Centro Marginal. Cetro Real.

Nick Mangold, camisa 74

Os torcedores não os valorizam, lembram deles só quando algo de errado acontece e o QB do seu time preferido é atingido. Os centers da NFL sofrem um bocado na batalha física contra ferozes defensores, que pode chegar a 70 contatos por partida. Não aparecem nas estatísticas, não recebem premiações, mas são valorizados pelos clubes e têm uma posição de destaque dentro de cada elenco. Só o QB – às vezes nem ele – é mais inteligente e estuda mais o jogo que o center. Um trabalho desgastante, pois se trata de uma função onde a margem de erro é limitadíssima.

Um center precisa ser ágil para entregar a bola ao QB e imediatamente estar preparado para bloquear o defensor que vem em sua direção. Antes de chegar neste instante, muita coisa ele fez a partir do momento que o QB passou as coordenadas da jogada e a formação se posicionou na linha de scrimmage. Eis quais são as leituras que o center faz em poucos segundos para orientar sua equipe:

- Determina como será o bloqueio da linha ofensiva.

- Vê qual é o posicionamento do seu RB e TE, sabendo assim qual é o lado mais carregado do ataque.

- Observa onde se coloca o MLB (middle linebacker) e os safeties.

- E finaliza mostrando qual será o lado que a linha ofensiva vai atacar.

Tudo isso com uma coisa em mente: facilitar o jogo corrido, abrindo espaço para o RB ou dar ao QB tempo suficiente para fazer o passe.

Ter um center de qualidade na equipe é raro e quando existe um deste se paga uma fortuna para mantê-lo. Nick Mangold, do New York Jets, assinou um contrato em Agosto deste ano que o fez o jogador mais bem pago da posição: US$ 55 millhões em 7 anos, com bônus de US$ 22 milhões.

Mangold chegou na NFL em 2006 e foi titular em todos os jogos dos Jets desde então. Ele ganhou o respeito dos principais adversários, isto incluindo os jogadores da defesa do seu time. No episódio 2 da série Hard Knocks deste ano (HBO), Mangold e Kris Jenkins (DT) fizeram um épico duelo Linha Ofensiva versus Linha Defensiva. Jenkins, um dos melhores defensores da NFL, foi dominado por Mangold ficando no chão em várias ocasiões. A comissão técnica do clube assistia tudo com deleite e comentou na reunião pós-treino a incrível movimentação do camisa 74.


Ganhar a admiração do DT da sua própria equipe é o principal atestado de que o trabalho do center está em um bom nível. Se este DT faz parte da elite, sua declaração vale ainda mais. Isto acontece com o novato center do Pittsburgh Steelers, Maurkice Pouncey (foto acima), que recebeu preciosos elogios do DT Casey Hampton afirmando que o garoto está pronto para ser titular na NFL. Mike Tomlin, treinador, o colocou no começo do jogo contra o Denver Broncos no último domingo. Resta uma partida para encerar a pré-temporada (contra o Carolina Panthers nesta quinta) e Tomlin ainda não definiu se ele será o titular no dia 12, decisão que deve ser tomada junto com o QB que irá substituir Ben Roethlisberger (suspenso) no começo da temporada.

Embora haja dúvidas, Pouncey já treinou várias vezes com Ben para irem se acostumando caso o novato seja o titular. Se assim for Justin Hartwig, veterano de 9 campeonatos irá para a reserva, o que testifica como Pouncey vem treinando com qualidade e exibindo toda habilidade criada na Universidade Florida. Lá ele foi o titular nos últimos dois campeonatos e sua transição para o profissional está sendo bem satisfatória, principalmente em relação à leitura do jogo – que é bem mais simples na NCAA.

E os jovens continuam tomando o lugar dos veteranos... Assim um dos mais experientes e talentosos centers que a NFL já teve, Kevin Mawae, fica sem emprego e pode encerrar a carreira. Mesmo titular em todos os 16 jogos em 2009 - e participado do Pro Bowl - , o jogador de 39 anos não renovou com o Tennessee Titans e é agente livre. Porém até agora nenhum clube entrou em contato e ele só foi alvo de especulações aqui e acolá. Ainda que fique de fora desta temporada, terá um papel fundamental no futuro da NFL.

Mawae é o presidente do sindicato dos jogadores da liga, cargo que ocupa desde 2008. Um novo acordo salarial entre a NFL, clubes e atletas precisa ser feito para que a temporada 2011 se realize. O center tem aparecido bastante na mídia para comentar sobre uma possível greve dos jogadores no ano que vem e sobre a ideia do aumento dos jogos da temporada normal para 18. Ele defende sua classe com postura e convicção, dando a deixa que irá ceder pouco nas conversas do novo acordo salarial. Em relação aos 2 jogos a mais, ele se opõe por questões físicas e de segurança, mas deixa aberta uma possível negociação se os jogadores forem beneficiados (financeiramente) com o prolongamento da temporada.

Pra variar, mais uma vez a bola está nas mãos do center, que precisa analisar o adversário, entender a estratégia da sua equipe e atacar com precisão. Sempre atento, visto que também nesta ocasião a margem de erro é bastante pequena.



(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 Keith Srakocic / AP

Um comentário:

Claudio Augusto disse...

Parabens João, muito bom seu blog, conheci ele apenas esta semana mas gostei muito (estou lendo todos os posts antigos sobre NFL).

Fica a sugestao para posts tb sobre o futebol americano no Brasil.

Abraço.

Virgilio Oliveira#26
Cuiaba Arsenal

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