Mais do que um MVP

A grande discussão do momento na NBA é esta: Quem será o MVP desta temporada? Três são os candidatos (LeBron James, Kobe Bryant e Dwyane Wade). Porém, muitos colocam o armador do Heat fora da disputa, levando em consideração a colocação do seu time na tabela; enquanto Cavaliers e Lakers brigam pela primeira posição em toda a associação, o Miami está em sexto no Leste com aproveitamento de 54%.

Este argumento, contudo, pode valorizar mais o que D-Wade vem fazendo na sua melhor temporada individual na carreira: (médias até 17/03/09)

PPJ: 29,7 / APJ: 7,7 / TPJ : 1,4 / RPJ: 2,2 / FG: 49%

Todos estes números são os melhores dentre os seis anos de Wade na NBA. Até seu aproveitamento de três está acima da média: 31% nesta temporada contra 28% em toda a carreira. Sem esquecer de um detalhe: Tudo isso feito sob o comando deu um treinador em seu primeiro ano (Erik Spoelstra); com um armador novato (Mario Chalmers); com um ex-Globetrotter no time (Jamario Moon) e com o segundo cestinha da equipe (Jermaine O´Neal) marcando metade dos pontos de D-Wade em média por jogo.

Apesar disso tudo ele não vai ganhar o MVP. Nos últimos anos o troféu foi para o jogador que estava no time que foi o melhor da temporada regular ou pelo menos estava na disputa. Exatamente por isso que James e Kobe são os candidatos “reais” ao prêmio. Independente de quem vai ficar com as honras de “jogador mais valioso”, Dwyane já pode se considerar o vencedor moral.

Na verdade, qualquer feito que ele alcançar na NBA é motivo para celebrar.

Sua infância foi extremamente complicada, vendo os pais se divorciarem aos 6 anos de idade e sua mãe, Jolinda Wade, vivendo no mundo das drogas. Desta forma, quem desde cedo cuidou dele foi sua irmã Tragil. A partir de então o menino toma uma decisão; vai ser inspiração para mãe, um exemplo de superação; justamente isto o que Jolinda precisava.

O caso da mãe de Dwyane foi extremamente grave. Ela era viciada em heroína, cocaína, álcool e cigarro. Diversas vezes foi presa e não acompanhou de perto o crescimento do filho. Um dia ela recebeu na prisão uma carta de Dwyane que dizia: “Se existe alguém que vai te dar inspiração, este alguém sou eu. Eu vou mostrar pra você que é possível superar” O que então Wade poderia fazer para ajudar sua mãe a superar o vicio? Fazer algo impossível talvez...Por que não jogar na NBA?

Inspiração ele tinha, afinal estava sempre acompanhando Michael Jordan nos Bulls, mas habilidade...(Wade é natural de Chicago, à esquerda uma foto dele quando criança). Segundo sua irmã, Tragil Wade, ele era “O” menino mais tímido e acanhado da cidade; sempre estava com ela por onde quer que fosse, pois se sentia mais seguro ao seu lado. Fora este detalhe social existia outro empecilho: as notas da escola.

Por inúmeras razões (Problemas familiares, Trabalho e etc.), Wade não tinha um bom currículo escolar, suas notas eram muito baixas e só foram melhorar um pouco quando ele chegou no ensino médio (High School); assim como o seu jogo. Na escola Harold Richards, Dwyane cresceu ano a ano seus números individuais, terminando a temporada de veterano com médias de 27 PPJ e 11 RBJ. Muitos olheiros passaram a dar atenção ao garoto de Chicago, mas os estudos ainda o atrapalhavam; apenas três universidades queriam recrutar Wade. Para fugir um pouco do clima da sua casa e se concentrar mais em sua carreira, ele optou por Marquette em Milwaukee, Wisconsin. (DePaul - Chicago e Illinois foram as outras candidatas)

Ele não jogou o ano de novato pelos problemas curriculares, porém participou de duas temporadas inesquecíveis com a universidade, destacando a classificação de Marquette ao Final Four de 2003, primeira aparição da escola no torneio desde o título de 1977. Wade decidiu abandonar o ano de “veterano” e foi para a NBA. O Miami Heat o escolheu como a quinta escolha no draft de 2003. Foi parte fundamental no único título da franquia (2006) quando ganhou o prêmio de MVP das finais.

Agora ele busca o prêmio de MVP da temporada normal, mas o que ele sempre quis de verdade conseguiu; ser a inspiração para sua mãe. Todo o reconhecimento que Wade recebeu ao longo da carreira foi inspirador e encorajador para ela e a todos aqueles que participaram do seu passado.

Tragil Wade (irmã, à esquerda) cuida da carreira de Wade desde 2005 - veja só, um dia o irmão precisou da irmã, hoje os dois estão juntos "um cuidando do outro". Jolinda Wade (mãe, à direita) está “limpa” faz seis anos e é pastora Batista em Chicago.

Pois é, agora talvez entendam porque Dwyane Wade presenteou sua mãe com uma igreja no ano passado...

4 comentários:

Tidinho disse...

Lindo texto! Wade lutou e lutou , hoje é famoso mundialmente e com a vida feita , além de ja estar na história da NBA. Merece tudo e mais um pouco , joga demais!

Luciano disse...

Eu sou mu dos maiores fãs dele tenho todos os vídeos e esse texto com algumas coisas que eu não sabia só me mostra mais ainda o vencedor que ele é além do atleta!
A questão do MVP infelizmente não se trata só do jogador(devia pois no nome ja diz "most valuable player") e por isso tbm acho que ele não ganhe apesar de merecer.
Parabéns pelo texto, o melhor que eu já li em relação à ele.
PS:O nome é "Dwyane" com o "Y" depois do "W" mas é um erro normal todo mundo escreve assim, mas só pra constar mesmo.
Abraços e parabéns!

Guilherme disse...

o cara merece oque esta conquistando

Iago disse...

o autor do texto escreveu certo "dwyane".
eu também sou um dos maiores fãs dele, acompanho tudo de sua carreira, e sem dúvidas, ele é o jogador mais completo da NBA atualmente.. seus números soh não impressionam nos rebotes(5,2PJ), mas isso não importa muito, pq além de ele jogar de ala-armador ele tem "apenas" 1,93m, jogador considerado baixo pro padrão da NBA.
Nos próximos anos o HEAT tende a melhorar.. esse ano é difícil o prêmio ir pra ele, mas por que não nos próximos anos? Wade é um exemplo pra mim.. Ele sendo ou não MVP, minha admiração soh cresce em relação à ele a cada dia..

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