Sim é Sim. Não é Não.


Adepto da sinceridade e honestidade, Mike Holmgren chegou ao Cleveland Browns declarando uma verdadeira e taxativa opinião. O novo presidente da franquia deixou claro em sua primeira entrevista coletiva com o clube que “Não é possível consertar tudo em um ano apenas (Jan/10).” Correto. Porém tem um plano vitorioso em mãos que está sendo executado.

Se Browns não é sinônimo de sucesso, Holmgren é. A esperança dos fanáticos torcedores do Cleveland é que Mike consiga elevar o nível de competitividade do time a mesma proporção que ele fez em Green Bay e em Seattle. Como treinador dos Packers, levou a equipe ao Super Bowl XXXI, primeira final do Green Bay desde a saída do lendário Vince Lombardi. Como treinador do Seahawks, levou a equipe ao Super Bowl XL, primeira final do Seattle na história. O objetivo, mesmo atuando nos bastidores, é levar os Browns à grande decisão, embora só promessas e palavras não bastam.

Holmgren sabe disso. Receberá confiança somente se o time vencer e conseguir causar perigo aos rivais da Divisão Norte da Conferência Americana (Pittsburgh Steelers, Baltimore Ravens e Cincinnati Bengals) uma das mais disputadas em toda a NFL; para atingir um ponto de equilíbrio e colocar Cleveland novamente nos playoffs.

Desde que voltaram à NFL em 1999, os Browns foram para a pós-temporada uma vez (em 2002). Em 2007 o time fez uma bela campanha com 10v e 6d, mas não foi aos playoffs (repescagem) por perder o desempate contra os Ravens. Com exceção destes dois anos, somente em outro que Cleveland não perdeu 10 jogos (9 em 2001). No restante, foram oito temporadas com 10 ou mais derrotas. Estes resultados negativos poderiam trazer um alívio para a franquia, visto que assim o time tem mais condições de pegar jogadores talentosos via draft. Entretanto a diretoria passou por inúmeras transformações ao longo do tempo e os jovens jogadores se perderam no meio do caminho.


Só dois atletas escolhidos na primeira rodada dos últimos onze anos estão no elenco atual dos Browns (Alex Mack, camisa 55, center, escolha 21 de 2009; e Joe Thomas, camisa 73, offensive lineman, escolha 3 de 2007). No período citado foram duas escolhas número 1 e três números 3 – com só um sobrevivente. Isto se deve as constantes mudanças no comando técnico e na falta de um sistema padrão de sustentação de uma equipe. Nestas últimas 11 temporadas, a franquia teve 6 diretores de football (GM) e/ou presidentes operacionais, 4 presidentes e 5 treinadores...

O que Mike vai criar em Cleveland é um padrão de administração, um estilo de montar e estruturar um elenco que perdure por várias temporadas até alcançar a glória e permanecer forte. Holmgren acredita que tudo começa pelo quarterback e uma das primeiras atitudes tomadas assim que assumiu o cargo foi mudar totalmente as peças que ocupavam a posição no time. Independente de qual for o QB titular no jogo contra o Tampa Bay Buccaneers na abertura do campeonato 2010, será o nono QB diferente que jogará o primeiro jogo da equipe em 12 campeonatos.

Esta mudança específica foi necessária e mostra que Holmgren pensa no agora e no futuro. Foram embora Derek Anderson e Brady Quinn; provavelmente o titular será o experiente Jake Delhomme, o reserva dele será Seneca Wallace, jogador draftado por Holmgren quando estava em Seattle e o terceiro QB é Colt McCoy, escolhido na terceira rodada do draft deste ano e será preparado para assumir a posição nas próximas temporadas.

Aliás, no draft 2010, Mike estava insistentemente buscando um QB que fosse a cara da franquia nos anos vindouros. Queria Sam Bradford (escolhido pelo Saint Louis Rams) ou Jimmy Clausen (escolhido pelo Carolina Panthers), mas recebeu conselhos para gastar a sétima escolha numa outra deficiência do time: a secundária. Daí o time pegou o ótimo cornerback de Flórida Joe Haden e McCoy acabou caindo no colo. Apesar de não ser a primeira opção de Holmgren, McCoy agrada e vai passar por um desenvolvimento sob a tutela do cara que lapidou nomes como Joe Montana (foto abaixo, com Mike), Steve Young, Brett Favre e Matt Hasselbeck – ele foi treinador de QB´s do San Francisco 49ers entre 1986-1988; e coordenador ofensivo entre 1989-1991.


Mesmo que os Browns não seja um time vencedor nessas mais recentes temporadas, há uma pressão muito forte para que alguém traga vitórias para a histórica franquia. Cleveland foi quatro vezes campeão da antiga NFL (1950, 54, 55 e 64), porém desde a junção da NFL com a AFL em 1970, formando a moderna NFL, nunca o time chegou na final. Cleveland é um dos quatro times em toda liga que jamais disputou um Super Bowl (os outros são Detroit Lions, Jacksonville Jaguars e Houston Texans). O detalhe é que o sucesso de outrora rende um orgulho para os fãs do clube, que é o quarto maior em jogadores que estão no Hall da Fama: 16 que atuaram somente com os Browns e outros cinco que passaram pelo clube por pelo menos um ano.

Numa entrevista coletiva cedida semana passada, Holmgren comentou esta situação. “Todos os olhos da cidade estão voltados para nós e isto é bom. É uma pressão que nos ajuda a trabalhar mais forte e motiva os treinadores, jogadores e a diretoria. Acredito que nosso time já está melhor do que o do ano passado e agora temos que provar isto dentro de campo. Por isso que estamos aqui, para cumprir o que prometemos e trazer resultados positivos.”

É interessante como uma pessoa pode mudar tudo para melhor com uma atitude simples mas firme, com uma postura rígida e confiante. Mike traz novos ares a Cleveland e busca implementar uma filosofia de trabalho que atraia pessoas e jogadores dispostos a aceitar um arrojado desafio de tornar os Browns relevante em campo e, desta forma, participar da história da tradicional franquia.

Os trabalhos feitos por Mike Holmgren atestam que ele é capaz. Se não fosse possível, ele nem assumiria o risco e deixaria de descansar, aproveitando seus 61 anos de vida. Ao invés de se aposentar de vez, ele encara uma árdua tarefa e diz sim para o novo Browns, alicerçado em um novo pensamento, numa nova cultura, num novo sistema adepto do realismo e das infinitas possibilidades de acreditar num futuro mais promissor.



(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 Evan Siegle / Green Bay Press-Gazette
© 2 Chuk Crow / Cleveland Plain-Dealer
© 3 Michael Zagaris / Getty Images

Um comentário:

Lucas disse...

Mas também, o time é sem sorte, draftaram Tim Couch em 99, poderia ser um grande QB, aí o cara se envolve com drogas. Depois em 02 pegaram William Green (RB), que anos depois se machucou e não voltou a jogar. Fora o Quinn, que foi um bom QB na universidade e nunca teve chances de jogar na NFL.

Postar um comentário