Os anônimos do New York ‘Mess’


A burrice reina mais uma vez na franquia que está longe de honrar a liga na qual é afiliada. Profissionalismo? Os Jets, o outro time de New York, não conhece essa palavra. Enquanto os verdes envergonham, os azuis ganham Super Bowls.

Além disso, aqueles fazem com competência o que covardes adoram: falar anonimamente.

Procedem com tanta primazia que vexame deveria contar na tabela de classificação da NFL; estariam na liderança.

O alvo da vez é o quarterback/bloqueador de punt Tim Tebow. O jogador mais popular da liga deixou o Denver Broncos e escolheu ser segunda opção em NY do que ser titular em Jacksonville jogando pelos Jaguars. Escolha que mostrava um potencial de sucesso tremendo, mas está num estado no qual jogadores “sem nome” o chamam de péssimo.

O tabloide nova-iorquino (óbvio) NY Daily News publicou na quarta feira uma reportagem na qual o repórter Manish Mehta ouviu dezenas de jogadores e o rótulo dado acima foi uníssono. Um dos atletas disse “Nós não olhamos para ele [Tebow] como um quartetrback: ele é o ‘cara do wildcat’”.

Tebow é um quarterback sim. Dos melhores? Não. Tem condição pra ser titular de um time da NFL? Sim. Porém a falação infantil, típica de corredores de colégio, é o resultado de uma péssima gestão de quem deve liderar, não somente dos que vestem os uniformes e capacetes, porém dos que chamam as grandes jogadas: Rex Ryan, treinador; Mike Tannenbaum, diretor de football; e Woody Johnson, dono.

Em 2011 o mesmo aconteceu com os Jets: jogadores anônimos zombaram de um quarterback. Mark Sanchez, o titular da posição desde 2009, foi vítima do maldizer baixo. Como visto com clareza, a organização amadora não soube gerenciar o ocorrido e, claro, o erro se repetiu.

Uma vez até que vai, no entanto duas?

O trio Ryan, Tannenbaum e Johnson trouxe Tebow. Com boa administração e objetividade, poderiam aproveitar o melhor do camisa 15. Sua fama estratosférica, no nível de Princesa Kate, Adele e Oprah, tinha condições de trazer boas vibrações para o elenco, ser uma peça de união e atuar com eficiência em campo.

Não usaram para nenhuma das coisas.

Colocaram um quarterback para ser um elemento crucial no time de especialista: bloqueador de punt. O pior não é isso, mas Ryan aparecer em frente de toda imprensa de New York e dizer na cara de pau que Tebow está fazendo um grande trabalho nessa função, elogiando sua obediência. Mais um ponto para a vergonha.

Tebow, no ataque, teve algumas oportunidades, nada de grande proveito. Arremessou 6 vezes e correu 27, passou para 40 jardas e correu outras 92. Produção qualitativa longe do ideal, chamando mais a atenção para problemas e disfunção.

Defender que Tebow jogue com mais frequência não deve ser sustentatado na voz fanática de torcedores que o chamam de vitorioso – quando não é! Timmy tem de estar em campo porque não faz sentido tê-lo no elenco se for para deixá-lo encostado como um jogador qualquer – que ele não é!

É curioso perceber que Tebow, com uma vitória em playoffs, bem significativa contra o Pittsburgh Steelers, recebe tratamento de vencedor, enquanto seu colega de time e posição, Sanchez, ganhou quatro jogos de playoffs (legal, né?) e outro quarterback odiado, Tony Romo, tem o mesmo número de vitórias em playoffs que Tebow, mas chamá-los de vitorioso é contra o senso comum, certo?

Pelo visto, o vestiário dos Jets não pensa igual ao senso comum...

E fica assim, “o vestiário”, porque Ryan marcou uma reunião com todos do elenco e disse que os anônimos se apresentassem. Para surpresa – só que não – nenhum dos delatores levantou a mão.

O que sucedeu em ambos os episódios exemplifica como a franquia espelha o comportamento do treinador, que fala muito - dá bom dia a cavalo - e seus subordinados entendem que podem fazer o mesmo. Qual a moral que Ryan tem pra chamar os jogadores a assumir os comentários anônimos? Ele, com seu discurso inclinado para a motivação mas que acaba trazendo um alvo para o símbolo dos Jets, é responsável pela bagunça que o clube virou. Saiu da neutralidade e adquiriu um colorido, um exagerado colorido.

Um apelido mais apropriado para a equipe é Mess, New York Mess.

Já o rival da cidade é o New York 'World Champions' Football Giants


(GL)
Escrito por João da Paz
© 1 Drew Hallowell / Getty Images

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