Outubro Rosa na NFL


Começa na semana 4 da temporada 2011-12 a terceira campanha anual da NFL na luta contra o câncer de mama e incentivo à sua prevenção, em conjunto com a Amercian Cancer Society (ACS). A parceria entre as instituições começou em 2009 e gerou certo espanto pela maneira agressiva que a liga aderiu a causa, inserindo a cor rosa em todos os equipamentos usados no campo de jogo e permitindo que o público tivesse acesso a eles através de lojas, com o dinheiro das vendas revertido para a ACS. Os jogadores abraçaram a proposta, agiram como líderes e o movimento ganha força a cada ano.

Os resultados são nítidos e a ACS tem conseguido cumprir a meta de alertar as mulheres de fazerem anualmente uma mamografia ou exame de toque e, caso seja notado uma anormalidade, que busque um médico para tratar enquanto é tempo. Somente no ano passado, as campanhas da ACS, incluindo o palco maior que é a NFL, evitaram a morte de 898 mil pessoas em todo o EUA, o que a associação chama de “celebrações de aniversários” - os Estados Unidos têm cerca de 12 milhões de sobreviventes de câncer.

A liga trabalha como um todo neste trabalho e conta com a ajuda de grandes empresas que patrocinam as atividades e propagandas; entre elas estão a Procter & Gamble, Eletronic Arts, Barclays, PepsiCo., Topps e Panini. Além destas tem as que patrocinam todos os clubes e colocam rosa em seus produtos:

- Adidas: luvas
- Gatorade: toalhas, copos, squeezes
- Nike: chuteiras, luvas
- Reebok: chuteira, luvas, faixas e bonés
- Riddell: Capacetes
- Under Armour: luvas
- Wilson: bolas e toalhas dos quartebacks

Grande parte destes produtos recebe o autógrafo dos atletas e entram num leilão dentro do site oficial da NFL. No ano passado, somente nesta ação, foram arrecadados mais de US$ 1 milhão de dólares.

Cada franquia também desenvolve seu trabalho particular e começa a realizá-lo a partir do primeiro domingo do mês (dia 2). Eis alguns exemplos do que acontecerá:

- No jogo de domingo à noite (2) entre o Baltimore Ravens e New York Jets, o hino nacional americano será interpretado pela estrela da country music Martina McBride. Seu atual single, “I’m Gonna Love You Through it”, do álbum "Eleven", é tido como um hino pelos que lutam (lutaram) contra o câncer de mama – no campo estará ao seu lado 50 sobreviventes de câncer. Baltimore vai entrar na campanha num gesto adotado por várias cidades do mundo, iluminando os principais monumentos do município com a cor rosa.

- Também neste domingo (2), o Cleveland Browns vai a data para fazer um evento especial ao receber o Tennessee Titans no Cleveland Browns Stadium. Aliás, o estádio foi sede da caminhada anual contra o câncer de mama organizado pela ACS em Maio deste ano.

- Na sexta (7), anterior ao jogo contra o Philadelphia Eagles em casa, o Buffalo Bills dará inicio na sua participação unindo forças com o governo local e prefeituras da região oeste do estado de New York. Neste dia os jogadores da franquia serão os responsáveis por ligarem as luzes rosa que iluminará em Outubro as Cataratas do Niágara.


- O Indianapolis Colts vai aproveitar o jogo em casa contra o New Orleans Saints em 23 de Outubro para iniciar sua parte na campanha - duelo transmitido para todo o EUA através da rede NBC. Antes da partida haverá uma homenagem a sobreviventes do câncer de mama. Os torcedores que entrarem no Lucas Oil Stadium ganharão como cortesia um laço rosa, símbolo da campanha, assim como pins e cards.

Serão 5 semanas de intensa promoção, uma digna ajuda da NFL e seus membros, colaborand para este alerta que a cada 12 meses é lembrado. O mais legal disso tudo é que os jogadores apóiam a ideia sem receio e usam rosa normalmente, o que fora considerado reprovável em tempos passados. Confira alguns dos itens* que você ira ver em campo neste mês de Outubro na NFL:













*Propriedade da NFL. Direitos reservados.
(GL)
Escrito por João da Paz

Os sérios problemas das concussões no futebol americano sintetizados em Nolan Brewster

A carreira do safety Nolan Brewster, da Universidade Texas, terminou nesta segunda 26 de Setembro. O departamento médico dos Longhorns comunicou a imprensa o afastamento definitivo do atleta do gridiron. Lesões no cérebro que o acompanham desde os jogos no high school (ensino médio), foram agravadas nesta curta temporada da NCAA, sua terceira (junior). Na partida contra a UCLA em 17 deste mês, Brewster saiu de campo após uma super pancada que causou dolorosas concussões. Exames detalhados foram realizados e o DM recomendou que, para o bem da sua saúde, abandonasses o esporte.

Uma decisão extremamente delicada para um garoto que viveu sempre com uma bola oval em mãos. Porém o lado agressivo do football o afetou drasticamente. Se continuasse, o futuro seria pior do que passar os dias com a certeza de que escolher não ser mais jogador foi a opção sábia. Entretanto as enxaquecas e dores de cabeça lhe farão visitas periodicamente

Brewster sentiu fortes dores após o encontro contra UCLA em Los Angeles. Kenny Boyd, preparador físico de Texas, passou a fazer repetidos exames com o safety, justamente por saber do seu passado de concussões. Conversas com a família e com o treinador Mack Brown fizeram que Brewster, bem ciente da situação, optasse por desistir do football.

Isto mostra o quanto pode ser grave e nocivo as inúmeras pancadas que são distribuídas durante um duelo de football. Se no profissional (NFL) esta preocupação é gigantesca e lesões cerebrais ocorrem com frequência, no universitário (NCAA) e no nível escolar (high school) a proporção chega a ser maior. Pesquisas de universidades americanas indicam que por ano são diagnosticadas cerca de 67 mil concussões em atletas no nível escolar.

O capacete é utilizado para proteger e questões são abertas para ver se isso é posto em prática pelas empresas fabricantes. As três plataformas de football nos EUA são alvos de testes para melhorar a resistência deles e o mais recente tem sido realizado na NFL nesta temporada 2011-12. Alguns jogadores estão usando capacetes com sensores que calculam a força exercida na cabeça a cada pancada recebida. Estes dados são transmitidos diretamente a uma central que analisa se esta força passou do limite considerado normal. A ideia é ver se cada jogador de uma posição específica precisa de uma proteção maior em determinada região do capacete do que os de outra posição. Assim podem ser criados capacetes diferentes para linebackers, para receivers, para safeties...

Estas apurações são levadas a sério porque pode salvar vidas. Em 2007 o jornal The New York Times fez uma busca de dados e reportou que em 10 anos, de 1997 a 2006, 50 jogadores do high school em mais de 20 estados americanos morreram devido a lesões na cabeça. Um número preocupante.

Fora isso há os que ao envelhecer passam a sofrer problemas mentais, falta de memória, enxaquecas, depressão... Sintomas que estão presentes no cotidiano de Adrian Arrington, ex-jogador de football que processa a NCAA por negligência - ação protocolada neste mês. Nos autos é prescrito que a NCAA não sabe lidar com as concussões por possuir um ineficiente programa para educar os jogadores sobre os riscos vitais destas lesões. Arrington, além de buscar ressarcimento financeiro, pede que estas políticas da NCAA mudem e que seja criado um programa que cuide dos atletas machucados durante sua vida, uma espécie de monitoramento; alerta também para que se criem novas diretrizes sobre as concussões.

A NCAA responde mostrando que faz um lembrete as universidades sobre o plano que têm sobre as lesões cerebrais. Este informa aos jogadores e times sobre os sintomas indicadores de concussão e ordenam que nenhum atleta permaneça em campo após sofrer uma pancada forte na cabeça; e nem exerça sua atividade em campo neste mesmo dia.

Nesta crescente preocupação sobre as concussões e o mal que pode trazer a quem é vitima de uma delas, é esquecido um detalhe: existem as pequenas lesões na cabeça que passam despercebidas, aquelas que não chegam a nocautear um jogador, mas causam um danoso impacto no cérebro. Quem colocou este debate em voga foi um professor de engenharia biomédica da Universidade Purdue (West Lafayette, Indiana) chamado Eric Nauman. Ele verificou em alguns alunos de nível escolar, graves lesões cerebrais; o que chamou atenção dele é que nenhum destes atletas que seguiu de perto foi vítima de uma super pancada, são contatos corriqueiros e que fazem parte do jogo, como um encontro na linha de scrimmage ou um simples tackle ou bloqueio.

Boa discussão a ser posta, já que o cuidado com a cabeça não deve só ser advertido ou acompanhado com cautela naqueles que são agentes ou vítimas de super pancadas – embora são estes últimos que chamam mais a atenção.

Brewster treinava para distribuir estas pancadas. Fazia isto bem e, apesar de não ser titular, era considerado um coringa no jogo defensivo de Texas – por estar em ano de NFL, os olheiros o viam promissoriamente. Desafiado a dar 100% em campo e o melhor de si dentro das quatro linhas, Brewster fazia o que lhe era ordenado e exigido. Fatalidades o levaram a ter concussões que ameaçavam sua qualidade de vida. Assim disse à imprensa “Sei que no meu coração isto [abandonar o football] é a melhor coisa a se fazer. Simplesmente sei que não posso continuar me preocupando sobre isto [concussões] piorar, sabendo que posso arriscar meu futuro”.

Há um empenho massivo nos três estágios do football nos EUA para controlar estas super pancadas e cuidar melhor das vítimas – assim como punir com braço forte os culpados. A NFL é que tem de administrar com cuidado esta situação por ser o principal exemplo. A liga profissional, representada pelo comissário Roger Goodell, procura avisar suas franquias sobre as políticas de concussões e punir rigorosamente os responsáveis em causar estas lesões.

Um notório caso mostra bem contra o quê a NFL tem que lutar. No mais recente confronto entre Atlanta Falcons e Philadelphia Eagles, Dunta Robinson, safety dos Falcons, atingiu com violência o receiver Jeremy Maclin, lance que lembrou uma pancada de Robinson contra outro receiver dos Eagles, DeSean Jackson, em 2010 – ambas jogadas são mostradas no vídeo abaixo:



Como Cris Collinsworth, comentarista da NBC, diz no final deste take: “É assim que as pessoas se machucam seriamente neste jogo”.



(GL)
Escrito por João da Paz


© 1 Longhorns Media

Moneyball: outro livro que virou filme

O jornalista e escritor Michael Lewis volta a ser assunto. Depois de ter sua obra “The Blind Side” transformada em filme (“Um Sonho Possível”), outro trabalho seu ganha formato cinematográfico: Moneyball: The Art of Winning a Unfair Game (tr. Moneyball: A Arte de Ganhar um Jogo Injusto). A estreia do filme - Moneyball - nos EUA será nesta sexta feira (23). O protagonista da película é Brad Pitt, no papel de Billy Beane (foto acima), principal foco do livro que conta como foi a temporada 2002 do Oakland Athletics, time da MLB.

Lewis decidiu acompanhar um campeonato inteiro junto do clube da Califórnia após ver dados interessantes publicados no site Baseball Prospectus. Doug Pappas escrevia por lá ideias que defendiam a eficiência de alguns clubes da MLB baseado na construção do elenco não necessariamente com jogadores de renomes, famosos. Ele destacava os Athletics por fazer este trabalho muito bem, dedicando-se as estatísticas para buscar uma melhor formação da equipe. Lewis achou isso tudo fascinante e encarou passar a temporada 2002 completa com o time verde e amarelo.

Em 2001 os Athletics fizeram uma ótima campanha: 102 vitórias – 60 derrotas. Lewis torcia pela manutenção desta performance e assim aconteceu, terminando a temporada seguinte com uma vitória a mais. Então muitas experiências foram vividas neste período e algumas estão relatadas no livro. Porém a perspectiva tomada de concentrar a hipótese em números não atraiu, logo após o seu lançamento, os fãs mais fiéis do beisebol. Mesmo os dirigentes não entendiam muito do que se tratava. Depois de avaliações de críticos e assimilação da mensagem pela mídia, que reportou a qualidade do livro, as pessoas passaram a comprá-lo, a falar dele nas conversas informais e assim o sucesso (enorme) pegou carona.

Moneyball foi best-seller da prestigiada lista do jornal “The New York Times” por meses e sua vendagem ultrapassou a marca de 1 milhão de cópias. Lançado em 2003, hoje o livro é exigido em muitas universidades americanas, leitura obrigatória nos cursos de economia, administração e gestão.

Estes aspectos geraram uma dúvida quando o assunto filme foi mencionado. Como fazê-lo? A dificuldade seria criar um roteiro bem compacto, adequado as histórias contadas nas páginas de Moneyball. A produção do filme teve problemas com roteiristas e seus rascunhos; num deles a própria MLB teve que intervir por achar que elementos inadequados estariam sidos associados à liga (sexo, aposta, excesso de bebidas...).


O que sustentou o projeto foi Brad Pitt, super astro de Hollywood que abraçou (literalmente e em sentido figurado) o personagem Billy Beane e não o deixou escapar. Esta aproximação o ajudou a entender mais o que pensava Beane naquele ano de 2002. Pitt conviveu com o diretor de beisebol dos Athletics observando seu comportamento no âmbito profissional e pessoal. Absorveu traços e gestos, atitudes e manias, tudo para interpretá-lo de uma forma bem realista. Beane gostou da ideia, deu muitas dicas e assim ganhou um novo torcedor para os A´s.

A direção do filme buscou qualificar bem as principais características daquele tempo para não encaixar a película na “caixinha-de-filmes-que-não-são-tão-bons-quanto-os-livros”. Um detalhe curioso foi o cuidado com o estádio nas filmagens, procurando manter os traços de 2002. Para tanto até os patrocínios da época foram recolocados em seus lugares, o mesmo com as estruturas de arquibancada que sofreram modificações ao longo de 9 anos.

Na meta de transmitir através das imagens e sons o máximo de realismo possível, a produção convidou para uma participação especial os profissionais Ken Korach (atual narrador oficial dos A’s - rádio), Greg Pappa (atual narrador oficial do Oakland Raiders – NFL) e Glen Kuiper (atual narrador oficial dos A’s - televisão) e não entregou script a eles. Pediu que falassem sobre os jogos que aparecem no filme de forma natural, mais fluente, na tentativa de recriar o clima que acontece num jogo de verdade.

Claro que não dá para fazer um filme sem pequenas adaptações, não tem como ser estritamente fiel a um livro, por exemplo. São necessários dramas, emoções e suspenses extras. Contudo uma das cenas mais empolgantes pode até parecer coisa de roteirista hollywoodiano causador de momentos só possíveis no cinema, mas de fato aconteceu.

Os Athletics estavam numa incrível série de 19 jogos invictos. Na partida da provável vigésima vitória na sequencia, Oakland vencia fácil, em casa, o Kansas City Royals e na terceira entrada estava 11 corridas à frente (11 a 0). Porém, inesperadamente, os Royals empataram e a corrida que igualou o placar aconteceu na primeira parte da nona entrada. Ainda restava uma chance de virada por parte dos A’s antes da prorrogação. E ela veio, num home run de Scott Hatteberg... Com a vitória, a 20ª seguida, os Athletics estabeleceram um novo recorde na Liga Americana, bem difícil de ser batido – o anterior de 19 vitórias pertencia ao Chicago White Sox de 1906 e New York Yankees de 1947.


O registro cinematográfico vai perpetuar este conceito criado por Billy Beane, mostrado no livro, aplicado (hoje) por todos os clubes da MLB e agora exemplificado em encenação. Moneyball virou sinônimo de tão popular que o termo ficou, explicando as ações das franquias em montar seus respectivos elencos no alicerce chamado sabermetrics, conjunto de estatísticas mais avançadas e cheias de minúcias. É tanto pormenor que chega a deixar o jogo de beisebol chato ao invés de descomplicá-lo – embora o intuito seja o contrário.

Mas o filme não se desgastará muito nessa de sabermetrics, apesar de ser importante para a trama. Não fará para não se tornar de complexa compreensão. De qualquer modo, é mais um grande marco nesta relação Hollywood e beisebol, que nos entregou grandes filmes para o deleite dos amantes (ou não) do esporte. Com Brad Pitt estrelando, Moneyball ganha status de blockbuster e tem tudo para ser um estouro de bilheteria.



(GL)
Escrito por João da Paz


*Veja o trailer*