LeBron James é o melhor jogador da NBA pela quarta temporada consecutiva

No campeonato de 2008-09 e 2009-10, LeBron James ganhou o troféu de MVP. Campeonato passado a mídia montou um golpe de ”informações” e fabricou Derrick Rose como melhor jogador. Na atual temporada não tem jeito: LeBron = MVP.

Levar o terceiro MVP seguido seria histórico, mas receber a honraria agora também será marcante: somente Larry Bird, Magic Johnson, Kareem Abdul-Jabbar, Bill Russell e Wilt Chamberlain venceram três vezes a disputa de melhor jogador da NBA num período de quatro temporadas.

A votação não será unânime porque ainda existe gente rancorosa e idiota que não percebe o óbvio. É incompreensível alguém que acompanha profissionalmente a NBA votar em outro jogador, a não ser LeBron, como MVP de 2011-12.

Só por “birra” mesmo. Doc Rivers, treinador do Boston Celtics, que entende mais de basquete do que eu e você, disse: “Se ele [LeBron] não ganhar [o MVP], só pode ser porque estão com ‘birra’ dele”.

A mesma “birra” que fez Rose MVP do ano passado. Claramente o melhor jogador foi LeBron, mas criaram o armador do Chicago Bulls como “MVP” – como visto aqui no Grandes Ligas. Bill Simmons, renomado jornalista da ESPN e especialista em NBA (tem voto na eleição de MVP), explicou o que aconteceu na temporada passada:

LeBron teria a chance de ter quatro MVP’s seguidos se ‘A Decisão’ não tivesse ocorrido. A frase ‘Não acho certo votar nele, escolho o Rose’ não ganharia força, que eventualmente corrompeu muitos votantes e pessoas da mídia, incluindo eu
(Bill Simmons – NBA Trade Value, Part 2 – Grantland - 09 de Março de 2012)

Logo, quem votou em Rose pode votar em qualquer um pra ser MVP: Chris Paul, Kevin Love, Kevin Durant... Mas “Durant MVP” chama mais atenção, visto que não existe defesa para este rótulo, porém insistem em defendê-lo.

Posicionamentos esdrúxulos e sem noção tentam sustentar o tal de “Durant MVP”. São risíveis, todos, principalmente este:  “Até fez uma boa temporada igual a Durant, mas LeBron não se apresenta bem nos minutos finais das partidas”.

Então Durant é o “bonzão”? O “bonzão” que contra o Heat em Miami (4 de Abril) errou um arremesso de 2 pontos faltando 1:30 pra acabar a partida e o Oklahoma City Thunder perdendo por 93 a 94? O “bonzão” que, na sequência, errou um arremesso de 3 pontos faltando 0:16 pra acabar a partida e o Thunder perdendo por 93 a 96?

Mas Durant não é chamador de “amarelão”.

Pior é Derrick Rose. Contra o New York Knicks (8 de Abril), faltando 19 segundos pro final do jogo, Rose errou dois lances livres – NY perdendo, 88 a 91. Carmelo Anthony empatou o jogo e Rose teve a chance de vencer, mas errou um jump. Na prorrogação o armador dos Bulls errou três arremessos e cometeu um erro – NY venceu, 100 a 99.

No duelo LeBron x Rose do dia 29 de Janeiro, a manchete pós-jogo foi “Bulls desperdiça duas chances no final e Heat vence”. Quem desperdiçou estas duas chances? Rose (dois lances livres – Bulls atrás, 93 a 94; e um jump – Bulls atrás 93 a 95. Ambos os lances dentro dos 22 segundos finais).

Mas Rose não é chamado de “amarelão”. 


LeBron, após esta partida contra Chicago, disse aos jornalistas no vestiário do Heat: “Vocês avaliam os últimos minutos do jogo ou os últimos 30 segundos do jogo e esquecem que isto é um jogo completo de 48 minutos. Nós entendemos a origem disto. Entendemos o que realmente vira manchete. Este é o mundo em que vivemos".

A temporada 2011-12 do LeBron é uma das melhores da história da NBA, como a revista Sports Illustraded estampa na capa desta semana. Só se compara ao que Michael Jordan fez em 1988-89 – e Jordan só conquistou o seu primeiro título dois anos depois. Detalhe: os números desta temporada magnífica de LeBron não são muito diferentes da anterior:

2010-11: 26.7 PPJ, 7.0 APJ, 7.5 RPJ, 1.9 RPJ, 51% FG
2011-12: 27.1 PPJ, 6.2 APJ, 7.9 RPJ, 1.9 RPJ, 53,1% FG

James é o líder do Heat em pontos, assistências, rebotes e roubos de bola – em tocos o líder é Joel Anthony com 1.3 TPJ; LeBron tem 0.81 TPJ.

Resistir e não admitir que o camisa 6 do Heat é o MVP (disparado) desta temporada é burrice. Tentar ser o entendido do basquete e forjar argumentos contra o que LeBron fez nesta temporada e validar Durant, por exemplo, é um sacrifício de tolo. Porém, cada um pode opinar livremente e quem vota pode escolher quem quiser.

Em seu segundo campeonato em Miami, LeBron (que tem apenas 27 anos, é bom ressaltar), assume esse papel de liderança do time e mesmo com um possível fracasso nestes playoffs, a franquia  o manterá e irá se livrar de Dwyane Wade (30 anos e algumas lesões no currículo) e/ou de Chris Bosh. Vão escolher o certo e ficar com o melhor jogador – desde que os três estão juntos  com o Heat, somente em 5 jogos LeBron atuou sem seus dois amigos em quadra. O Heat venceu estes 5 jogos e LeBron teve média de 34.3 PPJ nesta situação.

Nas paradas técnicas, muitas vezes LeBron assume o papel de porta-voz e passa instruções ao elenco. Todos quietos. Wade admite esta postura do companheiro: “Neste ano, especialmente no quarto período, nós estamos vendo um líder vocal, o jogador inteligente que LeBron é. Seu QI de basquete é fora de série. Então é bom escutar. Principalmente eu”. (declaração dada a Tim Reynolds da Associated Press – 24 de Abril).

Quem odeia continua fazendo o que sabe melhor. Quem é inteligente aprecia.

Após o fenomenal final de jogo contra o New Jersey Nets (16 de Abril), quando LeBron marcou os últimos 17 pontos do Heat, fãs brasileiros optaram por achar um defeito nesta atuação magistral do que aplaudir. Disseram, acredite, “Ele só marcou pontos perto da cesta...”.

Pode isso, Arnaldo? Só com a santa paciência e misericórdia...

Sim, foram 17 pontos de bandejas e enterradas (e afins), mas foram 17 pontos! Seguidos! Quem já fez isto na NBA? Hum, pode ser um tal de LeBron James e os últimos 25 pontos do Cleveland Cavaliers contra o Detroit Pistons, numa dupla prorrogação de playoffs? Destacando que ambos os jogos foram fora de casa...

Em New Jersey, LeBron foi vaiado do hino nacional americano até os segundos finais do jogo. Não resistiram e começaram gritar “M-V-P”. Acabou o jogo e o eco das três letras permanecia no ginásio. Sabiamente aproveitaram o momento para admirar um jogador único e digno de ser ovacionado.

A aversão por LeBron, em muitas vezes, é de um erro que cometeu e do qual já se arrependeu, dizendo que não faria de novo: anunciar ao vivo para qual cidade levaria seu talento. Mas escolher Miami e se unir aos amigos Wade e Bosh está bem longe de ser um erro, pois conseguiu juntar o útil e o agradável. LeBron se juntou com duas estrelas da NBA formando um time de qualidade, que na primeira temporada em quadra chegaram às Finais da associação. Contudo o mais importante foi optar por um clima mais amigável, parecido com o que tinha na escola (high school).

LeBron foi criado sem pai por perto. Um dos alicerces que o segurou foi o ciclo de amigos da adolescência, firme até hoje. Em Miami ele conseguiu este ambiente de volta. No vestiário, segundo relato dos seus companheiros, todos agem como jovens, inclinados a ajudarem uns aos outros e se divertirem, porém cientes da responsabilidade que tem.

No Grandes Ligas você leu que LeBron não foi o primeiro, e nem será o último, a exercer o direito adquirido de escolher em qual time quer jogar. Estrelas da NBA que mudam de time? Mais comum do que você imagina. Quem lutou por essa alternativa foi Oscar Robertson e escolheu bem, fazendo uma parceria vitoriosa com Abdul-Jabbar em Milwaukee na temporada 1970-71. Robertson, hoje com 73 anos e conhecedor pleno do basquete, resume bem (frase dita à revista ESPN) o que acontece em volta de LeBron e dá uma dica para quem quiser ser humilde e ouvir uma lenda viva do esporte:

As pessoas deveriam reconhecer a grandeza deste jovem homem [LeBron] e deixar ele jogar basquete



(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 e 2 Mike Ehrmann / Getty Images

2 comentários:

Gusta disse...

“As pessoas deveriam reconhecer a grandeza deste jovem homem [LeBron] e deixar ele jogar basquete”

Falo isso todos os dias para meus amigos que insistem em fechar os olhos que reconhecer e admirar o talento desse excepcional jogador. Talvez quando ele se aposentar as pessoas deem mais valor ao que ele fez/faz pela liga.

Agradeço todos os dias por ter a oportunidade de ver esse cara jogar e o melhor, ver ele vestindo a camisa do time que torço.

Muito bom texto, João. Parabéns.

Gabriel disse...

O LeBron é monstro mesmo,realmente ele joga muita bola e é indiscutivelmente o melhor jogador da temporada.

É a primeira vez que comento aqui no blog,apesar de acompanha-lo ha um tempo.
Joao,admiro muito seu trabalho.Excelente blog.Parabens!

Mas,acho que ninguem vai conseguir mudar a minha opiniao de que o LeBron é amerelao.Sempre que o time precisa dele nos instantes finais,ele falha.Concordo com a declaraçao dele de que o jogo tem 48minutos e tal,mas pode reparar que durante o jogo ele toma decisoes 'questionáveis',ao invés de ele ir la e decidir,ja que o jogo tem 48 minutos.
Abraço.

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