Inativo, Mas Operante


Ao todo serão seis dias de descanso; tempo suficiente para relaxar e se preparar para a segunda World Series (WS) consecutiva. O Philadelphia Phillies conheceu ontem seu adversário (New York Yankees) da grande decisão da MLB e chegará à próxima quarta (28) – jogo 1 – com uma preparação semelhante ao que aconteceu na temporada passada: seis dias de folga e jogando contra um time com dois dias de folga (Tampa Bay Rays, na ocasião).

A discussão sobre quem leva a vantagem nesta situação vem desde a classificação dos Phillies para a WS, que veio na semana passada, derrotando o Los Angeles Dodgers na final da Liga Nacional (LN). Muitos acreditam que uma semana sem jogos é melhor; outros argumentam que menos dias de descanso é mais vantajoso. Na verdade, esta série mostrará quem tem a razão.

Nas últimas três WS, dois clubes venceram o título vindo de um período de folga menor: em 2006 o Saint Louis Cardinals (dois dias) venceu o Detroit Tigers (seis dias); e em 2007 o Boston Red Sox (dois dias) venceu o Colorado Rockies (oito dias). O único time que venceu com mais tempo de descanso foi justamente os Phillies em 2008.

Por já ter passado por esta experiência, Philadelphia sabe como fazer para chegar ao primeiro jogo em um bom ritmo. Apenas na quinta (22) e no sábado (24) os jogadores não trabalharam, nos outros dias foram (e serão) de intensa movimentação entre os arremessadores e rebatedores, contando o jogo-treino de ontem.

Enquanto isso, a comissão técnica analisa e estuda o confronto contra os Yankees, projetando o que pode acontecer. Eis alguns tópicos importantes para os Phillies e que vem sendo tema nas discussões entre os torcedores do time:



New York não é Tampa Bay


Uma coisa é jogar no Tropicana Field (casa dos Rays), outra é jogar no Yankee Stadium... Não só isto: NYY está fazendo uma pós-temporada excelente e PHI precisará fazer muito mais do que vem mostrando nestes playoffs: vencer (ou pelo menos igualar) o duelo entre os arremessadores titulares.

Uma virtude do time deste ano pode ser algo negativo nesta série. “Em 2008, o arremesso foi o que nos colocou no topo. Este ano a nossa qualidade é o jogo coletivo” disse Cole Hamels, arremessador titular, depois de ganhar o titulo da LN. Para se dar bem em 2009, os Phillies precisam encaixar boas atuações dos arremessadores, assim com aconteceu na temporada passada.

O único arremessador titular que vem mostrando consistência em Outubro é Cliff Lee (foto acima). São três jogos, com duas vitórias e uma “não decisão” (que o PHI ganhou). Foram 24 entradas e 1/3 com 1.48 ERA – o ERA dos outros arremessadores do clube nestes playoffs é de 4.99. Será difícil Charlie Manuel, treinador, colocar Lee em campo no jogo 1, jogo 4 e num provável jogo 7 – fazendo assim um duelo contra seu ex-companheiro do Cleveland Indians, CC Sabathia. A certeza é que Lee começa arremessando na primeira partida da WS.

Precisamos ser mais eficientes com nossos arremessadores titulares. Somos capazes de fazer isto” diz Manuel sobre a melhora que seu time precisa ter.



Pressão da defesa do título


O último time que conseguiu o bi campeonato na MLB foi o NYY em 1999-2000. E o último time que conseguiu ganhar duas vezes seguidas a WS vindo da LN foi o Cincinnati Reds na década de 70: 1975-1976.

São diversos os fatores que dificultam a possibilidade de repetir uma conquista: contusões, agentes-livres, excesso de confiança... Porém, Philadelphia tem muita coisa a seu favor que o capacita para alcançar o bi: além de Lee estar muito bem, Ryan Howard foi o MVP da pós-temporada na LN, Jayson Werth e Jimmy Rollins estão aparecendo ofensivamente em momentos decisivos, e Brad Lidge parece ter encontrado o poder de fechar os jogos, depois de uma péssima temporada regular.



Rebatedores de Liga Americana


Aqui está o tal jogo coletivo que Hamels falou. A média de corridas nestes playoffs é de 6.3 por jogo, com toda a linha ofensiva contribuindo para esta alta produção. O destaque maior vai para Howard, que está com um aproveitamento de .355, com 2 HR´s e 14 RBI´s. Um exemplo da qualidade do ataque aconteceu no jogo 5 contra os Dodgers – decisão da LN.

Vincent Padilla, arremessador do Los Angeles, estava enfrentando Howard e já tinha eliminado dos jogadores dos Phillies, faltando mais um para terminar a entrada (a primeira do jogo e os Dodgers estavam na frente: 1 a 0). Com Chase Utley na primeira base, Padilla foi agressivo contra Ryan, arremessando bolas dentro e em cima da zona de strike; foram quatro arremessos e um walk para Howard. Na sequência veio Werth para o bastão e Padilla arremessou três bolas seguidas fora da zona de strike e depois dois strikes parecidos (slider). Quando a contagem ficou completa, Padilla arremessa outra slider e Werth faz um HR, colocando os Phillies na frente (3 a 1) e garantindo a vitória que levou o clube para a WS – o jogo terminou 10 a 4.

Só contra os Dodgers, o Philadelphia anotou 35 corridas e conseguiu 10 HR´s. Do primeiro (Jimmy Rollins) até o oitavo (Carlos Ruiz), os rebatedores estão produzindo corridas ao monte. O caso de Ruiz é interessante, porque ele tem um aproveitamento nesta pós temporada estupendo: .346, com 9 HR`s e 7 RBI´s. Este são os números do, em tese, rebatedor mais fraco da equipe.

O problema para os Philies serão os jogos em New York, quando a equipe terá que usar um rebatedor designado. Será uma desvantagem para o time da LN, pois um reserva entrará na posição: Greg Dobbs, Matt Stairs, Eric Bruntlett e Ben Francisco são as opções – combinados eles tem 0 rebatidas em 8 oportunidades nos playoffs 2009.


(GL)



© 1 Jeff Zelevansky/Getty Images
© 2 AP Photo
© 3 David J. Phillip / AP

Nenhum comentário:

Postar um comentário