Especial - Finais da NBA 2012


Artigos do Grandes Ligas sobre jogadores do Oklahoma City Thunder e Miami Heat, times protagonistas das Finais da NBA - temporada 2011-12:

Contraste do Eu – Kevin Durant (23 de Novembro de 2009)

A dieta do desafio – Russell Westbrook (28 de Abril de 2010)

Personalidade – Derek Fisher (12 de Junho de 2009)

O que for preciso – Chris Bosh (11 de Janeiro de 2010)

Mais do que um MVP – Dwyane Wade (17 de Março de 2009)

LeBron James não é o Corinthians...


...que precisa de um título para afirmar sua grandeza.

O Sport Club Corinthians Paulista é um dos maiores clubes do Brasil. LeBron James, ala do Miami Heat, é um dos melhores jogadores da história da NBA. Ambos buscam troféus, naturalmente. Vencer até atingir a glória. Mas o título da Libertadores para o Corinthians, e o título da NBA para LeBron, são honras que acrescentarão riqueza ao currículo de cada. Não conquistar tais títulos não os desqualificam como referências em seus respectivos esportes.

No Corinthians, a obsessão por levantar a taça da Libertadores, principal campeonato de clubes da América do Sul, prejudica e afeta diretamente o time na sua preparação e atuação dentro de campo – embora a abordagem para a competição tenha mudado recentemente.

Tive o privilégio de acompanhar a montagem de uma equipe importante na história do Timão: campeã do Brasileirão 2005. Apesar de ser a melhor equipe daquele ano no país, importante não era o título, mas sim uma vaga para o torneio continental. Campeonato encarado com esta metodologia, de se classificar para a Libertadores 2006; e o Brasileirão tido como secundário.

O período que estive no Corinthians, final de 2004 e início de 2005, foi justamente quando o time começou a se construir. A conversa era sempre neste tom: quem pode ajudar na conquista da Libertadores?

Com o título do Brasileirão 2005, nada mais importava a não ser a Libertadores do ano seguinte. Logo, as outras competições foram deixadas para trás. Em 2006, o Corinthians terminou o Paulistão em 6º, eliminado nas oitavas de final na Sul-Americana, 9º colocado no Brasileirão...

...e eliminado da Libertadores nas oitavas de final, pelo River Plate, time argentino. O jogo eliminatório foi em casa, no estádio do Pacaembu. Partida esta registrada pela revolta da torcida corinthiana com a derrota de 3 a 1, encerrada aos 40 minutos do segundo tempo pelo confronto entre torcedores e polícia. Sem motivo convincente, invadiram o gramado tentando agredir os jogadores do alvinegro.

Na construção desta equipe, lá nos primeiros meses de 2005, se imaginava que o Corinthians iria fechar com a possível conquista da Libertadores. Este pensamento mudou e o clube precisava ganhar uma sequência na competição, estabelecer-se nela – como agora, terceira Libertadores seguida disputada pelo Timão.

Está na semifinal, enfrenta o Santos. Pode ser campeão, pode perder nesta fase. Porém o que importa é continuar em evidência, buscar disputar em 2013, 2014... O título da Libertadores será  valioso sim, contudo não deve ser colocada uma pressão desproporcional no elenco, pois aberrações como ser eliminado na primeira fase pelo Tolima (time colombiano) pode voltar a acontecer – foto abaixo.


Once Caldas (Colômbia) tem um título da Libertadores-2004, é um time grande? Esta conquista o fez relevante? E o São Caetano, que em 2002 disputou a final da Libertadores contra o Olímpia (Paraguai), venceu o primeiro jogo (1 a 0) fora de casa e na volta, estádio do Pacaembu, com dois pênaltis desperdiçados por Marlon e Serginho, perdeu o título para o time paraguaio?

Quantas temporadas que o São Caetano não joga o Brasileirão?

Exato...

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Mark Madsen é bicampeão da NBA; Charles Barkley tem 0 título

Conhecido pelo estilo peculiar de dançar um rap ao som do The Diesel (Shaquille O’Neal), Mark Madsen, com clamorosas médias de 2.8 PPJ (2000-01) e 3.2 PPJ (2001-02), levou dois anéis de campeão da NBA nestas respectivas temporadas. Outros “talentos” da NBA têm mais títulos que Charles Barkley (lenda da associação, membro do Dream Team) e que LeBron James: DeShawn Stevenson (2011 – Dallas Mavericks), Brian Scalarbine (2008 – Boston Celtics), Darko Milicic (2004 – Detroit Pistons)... este peculiar “hall da fama” é extenso.

Em 1996 a NBA completou 50 anos e montou uma lista com os 50 melhores jogadores da história da associação (até então). Quem participou da votação: jornalistas especializados, ex-treinadores e ex-jogadores, e treinadores e jogadores em atividade. Dos 50 atletas escolhidos, 11 estavam em atividade e destes, 4 não conquistaram o título da NBA: Patrick Ewing, Karl Malone, John Stockton e Charles Barkley.

Quem conhece a história da associação se atreve a dizer que estes quatro jogadores não são grandes ou não merecem estar na lista?

Fora esses, outros jogadores entre os 50 não conquistaram título: Elgin Baylor, Dave Bing, George Gervin, Pete Maravich e Nate Thurmond.

Quem conhece a história da associação se atreve a dizer que estes cinco jogadores não são grandes ou não merecem estar na lista?

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Não 2, não 3, não 4...

Assim que chegou em Miami, LeBron cometeu erros graves – e se desculpou por alguns. Lidou muito mal com aquela situação que até hoje é discutida aos berros. Uma das coisas que ele disse naquela repudiável apresentação para torcida o assombra até hoje: “Não 2, não 3, não 4, não 5, não 6, não 7...”. Resposta a pergunta do mestre de cerimônia que questionou sobre se o Heat iria vencer um título da NBA – por isso que LeBron começou sua resposta com 2.

Continuando na resposta de James, disse acreditar na possibilidade de ganhar múltiplos títulos em Miami. Fazer a contagem foi um falha letal, porém o pensamento não tem que ser este, crer ser possível ganhar quantos títulos estive ao alcance? Ou você, como presidente de uma franquia que gastou milhões para contratar uma super estrela, gostaria de ouvi-la dizendo: “Tô aqui pra ganhar um título só, não tá bom? No resto do tempo, vou gastar a grana que tenho na Miami Beach”.


Michael Cooper (foto acima) é um dos mais importantes jogadores da franquia Lakers. Membro do elenco Showtime, venceu 5 vezes a associação (1980, 1982, 1985, 1987 e 1988) e eleito o melhor defensor em 1987. Após a carreira na NBA virou treinador e no ano 2000 assumiu o comando do Los Angeles Sparks, equipe da WNBA. Teve uma carreira vitoriosa, ganhando 2 campeonatos da liga feminina: 2001 e 2002.

Em 2003 as Sparks chegaram às Finais, mas perderam para o Detroit Shock. Eram três decisões consecutivas, como motivar a equipe para a temporada posterior?

Cooper estabeleceu, antes do campeonato 2004 começar, uma meta: fechar a temporada regular invicto. A declaração pegou mal na imprensa e com os adversários. Minutos antes do jogo de abertura do campeonato daquele ano, contra a Storm em Seattle, o treinador reafirmou o que falara. Resultado final da partida: Storm venceu (93 a 67). Após o duelo, Cooper foi entrevistado e os repórteres questionaram sobre como ficaria o plano de terminar a temporada sem derrotas. Michael reformulou sua declaração: “Agora a meta é encerrar a temporada regular com apenas uma derrota”.

Este objetivo de invencibilidade servia como motivação para as jogadoras que tinham no currículo três finais e um bicampeonato, criando algo ousado e novo para mantê-las no foco, de se dedicar a cada jogo para cumprir o que fora determinado – Michael Cooper, após 20 jogos (14v-6d) se transferiu para a NBA, assumindo cargo de assistente técnico do Denver Nuggets.

Na primeira temporada em Miami, LeBron, junto com seus companhieros, chegou à Final da associação. Na segunda temporada está próximo de conquistar novamente a Conferência Leste – jogo 7 contra o Boston Celtics no sábado dia 09. Seja eliminado ou avance, o pensamento de repetir uma grande campanha na temporada  2012-13 será posto em prática, visto que isto o motiva a continuar treinando, se aprimorando para manter a excelência.

Três MVP’s em nove temporadas. Melhor jogador da NBA nos últimos quatro campeonatos. LeBron está na galeria dos melhores jogadores da história da liga; o coloco no time ideal de todos os tempos, junto com Magic Johnson, Michael Jordan, Kareem Abdull-Jabar e Wilt Chamberlain. Pode terminar sua carreira sem títulos, ou com 2, 3, 4, 5, 6, 7... Independente disto, sua grandeza já está estabelecida.

Numa partida com enorme pressão, fora de casa e “as costas na parede” (como dizem os americanos), LeBron marcou 45 pontos no jogo 6 das finais da Conferência Leste (quinta, dia 07) – veja vídeo abaixo.



Prefiro assistir estes lances sorrindo ao invés de ranger os dentes.



(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 Getty Images
© 2 EFE
© 3 NBAE

Quem ganha, quem perde


O resultado final do jogo 3 das finais da Conferência Oeste da NBA favoreceu o Oklahoma City Thunder: 102 a 82 contra o San Antonio Spurs. Mas, o Thunder venceu ou os Spurs perderam?

A manchete do caderno de esportes do jornal The New York Times de 1º de Junho estampa: “Após 20 vitórias, os Spurs tropeçam em Oklahoma City”. A matéria enfatiza a histórica sequência que o time alvinegro conseguiu. Realmente 20 é um número importante neste contexto, porém são os 20 pontos de diferença que o Thunder abriu de margem na vitória.

Os Spurs têm tido preferência na mídia especializada em NBA por estar fazendo jogos de excelente qualidade. Dizem que o time demonstra em quadra um “puro basquete” e que apresenta “uma clínica de como se deve jogar”. Este carinho pelo San Antonio é diferente de todos os outros anos, mesmo aqueles nos quais a equipe levou o troféu Larry O’Brien, pois agora os comandados de Greg Popovich agem diferente: é um time de ataque.

Isto não é de hoje, deste momento. Em Fevereiro de 2011 você leu aqui no Grandes Ligas que o San Antonio Spurs estava mudando sua filosofia de jogo e passou a marcar mais cestas ao invés de sofrer menos pontos. Todos quatro títulos da franquia sob a regência de Popovich foram conquistados com base na defesa. Por isso que aquelas equipes não receberam amor da mídia, diferente do que acontece nestes playoffs.

Ter (o time defensivo dos) Spurs nas Finais é derrota para as redes de televisão detentora dos direitos. De 2000 até 2011, as três piores médias de audiência das Finais da NBA teve os Spurs em quadra e a pior desde 1976, quando o Nielsen Ratings passou a medir a audiência da decisão: 6.2 em 2007 contra o Cleveland Cavaliers – para o Nielsen Ratings, cada ponto de audiência é igual a 1% das casas americanas com um televisor ligado em qualquer momento da partida.

Como comparação, a média de audiência das Finais da temporada passada, entre Dallas Mavericks e Miami Heat, foi de 10.2.

Além disso, de 1997 até 2001, a pior média de audiência de uma única partida das Finais também teve os Spurs em quadra: 5.3 em 2003 contra o New Jersey Nets, jogo 2.

Como comparação, o jogo 6 das Finais entre Dallas e Miami teve 13.3 de audiência.

Os Spurs tinha o rótulo de não atraente justamente por não empolgar no ataque. Entretanto, no campeonato 2011-12 San Antonio marcou, em média por partida, mais pontos que o Thunder, mas OKC era o escolhido como favorito no Oeste por ter um time jovem, rápido na transição defesa-ataque, atletas que produzem jogadas de efeito... Ao contrário dos Spurs, um time velho que se concentra no ataque de meia quadra, preferindo uma bandeja e não uma enterrada (na temporada regular, Tim Duncan foi quem mais enterrou no time dos Spurs, o 64º entre os que mais enterraram).

Na campanha de playoffs 2002-03, San Antonio marcou +100 pontos em 7 dos 24 jogos. Nos playoffs de 2004-05, foram +100 pontos em 11 dos 23 jogos. Nos playoffs de 2006-07, foram +100 pontos em 7 dos 19 jogos (campanhas campeã da equipe). Na pós-temporada 2011-12, foram +100 pontos em 8 dos 11 jogos até agora...

O ideal confronto nas Finais seria Thunder versus Heat. Mas San Antonio contra Miami, hipoteticamente, daria uma grande decisão, até pelo contraste que há entre os clubes, um choque de diferentes culturas e de como se constrói um time de basquete.

O fã de esporte não perderia caso Spurs e Heat se encontrem nas Finais deste ano.


O Heat, que avança até a conquista do seu bicampeonato da Conferência Leste, lidera por 2 a 0 a série contra o Boston Celtics. Porém estes dois jogos foram tidos mais como derrotas do alviverde do nordeste americano do que vitórias do time de Miami Beach.

Após o primeiro confronto, que contou com uma péssima atuação do Ray Allen, armador dos Celtics, houve um destaque enorme para este aspecto do que para o resultado final. Entre outras coisas, veja alguns exemplos de manchetes após o jogo 1:

Huffington Post/Associated Press: "Celtics cai e perde do Heat, 93-79"

CBS Sports: "Celtics teve três questionáveis faltas técnicas no jogo 1 contra o Heat"

No jogo 2 permaneceu a inclinação em dizer, direta ou indiretamente, que os Celtics perderam e não o Heat que venceu. Isto ampliado pela brilhante atuação de Rajon Rondo: 44 pontos, 10 assistências e 8 rebotes. As matérias do jogo se resumem na frase “Mesmo com 44 pontos de Rondo, Celtics não vence Heat”. Ou:

ESPN: "Rajon Rondo excepcional, mas LeBron, Heat abrem 2 a 0"

Quem é mais excepcional: quem perde o jogo com as estatísticas que Rondo produziu, ou quem sai vencedor com 34 pontos, 10 rebotes e 7 assistências (e 1 erro)? Se fosse LeBron James o responsável por ser o primeiro jogador na história dos playoffs da NBA a marcar +44 pontos, +10 assistências e +8 rebotes, provavelmente a palavra “excepcional” não estaria ao lado do seu nome após uma derrota, mesmo com estes números.

Não estaria porque não esteve.

LeBron não é bom nos playoffs, certo? Ao menos é a reverberação do senso comum. Nas últimas pós-temporadas com o Cleveland Cavaliers esta análise ridícula cresceu, de que ele não é um jogador para esta época do campeonato (um fracassado). Pois bem:

Performances de LeBron James nas semifinais da Conferência Leste contra o Orlando Magic, 2008-09: Jogo 1 – 49 Pontos, 6 Rebotes e 8 Assistências; Jogo 3 – 41 P, 7 R e 9 A; Jogo 4 – 44 P, 12 R e 7 A; Jogo 5 – 37 P, 14 R e 12 A.

Performances de LeBron James nas seminais da Conferência Leste contra o Boston Celtics, 2009-10: Jogo 1 – 35 Pontos, 7 Rebotes e 7 Assistências; Jogo 3 – 38 P, 8 R e 7 A; Jogo 6 – 27 P, 19 R e 10 A.

Excepcional ou não?

Como dizem na NBA, uma série de playoffs só começa quando o time da casa perde. Assim, tudo se mantém, já que nenhum visitante ganhou nestas finais de Conferência. Há chance sim de o Thunder e/ou os Celtics chegarem à grande decisão, contudo o caminho que está sendo traçado é outro: Spurs versus Heat.

Com San Antonio vencendo os jogos contra o Thunder e o Boston perdendo os jogos contra o Heat.    


(GL)
Escrito por João da Paz
© 1 Christian Petersen / Getty Images