A estratégia da NFL para atrair público aos estádios


Melhor assistir em casa.

A NFL faz tanta coisa para aperfeiçoar a experiência televisiva de seus jogos que os americanos estão abandonando a ida aos estádios – isto contando o advento das magníficas TV’s de plasma, LCD e LED.

Um balanço das últimas cinco temporadas resultou num dado preocupante para a liga: desde 2007 o público nos estádios caiu 4,7%. Para reverter este registro negativo, serão impostos novos métodos para que o torcedor não continue deixando de ir pro campo e que aqueles desistentes voltem.

A própria NFL é culpada por isso – no bom sentido. O cuidado que tem com a transmissão de suas partidas é imenso e prioritário. São tomadas de câmeras diferentes de outros esportes, edição de imagem diferente... enfim, é um show. Não é por nada que hoje a NFL é o principal produto das televisões dos Estados Unidos (grandes ligas) e que na “Fall Season - 2011” das emissoras americanas, 18 dos 20 programas mais assistidos foram jogos da liga (Diário NFL) – os intrusos nesta lista foram a estreia do nova fase do seriado “Two and a Half Men” e o jogo 7 da World Series entre Saint Louis Cardinals e Texas Rangers.

O plano da NFL é levar a experiência televisiva para o estádio; e mimos extras. Uma das ideias é criar um sistema Wi-Fi (internet sem fio) em todos os 32 campos de football. Junto com aplicativos especiais para celulares, o torcedor no estádio poderá assistir ao vivo outros jogos, vê melhores momentos de partidas que estão sendo realizadas no mesmo horário, replays do duelo que acompanha in loco... É um aprimoramento do que o fã tem quando assiste a um jogo do sofá da sala; com uma lata de cerveja na mão.

#TypicalHomer

Um dos maiores inventos que surgiu recentemente no mundo da televisão foi o canal Red Zone. Cria da NFL, este canal fica no ar 6 horas ininterruptas aos domingos, das 13h até as 19h (horário de Washington, EUA) somente colocando no ar lances decisivos que acontecem dentro da redzone – setor no gridiron entre a jarda de número 20 e a endzone (área do touchdown). Razão que fãs dizem que os mantém no conforto do lar. Mas a NFL ordenou às franquias que, neste ano, disponibilizem o canal em todos os setores de cada estádio.

Embora medidas estejam sendo aplicadas para dar um upgrade nos campos, uma palavra aqui foi citada que é difícil de copiar: conforto. O cidadão não precisa deixar o lar no domingão, pegar engarrafamento... e não tem que lidar com torcedores bêbados uma hora antes do jogo e ter que aturá-los por três horas gritando em seu ouvido palavrões e coisas piores. Levar criança e esposa num ambiente deste? Nem pensar.

Alguns clubes saíram na frente, Tamba Bay Buccaneers e San Diego Chargers, por exemplo, e fizeram seções específicas para família (a Federação Paulista de Futebol tentou fazer aqui no Brasil). Os ingressos são mais baratos e não é comercializada bebida alcoólica. Ambas as franquias têm recebido elogios por esta iniciativa.

Porém, este mais barato não é tão barato assim. Torcedores persistem em reclamar do alto custo dos ingressos e abaixá-los é fundamental para atrair público. Por mais que tenham todas essas novidades, o ingresso individual continua expressivo. Baseado na temporada passada, custou US$ 113,17/média. Os jogos do atual campeão New York Giants, no mesmo período, custaram US$ 332,82/média. Acrescentando gastos com gasolina, estacionamento e lanches, 500 obamas precisam ser desembolsados, por baixo, para assistir um único jogo.


Esses agrados tecnológicos é uma tentativa da NFL em continuar na vanguarda do esporte. Ela sabe que precisa agir e está fazendo. Contudo não larga a TV, sua mina de ouro. A receita com os novos contratos assinados junto às três emissoras abertas que transmitem a liga (CBS, FOX e NBC), vai crescer 63% até 2022. Entre 2014 e 2022, período que vigorará este novo acordo, a NFL tem US$ 27,9 bilhões garantidos na conta.

Nota (+): Com a ESPN, TV por assinatura, a NFL também renovou outro contrato lucrativo. Os jogos de segunda à noite vão continuar na emissora até 2021. O atual acordo se encerrava em 2013 e o novo vai de 2014 até 2021. A NFL vai ganhar da "líder mundial em esportes" US$ 15,2 bilhões neste período.

Todavia, a queda de público nos estádios também afetam as TV’s.

A regra, até o campeonato 2011-12, era de que se um clube não consegue vender 100% dos seus ingressos nos jogos em casa, esta partida não é transmitida para a região local. Exemplo: jogos dos Giants em casa só são transmitidos para New York se o estádio tiver a venda completa dos lugares até quinta-feira (para os jogos no domingo) – esta regra não se aplica para os monday night games.  Quando a cidade não assiste a um jogo do time local em casa, a NFL chama isto de blackout.

Nos últimos 256 jogos de temporada regular, a NFL impôs apenas 16 blackouts (só Tampa Bay teve 8, Cincinnatti 6). Porém para os padrões da liga é um alto número, visto que entendem a importância do mercado local para as franquias – quem é de Tampa Bay quer assistir os jogos do time da cidade, não de times de fora. Visando estancar o número de blackouts e impedir seu crescimento, a liga vai diminuir a exigência de venda dos ingressos para 85% da capacidade.

Ou seja, cada franquia pode escolher qual é seu limite para evitar o blackout: 100% ou 85%. Esta escolha tem de ser feita antes do início desta temporada e vai valer para ela toda, para que um clube não abaixe seu limite contra times pequenos e o aumente quando enfrentar equipes populares.

A NFL tem uma preocupação nisso tudo: satisfazer os torcedores. São eles que sustentam a liga, seja comprando um ingresso ou ligando a TV para assistir uma partida. São eles, em grande parte, que ajudam a erguer estádios, pagando taxas para injetar dinheiro público na construção dos campos. Por isso há o argumento que o blackout nem deveria existir, já que se os habitantes locais deram seus doletas para uma entidade privada fazer um estádio de football, nada mais justo permitir que eles assistem pela TV eventos neste estádio. Ou não?

Esta última proposta é discutida nas ruas, não chegou à NFL. Mas vale os argumentos e a liga vai ouvir, com certeza. O sucesso e prestígio dela não vêm por acaso e um dos alicerces é esta interação com os torcedores.

Tudo para servir bem seu patrão.

(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 FOX Property

7 comentários:

Natália Queirós disse...

O Monday Night Football é tão lucrativo assim? Pois a renovação dele é quase 55% do valor das outras três emissoras juntas.

João da Paz disse...

Sim - valores anuais dos novos contratos:

- NBC: US$ 950 milhões
- CBS: US$ 1 bilhão
- FOX: US$ 1.1 bilhão
- ESPN: US$ 1.9 bilhão

Anônimo disse...

Faz, sentido, os outros jogos acontecem sempre alguns ao mesmo tempo. Já o de segunda, não tem concorrencia.

Sem contar que "só" esse jogo deve ser responsável por trazer um volume consideravel de assinantes para o canal

Douglas Schöpfer Pimenta disse...

Temos muito mesmo o que aprender com a NFL, uma liga muito bem gerida.... belo texto! Parabéns!

Natália Queirós disse...

Estava dizendo em questão de arrecadação. O lucro que essas emissoras têm com esses eventos.

João da Paz disse...

A fonte de arrecadação da ESPN é via assinatura do canal. Nos EUA, é vendido separadamente é custa US$5,00/média-mês. Como comparação, o segundo canal mais caro, TNT, custa US$ 1,21/média-mês.

MNF é uma grife é custa mais mesmo.

Uma propaganda no MNF tem um valor menor que no Sunday Night da NBC. Novamente, um é segunda à noite num canal por assinatura; o outro é domingo à noite num canal aberto:

ESPN/MNF: US$ 300 mil/por propaganda
NBC/SNF: US$ 400 mil/por propaganda

Natália Queirós disse...

Ah tá, entendi. Mesmo assim é espantoso ver a disparidade nos valores.

Postar um comentário