Antipolítico


Jimmy Clausen (foto acima) é um garoto intrépido. Não tem medo de se garantir e nem de declarar verdade o que ainda está para acontecer. Neste próximo domingo, quando sua equipe enfrenta o Cincinnati Bengals, ele estreará como titular na NFL e marca o início de uma promessa que disse quando o Carolina Panthers o escolheu no draft 2010: “[sou] a melhor escolha deste draft”.

Vale trazer a memória que Clausen foi pego na segunda rodada (48ª posição); se ele se considera tão bom assim, por que ficou pra trás? Sua personalidade confiante e faladora, não buscando fazer média com ninguém, desagrada grande parte dos diretores da NFL – talvez por quererem longe uma pessoa que seja tão soberba quanto eles. Entretanto, não importa qual é o valor comportamental que se coloca em Clausen, a verdade é que se ele se posiciona tem uma causa, um motivo, uma razão, uma circunstância.

Exageros? Claro que ocorreram. Ele tem apenas 23 anos e pelas experiências adquiridas, principalmente na Universidade Notre Dame, houve uma maturação adequada. Tomou atitudes dúbias ao chegar no tradicional celeiro de football, mas junto com a arrogância vinha a certeza. Clausen anunciou no Hall da Fama do football universitário a decisão de ir jogar pelos Irish, chegou lá numa limusine Hummer e colocou na mesa todos os anéis ganhos nos campeonatos escolares da Califórnia. Seja o que for, aqueles anéis não foram comprados, foram ganhos.

Estudou na Oaks Christian High School, poderosa escola particular do estado localizada perto de Los Angeles. Foi titular nos últimos três anos letivos e terminou sua carreira invicto com 42v – 0d. Seu total de passes para TD, 146, é a maior marca no estado, famoso por produzir grandes jogadores para a NFL. Clausen se gabava pelos feitos conseguidos e quem poderia negá-los? Os números estão aí e suas atuações estão gravadas para quem quiser comprovar se ele era mesmo tudo isso.

Sim, ele era mesmo tudo isso. Clausen tinha todo o mundo da NCAA a sua disposição e escolheu justamente Notre Dame, a poderosa Notre Dame. Em parte porque lá estava um experiente treinador que comandou um fortíssimo ataque na NFL anteriormente. Charlie Weis assumiu a responsabilidade de reconduzir a universidade aos títulos, depois de criar e dirigir o histórico ataque do New England Patriots de 2000 a 2004 (era coordenador ofensivo). Ter um técnico com uma mentalidade profissional só trouxe mais colaboração para o estilo de jogo do QB.


O gostinho da pressão ele sentiu em seu primeiro ano, assumindo a titularidade e recebendo uma pesadíssima bagagem nas costas. Não foi bem, contudo mostrou evolução nas temporadas seguintes. Em 2007, ano de novato, teve um índice no passe de 103.85, completou 56.3% dos passes, teve 1254 jardas para 7 TD´s. Em 2009, ano de júnior, último em Notre Dame, teve um índice de passe de 161.43, completou 68% dos passes, teve 3722 jardas para 28 TD´s.

Clausen tem esta feição de se achar o bom, mas sabe qual é o seu lugar. Em Notre Dame ele ouviu, aprendeu, treinou, melhorou e evoluiu. Constantemente estava na sala de musculação ficando mais forte, depois ia assistir vídeos de jogos anteriores para procurar erros e corrigir as falhas. Estudava qual era o fundamento necessário para ser um QB mais eficiente e lá ia ele aperfeiçoá-lo. Por mais que seja um menino cheio de si, nada lhe tirou a humildade de reconhecer o que precisa ser feito para ser melhor.

Querendo ou não, Jimmy entrou na NFL com uma vantagem perante seus concorrentes. Atuar sob as ordens de Weis lhe deu uma leitura de jogo mais próxima do profissional e, de todos os QB´s novatos desta temporada, ele é o que tem as características mais próximas de um QB da liga. Lidar com a difícil tarefa de ser QB de Notre Dame lhe dá mais tato para administrar a responsabilidade de ser titular de uma franquia. Só tem que adicionar no seu jogo o passe longo, necessário para ser bem sucedido no grande show. Enquanto isso, seus precisos passes curtos lhe ajudou.

Nestes dois primeiros jogos do campeonato 2010, Clausen entrou no 4º período em cada um deles e arremessou 15 vezes (2 contra os Giants e 13 contra os Buccaneers). Na ultima rodada ele guiou os Panthers num drive de 79 jardas que acabou na jarda 1 de Tampa porque o RB Jonathan Stewart foi parado numa conversão de 4ª descida. O que chamou a atenção neste drive é que Clausen fez 7 no huddles ou seja, 7 vezes ele organizou o ataque sem reunir os companheiros no centro de campo, só os direcionando com sinais e códigos.


Contra a defesa dos Bengals ele não terá muita facilidade, mas o plano de jogo já está traçado: bolas corridas para Stewart e DeAngelo Williams; passe para Steve Smith que ele se vira pelo alto. Agora, Jeff Davidson, coordenador ofensivo, sabe que pode ser mais flexível com Clausen, pois o QB já conhece todo caderno de jogadas, muito similar ao de Notre Dame – Davidson trabalhou com Weis em New England e adota mesma filosofia ofensiva.

Os companheiros estão com Clausen e uma declaração de um deles exemplifica como tem sido sua curta estadia na NFL. Com a palavra o DE Everett Brown: “Ele é mais humilde do que eu imaginava. Chegou aqui, trabalhou aprendeu o playbook e esperou sua vez” afirmação dada ao site oficial dos Panthers.

Na segunda, dia 20, ele ligou para Weis, que é o atual coordenador ofensivo do Kansas City Chiefs. Falaram por volta de 20 minutos, só que nada de football no diálogo, só um papo causal entre amigos. Por onde passa Clausen faz contatos e cria laços lobísticos que o ajudam (e ajudarão) a se adaptar mais rapidamente na NFL. Desde que nada o atrapalhe na busca pelo estrelato, ele dará atenção e será cordial, caso contrário...

Steve Beuerlein foi um QB que jogou em Notre Dame – usando a mesma camisa 7 que Clausen vestiu – e também jogou nos Panthers, entre 1996 e 2000 (foi ao Pro Bowl em 1999). Steve foi visitar Clausen na pré-temporada disposto a compartilhar a experiência que teve com o menino, que passa pela mesma estrada. Alguém chamou Clausen na linha lateral de campo e o moço ao lado disse: “Olá, eu sou Steve Beuerlein”. Jimmy respondeu: ”Ah! Prazer em te conhecer” e voltou a campo para continuar seu treinamento, deixando o ex-jogador “falando sozinho”.


(GL)
Escrito por João da Paz



© 1 Sam Sharpe / US Presswire
© 2 Getty Images
© 3 Nell Redmond / AP

2 comentários:

Helio disse...

Muito bom o artigo JP, parabéns!

Rodrigo Rocha disse...

João passei para conhecer seu blog ele é not°10, show, espetacular com excelente conteúdo você fez um ótimo trabalho desejo muito sucesso em sua caminhada e objetivo no seu Hiper blog e que DEUS ilumine seus caminhos e da sua família
Um grande abraço e tudo de bom

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