Talento Não é Tudo


O palestrante John C. Maxwell, especializado em liderança, é um dos autores mais respeitados sobre o assunto, tendo em seu currículo mais de 13 milhões de livros vendidos e vários deles já foram número um na famosa lista de Best-Sellers do jornal nova-iorquino The New York Times. Um dos seus trabalhos mais recentes chama-se Talento Não é Tudo (Talent is Never Enough, 2007), publicado no Brasil pela editora Thomas Nelson, e traz tópicos que ajudam entender o que está acontecendo com dois dos piores times da NBA na temporada 2009-10: New Jersey Nets e Minnesota Timberwolves.

Nesta última semana, principalmente em relação aos Nets, houve muita crítica, tanto por parte da torcida quanto da mídia, sobre a qualidade de ambas as equipes, enfatizando a possibilidade do time de NJ ser o pior da história da associação (em números de vitórias). Caso isto venha acontecer, muitas coisas serão apontadas como fatores que colaboraram com o vexame – que, aliás, pode também acontecer com os Wolves – , mas o talento dos jogadores não poderá ser questionado.

No melhor basquete do mundo é difícil afirmar que algum jogador não tem talento; se não tivesse não estaria na NBA. Ocorre que a habilidade do atleta não é trabalhada de forma ideal, desenvolvida da maneira que se espera. Há também a questão do entrosamento e do jogador encontrar companheiros que o façam melhor, ou um treinador que faça isto ser possível.

Dos 13 capítulos que Maxwell traz nesse livro, o último deles define toda essa história: “O Trabalho em Equipe Multiplica Seu Talento”. Se o jogador chegou a associação por ter um talento acima da média, isto não quer dizer que ele terá uma carreira de sucesso. Entre tantas situações que irão lhe ajudar a ser melhor, o jogo em equipe é prioridade e esta deve ser a meta principal de qualquer um para fazer seu time mais competitivo e relevante.

NJ e Minnesota têm em seus respectivos elencos jogadores talentosos. Dois tópicos vão ajudar a entender o que acontece com cada um deles, conhecendo melhor quem são esses talentos.


Acreditar Estimula Seu Talento – New Jersey Nets


Assim que o time atingiu a marca do pior início de campeonato da história da NBA – 0v e 18d –, o abatimento era nítido no rosto dos jogadores. “Quando o adversário acerta uma sequencia de boas jogadas e abre uma vantagem no placar, parece que todos nós desistimos. Tipo, parece que nós deixamos a coisa rolar ao invés de tentar lutar para reverter a situação” disse o armador Chris Douglas-Roberts (foto acima) após a 18ª derrota para o Dallas Mavericks, partida que marcou o recorde que ninguém gostaria de ter.

De certa forma, todos atletas da equipe ficarão com este feito no currículo e, conforme a carreira deles forem se desenvolvendo, sempre lembrarão do “0-18” a não ser que eles mesmo busquem mudar esta definição que será criada. Usar o talento é uma das opções.

Douglas-Roberts é um All-American* e chegou à grande final da NCAA em 2008 com a Universidade de Memphis. Devin Harris, armador, fez uma universidade sem tanta tradição no basquete da Big Ten – Wisconsin – ser bi campeã da conferência (2001-02 e 2002-03); ele esteve no Jogo das Estrelas deste ano como reserva. Rafer Alston, armador, mostrou que é um jogador de elite sendo uma peça fundamental na bela campanha do Orlando Magic nos playoffs da Conferênica Leste da temporada passada. Terrence Williams, ala novato, tem o rótulo, de “melhor jogador que ninguém conhece”. Brook Lopez, pivô, vem mostrando sua força no garrafão e correspondendo a eleição no primeiro time de novatos do campeonato 2008-09.

O talento existe, basta, além de trabalhar em equipe, acreditar que é possível transformar este péssimo começo de temporada em algo bom. A primeira vitória da equipe no campeonato, no última sexta contra o Charlotte Bobcats, mostrou que o time tem qualidade para vencer jogos; é preciso apenas manter a consistência e um padrão. Mudanças na comissão técnica aconteceram para criar uma nova identidade, para renovar o ânimo dos atletas. Saiu Lawrence Frank, treinador com mais vitórias na história da franquia (225) e Kiki Vandeweghe, então diretor de basquete do clube, assumiu o cargo.

Kiki tem a missão de construir algo com os talentos que ele mesmo trouxe à NJ e tentar ao menos não decepcionar em quadra. É só acreditar, pois da mesma forma que eles venceram o bom time do Charlotte, eles podem vencer qualquer outro adversário, mudando assim o modo de como encarar cada partida, crendo que o melhor pode acontecer e não o contrário.


A Perseverança Sustenta Seu Talento – Minnesota Timberwolves


A primeira vitória da equipe foi, por coincidência, contra os Nets na abertura da temporada; depois disto foram 15 derrotas seguidas. Porém, nos últimos quatro jogos os Wolves estão com um aproveitamento de 50%, com uma vitória em cima do Denver Nuggets e outra contra o Utah Jazz. Ambos os resultados positivos vieram com muita luta e dedicação, jogando de igual para igual com dois grandes times da Conferência Oeste.

O treinador Kurt Rambis comemora a volta de um dos seus jogadores mais talentosos: Kevin Love (foto acima), um All-American no ano de 2008. Ryan Gomes é outro All-American (2004) do elenco. Fora isto, o time tem dois MVP´s do torneio da NCAA: Wayne Ellington (2009) e Corey Brewer (2007). Sem contar Al Jefferson, que sempre está entre os melhores da liga em rebotes e teve na temporada passada dois jogos de 40 pontos.

Para fazer que estas três vitórias se multipliquem, é necessário continuar perseverando e desenvolvendo o talento dos atletas. Rambis vem fazendo um trabalho dentro desta perspectiva com Brewer que merece destaque.

Corey é conhecido pela sua explosão e agressividade ao atacar a cesta. Para melhorar este aspecto do seu jogo, Rambis está treinando com ele arremessos de média e longa distância. O treinador acredita que, caso o percentual dos arremessos longe da cesta aumente, a marcação irá acompanhá-lo para fora do garrafão, ele poderá usar o recurso da finta e fazer sua infiltração com mais liberdade.

Estas últimas duas vitórias criaram uma confiança no elenco, pois eles acabaram com uma sequencia de 17 jogos invictos dos Nuggets em Denver e de 5 vitórias seguidas do Utah. Isto serve de motivação para sustentar o bom momento, crendo que o melhor pode acontecer e não o contrário.


(GL)


*All-American é um termo usado para definir os melhores jogadores do campeonato de basquete da NCAA. Os jogadores citados aqui fazem parte do time número 1 do respectivo ano mencionado. Quem faz a eleição é a agência de notícias Associated Press.


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Boas Festas?


Não adianta. Quando se inicia os jogos de Dezembro para o Dallas Cowboys o alarme soa nos ouvidos dos jogadores, torcedores e todos que trabalham para o clube, lembrando das péssimas recordações que o último mês do ano traz. Passam treinadores e muda o elenco, mas o resultado no fatídico mês é sempre o mesmo: fracasso. Existem traços que indicam algo diferente em 2009, entretanto é preciso aguardar para ver se a triste sina se repetirá.

O retrospecto do clube nas últimas 11 temporadas em Dezembro é trágico. Foram 55 jogos de 1997 até 2008, com 19 vitórias e 34 derrotas. Por mais que seja natural ir atrás de um culpado (ou culpados), não é fácil achar um (ou uns) e determinar o que realmente aconteceu nestes anos todos – 5 treinadores comandaram a equipe no período. Para ser mais específico e atual, vejamos como tem sido a campanha dos Cowboys nos campeonatos mais recentes.

Em 2006, ainda com o treinador Bill Parcels, o time vinha bem com 7v e 4d, vencendo o rival New York Giants fora de casa. Nos quatro jogos restantes perdeu 3 e, por consequência, a primeira colocação na divisão (o Philadelphia Eagles ultrapassou os Cowboys com 5 vitórias seguidas), mais o descanso na primeira rodada dos playoffs e a vantagem de jogar em Dallas na pós-temporada; tudo isso aconteceu graças a derrota no derradeiro jogo do campeonato para o Detroit Lions, então com 2v-13d, em casa. Jogou contra o Seattle Seahawks na repescagem da Conferência Nacional e perdeu, marcando assim a primeira eliminação de Tony Romo nos playoffs.

Já em 2007, estréia do técnico Wade Phillips, o time chegou melhor ainda em Dezembro e talvez por isso o resultado final tenha sido mais frustrante. Eram 11v e 1d quando o temido mês iniciou e o aproveitamento do clube foi de 50% (2v e 2d), o que não afetou muito a classificação, pois os Cowboys terminaram em primeiro lugar na Conferência. Contudo, veio o jogo de playoff contra os Giants e nem o fato de estar em casa ajudou Dallas; eliminado.

No ano passado a história foi pior do que todas essas. A equipe entrou no último mês de 2008 com 8v e 4d e com a esperança de vencer pelo menos dois jogos para assegurar uma vaga na pós-temporada. Só venceu 1 (Giants, casa) e perdeu três (Pittsburgh Steelers, fora; Baltimore Ravens, casa e Eagles, fora). Esta última foi a mais dolorida: uma lapada de 44 a 6, considerada a segunda pior derrota da história da franquia – atrás do 44 a 0 que o Chicago Bears fez em 1985 no Texas Stadium.


Os Cowboys de 2009 estão com 8v e 3d até agora e dois resultados positivos nos próximos cinco jogos podem ser suficientes para se classificar aos playoffs – três vitórias deve assegurar o título da divisão. A pergunta é: Será que é desta vez que o time será bem sucedido em Dezembro? Com a resposta o QB Tony Romo (camisa 9, foto acima): “Esta é uma pergunta que responderemos todos os dias até conseguimos nos dar bem no final da temporada. Espero que este seja o nosso ano”.

A declaração de Romo é ótima, mostrando consciência que não importam os números antes de Dezembro – ele tem 15v e 3d no mês de Novembro, por exemplo. O que interessa para os Cowboys são os jogos decisivos de final de ano e as partidas de playoffs; o time está desde 1996 sem vencer um confronto sequer na pós-temporada. Mais do que vencer, o crucial é chegar aos playoffs em um ritmo bom e só atinge este status quem vence em Dezembro. Sendo desta maneira, pode se afirmar que é no próximo domingo que começa a verdadeira temporada para o Dallas.

Será uma sequencia complicada, enfrentando dois líderes de divisão (San Diego Charges, casa e New Orleans Saints, fora) e os arqui rivais Giants (fora), Redskins (fora) e Eagles (casa). O sistema defensivo será decisivo nestes confrontos, mesmo com Romo estando mais seguro no passe (conseguiu, pela primeira vez na carreira, ficar três jogos seguidos sem ser interceptado). Os duelos serão da defesa dos Cowboys, que está em boa fase, contra os eficientes ataques dos adversários. Dallas tem a segunda melhor defesa da NFL nesta temporada e irá enfrentar 4 dos oito melhores ataques da liga: Saints (1º), Charges (3º), Eagles (7º) e Giants (8º).

Nenhum dos últimos cinco adversários dos Cowboys marcaram mais do que 17 pontos em um jogo, fazendo com que a média de PPJ nesta série seja de 12.3. Ninguém credita esta boa fase da defesa ao trabalho que Wade vem fazendo, lembrando dos tempos que ele era coordenador defensivo, mas o treinador fez cinco mudanças importantes entre os titulares da defesa nesta pré-temporada, colocando no time Mike Jenkins (CB), Anthony Spencer (LB), Keith Brooking (LB), Igor Olshansky (DE) e Gerald Sensabaugh (S). O entrosamento é notório e melhora a cada dia que passa; foram apenas 13 pontos cedidos nos últimos dois jogos e apenas uma vez a defesa permitiu mais de 30 pontos do adversário – 33 contra os Giants na semana 2. E é justamente o time de New York que irá jogar em Dallas neste domingo.


DeMarcus Ware - foto acima (LB) - , líder da defesa dos Cowboys, exemplificou bem a performance ideal que sua unidade deve apresentar: “Para ser honesto eu digo que, no final das contas, temos que jogar muito bem defensivamente. Simplesmente isto”. O sucesso da equipe neste mês depende da atitude e o modo como os atletas vão encarar o tenebroso Dezembro que vem pela frente, abordando as partidas de uma forma diferente em busca de quebrar este encanto que persegue o clube e proporcionar alegria aos admiradores da franquia.

A Família Cowboys torce e vive a expectativa de, verdadeiramente, ter um Feliz Natal e um próspero Ano Novo.


(GL)



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Fator Darrelle Revis


Assim que chega a segunda-feira, os times da NFL se preparam para enfrentar o próximo adversário e passam a mostrar aos jogadores vídeos e dados do oponente. Esta preparação para Darrelle Revis, cornerback do New York Jets, se resume da seguinte forma: marcar o melhor receiver do outro time. A tarefa desta rodada será mais uma vez desafiadora para o camisa 24, porque o “melhor receiver do outro time” é Terrell Owens (Buffalo Bills) e ambos vão duelar no jogo de amanhã (03/12) – com transmissão do Band Sports.

Da mesma forma que Revis estuda o receiver que ele está para defender, o receiver que for jogar contra ele tem que fazer a lição de casa também. Em seu terceiro ano na liga, o CB já figura entre os principais jogadores da posição e caminha forte rumo ao segundo Pro Bowl (Jogo das Estrelas) da carreira. A qualidade do jogo de Revis é alta e por isso que ele figura na elite dos defensive backs; porém não foi fácil atingir este patamar elevado e não é fácil se manter nele.

Ciente de que todo esforço vem com uma recompensa, Darrelle passou as férias deste ano trabalhando e aprimorando sua técnica. Ele viajou até o estado do Arizona e fez treinamentos diários de oito horas (divididos em dois períodos), com uma variação de exercícios que passava pelos movimentos do boxe até chegar à preparação de um maratonista. Tudo visando em aprimorar sua condição física.

Ao descobrir que Rex Ryan, ex-coordenador defensivo do Baltimore Ravens, seria seu novo treinador e que o foco principal dos Jets seria a defesa, Revis se deleitou. O momento ideal de mostrar seu crescimento como atleta estava à sua frente e Ryan sabia o que poderia fazer com ele. O CB passou a ser mais do que uma força na cobertura defensiva, e sim uma arma constante da agressiva estratégia do sistema defensivo da equipe.


E agressividade é com ele mesmo. Revis (foto acima) traz esta característica desde a universidade (Pittsburgh Panthers); na verdade, isto vem com ele desde a infância em Alquippa, estado da Pensilvânia. Para sobreviver na cidade, que faz parte da Região Metropolitana de Pittsburgh, ele tinha duas opções dentro de casa que lhe mostrava direções diferentes: um tio gangster e um tio atleta. Depois de experimentar, por uma noite só, como é o mundo da marginalidade, ele optou por seguir os passos do tio Sean Gilbert (ex-defensive end, atuou durante 12 anos na NFL e passou por quatro clubes), mesmo que o lado obscuro das ruas o atraísse. O jeito durão e rígido de Gilbert manteve Revis longe dos problemas e próximo do êxito, canalizando a agressividade em algo produtivo.

Além de contribuir para, quem sabe, uma tradição familiar de jogadores da NFL, Revis se tornou mais um jogador da cidade que chegou à liga, fazendo parte da lista que inclui Mike Ditka e Ty Law. Da mesma forma que Gilbert, Law e Ditka foram exemplos que ajudaram Darrelle a se dedicar ao esporte, ele espera que algum garoto de Alquippa, que talvez esteja enfrentando o mesmo dilema pelo qual Revis passou, se espelha em sua trajetória para se afastar do errado e escolher o caminho certo.

Neste meio tempo, ele precisava decidir em qual posição jogar. Por admirar o estilo de Deion Sanders, cornerback foi a opção. Muito tempo passou e hoje Sanders é um dos comentaristas da rede de TV da NFL e recentemente disse que Revis é um dos melhores CB´s de toda a liga. Ouvir isto de um dos grandes que já atuaram na posição – e ainda sendo seu principal modelo – deve ser algo especial para Darrelle.

O que Sanders falou, e que outros também afirmam, está baseado nas fantásticas atuações de Revis nesta temporada, anulando completamente os principais receivers da liga:

Andre Johnson (Houston Texans)– 4 recepções e 35 jardas (Semana 1)

Randy Moss (New England Patriots) – 4 recepções e 24 jardas (Semana 2)

Marques Colston (New Orleans Saints) – 2 recepções e 33 jardas (Semana 4)

Terrell Owens (Bills) – 3 recepções e 13 jardas (Semana 6)

Randy Moss (Patriots) – 5 recepções, 34 jardas e 1 TD (Semana 11)

Steve Smith (Carolina Panthers) – 1 recepção e 5 jardas (Semana 12). Na foto abaixo uma das 2 INT´s de Revis em cima de Smith no confronto do último domingo.


Contra o Jacksonville Jaguars (Semana 10) ele não teve que marcar individualmente nenhum jogador. Porém, logo que o WR Mike Sims-Walker marcou um touchdown, no final do primeiro tempo, o coordenador defensivo Mike Pettine colocou Revis na frente de Sims-Walker. Resultado: o jovem receiver dos Jaguars consegui apenas 9 jardas na segunda metade do jogo.

Owens encara como revanche o jogo desta quinta e ele diz via imprensa que a história desta vez será outra. Nos últimos dois jogos Owens teve 14 recepções para 293 jardas e 2 TD´s. O jogo ofensivo dos Bills está diferente desde que o QB Ryan Fitzpatrick assumiu a titularidade e Terrell é o que mais se beneficiou com isto; criando um desafio a mais para Revis.

Apesar de ser um período de preparação curto, Darrelle já têm em mãos estas informações acerca do “novo” Owens e outras mais. Os ingredientes para um jogo eletrizantes existem, mas a atenção estará voltada para este grande duelo entre dois excepcionais atletas da NFL. “É por isto que eu estou aqui e mal posso esperar pelo jogo” disse Revis ontem em entrevista coletiva. “Terell Owens é um ótimo receiver e eu já estudei ele antes, por isto estou familiarizado com seu estilo. Tenho certeza que será uma grande partida”.


(GL)



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