Dupla de Três


Não é convencional, mas está funcionando.

Alguns times da NBA usam dois armadores ao mesmo tempo em quadra, porém apenas em ocasiões necessárias. Poucos utilizam esta formação por longos minutos e/ou começam o jogo com ela. Agora, e três armadores ao mesmo tempo? E começando como titulares?

Só o Portland Trail Blazers.

Desde que o treinador Nate McMillan resolveu iniciar o jogo contra o San Antonio Spurs (dia 6/11) com Andre Miller (I), Steve Blake (II) e Brandon Roy (II) juntos como titulares, a equipe está invicta: três jogos e três vitórias (além dos Spurs, eles passaram pelo Minnesota Timberwolves e Memphis Grizzlies). Mesmo a inusitada armação do quinteto titular está dando certo, McMillan observa com cuidado a atuação do trio para decidir se vai continuar assim durante o campeonato 2009-10. Segundo ele informou a agência de notícias Associated Press "o teste dos três armadores irá durar duas semanas".

A função de McMillan é aproveitar o máximo de Miller, que foi contratado nesta pré-temporada. O experiente armador, que tem o recorde atual da NBA de mais partidas jogadas de forma consecutiva (538), escolheu os Trail Blazers – ao invés do New York Knicks –, porque a equipe de Portland, segundo ele, é mais “competitiva e vencedora”. O dilema então surgiu: como encaixar Miller no elenco? Pois ele é muito bom pra estar no banco, mas pode atrapalhar o já entrosado quinteto titular.

O desvalorizado Blake é um jogador que se adaptou bem ao estilo de jogo do time e conhece muito bem seus companheiros (em tese ele é o armador número 1, responsável por iniciar as jogadas). Roy é o puro finalizador e um dos principais nomes de toda a associação (em tese ele é o armador número 2, responsável por definir as jogadas). Encontrar um espaço para Miller não só, aparentemente, parecia impossível, mas suas características iriam confrontar com seus companheiros de posição, em especial Roy. Por exemplo: no último quarto da partida, Roy naturalmente fica com a bola para criar uma jogada para ele mesmo; já Miller segura o ritmo mais um pouco e cria uma jogada para os outros.

E aí?


Bem, para ver se realmente daria errado (ou não) era preciso colocá-los juntos numa partida – o que aconteceu contra os Spurs e nos outros dois jogos subseqüentes. O resultado positivo é nítido e não se resume as vitórias, mas no comportamento do time como um todo.

Quando os três estão em quadra, um só é responsável por chamar as jogadas: Miller. Isto porque McMillan (foto acima) confia na experiência do jogador, que já conhece os desenhos táticos do esquema ofensivo do treinador e ele o deixa à vontade em quadra para decidir como será finalizada a posse de bola no ataque. Contudo, tanto Blake quanto Roy tem, em certas ocasiões, a função de dar um passe: contra os Wolves e os Grizzlies, Roy foi o líder de assistências do time nos jogos (7 em cada).

Percebe-se que o estilo de passe agressivo de Miller está aos poucos envolvendo mais seus companheiros. Por ser um time mais leve e veloz, o contra-ataque dos Trail Blazers melhorou sensivelmente com os três armadores em quadra. Contra o Minnesota, foram 21 pontos no contra-ataque e contra Memphis foram 10 (todos estes no segundo tempo). O Portland até então tinha o pior aproveitamento no contra-ataque de toda a liga: 5.2 pontos por jogo.

Especificamente nesta estatística, e em outras também, um jogador pode ajudar o trio a fazer melhores performances: Greg Oden (foto abaixo). O gigante pivô do Portland, se jogar bem no garrafão e de forma constante, vai aliviar a marcação no perímetro para os armadores trabalhar melhor a bola. Oden é importante também nos rebotes defensivos, iniciando ele assim os tão importantes contra-ataques.


Para o torcedor do clube o mais importante é que estas mudanças não afetem o potencial de Roy; pelo contrário, esta formação só irá ajudá-lo. É claro que adaptações precisam ser feitas e ele sabe disso. Ontem, conversando com a imprensa no vestiário, Roy disse: “Preciso aprender a ser mais agressivo sem a bola em minhas mãos, sempre lembrando de envolver os outros jogadores também. Eu estou tentando não ser egoísta, mas continuando sendo agressivo e criando jogadas”. A adaptação de Roy está muito boa; nestes três jogos com o trio ele foi o cestinha da equipe em dois deles (24 pontos contra SAN e 20 contra MEM). O curioso é que contra o MINN, Roy marcou só 2 pontos, mas mesmo assim o Portland venceu a partida por 23 pontos.

Fora esta preocupação de como Roy se daria com este novo esquema (na parte ofensiva), surgia o questionamento de como ele iria marcar os alas adversários – já que Roy está jogando na posição número 3. A partida de ontem mostrou que Roy está bem, porque Rudy Gay, ala do Memphis Grizzlies, anotou 12 pontos enquanto a média dele, antes do jogo, era de 22.5 PPJ. O verdadeiro teste para Roy no quesito marcação será na próxima segunda (dia 16) contra o Atlanta Hawks do Josh Simth (ala).

Conforme os jogos vão passando e as partidas se desenvolvendo, McMillan analisa a postura do seu time. Ainda falta ocorrer situações para definir se o quinteto titular vai com três armadores até o final, assim este período de duas semanas pode ser estendido. Nestes três primeiros jogos, deu para perceber que, no mínimo, a equipe com três armadores será um diferencial considerável e, mesmo que não dê certo para serem titulares, podem virar uma arma contra um adversário específico ou num momento de uma partida.

Este modelo fora de padrão faz com que os torcedores do Portland Trail Blazers transformem a conclusão da tradicional frase: 1 é pouco, 2 é bom e 3 é melhor ainda!


(GL)



© 1 Jed Jacobsohn / Getty Images
© 2 Picapp

3 comentários:

Rafael disse...

Parabéns!

Rafael disse...

Mais um ótimo post.

Dessa vez falando de um time "esquecido" pela mídia.

Continue assim.

Silvano Vianna disse...

O time do Blazzers é muito bom e realmente é um desperdício de talento colocar Miller como role player. Acho que no decorrer da temporada ele vai terminar sendo o titular no lugar do Blake. O Portland tem tudo para ir mais longe nessa temporada, se as coisas ajudarem e o Outlaw ficar mais consistente ou o Odden desabrochar, da para sonhar até com uma final de conferência.

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