cool Flo) têm almofadas protegendo a orelha e uma fina camada acolchoada protegendo a testa – é confiável para agüentar uma bola a 70 mph (ou 113km/h)

Pode ser que no futuro faça mais sucesso, porém neste ano não serão muitos os jogadores que usarão o S100. Veja Rob Johnson, catcher do Seattle Mariners com o novo capacete nesta curta reportagem de Jim Caple, jornalista da ESPN – vídeo cortesia da ESPN.



Viu?

Por não ser comum e ninguém está acostumado com ele, realmente é estranho. Mas, até 1971 os capacetes não eram obrigatórios na MLB; tudo muda...

Houve um tempo, imagina, que o futebol americano era praticado SEM capacete, podemos assim dizer; era só um “chapéu”... Em 1939 John Riddell criou o primeiro capacete de plástico. Na época, o então presidente americano Theodore Roosevelt queria proibir o jogo a nível universitário pelas graves lesões na cabeça que ocorriam.

Riddell hoje é uma marca conhecidíssima e fabrica o mais popular capacete para futebol americano. Há concorrência da Schutt e da Xenith, a mais nova marca no mercado, que vem com força total trazendo uma nova tecnologia referente a capacetes de football.

Ela criou um modelo sem almofadas mas com pequenos absorvedores de choque em pontos estratégicos do capacete: o chamado X1 (foto ao lado). Quando acontece a pancada, os absorvedores liberam ar e dissipam a energia do impacto; tudo isso em 0.003 segundos. Criado em 2007, ele foi utilizado por alguns jogadores no ano passado e nesta temporada está disponível a todos, inclusive ao público em geral: o Xenith X1 custa em média US$ 350. Já o Riddel Revolution Speedy, mais novo modelo da marca, está na faixa dos US$ 236.

Contudo, Thad Ide, vice presidente de pesquisa e desenvolvimento da Riddell diz “Não acredito que será possível criar um equipamento que seja 100% contra contusões”. Exato, haja vista que muitas delas ocorrem por erros dos atletas. Mike Kirschener, treinador da Ben Davis High School (Indianápolis) disse em entrevista à ESPN: “Em relação a prevenir contusões, a principal coisa é ensinar o jogo de maneira correta para os garotos, mostrando as técnicas certas de como dar um tackle, por exemplo”.

Uma coisa é certa: se você estiver dentro de um espaço dividido com outros 21 homens enfurecidos atrás de uma bola, é bom usar algo na cabeça para preservá-la de um choque no meio do caminho. O mesmo pode ser dito para quem for encarar bolas arremessadas a mais de 110 km/h.

Afinal, para isto é que servem os capacetes: pra proteger, ora!

(GL)

Tão Óbvio, Tão Lógico...


... e porque nunca aconteceu?

Há um questionamento simples e comum entre os fãs brasileiros de futebol americano: Se o Brasil é o país do futebol e tem grandes atletas jogando por aí, porque nenhum deles atua na NFL como kicker?

A resposta desta pergunta vai demorar um pouco para se concretizar, mas virá com qualidade. Eduardo Câmara (foto acima, chutando), kicker da Cedar Hill High School (escola de ensino médio) do estado do Texas está trilhando o caminho tradicional para entrar na liga e sua trajetória está sendo feita com muita eficiência.

Fazendo uma projeção, Eduardo é o brasileiro que tem a melhor condição de chegar à NFL com um nome forte e categoria para participar como titular de qualquer clube. Antes, porém, ele tem que passar no mínimo três anos na universidade, que ele irá cursar a partir de 2010.

É bom lembrar de algo: quase um brasileiro chegou na liga sem passar pelas vias comuns, fazendo a transição do futebol brasileiro direto para à NFL.

Adhemar, ex-jogador do São Caetano e do Stuttgart da Alemanha, recebeu uma proposta, em 2006, do Tampa Bay Buccaneers para ser um dos kickers do time. Por não se adaptar com o equipamento e temer graves lesões, Adhemar recusou a oferta, mesmo tendo uma precisão no chute acima da média: em um teste junto com um dos membros da comissão técnica do Bucs, na Universidade Mackenzie – São Paulo, Adhemar acertou 9 de 10 field goals (FG) da distância de 50 jardas.

Eduardo possui também uma boa regularidade no chute, mas sua principal característica é ser decisivo nos momentos importantes da partida, atuando muito bem sobre pressão. Em 2008, em seu terceiro ano na escola, ele foi fundamental num jogo de playoff regional convertendo o FG da vitória (52 a 49) na terceira prorrogação contra a Plano West HS no Texas Stadium (na foto abaixo com o troféu do confronto).


No primeiro jogo desta temporada, contra a rival DeSoto – partida transmitida pela ESPN americana – Eduardo marcou um FG de 46 jardas no final do quarto período que colocou Cedar Hill dois pontos a frente no placar, ajudando sua equipe a vencer a partida (44 a 41), se recuperando de um resultado adverso (28 a 7 contra, no final do primeiro período).

O treinador da Cedar Hill, Joey McGuire, se empolga e diz que o brasileiro “...é o melhor kicker, no nível escolar, dos EUA...”. Talvez não seja para tanto, mas as atuações de Eduardo mostram que ele é de fato muito bom. Esta temporada 2009, ano de veterano, será primordial para ele comprovar tais fatos e se preparar com afinco para ir para a NCAA defendendo uma boa universidade e ser relevante entre as feras do college.

Texas é um dos estados que revela mais jogadores de football para a NCAA; consequentemente para a NFL. Os principais programas universitários vão visitar as escolas para olhar as melhores promessas. No caso de Eduardo, inúmeras universidades mostraram interesse (UCLA, Miami, Baylor, LSU, Alabama, Ole Miss...), contudo ele já tem um acordo verbal com Arkansas, que tem um processo seletivo forte no Texas – são estados vizinhos.

Esta proximidade pode ser um fator chave para Eduardo fechar com a universidade. Em entrevista ao Arkansas Democrat Gazette, o brasileiro disse “Gostei de Arkansas porque é próximo de casa; tem um programa no qual há a oportunidade de participar de Bowls e até de um título nacional; e tem ótimas instalações, com um bom e prestigiado ensino de Economia, curso que pretendo fazer.”

As chances de Câmara não ir para Arkansas são pequenas. O compromisso de defender a universidade foi confirmado em uma conversa que ele teve com o treinador da equipe, logo após uma visita do brasileiro ao campus. Eduardo ficou impressionado com o centro de treinamento de football e também com a comissão técnica.

O próximo encontro entre Arkansas e o brasileiro será no próximo dia 03 de Outubro, quando os Razorbacks vão enfrentar Texas A&M no novo estádio do Dallas Cowboys. Todos os recrutas do estado do Texas estarão presentes no estádio, porém não poderão conversar com nenhum membro da universidade devido ás regras da SEC.

Detalhe: somente em Fevereiro, na primeira quarta-feira do mês, deverá ser concretizado o acordo do aluno com a universidade, tradicional data no calendário de recrutamento para as assinaturas das bolsas de estudo – mesmo Câmara deixando claro sua preferência, nada impede que outras universidades façam propostas até o final do ano. Ele visitou também LSU (Universidade Estadual de Louisiana – SEC) e Baylor (que fica na cidade de Waco, Texas – conferência Big XII)

Ressaltando que Arkansas tem um programa tradicional dirigido pelo renomado técnico Bobby Petrino e participa da competitiva SEC, uma das melhores conferências de football da NCAA.

Amanhã (12/09) será o terceiro jogo da temporada para Cedar Hill contra Trinity HS. Na última sexta (4/09) a escola passou fácil pela Wichita Falls HS – 28 a 0 – com Eduardo anotando nenhum FG, mas convertendo quatro pontos extras. Este bom início de temporada, 2v-0d, coloca Cedar Hill no topo dos rankings escolares: número um no estado do Texas; nona no Fab 50 (ranking nacional da ESPN); e décima primeira no Super 25 (ranking do USA Today). Isto só aumenta o status e a responsabilidade do Eduardo com o seu papel de kicker, muitas vezes o grande responsável pela derrota ou vitória da equipe, o valorizando ainda mais.

Com certeza a torcida brasileira é grande para que Eduardo Câmara continue atuando neste alto nível e que venha a conquistar dois feitos: mostrar que o brasileiro pode ser bom chutando até bola oval e concretizar algo tão óbvio, tão lógico...

(GL)




© 1 e 2 John F. Rhodes / Dallas Morning News
© 3 Rivals.com

Metalúrgicos S/A

Os operários (jogadores) estão de branco e essas outras três pessoas de terno se diferenciam porque verdadeiramente são diferenciadas: de terno preto está Barack Obama, presidente dos EUA; de terno azul está Mike Tomlin, treinador do Pittsburgh Steelers; e no centro, atrás do troféu Vince Lombardi, está Dan Rooney, dono dos Steelers e o mais importante homem dentre todos que estão nesta histórica foto, responsável principal por este retrato existir.

Todo time campeão da NFL vai visitar o presidente dos EUA e Pittsburgh fez isto no começo deste ano por ser o atual vencedor do Super Bowl. O objetivo de Dan é fazer com que este encontro se repita nesta temporada 2009-10 para elevar o status da marca “Steelers” (metalúrgicos em português) e ver pessoalmente seu amigo Obama mais uma vez.

Dan, 77, é um homem cheio de autoconfiança, discreto, humilde e trabalhador. Ah! Comanda a principal franquia dentre todos os esportes americanos, buscando o sétimo título em 35 anos. Porém, mais do que conquistas fora de campo, os Steelers têm uma representatividade muito além.

Começou com seu pai, Art Rooney desde a fundação do clube em 1933 (á dir, foto abaixo com Dan á esq. - 1986). Com a morte dele em 1988, Dan assumiu o controle da franquia. O legado que Art deixou é visto nas ações de Dan que se espelha no seu pai para fazer o que ele sempre ensinou: antes de administrar os negócios, é preciso administrar gente.


Isto Dan faz com a maior alegria. Nas viagens para jogos fora de Pittsburgh, Dan vai junto com os jogadores; na hora da refeição, Dan está junto com os jogadores; antes de cada partida ele está presente no vestiário, não para fazer um discurso motivacional e sim para apenas conversar com os atletas, perguntando se está tudo bem, como está a família... É o dono servindo de exemplo para seus funcionários.

O termo empresa se encaixa bem quando o assunto é Steelers. A franquia é gerenciada pela família Rooney como uma corporação e os resultados positivos vêm desta visão de como administrar um clube esportivo. Em todas as decisões, seja em qual patamar for o “custo/benefício” é sempre colocado em primeiro lugar para se chegar à conclusão do que fazer com determinada resolução. Baseado nesta perspectiva, uma obra acaba de ser lançada por um autor especializado em livros sobre economia.

O “Blocking and Tackling Your Way to Management Success: 40 Essential Lessons from 40 Years of the Pittsburgh Steelers”, escrito pelo renomado Alan R. Simon, discursa sobre quarenta atitudes que foram tomadas pela franquia nos últimos quarenta anos (1969-2008) que empresários e diretores podem usar como exemplo em suas firmas.

Como nem tudo são flores, um mau exemplo aconteceu ao longo desta história, mas que mais tarde foi corrigido.

Na lição número 17 do livro, Simon destaca a decisão da diretoria do clube em não escolher o atleta local Dan Marino, então quarterback (QB) da universidade de Pittsburgh, no Draft de 1983 com a 21ª escolha – os Steelers ficaram com Gabriel Rivera, defensive tackle e Marino ficou com o Miami Dolphins na 27ª escolha. A lição que o livro ensina é “Tome cuidado com o fantasma da oportunidade perdida”: Rivera, cotado como um dos melhores defensores daquele ano da NCAA sofreu um acidente de carro em 83 e ficou paraplégico; em 1985 Marino venceu os Steelers na final da Conferência Americana – Marino está no Hall da Fama da NFL e da NCAA.

Anos depois o erro não se repetiu. No draft de 2004, Dan lembrou do ocorrido com Marino e foi arbitrário: a escolha, 11ª, seria gasta com Ben Roethlisberger, então QB da universidade Miami (Ohio). Dan teve que posicionar-se com firmeza porque membros da diretoria e comissão técnica queriam outro atleta. Depois de chegar a um consenso no dia do draft, o clube selecionou Ben, que liderou os Steelers a duas conquistas de Super Bowl em três anos (2005 e 2008).

Outra lição aprendida: “Transformar erros em acertos”.

O modelo de administração é único, e por isso que é especial. Apesar de não ser uma das franquias mais ricas da NFL (a 16ª – de 32 - segundo recente levantamento da revista Forbes), o clube tem um valor enorme para os torcedores. A identificação do “Steelers Fan” com a equipe é algo notável, percebida pela quantidade de seguidores do time que acompanham os jogos fora de casa.

Como nem tudo são flores...

Os fãs ficaram indignados e enfurecidos com o apoio que Dan Rooney concedeu a campanha de Barack Obama no ano passado, não querendo que a marca “Steelers” fosse envolvida com a política. Dan, contudo, soube separar as coisas e compareceu a vários comícios de Obama na Pensilvânia, estado chave para vencer a eleição presidencial americana; também foi um mediador importante para conseguir votos dos trabalhadores das industrias siderúrgicas do estado. Considerado zebra na Pensilvânia - perdeu a primária estadual do Partido Democrata para Hillary Clinton – Obama venceu John McCain, candidato republicano à presidência, com 54,7% dos votos, creditados às massivas campanhas e graças ao suporte de gente importante e com influência no estado: leia-se Dan Rooney.

Homem que administra um clube com excelência. Homem que lutou para que a franquia permanecesse com os “Rooney” em 2008 – comprou junto com seu filho, Art Rooney II, ações pertencentes a outros membros da família que queriam desfazer-se das suas respectivas partes. Homem que ama seu trabalho e o faz por prazer. Homem que é extremamente eficiente nas decisões que toma. Homem que é vencedor.

Por essas e outras é que a tal histórica foto foi tirada.

(GL)



© 1 Charles Dharapak / AP
© 2 Pittsburgh Post-Gazzete

Sobre Canhotos e o Jogo Defensivo


Esta foto acima é famosa, retrata a defesa de Carl Crawford, outfielder (OF) do Tampa Bay Rays, no Jogo das Estrelas deste ano. Hora do teste: há alguma coisa errada na foto?

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Perceba que ele está fazendo a defesa com a mão direita, ou seja, ele é canhoto. Pequena confusão mas é explicável para quem não está acostumado com o beisebol: o canhoto usa a luva na mão direita para arremessar a bola com sua mão mais forte, a esquerda no caso. O curioso é que há pouquíssimos jogadores canhotos que jogam na defesa (com exceção dos arremessadores) e esses em sua maioria atuam no outfield.

Jogar lá atrás perto do muro não é problema para canhotos. A mecânica de arremesso não afeta tanto assim a defesa e por isso que muitos deles jogam na posição. Andre Either (Dodgers), Josh Hamilton (Rangers), Crawford (Rays), Jacoby Ellsbury (Red Sox), Johnny Damon (Yankees) e Scott Podsednik (White Sox) são alguns exemplos de talentosos OF´s que usam a luva direita para defender.

Já no infield a situação é outra, contudo toda a regra tem exceção. Quando o canhoto não é preparado para jogar como OF ele vai para a 1ª base, a única posição favorável dentro do diamond por três motivos: é uma posição que não requer arremessos com freqüência; caso precise arremessar, ele estará de frente para o campo; e se adapta melhor nas jogadas de double-play (ou queimada dupla).

A razão principal de não ter canhotos nas outras posições se resume no “jogar de frente”. Seja na segunda base, terceira base ou shortstop, o destro tem mais facilidade porque não precisará fazer defesas backhand e nem virar o corpo todo para fazer um arremesso. A mecânica para quem joga com a mão direita é mais natural.

Exemplo: shortstop. Nenhum canhoto jogou sequer uma entrada nos últimos 100 anos na posição. Não é recomendável que um canhoto atue como SS pois, em comparação com um destro, sempre terá um atraso na hora de arremessar para qualquer base, exatamente porque ele estará “de costas” e terá que girar todo o corpo para executar a jogada.


Se o garoto, canhoto, quiser jogar no infield, ele vai ser “convidado” a ir para a primeira base, se não irá para o outfield. O senso comum dos treinadores é utilizar destros, e somente destros, na 2B, SS e 3B; é o sentido natural do esporte (na foto acima, Ryan Howard - 1B Phillies).

Por existir no mundo mais destros do que canhotos, é claro que mais destros jogarão beisebol. Desta forma, o jogo é desenhado para favorecer a maioria e o percurso das bases é feito no sentido anti-horário; se existissem mais canhotos, provavelmente o ciclo começaria para a esquerda e toda esta história seria diferente.

E a posição de catcher, é afetada também por estes paradigmas?

Sim.

O último jogador a atuar na posição foi Benny Distefano pelo Pittsburgh Pirates há 20 anos. Quem viu não verá mais; a tendência é que não haja mais catchers canhotos na MLB. Joe Mauer, catcher do Minnesota Twins (leia “Zé Alguém") é naturalmente destro, contudo ele rebate com a esquerda. Dificilmente veremos alguém fazendo o inverso ou mesmo um canhoto natural jogando na posição já que os treinadores têm as suas razões para não utilizá-los.

Situações peculiares, diga-se.

O catcher canhoto teria bastante dificuldade em arremessar para uma queimada nas bases; caso enfrente um rebatedor destro (a maioria) que ficaria na sua frente dificultando a jogada. O catcher canhoto não arremessaria a bola com tanta precisão para o 2B; existe uma história que a bola não sai com tanta precisão da mão esquerda. O catcher canhoto teria dificuldades para defender o home plate, para colocar a mão direita (a da Luva) no jogador que vem para marcar um ponto.

Neste mundo (e esporte) de destros, o canhoto acha seu espaço. Quem sabe para confirmar o que muitos dizem sobre o “arremesso não sair com precisão da mão esquerda”, a população de arremessadores titulares – e do bullpen também – é alta e bastante considerável (na foto ao lado Jon Lester - Red Sox). Pode-se dizer que eles estão numa ilha no meio de um mar de destros.

Comprovando a tese da pesquisadora Suzana Herculano-Houzel , professora de Anatomia da UFRJ, que em seu livro “O Cérebro Nosso de Cada Dia” mostra que 12,6% dos homens são canhotos, ou seja, um para cada oito.

(GL)


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Sansão


Ele tem a força.

Força para ser o melhor da posição. Força para seguir progredindo a cada dia. Força para receber bolas impossíveis. Força para evoluir.

Larry Fitzgerald, wide receiver (WR) do Arizona Cardinals, é dedicação pura. Nesta pré-temporada, não contente em “só” chegar ao Super Bowl, ele criou um campo de treinamento próprio para aperfeiçoar sua condição técnica e física, como se o que ele conseguiu na temporada passada não fosse o suficiente.

Nunca, isto mesmo, nunca na história da NFL um WR teve uma atuação nos playoffs igual a de Fitzgerald em Janeiro deste ano (são números impressionantes). Foram 30 recepções para 546 jardas e 7 touchdowns (TD), ultrapassando os números de 1998 do lendário Jerry Rice. Fazendo uma projeção, Larry teria 120 recepções para 2.184 jardas e 28 TD´S se ele mantivesse tal ritmo em uma temporada normal. Insano!

E ele só tem 26 anos! O melhor está por vir.

Os participantes do campo de treinamento foram especiais. Larry convidou outros receivers da liga para participar com ele das atividades realizadas no estádio da universidade de Minnesota, estado natal dele. Entre os caras envolvidos, estavam dois encarregados de ensiná-los: Chris Carter e Jerry Rice. Fitzgerald não poupou esforços para trazer duas pessoas que simbolizam a elite dos WR´s na NFL: Carter é o terceiro em recepções na história; Rice o primeiro.

Com Carter (foto ao lado, no centro), que Larry chama de “Tio”, há uma relação especial que vem do tempo que o ex-receiver jogava no Minnesota Vikings. Larry era um dos “gandulas” da equipe – começou com 12 anos de idade e só deixou a função quando foi para a universidade. Assim que os treinos terminavam ele entrava em campo e fazia alguns exercícios com Carter, Randy Moss e Jake Reed. Ao lembrar deste tempo Carter, hoje comentarista da ESPN, comenta que “poucos pegavam a bola tão alto como Fitz conseguia”.

Esta obsessão pelos treinamentos vem daí. A meta de Larry é atingir a excelência, ser o maior. O desejo de viver em busca da perfeição veio por outro motivo, porém.

Ele perdeu sua mãe, Carol, muito nova – 47 anos. Ela foi vítima de câncer de mama e morreu em 2003 quando Fitz estava jogando pela universidade de Pittsburgh. Uma das lembranças da infância que ele tem da sua mãe são as forças-tarefas que Carol organizava para aconselhar pessoas sobre a AIDS e como elas poderiam fazer para evitá-la. Carol fazia reuniões com pais que teve filhos contaminados pelo vírus HIV e encarregava Larry, junto com seu irmão Marcus, de conversar com os garotos doentes.

Depois do ocorrido com sua mãe, Larry decidiu aproveitar todo momento ao máximo e se dedicar sempre, sem mudar o foco para não desperdiçar algo que dura muito pouco: a vida.

Por isso que ele em PITT, enquanto seus companheiros faziam duas horas de treinos, ele fazia três. Enquanto seus companheiros iam para baladas e afins, ele ficava no campus estudando fitas de jogos. Os resultados destes esforços vinham em campo.

Uma declaração de um dos seus adversários da NCAA e um lance especial ficou marcado em 2003. O jogo era entre PITT e West Virginia. O cornerback Adam “Pacman” Jones foi o encarregado de marcar Fitz. Jones cometeu interferência num passe direcionado para Fitz, que mesmo assim pegou a bola. A ajuda chegou do safety Brian King que, literalmente, deu uma porrada na bola; contudo ela não se moveu nos braços de Larry. Após o jogo, Brian disse “Eu acertei a bola em cheio e teve a interferência do Pac, mas a bola ainda ficou com ele. Olhei para Adam e falei: Não há como anular este cara”.

A boa carreira em PITT rendeu a Fitz a terceira escolha no draft de 2004 – à frente de Phillip Rivers e Ben Roethlisberger. Os Cardinals talvez deixaram passar os QB´s porque o técnico da equipe na época era Dennis Green, que foi treinador dos Vikings quando Larry era “gandula” por lá. Green lembrou daqueles tempos e ficou com o garoto, algo que a franquia não se arrepende porque o WR ajudou a equipe chegar ao Super Bowl da temporada passada.

Na estado de Arizona, Larry achou o companheiro perfeito para suas jogadas acrobáticas: Kurt Warner. Em entrevista ao USA Today antes da final no começo deste ano, o QB da equipe disse “Ele realmente é bom com a bola bem alta (a impulsão vertical de Fitzgerald é de 91 cm). Eu posso jogar ela em certos lugares que só ele vai pegar e isto nos dá uma tremenda confiança.”


Confiança. Mais um aspecto que move Fitz. Ser o grande destaque, o principal nome em campo motiva Larry a crescer seu football diariamente, por mais que os números mostrem que ele já está em um bom patamar; ele sabe que o “ta bom” é inimigo do “melhor”. Fitz não aceita o mediano, o normal; ele sabe que não pode fazer isto, que não tem este direito. Lembrança que vem pela manhã toda vez que ele se olha no espelho.

As visitas ao hospital para ver sua mãe após as quimioterapias eram dolorosas para Fitzgerald. Vê-la indefesa, frágil, careca... Então ele determinou que não vai mais cortar seu cabelo pois, sempre que ele enxergar seu reflexo, irá lembrar da sua mãe e do pacto feito de se dedicar para ser o melhor, aproveitando toda a oportunidade que aparecer.

Força necessária para seguir em frente.

(GL)



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